Lá se vão 136 anos de República e o Brasil ainda brinca de aprender a ser “gente” no mundo globalizado e tenta se ajeitar à sua história. O 15 de novembro de 1889 foi um acontecimento dramático, sem a participação efetiva do povo. Um golpe fatal no dinamismo, na coerência. O futuro promissor deste gigantesco trem descarrilhou do futuro. De “o país do futuro”, hoje a frase se tornou refém de um passado próximo.
É claro que muitas questões fizeram a Monarquia cair. Uma delas foi a Abolição da Escravatura em 13 maio de 1888, que estarreceu os “barões do café”, muitos com títulos de nobreza concedidos pela Coroa. Isso mesmo, a Monarquia caiu pelo ínfimo movimento republicano, sendo os integrantes não mais que meros coadjuvantes na política da ocasião.
A principal causa foi o fato da pior mentira (fake news) que tivemos, quando inventaram para o marechal Deodoro da Fonseca, que havia dito ao sobrinho Clodoaldo, também militar, sobre uma implantação de República no país, o que ele o respondeu que República e desgraça eram a mesma coisa, ou seja, uma “verdadeira desgraça”.
Entretanto, o fato de Deodoro saber que Dom Pedro queria enfraquecer o exército e havia escolhido seu rival político e “arqui-inimigo” Gaspar da Silveira para chefe do Conselho de Ministros, deixou-o atordoado, pois Deodoro tinha briga ferrenha com Gaspar por causa de “um rabo de saia” no Rio Grande do Sul; mesmo doente, monarquista convicto, amigo do imperador, que pagou do próprio bolso toda a sua formação, ele acabou proclamando a República, pois dependiam só dele para isso.
Lamentavelmente, Pedro II recusou-se a ir para Minas, onde poderia ser amparado; não queria derramamento de sangue. Já abatido pelos anos, um dos homens mais cultos do mundo, o maior governante do Brasil, afeito ao ensino e ao desenvolvimento, entregou-se. Isabel, a princesa imperial, não tinha condições de lutar; o esposo, Conde d’Eu, herói, mas enfraquecido e surdo por causa da Guerra do Paraguai, também não tinha condições físicas para aquentar uma contrarrevolução; o príncipe do Grão- -Pará, D. Pedro de Alcântara, herdeiro imediato de Isabel, com quinze anos, e o neto mais velho, filho da princesa Leopoldina, Dom Afonso, 25, também não tiveram condições de heroísmo.
O Brasil precisa repensar com urgência sua condição política. Não teria problema nenhum a República. No entanto, ela nunca deu certo de verdade em um país que continua essencialmente monárquico. Durante muitas décadas não se podia falar em outro regime que não fosse aquele implantado pela turma do Quintino Bocaiuva. Quando Deodoro arrependeu, já era tarde. O vice, Floriano Peixoto, o Marechal de Ferro, perseguiu, mandou matar, sequestrar e queimar os livros de Eduardo Prado, A ilusão americana, e quem portasse um exemplar poderia ter consequências graves.
Não importamos de ser republicanos. Não do jeito que vivemos este tempo todo, com vários golpes e tentativas de golpes, inclusive, de cunho duvidoso, insistir em uma outra recente que dizem que um ex- -presidente tentou fazer…
No plebiscito de 1993, para escolher se República ou Monarquia, estudei a fundo todos os países do mundo e cheguei à conclusão de que a Monarquia como forma de governo (pois só temos duas: Monarquia ou República) seria a melhor opção: uma Monarquia Constitucional Parlamentar, tema para outra oportunidade. Semana passada, estivemos com Suas Altezas Reais, os Duques de Bragança, D. Duarte Nuno Pio, chefe da Casa Real Portuguesa, e D. Isabel de Heredia, em Lisboa, acompanhados de queridos amigos republicanos, nosso estimado governador Eduardo Azeredo e os jornalistas Antônio Claret e Suely Guerra.
Foi uma conversa das mais agradáveis. Antes, estivemos com o embaixador do Brasil em Portugal, um dos maranhenses mais cultos, também simpático à causa monárquica, o diplomata Raimundo Carreiro, um grande divulgador de nossa pátria.



