
Entre os dias 11 e 15 de março, a cidade de Tiradentes, na região Central de Minas Gerais, será palco da 15ª edição do Festival de Fotografia de Tiradentes – Foto em Pauta. Com programação totalmente gratuita, o evento ocupará o Centro Cultural Yves Alves e outros espaços da cidade. A expectativa é receber cerca de cinco mil visitantes ao longo dos cinco dias.
Admiradores da oitava arte, moradores e turistas poderão mergulhar em uma programação diversificada, que inclui exposições, debates, palestras, projeções, lançamentos de fotolivros e ações educativas. O Festival também se destaca por promover encontros e trocas entre artistas e público, reunindo nomes de projeção nacional e internacional, como Cássio Vasconcellos, Claudia Andujar, Daniela Paoliello, Florence Goupil, Frans Krajcberg, Lalo De Almeida, Musuk Nolte e Siân Davey.
Nesta 15ª edição, o eixo curatorial mantém o foco em questões ambientais e na relação das pessoas com o mundo que as cerca. Para o idealizador e diretor artístico do Festival, Eugênio Sávio, o evento não se propõe apenas a reunir boas imagens, mas trabalhos que provoquem reflexão. “A fotografia não é só uma ferramenta tecnológica ou de entretenimento. É um instrumento de pensamento, de relação com a vida”.
Outro ponto central deste ano é a ampliação das ações de inclusão e acessibilidade. O Festival vai investir em recursos como textos em Libras e audiodescrição. A organização também prepara uma homenagem a um fotógrafo local que perdeu a visão, ampliando o debate sobre a participação cultural.
O início
O diretor explica que a iniciativa do projeto nasceu de experiências pessoais na juventude, quando participou de solenidades organizadas pela Fundação Nacional de Artes (Funarte) em cidades como Fortaleza, Ouro Preto e Curitiba. “Percebi a potência que é um festival. É um encontro muito forte, onde pessoas com ideias, sonhos e projetos semelhantes se reúnem, isso produz uma energia muito positiva para quem quer criar”.
Ao longo dos anos, o Festival deixou de ter perfil regional e ganhou projeção nacional. Segundo Sávio, a organização trabalhou para que o evento extrapolasse as fronteiras de Minas e se tornasse referência no circuito brasileiro. “Hoje, as convocatórias atraem fotógrafos de todas as regiões do país, e o público também vem de diferentes estados. A gente amadureceu muito na forma de produzir exposições e nos formatos audiovisuais”.
Mostras
Uma das exposições do Festival é o Mundo Floresta, que parte do romance “Floresta é o Nome do Mundo” (1972), de Ursula K. Le Guin, que narra a colonização de um planeta inteiramente coberto por florestas e habitado por um povo em profunda sintonia com a natureza. A mostra propõe uma tradução intersemiótica do livro indo da literatura em direção à fotografia.
O curador da exposição, Pedro David, propõe um chamado direto ao público diante do que define como um colapso ambiental em curso. “A mostra integra o chamado ‘ciclo cósmico’, eixo que o Festival de Fotografia de Tiradentes desenvolve desde 2020, dedicado a discutir ecologia, preservação da vida e os impactos do modo de desenvolvimento contemporâneo”.
“A cada ano cresce a necessidade de apresentar trabalhos que tratem dessa emergência do meio ambiente, da catástrofe que estamos vivendo. E passamos a ficar mais envolvidos com essa ideia e com mais ímpeto e vontade de falar desses problemas e soluções. Pretendemos suscitar no público uma reação a esse modo de vida que nós adotamos no ocidente, a partir do século 20”, finaliza.
Fotolivros
Ainda no Festival serão lançados mais de 40 fotolivros. Os encontros ocorrerão nas noites de sexta-feira, dia 13, e sábado, dia 14 de março, na Vila Foto em Pauta, com a presença dos artistas. Os temas abordados nas produções abrangem desde a natureza e o meio ambiente até questões sociais e culturais, passando por memória, história e expressões artísticas pessoais, entre outros. A programação completa também pode ser conferida no Instagram @fotoempauta e no site oficial do evento.



