
A 6ª edição do Festival Cinema dos Quilombos vai acontecer no Quilombo do Açude, em Jaboticatubas, na Serra do Cipó, nos dias 11 e 12 de outubro. Essa é a primeira vez que o evento se realiza dentro de um território quilombola. Com cinema, música, gastronomia, feira de artesanato e moda africana, além de oficinas e atividades para todas as idades, o Festival será totalmente gratuito.
Trazendo à tela histórias de resistência, ancestralidade e cotidiano quilombola, serão exibidos, ao todo, nove filmes produzidos em Minas Gerais, Goiás e Espírito Santo. Entre os homenageados desta edição estão o ator e escritor Lázaro Ramos, o cineasta mineiro Gabriel Martins e o multiartista Maurício Tizumba.
A programação vai além dos filmes, com feira de artesanato, moda africana, comidas típicas da culinária quilombola e shows musicais com Ifátókí convida Sérgio Pererê, Grupo Cultural Ponto BR, Adriana Araújo e Trio Gandaiera. E no domingo, o evento será dedicado às crianças, com o “Domingo Kids”, que trará brinquedos e uma seleção de longas infantis de temática quilombola.
O cineasta, quilombola e coordenador do Festival, Danilo Candombe, explica que o objetivo do evento é abrir tela e coração. “Mostrar que o cinema também é quilombo: espaço de encontro, de partilha e de cuidado com nossas histórias. E chega de pessoas de fora contar nossas histórias em outra ótica, fora da realidade, e deixando os quilombolas e indígenas sempre em uma caixinha estereotipada. Fazer cinema quilombola no quilombo é afirmar nossa existência, nossa cultura e nossa resistência como parte essencial da identidade brasileira”.
Ele conta que o Festival partiu de um projeto de um amigo, Cardes Amâncio. “E nasceu no Quilombo dos Marques, no Vale do Mucuri, através de uma oficina de vídeo onde participei na direção de fotografia com direção de Gabriel Martins. Veio do desejo de ver nossas narrativas ocupando a tela grande. Cansamos de só assistir, queremos também projetar o que somos”.
Para Candombe, o legado do evento é simples. “Que nossos jovens se vejam e se sintam orgulhosos. Que os mais velhos saibam que suas memórias não se perdem. E a ideia é que essa chama viaje, que cada quilombo possa acender sua própria tela e mostrar sua própria luz”.
Sessões de Cinema
Dia 11, às 17h: “Meada Cor Kalunga” um documentário de Marta Kalunga, Alcileia Torres e Ana Luíza de Sá Reis, acompanha as comadres Marta e Dirani Kalunga no preparo das meadas e tingimento no quilombo Vão de Almas, em Goiás, revelando a força da tradição e do território.
Dia 11: “Tita – 100 anos de luta e fé” é dirigido por Danilo Candombe, apresenta a trajetória de Maria Gregório Ventura, moradora do Quilombo Morro do Santo Antônio, em Itabira.
Dia 11, à noite: “Nove Águas”, ficção dirigida por Gabriel Martins em parceria com o Quilombo dos Marques. O filme reconstitui a saga de descendentes de escravizados que, nos anos 1930, deixaram o Vale do Jequitinhonha rumo ao Vale do Mucuri em busca de água e terra.
Dia 12, às 16h: “Disque Quilombola” é um documentário de David Reeks em que crianças do Espírito Santo falam, com leveza e espontaneidade, sobre a vida em comunidades quilombolas e em morros urbanos.
Dia 12: “A mãe do meu amigo”, de Anderson Lima, ambientada no Quilombo do Manzo, em Belo Horizonte, que mostra como uma conversa entre mães pode abalar uma amizade infantil diante de preconceitos religiosos.
Dia 12: “Kutala” é dirigido por Fábio Martins em parceria com o Quilombo Manzo, registra as brincadeiras de crianças de terreiro e revela a transmissão do saber ancestral às novas gerações.
Dia 12: “Voa Arturos” é um curta de Othon de Saboia realizado com moradores do Quilombo dos Arturos, em Contagem, que aborda, de forma lúdica, disputas nos céus da comunidade.
Dia 12: “E o seu dia-a-dia?” é um documentário feito por crianças e jovens do Quilombo do Açude que retrata a rotina da comunidade a partir de olhares internos.
Dia 12, encerramento: “ADOBE: habilidades tradicionais da construção Kalunga”, de Carlos Pereira, mergulha nas técnicas construtivas vernaculares da comunidade Kalunga, em Cavalcante (GO).



