Exportações mineiras

Os impactos do tarifaço dos Estados Unidos contra os produtos brasileiros estão sendo um pesadelo para empresários e firmas exportadoras. Conforme dados da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), a queda no envio de produtos ao país norte-americano foi de 50,44%, naturalmente, ocasionando preponderantes prejuízos para a cadeia produtiva mineira. Segundo levantamento recente do Centro Internacional de Negócios da Fiemg, em agosto de 2025 na comparação com julho, o faturamento passou de US$ 431,67 milhões para US$ 213,94 milhões. As consequências dessa realidade são nítidas, com déficit na balança comercial de US$ 21 milhões. As autoridades e envolvidos no tema rememoram que essa é a primeira vez que isso ocorre desde 2018.

Essa informação negativa para o setor produtivo mineiro tem gosto amargo. De acordo com projeções da Fiemg, os impactos tendem a se aprofundar nos próximos meses à medida em que a nova tarifa alcance toda a pauta de exportação. É que o mercado internacional ainda está se aclimatando com as novas taxas. Os números de hoje não refletem a plena dificuldade, por conta de uma antecipação de embarques de mercadoras antes do dia 6 de agosto, quando era possível utilizar as taxas de apenas 10%.

A Fiemg pontua que já se sente uma forte queda em setores tradicionais na pauta de exportações no Estado. As vendas de café tiveram redução de 17,05% no período, enquanto os embarques de ferro gusa recuaram 73,62%, volume ainda maior do que a queda das exportações mineiras em geral.

Roga-se pelo espírito conciliador dos mineiros, para junto às autoridades de Brasília e também das lideranças empresariais, encontrar uma solução definitiva para o entrevero. Sem debate ideológico, porque não é salutar deixar que temas políticos possam influenciar negativamente no segmento produtivo mineiro, tão reconhecido nacional e internacionalmente na produção de grãos. O momento é de baixar as armas, pendurar o radicalismo e implementar discussões proativas para o bem de todos.

É hora de uma comunhão de esforços para consumar uma atuação de bom senso, mesmo que do ponto de vista da ideologia seja uma trégua temporária. Mas vale a pena saber que isso pode salvar empregos, rendas e a continuidade de uma economia forte e duradoura.

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