Exportações do agro mineiro somam R$ 54,5 bilhões

Dados do Governo de Minas, por meio da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), mostraram que as exportações do agronegócio mineiro totalizaram US$ 9,8 bilhões (aproximadamente R$ 54,5 bilhões) no primeiro semestre deste ano, representando um aumento de 18% em relação ao mesmo intervalo de 2024. Por outro lado, o volume embarcado foi de 8,5 milhões de toneladas, o que indica uma queda de 9% na comparação anual.

Segundo informações da Seapa, Minas Gerais exportou mais de 560 tipos distintos de produtos agropecuários para 169 países. Os principais destinos foram China (25,4%), Estados Unidos (12%), Alemanha (8,1%), Itália (5,5%) e Japão (4,6%). O café, principal produto das exportações do agronegócio mineiro, foi responsável por mais de 56% da receita do setor. As vendas externas da commodity somaram US$ 5,5 bilhões (aproximadamente R$ 30,6 bilhões), registrando um aumento de 61% em relação ao mesmo período de 2024.

Apesar disso, o total embarcado foi de 13,7 milhões de sacas, o que representa uma queda de 8,8%. Esse resultado indica que o aumento da receita se deveu, principalmente, aos preços historicamente elevados, impulsionados pela oferta global reduzida e pela demanda aquecida em mercados estratégicos como Estados Unidos, Alemanha, Itália, Japão e Bélgica.

O segmento de carnes, incluindo as variedades bovina, suína e de frango, também se destacou, com exportações que somaram US$ 831,6 milhões (aproximadamente R$ 4,6 bilhões) nos seis primeiros meses de 2025, um avanço de 16,8%. O volume exportado chegou a 238,6 mil toneladas, representando um crescimento de 4,5%.

Para o economista Pedro Ribeiro, “o salto de 18% em receita, mesmo diante de recuo em volume, demonstra o forte impacto da valorização internacional das commodities, especialmente do café e das proteínas animais. A política de cotas e barreiras sanitárias em outros países pressionou preços, e Minas soube aproveitar a oportunidade com oferta qualificada”.

A crise logística global segue influenciando custos, mas Minas amadureceu sua infraestrutura, salienta Ribeiro. “Centros de armazenamento, certificações e rotas interiorporto mais eficientes reduziram prazos e perdas, agregando valor aos produtos mineiros”.

O engenheiro agrônomo João Figueiredo explica que o governo mineiro atuou com políticas estratégicas. “Incentivo à irrigação, regularização fundiária e assistência técnica robusta. Isso dinamizou a produção, especialmente do café, gerando maior qualidade e volume exportável”.

Ele destaca a competitividade global e avanço tecnológico e sustentabilidade como um dos principais benefícios para a economia. “O crescimento reforça o papel de Minas como terceiro maior exportador de produtos agropecuários do Brasil, atrás apenas de Mato Grosso e São Paulo, além disso, a busca por certificações e padrões FIT promove práticas ambientais mais responsáveis, melhor gestão hídrica e valorização das propriedades”.

Ribeiro ressalta a geração de empregos e a renda em moeda estrangeira. “O agronegócio continuou sendo o principal motor de desenvolvimento nas áreas rurais, com efeito dominó nos serviços, transporte, armazenagem e segurança alimentar. E a entrada de dólares fortalece as contas externas do país, reduz a pressão sobre o câmbio e garante margem para investimento em infraestrutura”.

De acordo com Figueiredo, a expectativa para os próximos meses é grande, mas alguns desafios exigem atenção. “As condições climáticas, tanto em Minas quanto em regiões produtoras da América Latina, podem influenciar o volume disponível para exportação e os estoques globais, especialmente de café, o que favorece preços, mas aumenta a volatilidade”.

“Além disso, o cenário cambial e barreiras comerciais, com eventuais tarifas ou reforço de padrões sanitários, podem afetar a dinâmica dos negócios, porém, a demanda global, especialmente por parte da China e Estados Unidos, tende a se manter estável ou crescer, beneficiando o agronegócio brasileiro”, conclui.

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