Estudo mostra avanço no uso das ferramentas de inteligência artificial

Ferramentas têm auxiliado na compreensão de temas complexos / Foto: Pexels

O uso da inteligência artificial (IA) para compreender assuntos considerados complexos, como política, economia e ciência, já faz parte da rotina de uma parcela significativa da população. Uma pesquisa da Nexus mostra que 3 em cada 10 brasileiros já utilizaram ferramentas de IA com esse objetivo, sendo que 10% afirmam apelar aos recursos com frequência.

O levantamento aponta que a adoção é maior entre jovens de 18 a 30 anos, a chamada geração Z, faixa etária em que quatro em cada dez entrevistados já usaram inteligência artificial para entender temas mais complexos. No extremo oposto estão os baby boomers (nascidos entre 1946 e 1964), entre os quais apenas 13% relatam esse tipo de uso. A utilização também aumenta conforme renda e escolaridade, chegando a 39% entre pessoas com ensino superior completo e entre aquelas que recebem mais de cinco salários mínimos.

Para o especialista em Privacidade de Dados, Rogério Brum, a popularização dessas ferramentas representa um avanço relevante. “A inteligência artificial já é uma ferramenta poderosa para apoiar a compreensão de assuntos, mas ainda não pode ser tratada como uma fonte autônoma de verdade. Os modelos funcionam a partir de padrões estatísticos e não possuem compreensão crítica da realidade”.

Brum ressalta que a IA é eficiente para organizar informações e explicar conceitos de forma didática, porém, ainda apresenta limitações importantes. “Pode cometer erros, simplificar excessivamente temas sensíveis ou reproduzir distorções existentes nos dados de treinamento”. Por isso, o especialista defende que a tecnologia seja utilizada como apoio, e não como substituta do pensamento humano, sobretudo em áreas delicadas como política, economia e ciência.

O avanço da IA também levanta debates sobre democracia e formação de opinião. Na avaliação de Brum, a tecnologia pode ampliar o acesso à informação e gerar riscos ao mesmo tempo. “Reduz a desigualdade informacional ao traduzir conteúdos técnicos em linguagem acessível, mas também amplifica a desinformação, cria bolhas ideológicas e transmite uma falsa sensação de neutralidade”, explica.

Do ponto de vista técnico, o especialista destaca que os sistemas ainda não compreendem causalidades profundas. “A IA identifica correlações, contudo, não entende eventos inéditos e tende a transformar fenômenos complexos em narrativas lineares”, afirma. Isso reforça a necessidade de análises especializadas e verificação constante das informações.

Outro ponto sensível é o viés algorítmico. Em um país marcado por desigualdades históricas, Brum alerta que, sem correções adequadas, a IA pode reforçar estereótipos e transformar desigualdades sociais em desigualdades tecnológicas invisíveis.

Para enfrentar esses desafios, o especialista defende o fortalecimento da educação digital. “Não basta saber usar a ferramenta. É preciso compreender seus limites, riscos, impactos e princípios éticos. O futuro da inteligência artificial no Brasil dependerá menos da tecnologia em si e mais da qualidade da governança, da regulação e da formação crítica dos usuários”, conclui.

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