Enquanto isso… Respira-se cultura!

Enquanto o país atravessa uma crise de identidade e a República desde o 15 de novembro de 1889 se equilibra para manter a forma e o poder, desastrada como foi durante este período, as instituições culturais procuram se manter à frente dos obstáculos e das pedras que vão aparecendo no meio do caminho, como poetou Drummond. A inteligência artificial, por outro lado, chega a invadir e a deixar cômoda a inteligência de normalidade do ser humano que, de algum propósito “susto e surto” em um futuro próximo, poderá deixar bilhões sem raciocínio lógico e seguir um perigo que simplesmente poderá ser adotado à cegueira intelectual e robótica e se perder em tempo real. E mais: a educação é penalizada e vem se tornando duvidosa.

Não obstante isso, seguindo as tradições do bom gosto e do bom senso, a cultura se contradiz à ideologia política e à insensatez de vieses escravizadores de ideias e de gentes.

Em Minas, o Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG), a instituição cultural mais antiga do estado, completou 118 anos no dia 15 de agosto. Fundado por um grupo de pensadores à altura de seu tempo, capitaneada pelo presidente do estado, João Pinheiro da Silva, nessa data comemorou-se também a posse da nova diretoria para o triênio 2025/2028, tendo como presidente o dileto e renomado advogado e professor Marcos Antônio Nohmi. Para ilustrar, a posse, concorrida e prestigiada, lotou o auditório de 160 lugares, e 140 pessoas em pé mostrou que o IHGMG necessita com urgência máxima de um espaço maior e digno de sua nobre missão.

A gestão 2022/2025, presidida pelo médico e professor José Carlos Serufo, colocou a Instituição em um patamar que há décadas não se via. Entre os feitos, a busca incansável para obtenção de nova sede, deixando a semente plantada; a valorização dos associados; o aprimoramento da Revista do IHGMG; a volta do Boletim; construção sincera com o Condomínio JK; a restauração da laje (infiltrava água, danificando o ambiente) em parceria com o MPMG e associados; a reestruturação da Biblioteca Copérnico Pinto Coelho, com 18 mil volumes, e contratação de bibliotecária; a catalogação da documentação histórica; única cópia dos originais dos Autos de Tira-dentes; o inventário patrimonial e aquisição de bens essenciais; reuniões informais de alto nível semanais, com palestras de suma-importância; aquisição por doação de acervo de arte e de livros e documentos raros; novo sistema de som e imagem, possibilitando propagar o IHGMG para o mundo; funcionamento do ar-condicionado (depois de 14 anos instalado); preenchimento do quadro associativo; a maior divulgação que o órgão já teve na mídia; repaginação decorativa e estética do acervo e implantação da Sala Nobre, dando à Casa o seu tom museológico e encantador; intercâmbio de grande importância nacional, como a visita à Cela de Tiradentes na Ilha das Cobras, Rio, e ao Mosteiro de São Bento, São Paulo, para comemorar o bandeirante Fernão Dias Paes Leme; a criação do “Memorial Cela de Tiradentes”; a realização dos festivais de corais mineiros; posse internacional e criação da Casa dos Açores de Minas Gerais; intercâmbio com outros IHGs e outros órgãos.

Muitos méritos se devem à gestão que se encerra, por tornar o IHGMG – um órgão de utilidade pública municipal, estadual e federal, e órgão consultivo oficial do Estado para a História e a Geografia (Lei Estadual n. 21.131/2014) – à frente de seu tempo, elevando-o a cada minuto ao patamar merecido.

Que o presidente Antônio Marcos Nohmi e a nova diretoria continuem a fazer desta Casa de João Pinheiro o órgão máximo de nossa cultura e história.

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