Endividamento bate novo recorde e atinge 80,2% das famílias brasileiras

Organização é a saída para não ficar no vermelho / Foto: Pixabay

O alto nível de endividamento das famílias brasileiras em 2026 acende um alerta para a necessidade de planejamento financeiro e da criação de uma reserva de emergência. Dados de fevereiro da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostram que 80,2% das famílias têm dívidas, sendo o maior valor da série histórica, enquanto 29,6% estão com contas em atraso.

O levantamento também indica que o comprometimento da renda com dívidas segue elevado. Em média, cerca de 29,7% do orçamento familiar está destinado ao pagamento de compromissos financeiros.

Segundo o presidente do Instituto Gestão de Excelência Operacional em Cobrança (IGEOC), Rodrigo Mandaliti, a ampliação do crédito nos últimos anos contribuiu para a inclusão financeira, mas também aumentou o número de famílias endividadas. “Essa maior oferta de crédito foi positiva, mas, somada à inflação em itens essenciais e aos juros elevados, acabou comprimindo a renda e dificultando a quitação das obrigações. Hoje, o principal desafio é a sustentabilidade dessas dívidas ao longo do tempo”.

Na avaliação de Mandaliti, a educação financeira é um dos principais instrumentos para evitar que o endividamento evolua para a inadimplência. “Ela ajuda o consumidor a planejar melhor o uso do crédito, verificar sua capacidade de pagamento e buscar renegociação logo nos primeiros sinais de dificuldade”.

Reserva como proteção

Em um cenário de juros elevados, a ausência de planejamento tende a agravar os riscos. O assessor de investimentos Cecílio Costa destaca que o custo do crédito se torna um dos principais problemas para quem não possui reserva financeira. “Sem planejamento e uma reserva de emergência, qualquer imprevisto acaba sendo financiado com crédito caro. Isso gera o efeito ‘bola de neve’, em que pequenas dívidas crescem e se tornam difíceis de administrar”.

De acordo com Mandaliti, a reserva financeira funciona como um importante mecanismo de proteção. “Ela atua como um colchão financeiro, evitando o uso de linhas caras, como cheque especial e cartão de crédito rotativo. Mais do que um luxo, é uma ferramenta de estabilidade”.

Além de ajudar a evitar dívidas, Costa reforça que a educação financeira também reduz a vulnerabilidade a fraudes. Em um ambiente marcado pelo aumento de golpes digitais, o conhecimento básico sobre finanças se torna um diferencial. “A educação financeira desenvolve senso crítico. A pessoa passa a identificar promessas irreais, desconfiar de decisões urgentes e entender melhor os riscos antes de agir”.

O assessor de investimentos lembra que a falta de conhecimento ainda é um problema estrutural no país. “Muitas pessoas utilizam o crédito como extensão da renda e não compreendem o impacto dos juros compostos, o que agrava o endividamento”.

Mudança de comportamento

Especialistas apontam que o principal impacto da educação financeira está na mudança de comportamento. O consumidor deixa de agir por impulso e passa a tomar decisões mais conscientes. “O planejamento financeiro traz controle, reduz dívidas e permite formar reservas e investir. O principal ganho é a tranquilidade e a autonomia sobre o próprio dinheiro”, afirma Costa.

Mesmo para quem tem renda limitada, o início pode ser simples. “É possível começar com pequenos valores, desde que haja consistência. O importante é tratar a reserva como prioridade, e não como sobra”, finaliza Mandaliti.

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