Empresas veem no voluntariado estratégia para engajar equipes

Trabalho coletivo fortalece vínculos e gera impacto social – Foto: Freepik.com

O voluntariado empresarial vem se consolidando no Brasil como uma ferramenta estratégica para empresas que buscam gerar impacto social e, ao mesmo tempo, engajar seus colaboradores. De acordo com uma pesquisa da Deloitte, 92% dos líderes reconhecem o voluntariado como uma prática eficaz para o desenvolvimento de habilidades profissionais e de liderança.

Além disso, 77% dos entrevistados apontam que essas ações contribuem diretamente para o bem-estar dos funcionários, evidenciando que as práticas voluntárias beneficiam tanto a comunidade quanto os próprios colaboradores.

Segundo um site especializado em tendências de voluntariado e impacto social, mais de 70% das empresas brasileiras já têm programas formais de voluntariado, alinhados às pautas de ESG (Ambiental, Social e Governança) e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

“O voluntariado deve estar alinhado à estratégia social ou de ESG da empresa que, por sua vez, precisa estar conectada à estratégia macro do negócio como um todo. Muitas organizações estimulam que os próprios colaboradores criem ações independentes, o que amplia a diversidade do programa e torna o voluntário um cocriador, aumentando sua legitimidade”, aponta Bruno Ayres, fundador da V2V, plataforma especializada em voluntariado corporativo.

As práticas voluntárias também desenvolvem competências relevantes para o mercado de trabalho, acrescenta Ayres. “São habilidades humanas, muitas vezes chamadas de soft skills, como liderança, trabalho em equipe, comunicação, escuta ativa e criatividade. Além disso, os voluntários aprendem a fazer mais com menos e a pensar de forma inovadora”.

Bem-estar emocional

Uma iniciativa recente mostrou de forma inédita o efeito imediato do voluntariado sobre o estado emocional dos participantes. O Speed Mentoring Experience, realizado em Brasília, monitorou em tempo real variáveis fisiológicas de voluntários durante sessões de mentoria para jovens em início de carreira.

De acordo com o responsável pelo estudo, o neurocientista Ricardo Caiado, foi observado que o engajamento em atividades voluntárias gera uma resposta quase imediata no bem-estar emocional. “Em poucos minutos, sinais fisiológicos associados ao estresse diminuíram. O voluntariado atua como um gatilho positivo no cérebro: aumenta a sensação de propósito, pertencimento e conexão social”.

Caiado destaca que o mais impressionante foi a velocidade da resposta. “Não estamos falando de semanas ou meses, mas de minutos. Isso comprova que pequenas ações de doação de tempo e conhecimento já têm efeito significativo no equilíbrio emocional”.

Ele explica que o experimento também chamou atenção para o impacto cognitivo. “Os níveis de atenção e engajamento se mantiveram elevados durante todo o processo. Identificamos redução clara nos marcadores de estresse e melhora na autorregulação emocional, fundamentais para a saúde mental e prevenção do burnout”.

“É a união entre ciência e gestão de pessoas. Não se trata apenas de fazer o bem, mas de gerar saúde emocional, engajamento e até reduzir custos relacionados a afastamentos e turnover”, complementa.

Futuro do voluntariado

Na avaliação de Ayres, o cenário aponta para transformações e o setor viverá grandes mudanças. “Vejo meios de engajamento mais descomplicados e atividades remotas, que já são bastante relevantes, crescerem ainda mais. Em um mundo em que o trabalho tende a se tornar gradativamente obsoleto, o voluntariado será cada vez mais fonte de propósito. Estamos estudando até formas de transformar esses impactos em recompensas por meio de tokenização e blockchain”.

Para o neurocientista, a ciência pode ser uma aliada nesse processo. “Nossa tecnologia mede em tempo real padrões cerebrais, emocionais e de atenção, permitindo validar cientificamente os efeitos do voluntariado. É como se déssemos ‘voz’ ao corpo e ao cérebro. A liderança que entender isso estará mais preparada para os desafios humanos e sociais do futuro”, conclui.

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