Sem planos de governo

Enfim terminou a realização das convenções partidárias. Em Minas Gerais, o local escolhido para a maioria dos certames foi o Plenário da Assembleia Legislativa, cuja preferência tem o sentido de minimizar os gastos das siglas. Porém, eventos como esses custam muito para o contribuinte, diante da necessidade da mobilização de apoio destinado ao atendimento dos participantes. Entre os grandes partidos, o PT foi exceção. A convenção dos petistas foi realizada na própria sede, com transmissão também pela internet, como forma de chegar aos rincões mineiros, onde certamente mantêm filiados.

Uma indagação feita constantemente pela crônica política é a falta de propostas de governo. Dos avaliados grandes partidos, apenas o candidato Gabriel Azevedo (MDB), em discurso recheado de saudosismo em relação ao que foi e o que efetivamente representa o seu partido, exibiu uma revista, onde segundo ele, contém diretrizes de seu plano. A sua fala foi mais uma espécie de resgate da política mineira, tentando mostrar a necessidade de buscar eleger alguém com o prestígio dos velhos caciques de outrora que militavam na vida pública/partidária.

Nessa lista de personalidades a não apresentarem os seus compromissos formais para apreciação dos mineiros inclui até o ex-ministro e ex-prefeito de Belo Horizonte, Patrus Ananias (PT). Ele tem experiência no manejo do orçamento público e sabe da necessidade de um roteiro de como fazer para atender as demandas da população. Em suas primeiras aparições, o candidato informou que vai valorizar as políticas públicas da inclusão, procurar incrementar a economia mineira e incentivar o agronegócio e a indústria, sem mais detalhes de como seria a implementação dessas suas sugestões.

Até agora, os brasileiros têm assistido apenas um debate político polarizado e com “farpas”, faltando uma orientação de como seriam os próximos anos de administração. Para além dessa constatação, fica a impressão de que estão todos muito preocupados em posar para as redes sociais, com falas sem nexos e com potencial de engajamento. São efetivamente novos tempos, resta saber se são melhores ou piores do que se delineava no passado recente.

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