Desigualdade brasileira

Os presidenciáveis que estão percorrendo o Brasil à procura de votos fazem muitas promessas em seus discursos, como é comum neste período, naturalmente tentando induzir o eleitor a acreditar em suas mensagens. Os candidatos concebem uma narrativa genérica, como se a situação estivesse controlada, quando na verdade, a desigualdade no Brasil é um assunto recorrente ao longo de décadas.

Corroborando com essa tese, informações do Observatório Brasileiro das Desigualdades de 2025 demonstram melhorias em vários itens, porém, constata-se o crescimento exponencial da concentração de renda. Isso significa que o 1% mais rico passou a ganhar 31,5 vezes mais que os 50% mais pobres. Essa penalização dos “descamisados” acontece desde a formação da história do país, segundo avalia a economista Helena Duarte. Ela ressalta que aqueles que nascem em famílias com patrimônio, acesso a boas escolas e melhor atendimento de saúde têm mais possibilidades de acumular riquezas e transmitir essas vantagens aos seus filhos.

Para a especialista, os períodos de crescimento econômico produzem resultados diferentes entre as camadas da população. Segundo Helena, quando há aumento de renda, famílias que já possuem patrimônio e investimentos podem ampliar seus ganhos por meio de juros e valorização de seus ativos. Já os trabalhadores que dependem do salário ficam mais expostos ao custo de vida e às oscilações do mercado de trabalho. A economista arremata que o crescimento econômico não garante, sozinho, uma distribuição mais equalizada dos recursos.

Estamos diante de uma realidade encoberta pelo véu da hipocrisia. Quem é bem informado reconhece a existência dessa demanda por melhoria da qualidade de vida dos menos favorecidos. Basta ver que as riquezas concentradas dialogam com a concepção dos programas para beneficiar os grupos poderosos, sempre pautado pelo Congresso Nacional, onde se destina o orçamento público. Sem voz ativa, os pobres ficam à mercê de migalhas, quando se sabe que a decisão está e sempre esteve nas mãos dos mais influentes homens brancos, filhos de família nobres ou representantes de dinastias financeiras. Certamente, eis um debate ideológico.

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