E agora, o que fazer?

Em uma democracia clássica, a vontade da maioria deve prevalecer, e no nosso mundo ocidental, permanece a estrutura de poderes independentes no sistema de pesos e contrapesos. Ocorre que como bem escreveu Steven Levitsky no interessante livro “Como as Democracias Morrem”, a tentação do poder, as ideologias e as fake news ameaçam o funcionamento normal de uma sociedade moderna civilizada.

Em 2009, exercendo o cargo de senador da República por Minas Gerais, já alertava para os riscos dos crimes cibernéticos e suas consequências para o mundo. Conseguimos aprovar alguns avanços na tipificação de crimes, especialmente na obrigatoriedade de guarda do IP (internet protocol), que mostra a localização das postagens; e a entrada do Brasil na Convenção de Budapeste, que possibilita intercâmbio de ações entre os países signatários para o combate aos crimes transfronteiras. Não foi fácil e ainda precisamos de novos complementos mesmo com a aprovação do Marco Civil da Internet. Nos Estados Unidos, o debate sobre o uso do aplicativo TikTok tem forte defesa do governo para proteger as informações dos cidadãos e das empresas em virtude da origem chinesa da rede. No Brasil, quando se fala em regulamentar o funcionamento das redes sociais, a discussão é distorcida para o campo do risco de censura.

As sobretaxas impostas pelo presidente Donald Trump em nome dos Estados Unidos da América podem ter um valor interno de combate ao gigantesco déficit fiscal americano buscando elevar receitas. Ocorre, entretanto, que no caso brasileiro os dados não são de déficit e sim de superávit norte-americano. A inclusão de aspectos políticos baseados em informações particulares, distorcidas sobre a realidade do nosso país, trouxeram uma quebra de confiança sobre o sistema de notícias que chegam ao atual governo a respeito de muitas regiões de conflitos pelo mundo afora e aqui se transformaram em argumentos para que o governo Lula “saísse das cordas” e aproveitasse para tirar benefícios políticos ao defender a soberania nacional.

Daí que veio o título deste artigo: E agora, o que fazer? Evidentemente, a nossa tradicional e reconhecida diplomacia precisa se libertar dos ranços ideológicos sem, entretanto, abdicar da defesa dos nossos interesses. Quanta saudade do embaixador mineiro Paulo Tarso Flecha de Lima! As fake news prosperam, a leitura seletiva permanece e os extremos se exacerbam. Maus brasileiros incorrem em traição ao exagerar pelos dois lados do espectro ideológico e mais do que nunca precisamos de paz, entendimento, serenidade e bom senso.

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