
Na busca por uma vida mais saudável, milhões de brasileiros incorporaram a prática de atividades físicas à rotina. Seja na academia, nas corridas de rua, nas aulas de dança, nas trilhas ou nos esportes coletivos, o exercício regular é reconhecido como um dos pilares da boa saúde física e mental. No entanto, junto com os benefícios, surge uma dúvida recorrente entre praticantes, desde iniciantes até atletas experientes: como diferenciar a dor natural do esforço da dor que indica uma lesão?
O médico do esporte e especialista em lesões esportivas, Abaeté Neto, explica que compreender essa diferença é essencial para garantir longevidade na prática esportiva e evitar danos graves. “A Dor Muscular Tardia (DMT) é uma resposta fisiológica ao exercício, um processo natural de fortalecimento. Já a dor de lesão é uma manifestação inflamatória de dano tecidual. Saber reconhecer uma e outra faz toda a diferença entre evoluir com segurança ou interromper o treino por semanas”.
De forma geral, a DMT aparece entre 24 e 72 horas após o esforço físico, é difusa e costuma melhorar com o movimento. Ela ocorre devido a microlesões nas fibras musculares, que é um processo esperado, que estimula a regeneração e o ganho de força. Já a dor de lesão é imediata, localizada e tende a piorar com a continuidade da atividade.
Segundo Neto, um dos grandes equívocos cometidos por praticantes de exercícios é acreditar na máxima do “sem dor, sem ganho”. “Essa cultura pode ser extremamente prejudicial. A dor é um aviso. Quando há uma fisgada, pontada ou sensação de que algo ‘puxou’, especialmente se vier acompanhada de inchaço, calor ou limitação de movimento, é sinal de que o corpo ultrapassou o limite seguro”.
As lesões esportivas estão frequentemente associadas a erros de treinamento. Entre os principais fatores de risco, o médico cita o aumento inadequado de carga ou volume, a falta de tempo de recuperação, o sedentarismo prévio e o desequilíbrio muscular. Além disso, aspectos como sono insuficiente, má alimentação e falta de aquecimento antes da prática também elevam o risco de lesões.
“A dor é um alerta que deve ser interpretado dentro do contexto. Se o indivíduo aumenta a intensidade dos treinos sem respeitar o período de adaptação, o corpo responde com dor excessiva e inflamação. É nesse ponto que surgem distensões, tendinites e outros problemas que poderiam ser evitados com um planejamento adequado”, esclarece o especialista.
“Prevenir é sempre melhor do que tratar. A dor de esforço é parte do processo de crescimento, mas a dor de lesão é um sinal de que algo deu errado. O autoconhecimento corporal é uma ferramenta poderosa, e o acompanhamento profissional é indispensável para que o exercício continue sendo um aliado da saúde e não uma fonte de problemas”, acrescenta.
Ele conclui dizendo que a alta performance sustentável depende do equilíbrio entre estímulo e recuperação. “O cuidado preventivo é um componente essencial do treino, que garante não apenas a longevidade esportiva, mas também a qualidade de vida”.



