Dívidas das empresas

O cenário econômico brasileiro vem melhorando, mas os números ainda estão longe de atender plenamente aos anseios das pequenas e médias empresas, cujo segmento possui 8,7 milhões de firmas negativadas de Norte a Sul do país, somando mais de R$ 200 bilhões em dívidas atrasadas.

As opiniões para explicar esse enorme “buraco” nas contas das empresas surgem de diferentes origens. Na avaliação da economista Natalie Verndl, o endividamento das micro e pequenas empresas deriva de um conjunto de fatores estruturantes, sendo o primeiro deles o alto custo do crédito. Ela aponta também a volatilidade da demanda, pois alguns pequenos negócios têm uma oscilação de vendas e sazonalidades que refletem no fluxo de caixa.

Ainda baseado na opinião da economista, persiste a incerteza ocasionada pelo longo período de inflação, motivando o encarecimento dos insumos para as firmas, o que proporciona a diminuição da margem de lucro. Outro ponto que chama a atenção é à complexidade tributária, além da baixa educação financeira dos gestores dos estabelecimentos. Reduzir essa onda de endividamento seria preponderante na retomada do crescimento do Brasil, posto que as micro, pequenas e médias empresas representam 70% dos empregos formais no país.

Se faltam condições para cumprir os compromissos financeiros, a situação está levando muitas empresas a dificuldades extremas. O atual vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, sempre vem a público mencionar as ações para permitir a modernidade e a competitividade no setor. Porém, as falas não repercutem a realidade, afinal, nosso Parque Industrial funciona muito aquém de sua capacidade. O Poder Central deveria estabelecer uma política específica para evitar um colapso sem precedentes desse importante braço da economia.

Por sua pujança e capilaridade financeira, os industriais têm muito mais capacidade de se desenvencilhar de suas demandas, ao contrário dos comerciantes que se enroscam em situações que podem minar a sua vitalidade rumo ao crescimento econômico e social.

O importante é buscar diferentes atores para se engajarem nessa empreitada com a finalidade de resolver a questão, evitando o encaminhamento dos fatos rumo a uma situação sem volta

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