Distribuição de riquezas

A capacidade do Brasil em produzir riquezas e repartir os benefícios de maneira justa e razoável encontra gargalos complexos. Um deles é a sanha pela fortuna de muitos empresários que só pensam em aumentar seus patrimônios. Depois ocorre um viés político, onde o caminho visa o incremento dos ganhos pelos patrões, ao mesmo tempo que minimiza a distribuição dos resultados positivos para seus empregados.

Os bons salários de empregados em empresas sólidas fazem conexão com a realidade relativamente à repartição dos ganhos, concebendo as chances de turbinar a economia do país. Alguns dirigentes do setor público dizem que a melhoria dos valores pagos a quem produz é a maneira mais democrática de distribuição das prosperidades.

Por ser um país com desigualdades, o Brasil encontra dificuldade para atender às demandas aqui elencadas. A economia nacional não se desenvolve como deveria por uma série de pormenores, como explica a economista do trabalho, Helena Duarte. Em sua avaliação, a discrepância salarial reflete a lógica de oferta e demanda. Ela enumera que áreas técnicas requerem qualificação formal e as empresas pagam mais para atrair e reter talentos. Já as funções operacionais costumam exigir menor tempo de formação e pressionam os salários para baixo.

O sociólogo André Nascimento observa que há barreiras estruturais importantes, como a desigualdade educacional, ingresso precoce no mercado de trabalho e baixa renda familiar. Na concepção do profissional, muitas pessoas precisam trabalhar desde cedo e não conseguem investir tempo nos estudos, o que contribui para perpetuar o ciclo.

Para minimizar esse cenário, especialistas defendem ações articuladas entre governo, empresas e instituições de ensino, inclusive com a proposta de ampliação dos programas de formação técnica gratuita e incentivo à participação de escolas em sistema de educação continuada. A economia brasileira ainda é fortemente baseada na prestação de serviços.

Esse patamar de destaque como empregado, certamente não depende dos interesses de quem vai ser contratado. Isso está em sintonia com a necessidade de investimento em educação, para aumentar a renda per capita dos brasileiros. No modelo de hoje, empresários e financistas concentram 80% do giro econômico. A verdade é que continuará existindo uma enorme desigualdade social. Para mudar esse perfil, somente quando acontecer a junção dessas ações.

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