Discord anuncia mudanças para ampliar proteção de jovens e adolescentes

Foto: Freepik.com

A plataforma de comunicação Discord anunciou uma mudança abrangente em suas regras de uso que promete transformar a experiência de jovens e adolescentes na rede digital. A partir de março de 2026, a empresa vai implementar globalmente um conjunto de medidas de segurança voltadas para proteger usuários de 13 a 17 anos, incluindo verificações de idade mais rígidas e configurações que colocam todos os perfis em um modo “adequado para adolescentes” por padrão, caso não confirmem serem maiores de idade.

Segundo informações divulgadas pela própria Discord e veículos de tecnologia, novas ferramentas restritivas passarão a ser ativadas automaticamente em todos os perfis não verificados, bloqueando o acesso a conteúdo sensível ou a chats e servidores destinados a públicos adultos. Para sair desse modo e ter mais liberdade na plataforma, os usuários poderão ter de comprovar sua idade por meio de reconhecimento facial via tecnologia de vídeo ou através do envio de um documento oficial de identidade.

O objetivo declarado pela empresa é reforçar a proteção dos adolescentes em um ambiente em que a exposição a riscos e interações inadequadas tem se intensificado com o crescimento do uso de redes sociais. De acordo com a psicóloga educacional Carla Silva, “uma comunidade digital sem filtros ou salvaguardas robustas pode ser um terreno fértil para a exposição de crianças e adolescentes a conteúdos que vão desde violência ou pornografia até linguagem ofensiva e discurso de ódio. Configurações padronizadas que protegem automaticamente os usuários jovens ajudam a mitigar riscos, mas não substituem o papel ativo dos responsáveis e da educação digital”.

A nova abordagem do Discord inclui ainda variantes de controle de comunicação, como o redirecionamento automático de mensagens não solicitadas para uma caixa específica, impedindo que adolescentes recebam mensagens diretas de estranhos sem filtros, e a imposição de avisos ao receber solicitações de amizade de pessoas desconhecidas.

Carla explica que é fundamental que empresas de tecnologia assumam responsabilidade concreta pela segurança dos usuários mais jovens. “A internet oferece oportunidades incríveis de aprendizado e socialização, mas sem mecanismos de proteção adequados, esses ambientes podem rapidamente colocar crianças em situações de risco, a iniciativa do Discord é uma resposta importante a essa demanda, mas precisa ser acompanhada de transparência, controle de dados e diálogo com pais, especialistas e adolescentes”.

O anúncio também prevê a criação de um Conselho de Adolescentes, formado por usuários de 13 a 17 anos, que deverão colaborar na formulação de recursos e políticas, garantindo que as mudanças não só limitem riscos, mas respeitem as necessidades de interação dos jovens.

De acordo com a pedagoga e consultora educacional, Ana Maria Costa, “o desenvolvimento saudável de adolescentes no ambiente digital depende tanto de políticas de segurança eficazes quanto de educação contínua sobre o uso responsável da tecnologia”. Ela ressalta que “plataformas como o Discord podem fazer grandes avanços técnicos em proteção, mas os maiores benefícios vêm quando esses esforços são complementados por conversas em casa e na escola sobre limites, respeito e cidadania digital”.

No final de janeiro, o YouTube informou que passaria a utilizar ferramentas de inteligência artificial para reconhecer contas pertencentes a menores de idade em países como Brasil e Austrália. A iniciativa já vinha sendo aplicada em algumas nações europeias. Também em janeiro, o Roblox, plataforma de jogos on-line bastante popular, implementou novos mecanismos de proteção, para acessar o chat, os usuários passaram a precisar confirmar a própria idade.

“Para as famílias, as recomendações passam por manter um diálogo aberto com seus filhos sobre o uso das redes, limitar o tempo de exposição, revisar periodicamente as configurações de privacidade disponíveis em cada plataforma e acompanhar de perto mudanças nas políticas de segurança anunciadas pelas empresas de tecnologia”, conclui Ana Maria.

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