Desestabilizando a economia mundial

Donald Trump, ao perder as eleições para Joe Biden nos Estados Unidos, em 2020, não se conformou com a derrota e incentivou seus seguidores a invadirem o prédio do Congresso Nacional, o Capitólio.

Em consequência, seis pessoas perderam a vida e outras dezenas foram feridas ou também processadas. Suas críticas ao sistema eleitoral americano, que, diga-se de passagem, é muito inferior ao nosso, mantiveram sua liderança viva. A idade avançada de Biden, somada à inflação elevada e a crise mundial impulsionada por guerras fratricidas, lhe deram uma vitória indiscutível.

O fim da globalização está sendo uma das consequências mais claras e a imposição de taxas de importação a produtos de países do mundo todo desorganiza o funcionamento e voltamos a tempos do “mais forte pode mais”. A indústria de transformação americana foi muito prejudicada durante os tempos de predominância da globalização. Ocorre que esta globalização foi defendida e apoiada pela nação americana, cuja população se beneficiou dos custos mais baixos dos países em desenvolvimento, em especial na área de mão de obra.

No caso específico do Brasil, que sempre teve taxas de incentivo e tem déficit comercial, a inclusão de pautas políticas trouxe estranheza ao mundo civilizado, pois somos uma democracia forte que já superou crises com a superinflação e os regimes autoritários.

O governo brasileiro, por outro lado, se manteve em posição oposta aos Estados Unidos desde o início da administração Trump e não buscou o diálogo, além de discursos agressivos e provocadores. A atitude de maus brasileiros, que preferiram sobrepor interesses pessoais aos interesses nacionais, complicou ainda mais a situação e versões distantes da realidade foram levadas através de lobbies contratados aos altos escalões parlamentares e governamentais americanos.

A absurda taxa genérica de 50% sobre os produtos brasileiros foi a mais alta do mundo, e a relação de exceções que beneficiará 43% das nossas exportações para o país foi organizada pelos empresários americanos importadores, completando cerca de 600 produtos. Os acordos podem e certamente serão alterados como já aconteceu com diversos países, mas a exigência de abertura ampla do mercado brasileiro é uma probabilidade.

No primeiro momento, o grande prejudicado é o consumidor norte-americano, pois a troca de fornecedores não é tão rápida ou simples como se possa imaginar, e temos tempo de buscar o entendimento e novas alternativas. Minas Gerais é especialmente atingida com as restrições à venda de café e também de carne.

Economistas, como já noticiado, estimam que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil pode ser reduzido em cerca de 0,5 ponto, ou seja, ao invés de crescer 2,5% poderá avançar 2%, o que é relativamente suportável, porém, causando a perda de postos de trabalho.

Aguardemos os próximos passos, confiando que a conturbada política brasileira não prejudique ainda mais com sua radicalização e até fanatismo.

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