Defensor dos ricos

Está se aproximando o prazo estabelecido pela legislação eleitoral para o afastamento de cargos públicos das autoridades que estejam interessadas em disputar o pleito majoritário deste ano. Neste sentido, apenas quem almeja concorrer à reeleição está autorizado a continuar, sem abrir mão de sua função. Um privilégio para poucos, diga-se de passagem.

No contexto dessa realidade, anuncia-se a intenção do governador Romeu Zema (Novo) abdicar de suas atribuições daqui a 60 dias, para empreender novos horizontes em seu projeto político. Segundo propalado pela imprensa, o chefe do Executivo pretende testar a sua popularidade como candidato à Presidência da República. É um desafio, visto que nenhum mineiro conseguiu ostentar a faixa presidencial nas últimas décadas. Há 12 anos, o tucano Aécio Neves disputou a peleja nacional por uma pequena margem de votos, mas terminou sendo derrotado por Dilma Rousseff (PT) à época.

Está na hora de nomes de Minas Gerais serem incentivados a assumir protagonismo no cenário político brasileiro. O momento é oportuno para isso, até mesmo para evitar a volúpia de forasteiros, como deve ser o propósito do ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha. Ele deseja ser um paladino dos bons costumes e falar à nação como um autêntico mineiro.

Relativamente ao pleito presidencial deste ano, jornalistas da crônica política mineira pontuam ser legítima a pretensão de Zema em conquistar o Palácio do Planalto. Segundo os comunicadores, o difícil será o empresário ter escamas suficientes para mostrar sua outra face. Ao ser eleito para comandar o Palácio Tiradentes, o governador sempre fez questão de se postar ao lado de dirigentes do segmento produtivo, passando a impressão de completa afinidade.

Esse elo fez sentido nos sete anos de sua gestão, porém, o voto do pobre vale o mesmo peso do rico. Se tem a intenção de ser reconhecido pela grande massa, Zema terá de abandonar as benesses do poder para se embrenhar pelas comunidades e entender as demandas dessa gente. Com certeza, não sobrou espaço em sua agenda cotidiana.

Cabe rememorar que o projeto dele está muito galgado na ideologia política de direita. Isso não possibilitou fazer o “dever de casa”, qual seja conceber espaço para diálogo com os descamisados. Zema pode ter muitas boas qualidades, mas não atende às demandas dessa ordem. Quem sabe se mudar de atitude ainda pode ser respeitado pelos eleitores de Minas e do Brasil.

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