Corrida de rua ganha força entre mulheres e jovens

Foto: Freepik.com

A segunda edição do estudo Por Dentro do Corre, desenvolvido pela Olympikus em parceria com a Box1824, aponta que aproximadamente 2 milhões de brasileiros passaram a correr em 2025. Com esse crescimento, o número total de praticantes no país alcançou 15 milhões, frente aos 13 milhões registrados no ano anterior, uma alta de 15%. O levantamento também revela transformações nos hábitos dos corredores. Embora a frequência dos treinos tenha diminuído, as sessões ficaram mais longas, o que contribui para o aumento da insatisfação com o próprio rendimento, especialmente entre os iniciantes na modalidade.

O levantamento revela uma distribuição equilibrada entre os gêneros, com mulheres correspondendo à metade dos participantes, além do crescimento da classe C, que agora responde por 43% dos praticantes. O perfil etário também ficou mais jovem: a média de idade recuou de 37 para 34 anos, impulsionada sobretudo pela expansão do grupo entre 18 e 24 anos, atualmente responsável por 20% do total de corredores.

Para a educadora física Marina Albuquerque, o novo perfil reflete transformações mais amplas no comportamento da população. “A corrida de rua tem uma barreira de entrada muito baixa. Não exige mensalidade, pode ser praticada em espaços públicos e permite que cada pessoa avance no próprio ritmo. Isso faz com que mulheres, jovens e pessoas de renda média encontrem no esporte uma alternativa acessível e compatível com suas rotinas”.

Também houve aumento na adesão a grupos organizados e assessorias especializadas, além da ampliação do contingente de corredores que passaram a competir em provas, percentual que avançou de 23% para 29% no intervalo de um ano. De acordo com a pesquisa, a escassez de tempo e as preocupações com segurança continuam sendo as principais barreiras para a prática, principalmente entre o público feminino.

Na avaliação da profissional, o comportamento está ligado ao aspecto social da modalidade. “Correr deixou de ser apenas uma atividade solitária. Os grupos oferecem motivação, troca de experiências e sensação de pertencimento. Para quem está começando, especialmente mulheres e jovens, isso faz toda a diferença para manter a regularidade e ganhar confiança. Esse aumento da presença feminina escancara a necessidade de políticas urbanas que garantam iluminação, ocupação dos espaços e segurança”.

A fisiologista Carla Menezes cita que os benefícios da corrida ajudam a explicar porque, mesmo diante desses obstáculos, o esporte continua atraindo novos adeptos. “Do ponto de vista físico, a prática regular melhora o condicionamento cardiovascular, fortalece músculos e ossos, auxilia no controle do peso e reduz o risco de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes”.

Já no campo mental, os ganhos são igualmente relevantes. “A corrida é uma poderosa aliada da saúde emocional. Ela ajuda a reduzir o estresse, a ansiedade e os sintomas de depressão, além de melhorar a autoestima e a qualidade do sono”, destaca.

A corrida também surge como uma resposta a um cotidiano cada vez mais digital e sedentário. “Existe uma busca por equilíbrio. Muitos jovens passam o dia conectados e encontram na modalidade um momento de desconexão, contato com o próprio corpo e com a cidade. Já para a classe C, o esporte representa uma oportunidade de cuidado com a saúde sem comprometer o orçamento, reforçando seu caráter inclusivo”.

Ao incorporar novos públicos e responder às demandas de uma sociedade mais diversa, o esporte se consolida como uma prática plural, acessível e alinhada aos desafios contemporâneos.

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