Consumo de alimentos e bebidas pode bater R$ 1,1 trilhão até o final do ano

Foto: Freepik.com

Neste ano, as famílias brasileiras devem desembolsar aproximadamente R$ 1,1 trilhão com gastos em alimentação e bebidas, tanto dentro quanto fora de casa, um aumento de 11,3% em comparação ao ano anterior. Os dados são da pesquisa IPC Maps, que há mais de três décadas analisa o potencial de consumo no país com base em informações oficiais. De acordo com o levantamento, os gastos com alimentos e bebidas consumidos em casa devem ultrapassar R$ 780 bilhões. Já as despesas com refeições feitas fora do lar estão estimadas em R$ 350,4 bilhões.

Os cálculos consideram tanto os gastos com alimentos e bebidas consumidos em casa, como produtos in natura, industrializados, preparados e itens adquiridos em feiras e varejões, além de bebidas como sucos artificiais, cafés (moído e solúvel), chás, refrigerantes, cervejas, vinhos, destilados e outras bebidas alcoólicas, quanto os consumidos fora do lar, incluindo refeições, lanches, cafés da manhã, caldos, refrigerantes, cafés expressos, cervejas, chopes e similares.

Entre os estados com maior volume de consumo, São Paulo lidera com R$ 284,3 bilhões destinados à alimentação. Em seguida, aparecem Minas Gerais, com R$ 123,8 bilhões; o Rio de Janeiro, com R$ 95,5 bilhões; e o Rio Grande do Sul, que ocupa a quarta posição, com R$ 71,8 bilhões em gastos das famílias nesse setor.

Segundo o economista Rafael Gomes, o aumento reflete uma normalização dos hábitos de convivência e lazer. “Com a redução do desemprego e o avanço da renda média, muitos brasileiros voltaram a frequentar bares, restaurantes e lanchonetes. Isso gera uma pressão natural por mais gastos fora de casa, especialmente nos grandes centros urbanos”.

O setor de alimentação e bebidas é um dos mais relevantes para a economia brasileira. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), representa cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e é responsável por mais de 2 milhões de empregos formais diretos.

Para Gomes, o crescimento nos gastos com alimentação deve ser interpretado como uma boa notícia para a economia, desde que acompanhado por políticas públicas que assegurem o acesso à alimentação de qualidade para todos. “O aumento nos gastos mostra que o consumo está ativo e que há movimento na cadeia produtiva, desde o campo até os pontos de venda. O desafio está em equilibrar isso com o combate à insegurança alimentar, que ainda atinge milhões de brasileiros”.

O consultor de varejo e especialista em consumo, Eduardo Naves, aponta que há uma busca crescente por alimentos mais saudáveis, o que também pesa no orçamento. “Muitas famílias estão trocando alimentos ultraprocessados por itens mais naturais e orgânicos. Embora seja um movimento positivo do ponto de vista nutricional, essa escolha costuma ter um custo mais elevado”.

Além disso, Naves destaca que fatores climáticos, como as recentes quebras de safra em algumas regiões do país, impactam diretamente o preço de produtos como arroz, feijão, hortaliças e frutas, pressionando o orçamento doméstico. “Outro fator relevante é a expansão do acesso a canais digitais de compra, como aplicativos de entrega, supermercados on-line e marketplaces especializados em alimentação. Com a digitalização do varejo alimentar, mais consumidores têm optado por soluções rápidas e convenientes para abastecer suas casas ou realizar refeições, o que também tem contribuído para o crescimento do setor como um todo”.

A expectativa é de que o setor continue crescendo nos próximos anos, ainda que em ritmo mais moderado. O comportamento do consumidor deve seguir em transformação, com mais ênfase na qualidade, na origem dos produtos e na conveniência, especialmente nas grandes cidades. “Veremos cada vez mais o consumidor disposto a pagar mais por praticidade, sabor e saúde. O mercado de alimentação fora do lar está se adaptando rapidamente a essas novas exigências”, conclui Naves.

Compartilhe

Em destaque