Construção e imóveis devem alcançar R$ 417 bilhões até o final deste ano

Foto: Freepik.com

Vivendo uma fase bastante positiva, os segmentos de construção civil e mercado imobiliário devem gerar, em conjunto, uma movimentação próxima de R$ 417 bilhões no Brasil até o fim deste ano, conforme estimativa da pesquisa IPC Maps. De acordo com o estudo, os lares brasileiros devem investir mais de R$ 287 bilhões em itens como materiais de construção e serviços de reforma. Já a compra de imóveis deve representar cerca de R$ 130 bilhões desse total.

O Estado de São Paulo lidera o ranking nacional, sendo responsável por quase R$ 118,5 bilhões dos gastos no setor. Na sequência aparecem o Paraná, com R$ 48,2 bilhões, seguido por Minas Gerais, que alcança R$ 42,2 bilhões, e o Rio de Janeiro, ocupando a quarta colocação, com R$ 27,7 bilhões em despesas no segmento.

Em contrapartida, o ritmo de abertura de empresas na área tem sido mais contido. Segundo dados da sondagem, entre 2024 e o momento atual, foram criadas 48.561 novas unidades, representando um crescimento de 2,2%. Com isso, o total de estabelecimentos no país chega a 2.244.855. Apesar desse avanço, chama a atenção o fechamento de empresas, especialmente entre os microempreendedores individuais (MEIs), que apresentaram uma queda de 6,5% no comércio varejista e uma retração de 0,8% no setor da construção civil.

“A redução dos juros torna o crédito mais acessível à população. Com parcelas menores e condições mais flexíveis, mais pessoas conseguem realizar o sonho da casa própria. Além disso, há uma forte movimentação no setor de reformas e construções particulares, puxada pelo crescimento da renda média em algumas regiões do país”, explica a economista Cláudia Neves.

Outro motor importante desse crescimento é a retomada de programas habitacionais, como o “Minha Casa, Minha Vida”, que voltou a ganhar força com subsídios ampliados e parcerias com construtoras de médio e pequeno porte. De acordo com a economista, o impacto disso é duplo. “Por um lado, ajuda famílias de baixa renda a acessar moradias dignas, por outro, gera empregos diretos e indiretos, movimentando uma extensa cadeia produtiva. Quando uma obra começa, não é só a construtora que se beneficia. A economia local se aquece: são vendidas refeições, contratados pedreiros, eletricistas, encanadores, há aumento de consumo de materiais como cimento, aço, tintas, pisos, madeira, entre outros”, ressalta.

Um fenômeno observado é a descentralização do crescimento. Enquanto os grandes centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte continuam a atrair investimentos, as cidades médias do interior têm apresentado boas taxas de crescimento nos setores de construção e mercado imobiliário.

“O custo de vida mais baixo, os incentivos fiscais locais e a qualidade de vida estão atraindo não só moradores, mas também incorporadoras e investidores. Municípios como Franca (SP), Maringá (PR), Campina Grande (PB) e Joinville (SC) estão vendo um boom de empreendimentos, tanto residenciais quanto comerciais”, destaca o especialista em mercado imobiliário, Rafael Macedo.

Apesar das projeções otimistas, os especialistas alertam que manter essa curva ascendente exigirá planejamento de longo prazo, estabilidade econômica e estímulo à inovação. A burocracia, o excesso de tributos e a dificuldade de acesso ao crédito ainda são desafios estruturais que impedem o crescimento mais acelerado.

Para Cláudia, é fundamental que governos e iniciativa privada caminhem juntos para promover ambientes regulatórios mais previsíveis e seguros. “O investidor precisa de confiança para aplicar seus recursos. Incentivar parcerias público- -privadas, desburocratizar licenças e ampliar o acesso a linhas de financiamento são caminhos essenciais”.

A sustentabilidade nas construções é outro ponto importante citado. “Incorporadoras têm investido cada vez mais em projetos sustentáveis, com uso de energia solar, reaproveitamento de água da chuva e materiais de baixo impacto ambiental. Há um público crescente interessado em imóveis com certificações verdes. É uma tendência que agrega valor ao imóvel e ajuda a preservar o meio ambiente”, explica Macedo.

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