Construção civil projeta um desempenho mais robusto em 2026

Será o terceiro ano consecutivo de alta – Foto: Freepik.com

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) projeta um desempenho mais robusto para o setor em 2026. A estimativa é de crescimento de 2%, o que marcará o terceiro ano consecutivo de expansão. Em 2025, o avanço foi de 1,3%.

Segundo a entidade, a expectativa é sustentada pela combinação de um conjunto de fatores: o início do ciclo de redução da taxa de juros, o orçamento recorde para habitação financiada pelo FGTS, novas contratações do programa “Minha Casa, Minha Vida”, a implementação do novo modelo de financiamento habitacional com recursos da poupança e os investimentos em infraestrutura.

Entre as iniciativas que reforçam o cenário favorável está o Reforma Casa Brasil, que prevê investimentos de R$ 40 bilhões. E as mudanças no Sistema Financeiro de Habitação (SFH), que ampliou o valor dos imóveis passíveis de financiamento e deve aumentar a oferta de crédito.

A economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, ressalta a preocupação do setor para 2026. “A taxa de juros ainda elevada, a escassez e o alto custo da mão de obra, menor ritmo de crescimento da economia nacional e a situação fiscal do país. Como pontos positivos, para as nossas expectativas, temos o início da queda da taxa de juros, apesar de ser uma redução pequena, é uma expectativa de ciclo de diminuição, que é importante”.

“O país está em um período de obras de infraestrutura, e isso deve continuar em 2026, impactando diretamente o setor. Tem o Reforma Casa Brasil, que é um programa importante e que pode incentivar as pequenas obras e reformas. Um orçamento recorde do FGTS para habitação e novas contratações do programa Minha Casa, Minha Vida”, complementa.

Mercado em alta

De acordo com os dados que compõem a pesquisa Indicadores Imobiliários Nacionais, houve um crescimento de 18,6% do mercado no quarto trimestre de 2025, em comparação ao trimestre anterior, com o lançamento de 133.811 unidades. No acumulado de 12 meses, o aumento foi de 10,6%, registrando 453.005 unidades.

Em 2025, o mercado imobiliário brasileiro registrou um Valor Geral de Lançamento (VGL) de R$ 292,3 bilhões, montante 10,6% superior a 2024. Tanto o dado trimestral quanto o anual representam recordes, assim como o VGL teve o maior valor histórico.

Além do crescimento do número de lançamentos, houve aumento de 5,4% no volume de vendas e de 6,2% na oferta final de unidades, considerando os dados fechados de 2024 e 2025. Entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, houve um aumento de 8% da oferta, encerrando o ano passado com 347.013 unidades.

“O mercado imobiliário mostrou robustez. A demanda se sustentou no ano mesmo diante de um cenário de juros elevados, revelando que o déficit habitacional persiste, e o brasileiro está em busca pela realização do sonho da casa própria”, destaca o presidente-executivo da CBIC, Fernando Guedes Ferreira Filho.

Empregos

A construção civil encerrou 2025 com 2,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada, alta de 3,08% em relação ao final de 2024. O segmento de construção de edifícios concentrou o maior contingente de empregados e registrou o maior incremento no número de trabalhadores formais. Entre 2020 e 2025, o setor foi responsável pela criação de 886.709 empregos com carteira assinada.

O segmento de infraestrutura também contribuiu para o resultado. Em 2025, conforme estimativas realizadas pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), os investimentos podem ter alcançado R$ 280 bilhões, cerca de 3% acima do registrado em 2024, com predominância do capital privado, responsável por 84% do total.

Ieda explica que São Paulo, Pernambuco e Bahia registraram o maior índice de geração de vagas, e Minas Gerais se destacou com um número de demissões superior ao de admissões. “O que gerou um saldo de vagas negativo (- 6.198). Até o terceiro trimestre, Minas era o segundo Estado que mais gerava empregos na construção”.

“Esse resultado aconteceu em função das vagas perdidas, no quarto trimestre, por causa das obras de infraestrutura. O Estado fechou 8.517 empregos no segmento, sendo que isso aconteceu mais no último trimestre do ano e foi o principal responsável pelo saldo negativo”, aponta a economista.

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