
Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a situação financeira das pequenas indústrias piorou pelo terceiro trimestre consecutivo. A margem de lucro operacional e a facilidade de acesso ao crédito caiu 0,3 ponto entre o primeiro e o segundo trimestre, de 40,6 para 40,3 pontos. O dado foi inferior ao observado no 2º trimestre de 2024 (41,1 pontos) e de 2023 (41,3 pontos).
De acordo com o Panorama da Pequena Indústria (PPI), as taxas de juros elevadas foram apontadas como o principal problema da pequena indústria da construção no segundo trimestre. Ao todo, 37,3% dos empresários assinalaram essa como uma preocupação. Em seguida, aparecem a elevada carga tributária (35,6%) e a falta ou alto custo de mão de obra não qualificada (24,6%).
O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, explica que a alta taxa de juros é uma das principais responsáveis pela trajetória negativa das finanças das indústrias de pequeno porte. “Os juros altos dificultam o acesso ao crédito e pioram as finanças, porque encarecem as dívidas das empresas, diminuindo o lucro dos negócios, e afetam a demanda por produtos industriais”.
O doutor em economia, Wallace Marcelino Pereira, destaca que, além da taxa de juros, a carga tributária e o custo da mão de obra, a competição com produtos importados também são fatores que explicam a piora consecutiva. “Esses produtos entram no mercado brasileiro em condições desvantajosas para a indústria nacional”.
Segundo a pesquisa, no primeiro trimestre, a competição desleal, seja por informalidade, contrabando ou outros fatores, foi o problema que mais ganhou importância, passando de 14,4% para 22%. Na passagem do 1º para o segundo trimestre, a questão da competição com importados foi o que mais cresceu, saltando de 8,3% para 12,3%.
Para Pereira, ainda é prematuro esperar melhora no curto prazo. “O cenário internacional é desafiador por causa das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump. Os efeitos serão totalmente conhecidos nos próximos meses. Isso é um problema que foge ao controle imediato do governo brasileiro, embora outras alternativas estejam sendo pensadas”.
Indústria mineira
Já a indústria mineira, conforme a pesquisa divulgada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), demonstrou estabilidade ao longo do primeiro semestre de 2025, apesar da queda no faturamento e dos indicadores relativos ao mercado de trabalho.
O faturamento da indústria geral, que engloba os segmentos extrativo e de transformação, recuou 0,5% em relação a maio, registrando o segundo mês consecutivo de queda. As horas trabalhadas na produção cresceram 2,4%, e a utilização da capacidade instalada avançou 2,7 pontos percentuais, passando de 81% em maio para 83,7% em junho. E o emprego registrou a primeira queda em mais de um ano, com recuo de 0,5%.
O economista explica que os investimentos nos últimos anos em mineração têm contribuído para promover o crescimento econômico do Estado. “Aplicações voltadas para a produção dos chamados minerais críticos ajudam a aquecer a economia mineira. Investimentos em infraestrutura e na área de energia também auxiliam para manter o nível de atividade econômica. Destaca-se também o ambiente de negócios favoráveis à atração novos de investimentos, tais como a desburocratização, segurança jurídica e a modernização tributária”.
Contudo, Pereira afirma que o momento é de incerteza. “O motivo também são as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump que podem impedir um melhor desempenho da indústria mineira. Minas Gerais destina cerca de 11% das suas exportações para os Estados Unidos, com destaque para minério de ferro e produtos siderúrgicos”.
“Logo, esses segmentos vão sofrer mais no curto prazo. Além disso, as taxas de juros não devem cair na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A liberação de uma linha de crédito de R$ 30 bilhões pode amenizar o impacto, mas o arcabouço fiscal impede qualquer estímulo fiscal para a indústria”, finaliza.