
Lançado oficialmente no final de maio, o Circuito Nacional do Café surge como uma das mais ambiciosas iniciativas de valorização do turismo, cultura e economia criativa em torno do principal símbolo da identidade brasileira: o café. Com 51 cidades já integradas, sendo 49 em Minas Gerais e duas no Estado de São Paulo, o projeto propõe uma rota de experiências imersivas que vai muito além da bebida.
De acordo com o idealizador e gestor cultural do projeto, Edgar Bessa, a inspiração para o Circuito veio de rotas consagradas, como a Estrada Real e os caminhos do vinho na Itália. “Minas e São Paulo já são os maiores produtores de café do planeta. Temos o sabor, o saber e o território. Faltava uma rota que ligasse tudo isso às pessoas, aos sentimentos e às oportunidades. O Circuito nasce assim, vivo, colaborativo, respeitando as raízes de cada cidade e celebrando o café como potência cultural, econômica e afetiva do nosso país”.
O diferencial do Circuito está na proposta colaborativa. Pequenos produtores, grandes marcas, gestores públicos e o trade turístico atuam em sinergia. “Unimos esses mundos por meio de experiências integradas, roteiros colaborativos e ações que geram valor compartilhado. O Circuito é uma rede que pulsa em conjunto, onde todos crescem juntos”, destaca Bessa.
“A curadoria das experiências é feita cidade a cidade, ouvindo moradores, artistas, produtores e mestres da culinária. Cada cidade tem um café que é só seu. As experiências são cocriadas com os territórios, respeitando seus ritmos, sotaques e saberes”, completa.
Experiências e inovação
A rota inclui visitas a fazendas produtoras, oficinas culturais, trilhas ecológicas, cavalgadas, passeios de bike, automóveis e motos, além de eventos como a Corrida do Café. Durante o lançamento na Expocafé, um estande de 500 metros quadrados apresentou essas vivências ao público. O gestor conta que a apresentação do projeto foi como plantar uma semente em solo fértil. “A receptividade foi emocionante e sentimos que esse projeto é de todos. Quando as pessoas se reconhecem em uma ideia, ela ganha força e sentido”.
A tecnologia também tem papel estratégico. Um aplicativo com audioguias e roteiros, além de um passaporte turístico com QR Codes para “carimbar” a passagem por cada cidade, vai aproximar visitantes e moradores. Segundo Bessa, o passaporte transforma a viagem em aventura interativa, onde cada selo carimbado é uma história vivida. “São ferramentas que ampliam a experiência e democratizam o acesso, sem perder a alma artesanal do café. É o passado se encontrando com o futuro, com poesia e praticidade”.
Potencial econômico
O Circuito foi reconhecido pela Lei 14.718/2023 como o 14º Monumento Nacional e já conta com um calendário anual de eventos. De acordo com o gestor cultural, a expectativa é de um aumento de 33,5% no fluxo turístico nas regiões participantes, com impacto direto na geração de emprego, renda e visibilidade internacional do café brasileiro como ativo cultural. “Nosso sonho é grande e com os pés firmes na terra. Queremos inserir o Brasil no mapa do turismo cafeeiro mundial, mostrando que nosso café vai além da exportação: carrega cultura, afeto e identidade”, finaliza.
Cidades integrantes
Minas Gerais: Patrocínio, Elói Mendes, Patos de Minas, Paraguaçu, Lagoa Formosa, Alfenas, Carmo do Paranaíba, Areado, São Gotardo, Monte Belo, Araxá, Muzambinho, Campos Altos, Guaxupé, Tapiraí, Guaranésia, Bambuí, São Sebastião do Paraíso, Iguatama, Cabo Verde, Arcos, Botelhos, Formiga, Bandeira do Sul, Alpinópolis, Campestre, Carmo do Rio Claro, Machado, Ilicínea, Três Corações, Boa Esperança, Campanha, Cristais, Cambuquira, Aguanil, Conceição do Rio Verde, Campo Belo, São Lourenço, São Francisco de Paula, Carmo de Minas, Oliveira, Cristina, Santana da Vargem, Pedralva, Três Pontas, São José do Alegre, Varginha, Santa Rita do Sapucaí e Pouso Alegre.
São Paulo: São Paulo e Santos.




