
Instituído pelo Governo de Minas Gerais e administrado pela Fundação Clóvis Salgado (FCS), o Circuito Liberdade vive um novo momento de crescimento. Atualmente, reúne 56 equipamentos, incluindo museus, espaços voltados à cultura e ao turismo e, mais recentemente, iniciativas ligadas à economia criativa. Desde abril do ano passado, o conjunto teve uma ampliação de 60%, com a incorporação de 21 novas instituições, o que reforça sua posição como o maior complexo cultural, turístico, educacional e criativo da América Latina.
Ao longo de seus 15 anos de trajetória, o complexo consolidou- -se como uma rede de fomento cultural, integrando programações e realizando eventos desenvolvidos de forma colaborativa. Nos últimos anos, passou a direcionar atenção especial aos negócios da economia criativa, que contribuem simultaneamente para o fortalecimento cultural, a dinamização do turismo e a geração de desenvolvimento econômico.
Desde 2020, o circuito passou a abranger toda a área delimitada pela Avenida do Contorno. Em permanente processo de ampliação, o complexo vem registrando, desde o início do ano passado, um crescimento significativo no fluxo de visitantes. Apenas no primeiro semestre de 2025, mais de 3,7 milhões de pessoas participaram das atividades promovidas pela rede, número cerca de 70% superior ao registrado no mesmo período de 2024. Esses resultados o reforçam como um dos mais relevantes polos culturais e turísticos de Minas Gerais e do Brasil.
Para o museólogo Marcelo Cardoso, a importância do Circuito Liberdade para Belo Horizonte se dá tanto em termos simbólicos quanto práticos. “O complexo não é apenas um conjunto de espaços. Ele representa a materialização de um projeto cultural urbano que dialoga com a história da cidade, reforça sua identidade e democratiza o acesso à arte. É um modelo que outras capitais poderiam observar”.
Ele afirma que esse crescimento traduz efeitos palpáveis para a cidade. “O espaço tem impulsionado o turismo cultural, favorecendo a ocupação hoteleira, o comércio local, restaurantes, serviços e, sobretudo, gerando empregos diretos e indiretos. Ele cria uma dinâmica que transforma Belo Horizonte em destino obrigatório para quem busca experiências culturais ricas e diversificadas”.
Moradores de Belo Horizonte também reconhecem a relevância do conjunto cultural para o cotidiano da população. Cardoso explica que a oferta cultural ampliada trouxe mais vida às ruas e mais oportunidades de aprendizagem. “Antes, muitos de nós precisávamos sair da cidade para ter acesso a oficinas, exposições ou cursos. Hoje, o circuito atende a diferentes públicos, de crianças a idosos, e aproxima as pessoas da arte, da história e de práticas criativas que enriquecem nosso dia a dia”.
O fortalecimento de iniciativas de economia criativa é apontado como um diferencial. Esses empreendimentos, que vão de estúdios de design a coletivos de audiovisual, contribuem não apenas para a formação, mas também para a disseminação de competências ligadas à inovação. Segundo o produtor cultural Rafael Lacerda, “ao conectar artistas, produtores culturais, empreendedores e o público em um mesmo ecossistema, o polo cultural estimula tanto a produção artística quanto a sustentabilidade econômica das atividades culturais”.
O momento vivido pelo circuito demonstra que investimentos em cultura podem gerar impactos amplos e duradouros. “Ao integrar patrimônio histórico, produção artística, turismo, educação e economia criativa em uma mesma plataforma, BH fortalece não apenas sua vocação cultural, mas também seu potencial de desenvolvimento humano e urbano. E, mais do que um ponto turístico, se firma hoje como um motor de integração social e cultural, abrindo portas para que cada vez mais pessoas participem ativamente da cena artística da cidade e da região”, conclui.