75% dos rios da Mata Atlântica apresentam qualidade regular

Análises feitas entre janeiro e dezembro de 2024 indicam uma estagnação na qualidade da água dos rios da Mata Atlântica monitorados, conforme aponta o relatório “O Retrato da Qualidade da Água nas Bacias Hidrográficas da Mata Atlântica”, produzido pelo programa Observando os Rios, da SOS Mata Atlântica. O trabalho foi realizado por voluntários em 145 pontos de coleta, em 67 municípios de 14 estados, e mostram que apenas 7,6% dos pontos (11) apresentaram qualidade boa, enquanto 13,8% (20) foram classificados como ruins e 3,4% (5) péssima. A predominância foi da qualidade regular, em 75,2% dos pontos (109) e nenhuma amostra apresentou classificação ótima. A comparação com os dados do ano anterior revela um cenário ainda mais desafiador. Entre os 127 pontos monitorados nos dois anos consecutivos, houve um aumento no número de rios com qualidade ruim e a permanência de quatro pontos com qualidade péssima. Novamente, nenhum ponto analisado atingiu a classificação de qualidade ótima. Para Gustavo Veronesi, coordenador da causa Água Limpa da SOS Mata Atlântica, os resultados evidenciam que os esforços para melhorar a qualidade da água não têm sido suficientes. “O monitoramento deste ano deixa claro que a situação é grave. A estagnação dos índices de qualidade da água e o aumento de pontos classificados como ruins mostram que não há avanço real. Precisamos de ações mais eficazes e de investimentos urgentes em saneamento, porque enquanto não resolvermos isso, nossos rios continuam ameaçados”. O geólogo da Keystone, Guilherme dos Anjos, destaca que esses dados são preocupantes, porque mostram que a maioria dos rios da Mata Atlântica estão em condições alarmantes. “Provavelmente, isso é um reflexo da degradação ambiental provocada pela poluição, pelo desmatamento das matas ciliares e pela falta de saneamento, o que afeta tanto a biodiversidade quanto a saúde das pessoas”. “Os rios da Mata Atlântica desempenham um papel vital para a sociedade. Eles fornecem água potável para milhões de pessoas, sustentam a agricultura e a indústria e são essenciais para a preservação da biodiversidade. Além disso, ajudam a prevenir desastres naturais, como enchentes e secas. Se a qualidade continuar a piorar, as consequências serão graves. Podemos enfrentar escassez de água, racionamento, impactos econômicos na agricultura, perda de biodiversidade e o agravamento de eventos climáticos extremos, como ondas de calor e secas prolongadas”, pontua o profissional. Ele ressalta que para restaurar a qualidade da água é preciso investir na ampliação do saneamento básico. “E também na recuperação das matas ciliares e em uma fiscalização ambiental mais rigorosa. Além disso, é essencial promover campanhas de conscientização para que a população entenda a importância de preservar nossos rios”. Saneamento básico O estudo reforça que o principal entrave para a recuperação da qualidade da água ainda é o saneamento básico insuficiente. Apesar das promessas de universalização do serviço até 2033, cerca de 35 milhões de brasileiros seguem sem acesso à água potável e metade da população do país não tem seu esgoto tratado. A poluição ainda é despejada sem controle em muitos cursos d’água, agravando um quadro que já é crítico. Para o presidente do Instituto Redemar Brasil, William Freitas, o saneamento básico é um direito universal garantido. “No entanto, na prática, sua cobertura ainda é insuficiente, tornando essencial o aumento dos investimentos para expandi-la. A desestatização do serviço de água não é recebida com entusiasmo, pois pode agravar a desigualdade social em um país já marcado por profundas injustiças. Essa não é uma equação simples e exige o desenvolvimento de tecnologias sociais eficazes”. “O Marco do Saneamento Básico foi aprovado nacionalmente, mas é fundamental que suas diretrizes sejam aplicadas de forma eficaz nos municípios, onde a vida de fato acontece. Precisamos garantir a integração dessas leis considerando as nuances e complexidades de um país culturalmente diverso e de dimensões continentais. Além disso, as soluções devem ser socialmente justas e economicamente viáveis, o que representa um grande desafio”, finaliza Freitas.
Brasil registrou quase 500 mil acidentes de trabalho em 2023

Dados do sistema eSocial, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), demonstram que foi registrado um total de 499.955 acidentes de trabalho e 2.888 óbitos no Brasil em 2023. O quarto mês do ano é marcado pela campanha “Abril Verde”, uma ação nacional de conscientização da segurança e saúde no trabalho. O objetivo é alertar sobre a importância da prevenção de acidentes e doenças ocupacionais, que afetam milhares de trabalhadores todos os anos. O advogado trabalhista João Castro alerta que a segurança do trabalho no país precisa ser tratada com mais seriedade. “Embora haja legislações e normas que buscam proteger o trabalhador, ainda vemos muitos acidentes que poderiam ser evitados. O não cumprimento das normas de segurança é uma das principais causas, sendo necessário que as empresas e os próprios trabalhadores se conscientizem sobre os riscos presentes no ambiente de trabalho”. Quando um acidente de trabalho ocorre, o funcionário tem uma série de direitos assegurados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e pela Lei 8.213/91, que trata dos benefícios da Previdência Social. Segundo Castro, o primeiro passo é o preenchimento da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT). “É obrigatório e deve ser feito pelo empregador, mesmo que o trabalhador não tenha falecido ou sido afastado das suas atividades. O documento é essencial para garantir o acesso a benefícios, como o auxílio-doença acidentário (B91), se o acidente resultar em afastamento, o trabalhador tem direito a receber o auxílio, benefício pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para garantir sua subsistência enquanto se recupera”. Após a alta do auxílio-doença acidentário, o trabalhador tem direito à estabilidade no emprego por 12 meses. “Ou seja, ele não pode ser demitido sem justa causa nesse período, conforme prevê a legislação trabalhista. Caso o acidente de trabalho resulte em sequelas permanentes, o empregado tem direito a uma indenização por danos morais e materiais, de acordo com a gravidade das lesões e o impacto na sua vida profissional e pessoal”. Ele enfatiza a importância da documentação adequada. “É essencial que o trabalhador tenha todos os registros e laudos médicos que comprovem a relação do acidente com o ambiente de trabalho. Isso facilita o acesso aos benefícios e à reparação dos danos causados”. A diretora de recursos humanos, Letícia Figueiredo, explica que as empresas têm a responsabilidade legal de oferecer um ambiente seguro para seus funcionários e tomar medidas para evitar acidentes. Isso inclui a adoção de medidas preventivas, treinamentos periódicos, e o fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados. “Entre os deveres da empresa, destacam-se o cumprimento das Normas Regulamentadoras (NRs), treinamento e capacitação, fornecimento de um ambiente seguro e acomodações adequadas e realização de exames periódicos”. Para Letícia, a prevenção de acidentes passa por uma combinação de ações e medidas que devem ser incorporadas ao dia a dia das empresas e dos trabalhadores. “A primeira etapa na prevenção é identificar situações que podem oferecer riscos à saúde e segurança dos trabalhadores, promover uma cultura organizacional de segurança desde os gestores até os colaboradores, realizar manutenção preventiva dos equipamentos utilizados nas atividades de trabalho e campanhas educativas internas para conscientização da importância de seguir as normas de segurança”.
Regulamentação do carbono deve trazer oportunidades ao Brasil

Iniciativa que busca estabelecer maior transparência, integridade e eficácia nas reduções de emissões, evitando fraudes e assegurando ganhos reais e verificáveis, a Lei 15.042/24 visa o controle das Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) e o combate às mudanças climáticas. A legislação também criou o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), que se baseará no conceito cap-and-trade. Ou seja, aqueles que ultrapassarem os limites de emissões estipulados pelo governo. Na prática, quem emite mais de 25 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano poderão adquirir ativos do SBCE, como as Cotas Brasileiras de Emissão (CBE) e os Certificados de Redução ou Remoção Verificada de Emissões (CRVE), de empresas que emitirem menos. Segundo a professora do curso de Mercado e Regulação de Carbono, Daniela Stump, esse conceito ajudará o país a alcançar as metas do Acordo de Paris. “A cada cinco anos, os países renovam seus compromissos. O Brasil renovou e aumentou sua ambição no ano passado, antecipando a nova rodada de renovação das metas, que deve acontecer este ano”. Na opinião de Daniela, a regulamentação pode impactar positivamente a competitividade das empresas brasileiras no cenário internacional. “Alguns exportadores brasileiros já estão sujeitos ao ônus da precificação de carbono imposto pela União Europeia. Caso essa precificação seja regulamentada no Brasil, é possível argumentar junto à União Europeia que o produto brasileiro já está sujeito à precificação de carbono, não precisando se submeter às imposições europeias”. Ela avalia que o Brasil tem grandes oportunidades de remoção e sequestro de emissões de CO2 devido às possibilidades de restauração florestal e conservação das florestas. “O país pode se tornar protagonista na geração de reduções e remoções de emissões, transferindo esses créditos para outras nações que não conseguem cumprir suas metas dentro do próprio território”. O vice-presidente da Câmara Internacional de Meio Ambiente e Energia da Câmara de Comércio Internacional (ICC), Keyvan Macedo, explica que a implementação do mercado ocorrerá em cinco fases, cada uma com duração de um a dois anos. Ele lembra que ainda há uma série de pontos a serem definidos para garantir a efetividade do SBCE. “Uma delas é a própria instituição e funcionamento dos órgãos de governança, incluindo consultas ao Comitê Técnico Permanente, além dos mecanismos de autorização e ajustes correspondentes para a transferência internacional de resultados de mitigação. Outro ponto que precisa ser definido é como se dará o uso de CBEs em períodos distintos daqueles em que foram distribuídas. A transferência de titularidade e o cancelamento de operações sobre os ativos integrantes do SBCE também precisam ser claramente regulamentados”. Macedo afirma que alguns aspectos ainda necessitam de ajustes para garantir transparência e segurança jurídica aos agentes do mercado. “Além do funcionamento dos órgãos de governança e da transferência de titularidade e cancelamento de operações sobre os ativos do SBCE, outro ponto crucial a ser regulamentado refere-se às normas sobre escrituração e circulação desses ativos e dos créditos de carbono no mercado financeiro e de capitais. Também é essencial definir com clareza as infrações administrativas e os procedimentos para apuração e aplicação de penalidades”. As empresas que possuem um plano de transição climática estão mais preparadas para a regulamentação da lei, segundo explica Macedo. “No entanto, isso não significa que elas não serão afetadas, pois é necessário compreender o impacto da legislação sobre os negócios. Para as empresas que não têm um plano climático, é fundamental que conheçam as emissões diretas de suas operações e, a partir desse mapeamento, criem um plano de ação para gerenciar suas emissões. Se não houver uma integração entre a agenda climática e o modelo de negócio, podem surgir riscos financeiros, inclusive à continuidade da empresa”.
Setor cinematográfico ultrapassou a renda de R$ 428 milhões em 2025

De acordo com dados do Sistema de Controle de Bilheteria (SBC), o setor cinematográfico brasileiro atingiu, desde o início de 2025, a renda de R$ 428,76 milhões; foram 212 títulos exibidos, sendo 29% da receita vinda das produções nacionais; e o público foi de 22,61 milhões de pessoas. Em 2024, os índices chegaram a R$ 2,49 bilhões, sendo 10% de participação das produções nacionais e o público de 125,35 milhões. A Agência Nacional do Cinema (Ancine) também divulgou que o setor bateu recorde de salas de cinema em funcionamento. Em 1º de janeiro deste ano, o país tinha 3.509 salas em atividade, 31 a mais do que o registrado em 2019, antes da pandemia de COVID-19. Cidades como Monte Carmelo e Ponte Nova, em Minas Gerais, e Miracema, no Rio de Janeiro, ganharam suas primeiras salas, enquanto Viçosa, em Alagoas, celebrou a reabertura de um cinema que estava fechado há 30 anos. A secretária da Secretaria do Audiovisual, Joelma Gonzaga, destaca que o impacto vai além do aumento de números. “As novas salas tornaram o cinema acessível a públicos historicamente excluídos, o Brasil precisa manter e ampliar suas telas. Esse é o compromisso da Secretaria com a distribuição e exibição cinematográfica desse país. O cinema gera encontros, emprego, renda, e conhecimento da população com a arte produzida aqui”. O crítico de cinema, Raphael Camacho, avalia que o mercado vem melhorando e ficando em maior evidência ao longo dos últimos anos. “A presença no Oscar e em outras premiações/festivais é uma oportunidade de aumentar esse alcance. Nosso cinema sempre teve ótimas produções, mas não se reflete em bilheteria, em muitos casos. Temos que insistir, porque nossos filmes são tão bons ou melhores que muitos internacionais que chegam a todo vapor semana após semana”. Ele pontua que as produções nacionais ainda não têm sido capazes de competir com as internacionais. “É uma situação difícil. Filmes brasileiros são marcados e desmarcados pelos programadores de sala de cinema que sempre dão preferência ao blockbuster do momento. O cinema nacional não é tratado como deveria pela maioria dos exibidores. Porém, há muitos caminhos possíveis para aumentar a competitividade, como continuar produzindo, levando nossas histórias para todos os cantos, e fazer coproduções com outros países”. Sobre as salas de cinema, o crítico explica que mesmo com esse recorde, ainda é pouco. “Muitas cidades não têm cinema, principalmente no interior. Durante muito tempo, as salas ficaram acomodadas e não perceberam as mudanças que seriam necessárias com a chegada dos streamings. As que não forem criativas em sua programação, tendem a fracassar, pois não é um negócio barato, e é preciso gerar alta demanda”. “Ainda Estou Aqui” Segundo a Secretaria de Audiovisual do Ministério da Cultura, o sucesso do longa-metragem estimulou o público a ver outras produções nacionais. Desde sua estreia mundial no Festival de Veneza, onde levou o prêmio de Melhor Roteiro, “Ainda Estou Aqui” tem atingido um desempenho notável. No Brasil começou a ser exibido em setembro de 2024. Com a vitória de Fernanda Torres no Globo de Ouro, o longa registrou um crescimento expressivo de público: 57% na semana seguinte ao anúncio do prêmio, e um salto de 122% na semana subsequente. Com a indicação ao Oscar, anunciada em 23 de janeiro, um novo aumento: 89% no público semanal. Sobre esse sucesso, Camacho afirma que já impacta positivamente o setor, desde os primeiros prêmios e a vitória no Globo de Ouro. “É uma visibilidade enorme. Muitos filmes vão ter chances de sair da gaveta depois desse êxito”. “Continuar em crescimento e evidência é uma perspectiva de futuro. Mas, precisa haver mais diálogos entre todos os segmentos importantes no caminho de um filme: produção, exibição, divulgação e distribuição. Em relação ao nosso mercado cinematográfico, como um todo, sinto que falta diálogo, há grupos de pessoas competentes da indústria com ótimas ideias e relevância, mais isolados”, finaliza. Conforme a pasta, a expectativa é de que, nos próximos anos, sejam lançados 1.100 séries e filmes produzidos no país. Para isso, o Ministério da Cultura e a Ancine investiram, em 2024, o total de R$ 2,6 bilhões em fomento destinado a mais de 600 produtores.
Proibição de celular nas escolas pode ajudar no aprendizado e interação

Em uma tentativa de combater a distração e melhorar o ambiente educacional, uma nova lei foi sancionada, proibindo o uso de celulares nas escolas públicas e privadas de todo o país. De acordo com a Lei nº 15.100/2025, está proibido o uso de “dispositivos eletrônicos portáteis pessoais durante as aulas, intervalos e recreios, abrangendo todas as fases da educação básica”. A norma tem como objetivo diminuir a dispersão dos estudantes durante as aulas, promovendo uma maior concentração no aprendizado. A medida foi elaborada diante do crescente uso de dispositivos móveis como fonte de distração, com jovens muitas vezes acessando redes sociais, jogando e conversando durante os períodos escolares. Para a psicóloga educacional Carla Silva, a proibição pode trazer benefícios importantes. “O celular é uma das maiores fontes de distração para os jovens. Ao ser proibido durante as aulas, o estudante fica mais concentrado nas atividades escolares, participando mais ativamente e absorvendo melhor o conteúdo”. “Além disso, a medida pode melhorar a socialização entre os alunos, ao reduzir o tempo que eles passam conectados ao mundo virtual e incentivá-los a interagir de maneira mais direta com os colegas. Com a proibição do celular, a escola se torna um ambiente onde o foco é no aprendizado e na troca de experiências, ao invés de nas distrações digitais”, completa. Embora a proibição do celular tenha benefícios claros no que diz respeito ao aumento da concentração e melhoria nas relações sociais, especialistas alertam que ela, sozinha, pode não ser suficiente para garantir uma melhora substancial no aprendizado dos jovens. A pedagoga e consultora educacional, Ana Maria Costa, aponta que a medida precisa ser parte de um esforço maior para transformar a educação. “O sistema educacional precisa de mudanças estruturais que vão além disso. A qualidade do ensino, a formação dos professores e o investimento em tecnologias educacionais adequadas são fatores que também precisam ser levados em conta para que o aprendizado seja realmente potencializado”. Há quem defenda que o celular, quando utilizado de maneira controlada e pedagógica, pode ser uma ferramenta poderosa para o aprendizado. O uso de aplicativos educacionais, por exemplo, pode auxiliar na pesquisa e na interação com conteúdos mais dinâmicos. “O problema não está no dispositivo em si, mas no uso indiscriminado e sem orientação. A proibição deve ser vista como uma medida para o momento de aula, mas o uso controlado do celular pode complementar o ensino, especialmente em tempos de inovação tecnológica. O desafio está em melhorar a forma de utilizar a tecnologia em favor da educação”, argumenta Ana. Além da ação das escolas, a questão do uso de celulares e o controle do tempo de tela não se restringem apenas ao ambiente escolar. A responsabilidade dos pais no acompanhamento do tempo que os filhos passam nas telas é fundamental para um desenvolvimento equilibrado. De acordo com Carla, a parceria entre escola e família é essencial. “Os pais desempenham um papel crucial na definição de limites para o uso do celular fora da escola. É importante que haja uma combinação de regras em casa e na escola para que os jovens aprendam a usar a tecnologia de forma responsável e saudável, evitando até mesmo casos de ansiedade nesses jovens”. A psicóloga destaca que o controle parental deve ser equilibrado. “Proibir o celular de forma rígida pode gerar resistência nos filhos, principalmente em adolescentes, que têm uma necessidade de socialização online. O mais importante é estabelecer uma comunicação aberta, onde os pais possam orientar os filhos sobre o uso responsável da tecnologia”.
Mais brasileiros acreditam que é necessário aprendizado contínuo

Nove em cada dez brasileiros consideram importante aprender novas habilidades independentemente da idade, segundo o Indicador de Longevidade Pessoal (ILP). O levantamento, que avalia aspectos como saúde física e mental, interações sociais e educação financeira em uma escala de 0 a 100, também revelou que 78% dos entrevistados afirmaram buscar constantemente novos conhecimentos. Para o especialista em longevidade, Alexandre Kalache, o resultado demonstra que o Brasil está acompanhando uma tendência chamada lifelong learning (aprendizagem ao longo da vida, em tradução livre). “Esse conceito defende o aprendizado contínuo, desde a infância até a velhice. Ou seja, o processo educativo não se encerra com a conclusão do ensino médio, da graduação ou da pós-graduação, mas se estende ao longo da vida em diferentes contextos”. “Como essa aprendizagem não se limita aos formatos tradicionais de ensino, especialmente o presencial, ela permite que as pessoas se adaptem com mais rapidez e eficiência às transformações do mercado de trabalho e da sociedade”, acrescenta. O programador João Carlos Ferreira trabalhou no setor comercial de uma grande empresa por mais de 20 anos, até perceber que a tecnologia estava transformando sua área. “Comecei a estudar por conta própria, assistindo a vídeos e fazendo cursos on-line. No início, achei que não conseguiria, que já era tarde demais. Mas descobri que aprender é um processo contínuo e sempre há espaço para se reinventar. Hoje, atuo em uma área que me motiva e vejo que fiz a escolha certa”. Ferreira ressalta que o conhecimento é essencial para acompanhar as mudanças no mundo. “No começo, acreditava que aprender algo completamente novo depois dos 40 anos era impossível. Entendo que me manter atualizado e aberto a novas habilidades não é apenas um diferencial, mas uma necessidade. A aprendizagem contínua nos mantém ativos, relevantes e, acima de tudo, confiantes para enfrentar qualquer desafio”. Ensino superior Segundo dados do Censo da Educação Superior de 2023, os cursos de educação a distância (EAD) registraram um aumento de 474% nos últimos dez anos. Além disso, o Brasil contava com 51.369 estudantes com 60 anos ou mais matriculados em cursos de graduação em 2023, um crescimento de 56% em comparação com 2012. Um exemplo é a estudante de psicologia Maria Helena Santos. Após anos dedicados à família e ao trabalho como costureira, ela foi incentivada por filhos e netos a retomar os estudos. “Sempre tive curiosidade sobre o comportamento humano, mas não tive oportunidade de estudar quando era mais jovem. Quando meus netos começaram a faculdade, percebi que eu também podia fazer isso. No início, tive receio de não acompanhar as aulas, mas me surpreendi. Aprender me deu um novo propósito”. “Em um ambiente de trabalho que exige cada vez mais flexibilidade e adaptação, o aprendizado contínuo é fundamental para manter a competitividade. Vivemos a Revolução da Longevidade em paralelo à Revolução Tecnológica. Novas ferramentas estão transformando a forma como trabalhamos e interagimos profissionalmente. As habilidades valorizadas hoje podem não ser as mesmas em cinco ou dez anos. Além disso, aprender continuamente aprimora a capacidade de resolver problemas, estimula a criatividade e permite que cada profissional se destaque em sua área, independentemente da idade”, conclui Kalache. Metodologia do ILP O Indicador de Longevidade Pessoal foi desenvolvido com base em parâmetros e metodologias de instituições como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Seu objetivo é aproximar o conceito de longevidade de todas as faixas etárias. O índice, que varia de zero a 100 pontos, avalia 31 variáveis distribuídas em seis pilares: atitudes em relação à longevidade, saúde física e mental, interações sociais e meio ambiente, cuidados de saúde e prevenção, e finanças.
Estudo revela que apenas 8% do lixo gerado no Brasil é reciclado

O Brasil recicla apenas 8,3% do lixo gerado, e cerca de 41% dos municípios ainda recorrem a lixões como destino final dos resíduos, de acordo com estudo Panorama dos Resíduos Sólidos de 2024, da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema). São mais de 6,7 milhões de toneladas que foram avaliados para serem inseridos na cadeia produtiva, sendo que a maior parte desse encaminhamento, 67,2% foi realizada por coletores informais e 32,8% pelos serviços públicos de coleta, associações e cooperativas. O especialista em gestão de resíduos, Eduardo Nascimento, afirma que nos últimos anos, o cenário tem se transformado positivamente, principalmente com o avanço das legislações que tratam da gestão de resíduos e da logística reversa. “O Brasil tem experimentado um aumento nas atualizações legislativas, com ênfase no sistema de rastreamento de resíduos, um passo fundamental para garantir que os materiais destinados à reciclagem realmente sejam processados de maneira correta e eficiente. Temos grandes avanços nas legislações federais, tanto para a gestão de resíduos quanto para a logística reversa”. Para o analista ambiental e professor de Responsabilidade Social e Meio Ambiente nou UniArnaldo, Alexandre Magrineli dos Reis, já houve avanços, como as negociações que levaram aos acordos setoriais com setores geradores de resíduos quanto à responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos. “Mas, falta a ampliação das redes de coleta, e formas de tornar mais fácil ao consumidor final descartar corretamente seus resíduos ou produtos pós consumo. Outros pontos são a pouca infraestrutura adequada em muitos municípios, falta de incentivos na mídia para adesão da população à coleta seletiva e a necessidade de maior fiscalização quanto ao cumprimento da legislação”. Reis explica que o aumento da reciclagem de resíduos no país esbarra ainda em políticas públicas que são pouco efetivas nos aspectos iniciais. “Como o incentivo à catação, a efetivação e cobrança da responsabilidade de fabricantes e vendedores quanto a logística reversa pós-consumo. Além do prejuízo econômico, porque destinar resíduo sem reciclar é, de uma forma simples, enterrar dinheiro”. “Isto representa um risco ambiental e à saúde pública, e demonstra que estamos longe de efetivar a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Enquanto alguns países já trabalham com modelos econômicos que buscam zerar a geração de resíduos ou reintroduzi-los ao máximo no processo produtivo, como a economia circular, ainda estamos buscando formas de tornar isto viável no Brasil”, acrescenta. Melhorias O analista destaca duas ações necessárias para melhorar a taxa de reciclagem no país. “Mudanças na legislação tributária para estimular a utilização de matéria-prima reciclada, tornando mais atrativo para o mercado e o incentivo a formação e trabalho de cooperativas de catadores de materiais reciclados, que são a grande força e mão de obra responsável pela reinserção de resíduos nos processos produtivos”. “Minas Gerais inovou em 2011 quando implantou uma política de pagamento por serviços ambientais urbanos, reconhecendo a catação de resíduos como tal serviço, e remunerando cooperativas de catadores trimestralmente por esta atividade. A lei da ‘Bolsa Reciclagem’, como é chamada, é uma política pública que poderia ser replicada em outros Estados e Municípios”, finaliza. Produção de lixo Segundo a estimativa apresentada no panorama, o brasileiro gerou, em média, 1,047 quilos de resíduos sólidos urbanos por dia, o que leva a uma geração equivalente a mais de 221 mil toneladas de resíduos e de 81 milhões de toneladas ao longo do ano, em todo o país. A região brasileira responsável pelo maior volume de resíduo sólido urbano é o Sudeste, que gerou quase 40 milhões de toneladas, representando 49,3% do total gerado no país. A região Norte foi a que menos gerou resíduos, tendo sido responsável por 7,5%, com produção de 16,5 mil toneladas diárias e pouco mais de 6 milhões de toneladas em todo ano. Em números absolutos, o Centro-Oeste foi responsável por 7,7%, a região Sul, por 10,8%, e o Nordeste, por 24,7% do total de resíduos sólidos urbanos do país.
Pesquisa mostra dificuldade das pessoas com deficiência no mercado de trabalho

Apesar de avanços importantes em legislações e políticas públicas de inclusão, a empregabilidade de Pessoas com Deficiência (PcD) no Brasil ainda enfrenta obstáculos consideráveis. A pesquisa “Radar da Inclusão: mapeando a empregabilidade de Pessoas com Deficiência” mostra que oito em cada dez trabalhadores com deficiência ou neurodivergência que possuem emprego acreditam que as empresas, em sua maioria, não estão preparadas para integrá-los em seus times. Outro dado relevante foi o percentual de pessoas que preferem trabalhar em modelo remoto ou híbrido, que combina atividades presenciais e a distância. Essa preferência atinge 71%, superando os 58% que já adotam esse formato no momento. Ter a permissão da liderança para trabalhar de casa pode ser crucial para alguns profissionais que já possuem os recursos necessários, como mesas, cadeiras, softwares e outros itens que ajudam na execução de suas atividades. Isso ocorre porque, muitas vezes, esses trabalhadores não dispõem do essencial no ambiente de trabalho. O relatório mostra que um terço dos respondentes (33%) afirma que seu ambiente de trabalho não é devidamente adaptado a eles. A pesquisa também revela que, para 25% dos entrevistados, a presença de programas de inclusão e acessibilidade nas empresas é um aspecto decisivo na escolha de oportunidades profissionais. Ao procurar emprego, cerca de 47% prefeririam ou optariam por vagas destinadas exclusivamente a pessoas com deficiência ou neurodivergência, enquanto 49% se candidataram a qualquer tipo de vaga disponível. Para a especialista em Diversidade e Inclusão, Carla Souza, a falta de preparação das empresas é o principal obstáculo para que pessoas com deficiência ocupem posições no mercado de trabalho. “A inclusão vai além da simples adaptação do ambiente físico. É necessário transformar a cultura organizacional, oferecendo não apenas acessibilidade, mas também treinamentos para as equipes e lideranças sobre as necessidades e direitos das PcD”. Carla ressalta que a deficiência vai muito além de uma condição física e deve ser entendida de forma mais ampla. “Pode ser cognitiva, auditiva, visual, motora, e as necessidades de cada pessoa variam de acordo com o tipo de deficiência. Portanto, as empresas precisam criar ambientes de trabalho inclusivos, em que todos se sintam respeitados e possam desenvolver suas potencialidades”. A Lei de Cotas, instituída pela Lei nº 8.213/91, obriga empresas com 100 ou mais funcionários a reservar entre 2% e 5% de suas vagas para pessoas com deficiência. Para a psicóloga e consultora de Recursos Humanos, Renata Oliveira, “muitas vezes as empresas contratam pessoas com deficiência para cumprir a legislação, mas não realizam as adaptações necessárias e não oferecem o apoio adequado ao colaborador, o que resulta em um ambiente de trabalho pouco inclusivo”. Esse tipo de estigma está diretamente relacionado à falta de conhecimento, segundo Renata. “É fundamental que as empresas invistam em capacitação e sensibilização, não só para as lideranças, mas para todos os colaboradores, para que vejam a inclusão como uma vantagem competitiva, e não um peso. Profissionais com deficiência, quando bem treinados e inseridos em um ambiente inclusivo, têm um desempenho muitas vezes acima da média”. Ela afirma que as empresas devem adaptar seus processos seletivos para garantir que os candidatos com deficiência tenham igualdade de condições. “Investir em recursos de acessibilidade, como rampas, softwares de leitura de tela, e equipamentos específicos que atendam às necessidades de pessoas com diferentes tipos de deficiência. Além disso, oferecer programas de capacitação para todos os colaboradores sobre diversidade e inclusão, com foco em atitudes positivas e respeito à pessoa com deficiência também são ações positivas”, conclui.
Senado discute venda de remédios sem prescrição em supermercados

Nas próximas semanas, a Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal deve discutir a autorização da venda de medicamentos isentos de prescrição (MIPs), tema do Projeto de Lei (PL) 1.779/19, de autoria do deputado Glaustin da Fokus (Podemos). A medida foi apresentada ao governo federal como uma forma de reduzir o preço dos remédios para os consumidores. A comercialização de analgésicos chegou a ser permitida em supermercados e armazéns a partir da Medida Provisória (MP) 592/94, que implantou o Plano Real. No entanto, em 2004, a prática foi proibida após um entendimento do Superior Tribunal de Justiça. O CEO de uma rede de clínicas médicas, Rafael Teixeira, avalia que, com a aprovação do projeto, podem surgir oportunidades como parcerias estratégicas entre farmácias e supermercados. “Há espaço para construir modelos de colaboração que garantam que os pacientes tenham acesso a consultas médicas antes da compra de medicamentos, assegurando um uso seguro e eficaz, além do aumento na demanda por um atendimento acessível”. “Por outro lado, a medida pode trazer desafios, como o crescimento da automedicação. A venda desses produtos em supermercados pode levar ao uso inadequado, resultando em erros no tratamento e agravamento de doenças”, complementa. Teixeira defende que a melhor forma de integrar o setor farmacêutico aos serviços de saúde é garantir que o paciente passe primeiro por uma consulta médica qualificada em um ambiente adequado e especializado, como uma clínica ou consultório, antes de adquirir qualquer medicamento. “Essa mudança não deve beneficiar apenas o varejo, mas sim impulsionar um modelo que fortaleça o acesso seguro e qualificado à saúde no Brasil”. Setor farmacêutico é contra Por meio de nota enviada ao Edição do Brasil, o CEO da Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), Sérgio Mena Barreto, destacou que, caso aprovada, a medida seria desastrosa para o setor. “MIPs são um segmento essencial das farmácias e representam cerca de 30% das vendas. Autorizar a comercialização em supermercados, apenas para adicionar mais uma categoria de vendas, provocaria um desequilíbrio econômico em um setor que funciona bem e é respeitado mundialmente”. “O custo operacional de uma farmácia é elevado. Provavelmente, haveria um efeito rebote com o aumento no preço dos medicamentos de prescrição, impactando negativamente a saúde da população, especialmente dos mais pobres”, acrescenta. Barreto também rebateu o argumento de que os preços desses medicamentos seriam até 35% mais baixos nos supermercados, classificando essa informação como enganosa. “Monitoramos os preços de mais de mil itens comuns a farmácias e supermercados, e constatamos que esses estabelecimentos vendem mais caro em 50% das vezes”. Também por meio de nota, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) alertou que a medida poderia trazer prejuízos à saúde pública. “Ao liberar a venda de medicamentos isentos de prescrição (mas não de riscos) nos supermercados, o governo permitirá o acesso a preços mais baixos, porém, sem orientação adequada, em um país onde cerca de 90% dos brasileiros se automedicam. O resultado será, sem dúvida, um impacto ainda maior para o Sistema Único de Saúde (SUS), que já gasta R$ 60 bilhões por ano com danos causados pelo uso inadequado de medicamentos”. O CFF ressaltou que, segundo dados do Ministério da Saúde, os casos de intoxicação aumentaram 23% entre 1993 e 1995, quando a venda dos MIPs foi permitida em supermercados. Na década seguinte, com a volta da comercialização exclusiva em farmácias, houve queda nos registros de intoxicação. Entre 2007 e 2009, a redução foi de 14%. A entidade ainda repudiou qualquer medida que possa precarizar o trabalho farmacêutico e afirmou esperar que a consciência técnica e a ética prevaleçam na tomada de decisão.
Minas tem mais professores temporários do que efetivos na rede estadual de ensino

Minas Gerais é o Estado com o maior número de professores temporários. O índice chega a 80%, contra 19% de profissionais efetivos, é o que diz um levantamento feito pela organização Todos pela Educação. O crescimento estimado de temporários, entre 2013 e 2023, foi de 540%, em meio a um corte de 69,3 mil efetivos, queda de 77%. A psicopedagoga Ângela Mathylde Soares diz que o impacto no ensino de ter mais temporários que efetivos é péssimo. “Porque o temporário não tem comprometimento com a sala de aula, alunos e com a escola, já que pode perder o lugar na instituição quando o professor efetivo voltar. O profissional vai ter comprometimento com o salário e de passar o conteúdo, mas de se envolver, trabalhar as habilidades, as competências, as questões socioemocionais, fica muito a desejar”. Para Ângela, o magistério não é mais uma carreira promissora, tanto na questão de envolvimento e formação quanto em retorno e reconhecimento. “O professor hoje, não é bem assistido. Então, as outras profissões estão sendo mais procuradas e as pessoas não estão mais fazendo concurso. E a forma de reverter esse quadro é realmente assumir a pedagogia como ciência científica e de embasamento, e formalizar e identificar o objetivo do professor”. Brasil No país, o cenário é o mesmo, visto que o número de professores concursados nas redes estaduais de ensino caiu ao menor patamar em 10 anos, enquanto o total de temporários cresceu de forma significativa entre 2013 e 2023. Desde 2022, o total de docentes contratados superou o de concursados nas redes estaduais. Em 2023, as redes contavam com 356 mil temporários (alta de 55%), contra 321 mil professores efetivos (queda de 36%). De acordo com o estudo, o aumento das contratações temporárias é um dos principais motivos para o crescimento do quadro geral de professores nas redes estaduais nos últimos anos. Entre 2020 e 2023, por exemplo, houve acréscimo de quase 30 mil profissionais no corpo docente das redes. Apesar disso, ao longo da década, o número geral teve redução de 57 mil docentes, movimento alinhado com a diminuição de matrículas da educação básica. Segundo o gerente de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, Ivan Gontijo, a contratação de professores temporários é um elemento importante para garantir que as redes de ensino consigam compor o seu quadro completo de docentes. “No entanto, esse tipo de contratação deveria ser uma exceção, a ser utilizada em casos específicos previstos na legislação, mas o que vemos é que ela tem se tornado a regra nas redes estaduais de ensino”. “Isso está relacionado com a baixa frequência de realização de concursos públicos para docentes, motivada por diversas questões, como a proibição de novos concursos em decorrência da pandemia, desafios fiscais nos estados e a própria preferência de alguns gestores pelo modelo de contratação mais flexível. Isso pode trazer impactos negativos para a educação, em especial quando se observa que em muitas redes é baixa a qualidade das políticas de seleção, alocação, remuneração e formação para esses profissionais”, afirma Gontijo. Ângela reforça que a contra- -tação temporária não é positiva. “Porque o profissional não sabe quando será trocado pelo efetivo e, muitas vezes, o professor é despreparado. Essa ação é um ‘tapa-buraco’ para o estudante completar a carga horária e a escola também. Isso acontece muito na rede estadual, diferente da rede municipal, onde todos os professores são efetivos, o que facilita muito para a qualidade de ensino. Pois, a pessoa não perde seu cargo”. Estados O estudo também mostra que a proporção de docentes temporários e efetivos varia de acordo com a Unidade Federativa (UF) do país. Em 2023, 15 unidades federativas possuíam mais professores temporários do que efetivos e, ao longo da década, 16 UFs aumentaram o número de professores temporários e diminuíram o quadro de concursados. Para finalizar, a psicopedagoga afirma que a tendência é o índice de temporários continuar a crescer. “Enquanto não tiver material humano qualificado, será necessário buscar mais temporários e não capacitados para preencher essas vagas”.