Estudo indica que tarifa zero em BH pode pressionar reajuste da passagem

Um levantamento realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead) indica que as despesas geradas pela oferta de transporte público gratuito aos domingos e feriados em Belo Horizonte tendem a ser consideradas no cálculo do reajuste anual da tarifa. O estudo avalia os eventuais efeitos positivos e negativos da medida de gratuidade no sistema de transporte da capital mineira, anunciada pelo prefeito Álvaro Damião (União Brasil). Segundo o instituto, “provavelmente, esse valor gratuito vai ser rateado pela população com um possível aumento de preço, nas revisões tarifárias anuais, que pode ser acima do esperado”. A tarifa do transporte coletivo passou por seu reajuste mais recente em 1º de janeiro de 2025, quando houve um acréscimo de R$ 0,50, elevando o valor base para R$ 5,75 e colocando Belo Horizonte no topo do ranking entre as capitais da região Sudeste. Apesar disso, a Superintendência de Mobilidade (Sumob) esclareceu que os custos relacionados à gratuidade serão assumidos pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio do mecanismo de remuneração complementar. Para o economista Renato Duarte, “a gratuidade representa um ganho social importante, mas seu impacto orçamentário não pode ser ignorado. Se a prefeitura não ampliar outras fontes de receita, há uma tendência real de que o valor da tarifa em dias úteis aumente, para equilibrar as contas do sistema”. Pontos positivos O estudo do Ipead destaca dois aspectos favoráveis da iniciativa. A população de menor renda passa a ter acesso ao transporte coletivo sem comprometer o orçamento doméstico. Além disso, a medida beneficia trabalhadores autônomos, que deixam de assumir os custos de locomoção aos domingos e feriados em Belo Horizonte. O levantamento ainda projeta que a iniciativa pode alcançar mais de 12,652 milhões de usuários, quantidade correspondente às pessoas que utilizaram o transporte coletivo nos dias em que houve gratuidade ao longo de um período de doze meses. O relatório levou em conta dados da Prefeitura de Belo Horizonte de novembro de 2024 a outubro deste ano. A socióloga Andreia Lima vê a gratuidade como um avanço social significativo. “Reduzir o gasto das famílias com transporte, mesmo que só aos domingos e feriados, é um grande alívio para quem vive com orçamento apertado. Significa mais acesso a atividades culturais, visitas a familiares, oportunidades de emprego informal e lazer, o que pode gerar efeitos positivos na economia local”. Financiamento Duarte acredita que existem alternativas além do reajuste direto da tarifa. “Podemos ampliar incentivos fiscais para empresas que investirem em tecnologia e eficiência do sistema de ônibus. Também é possível explorar outras fontes de financiamento, como parcerias público-privadas, receitas de publicidade em ônibus e terminais, e até fundos setoriais que não onerem diretamente o usuário”. Outra possibilidade em discussão é ampliar a remuneração complementar paga pela prefeitura, ou seja, um subsídio mais robusto ao transporte coletivo. “Essa estratégia poderia evitar que o sistema transfira integralmente os custos para os passageiros, embora isso dependa diretamente da capacidade fiscal do município e do apoio de outras esferas governamentais”, ressalta. O diálogo entre governo, setor privado e sociedade civil será fundamental, afirma Duarte. “O transporte gratuito aos domingos e feriados tem um potencial enorme de inclusão e justiça social, mas sua sustentabilidade financeira requer criatividade. Modelos de financiamento mistos, que equilibrem subsídios públicos com eficiência operacional, podem ser o caminho para que o benefício não se transforme em um peso insustentável para a população”.

11ª edição do Natal da Favelinha chega com magia, afeto e tradição

A magia do Natal ficará ainda mais colorida no Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte, no dia 20 de dezembro. Das 10h às 14h, o Centro Cultural Lá da Favelinha promove a 11ª edição do Natal da Favelinha, uma celebração que já se tornou tradição e referência comunitária. A festa contará com distribuição de brinquedos, lanche coletivo, atrações artísticas e brinquedos ao ar livre, tudo oferecido de forma gratuita. Para que a iniciativa seja possível, o projeto realiza uma campanha de arrecadação de alimentos, brinquedos e apoio voluntário. O evento nasceu como uma ação comunitária de fim de ano, mas, ao longo de onze edições, se firmou como um momento de fortalecimento coletivo, afeto e pertencimento. Para Kdu dos Anjos, idealizador do projeto, o que mais o emociona é perceber a força da favela para criar e sonhar. “O que mais me emociona é ver que, mesmo com todas as dificuldades, a favela nunca perde a capacidade de sonhar junta. Onze anos depois, ainda me toca olhar para as crianças e perceber que elas acreditam na magia porque nós a construímos coletivamente. Assim, fortalecemos o sentimento de pertencimento e mostramos que a periferia merece celebrar em grande estilo”. Para que a festa aconteça, o projeto depende diretamente de contribuições. Doações físicas de brinquedos, doces e alimentos podem ser entregues no Centro Cultural, localizado na rua Dr. Argemiro Rezende Costa, 191 – São Lucas. Também é possível contribuir via Pix pelo CNPJ da instituição (34.863.832/0001-53), além de se voluntariar no dia do evento ou oferecer atividades. Os interessados devem entrar em contato pelo Instagram @ladafavelinha. Segundo Kdu, a mobilização reflete o espírito do projeto. “Nós dependemos de doações e de gente disposta a ajudar. Quem quiser contribuir pode doar, divulgar, aparecer para somar. Cada gesto vira parte desse grande movimento que mantém o Natal vivo”. Além da distribuição de presentes, o evento contará com futebol de sabão, pula-pula e apresentações artísticas que envolvem crianças, jovens e artistas da comunidade. Para o idealizador, é essa troca que sustenta a celebração. “Quando a gente distribui brinquedo, sentamos para comer juntos e artistas da quebrada sobem ao palco, tudo isso sustenta a magia. Mas o momento mais forte é sempre ver a alegria estampada no rosto das crianças”. Ações diversificadas O Natal da Favelinha é uma das ações do Centro Cultural Lá da Favelinha, fundado em 2015 e reconhecido pelo seu trabalho com educação, cultura e desenvolvimento. O espaço oferece oficinas gratuitas, eventos, articula parcerias e mantém a marca de moda sustentável “Remexe”. Para Kdu, a festa de dezembro é reflexo direto do que o projeto constrói diariamente. “Nós acreditamos nas pessoas. Se durante o ano oferecemos arte, educação e oportunidades, no Natal celebramos esses encontros. É um jeito de reforçar que a favela cria, se organiza e transforma realidades”. Com expectativa de grande participação de famílias e crianças, ele resume que essa edição deste ano pretende oferecer não apenas diversão, mas também memória afetiva. “Quero proporcionar um dia leve, bonito e inesquecível. Que cada criança volte para casa com um brinquedo na mão e um brilho no olhar. A mensagem é simples: a periferia merece afeto, encantamento e estar no centro das celebrações”. Realização de sonhos Ao olhar para trás, Kdu celebra o que mudou dentro e fora dos becos da Serra. “O mais marcante é ver as crianças de ontem virando jovens que hoje ajudam a construir a festa. Isso mostra continuidade. Meu sonho é ampliar ainda mais, transformar o Natal da Favelinha em um grande polo de mobilização e carinho, e inspirar outras comunidades a criarem suas próprias tradições de esperança”, finaliza.

Projeto leva memórias do Clube da Esquina para dentro das escolas

O movimento musical da década de 1960, de Belo Horizonte, está inspirando novas histórias com o projeto “Escola Audaz – Memórias do Clube da Esquina nas Escolas”. A iniciativa promove oficinas de formação para professores e atividades que aproximam alunos do 4º ao 9º ano do universo poético e sonoro do lendário Clube da Esquina. Com 10 escolas públicas de diferentes regiões da capital mineira incluídas, o projeto Escola Audaz tem os professores como multiplicadores e o envolvimento direto das crianças maiores e adolescentes. As oficinas abordam metodologias ativas que integram a música do Clube da Esquina a diferentes áreas do conhecimento, propondo experiências criativas, acessíveis e aplicáveis no cotidiano escolar. Na iniciativa, os estudantes são convidados a experimentar, através do Palco Show, o contato com o fazer musical, o improviso, as rítmicas e textos das canções, trazendo protagonismo e criando memórias afetivo-musicais potentes. O projeto objetiva a ampliação do repertório estético-cultural infantojuvenil através de metodologias autorais, sensíveis e estimulantes criadas pela especialista em Educação Musical pela UFMG, Bianca Luar. Além das formações, o programa promove as Caravanas Culturais, que reúnem visitas guiadas ao Museu Clube da Esquina e experiências musicais conduzidas por Bianca Luar e o músico Thiago Nonato. Nessas atividades, os educadores são convidados a refletir sobre a relação entre arte e educação, a potência da escuta sensível e a importância da música como linguagem que estimula a expressão e o vínculo afetivo entre alunos e escola. A cantora, educadora musical e pesquisadora da cultura da infância, Bianca Luar, destaca que a receptividade dos alunos é algo que a encanta. “A cada caravana é uma surpresa diferente. Conhecer as melodias rítmicas é algo pensado e processual. Através da oficina ‘Corpo tambor’ os textos das canções, que vestem as novas melodias, os guiam de forma afetiva para um encontro com as próprias emoções”. Bianca afirma que o programa proporciona o entendimento sobre o que faz de fato um compositor, como é criar uma canção, tal qual como surge, e o que são as parcerias. “Vivenciando as práticas, a visita ao museu e conhecendo as histórias através de brincadeiras e muita escuta, eles começam a se apropriar aos pouquinhos daquele repertório. Tudo isso traz uma magia diferente, intencional e consciente”. “A musicalidade comunicativa, muito explorada nas oficinas de formação, lhes auxiliam fortemente a refletirem e a criarem novas posturas, abordagens e refinamento do olhar para promover novas interfaces com outras áreas de conhecimento como matemática, história, geografia e português”, acrescenta. Segundo estudo recente, crianças que não têm acesso à diversidade musical falam até 6 mil vocábulos a menos, ressalta a educadora. “E hoje, com a neurociência atuando de forma profunda sob o poder da música no cérebro, podemos confirmar que não há mesmo nenhuma outra atividade/ linguagem humana que acesse tantos tecidos cerebrais ao mesmo tempo como a música”. O projeto Instrumentalizar, sensibilizar e formar professores através de oficinas criativas de práticas autorais já era uma ação corriqueira da Bianca Luar. Através disso, em parceria com o Museu do Clube da Esquina, Bianca e Virgínia Câmara criaram juntas uma imersão in loco, com um tour pedagógico, uma formação dos professores e mostra cultural temática dos alunos, o que desenha as três etapas destes projetos. Logo após, entraram em leis de incentivo e já foram contempladas em editais. Realizaram a primeira edição através da primeira infância e agora, pela segunda vez, com memórias do Clube da Esquina. Esse ano, foram contempladas as escolas municipais: Modesta Cravo, Professor Hilton Rocha, Senador Levindo Coelho, Professor Lourenço de Oliveira, Rui da Costa Val, Santos Dumont, Prefeito Aminthas de Barros e Vicente Guimarães.

Turismo de negócios registra crescimento em Belo Horizonte

Os deslocamentos corporativos com destino a Belo Horizonte registraram uma expansão expressiva em 2025, segundo um levantamento da Paytrack, plataforma especializada em gestão de viagens e despesas corporativas. Em alguns trechos, o crescimento ultrapassou 285% em relação a 2024. O aumento reflete a combinação de fatores econômicos, logísticos e estratégicos que têm reposicionado BH como um eixo relevante para negócios, inovação e eventos corporativos. O maior salto partiu de Porto Alegre, que teve uma alta surpreendente de 285,23% no número de passageiros. Em seguida aparece Joinville, com crescimento de 113,21%, e Montes Claros, que também demonstrou forte expansão, registrando 109,09%. A região Norte igualmente contribuiu para a elevação da demanda: Santarém apontou aumento de 93,33%, enquanto Carajás teve expansão de 76,26% nas viagens com destino a Belo Horizonte. Entre os grandes centros urbanos, o Rio de Janeiro, a partir do aeroporto do Galeão, apresentou alta de 51,24%. Já São Paulo, via Congonhas, teve um crescimento mais moderado, mas ainda positivo, de 9,60%. “Belo Horizonte vive um momento de fortalecimento econômico, com a chegada de novas empresas, ampliação de parques tecnológicos e maior oferta de espaços para eventos, isso aumenta naturalmente a circulação de profissionais, que viajam tanto para fechar negócios quanto para participar de treinamentos, feiras e rodadas de investimento”, explica o agente de viagens Vicente Brandão. O impacto também pode ser visto na rede hoteleira de Belo Horizonte. A Savassi segue como a área mais disputada pelos viajantes a trabalho, concentrando 36% das reservas corporativas. O bairro mantém sua posição como um dos pontos mais dinâmicos da capital, graças à presença de cafés, espaços de coworking e escritórios. Logo depois aparece a Pampulha, responsável por 24% das estadias, impulsionada pela grande variedade de hotéis voltados tanto para eventos quanto para o público executivo, além da facilidade de acesso a polos empresariais e instituições de ensino. Outras regiões vêm ampliando sua participação nesse segmento. O Cidade Jardim tem atraído profissionais que preferem se hospedar na área Centro-Sul, enquanto Caiçara e São Cristóvão se fortalecem como opções estratégicas para quem precisa de deslocamentos ágeis e boa conexão com a região Norte e com o aeroporto. Para Brandão, esse movimento tem impacto direto na economia local. “O crescimento das viagens corporativas traz benefícios que vão muito além do fluxo nos aeroportos. Ele impulsiona a rede hoteleira, os restaurantes, os serviços de transporte urbano e movimenta toda a cadeia de fornecedores ligados ao turismo de negócios”. Ele destaca ainda que, diferentemente do turismo de lazer, o corporativo tende a ser mais estável ao longo do ano e, por isso, representa uma oportunidade estratégica para a capital. A especialista em planejamento urbano e desenvolvimento regional, Carla Menezes, afirma que o dado sinaliza que BH está se tornando um hub de encontros e negociações. “O fortalecimento de espaços como o Expominas, a ampliação de centros de inovação e a expansão de coworkings estimulam as empresas a escolherem a cidade como destino. Belo Horizonte oferece infraestrutura competitiva, custo operacional mais baixo do que outras capitais e uma localização estratégica que facilita deslocamentos para todo o Sudeste e Centro-Oeste”. No entanto, Carla alerta que o crescimento exigirá atenção redobrada do poder público. “Para que esse movimento continue, a prefeitura precisa investir em mobilidade urbana, modernização de corredores de ônibus, ampliação da conexão com outras cidades da Região Metropolitana e qualificação dos serviços voltados ao turismo corporativo, além da importância de melhorias no entorno dos centros de eventos e nas áreas com grande concentração de hotéis. Ambientes bem iluminados, calçadas acessíveis e transporte eficiente fazem diferença na experiência do visitante corporativo”.

Contagem revela primeira identidade turística e mira no desenvolvimento

Marcando o início de uma estratégia inédita de promoção cultural, histórica e ambiental, Contagem lançou a sua primeira marca turística oficial: “Visite Contagem”. A iniciativa é conduzida pela Secretaria Municipal de Cultura e integra uma política mais ampla de fortalecimento do turismo como vetor de desenvolvimento econômico e social. O lançamento aconteceu em um evento na Casa da Cultura Nair Mendes Moreira. A cerimônia também marcou a apresentação do Instagram oficial (@visite.contagem) e da campanha em vídeo “Turismo em Contagem? Cê tá doido!?”, que usa humor para quebrar a antiga percepção de que o município não tem atrativos. A proposta, segundo a gestão, é revelar uma Contagem rica em cultura, natureza, gastronomia e história, mas que precisava se apresentar de forma organizada. Cercada por outros municípios e frequentemente reduzida à imagem de “cidade-dormitório”, a cidade busca mostrar que abriga uma população criativa e acolhedora, capaz de gerar experiências únicas. O vice-prefeito Ricardo Faria enfatizou o papel econômico do turismo para Contagem. “Cada turista que assiste a um show consome uma bebida, frequenta um restaurante, pega um transporte, movimenta o comércio e o setor de serviços. Isso não é gasto, é investimento”, afirmou. Ele reforçou ainda que o setor precisa caminhar em conjunto para gerar resultados concretos. “O turismo é desenvolvimento econômico e geração de emprego e renda. É fundamental que caminhemos juntos”. Plano Municipal de Turismo Além do lançamento da marca, o evento apresentou o Plano Municipal de Turismo, que passa a orientar as ações, metas e diretrizes do setor. O subsecretário de Cultura, Gilvan Rodrigues, destacou o caráter estratégico do documento. “O plano é mais do que um documento técnico; é um instrumento de fortalecimento das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável do turismo em Contagem”. Rodrigues ressaltou que o diagnóstico feito revela um potencial significativo e diversas oportunidades de crescimento. “O plano traz um diagnóstico detalhado do nosso potencial e traça caminhos para transformar essas vocações em oportunidades reais de geração de emprego, renda e valorização cultural. Contagem simboliza, nessa nova fase, uma cidade que reconhece sua história e projeta um futuro criativo e econômico”. O secretário de Desenvolvimento Econômico, Luciano Oliveira, afirmou que o “Visite Contagem” traz unidade entre diferentes áreas. A marca é forte e potente. Ela traduz a cultura e o desenvolvimento da cidade, seja no turismo, na gastronomia ou na economia e com certeza trará muitos frutos para a cidade e o Estado”. Identidade visual “A marca representa Contagem de forma autêntica. Suas cores e símbolos remetem à Vargem das Flores, à fluidez da cidade e ao seu circuito industrial, profundamente enraizado em nossa história”, destacou a conselheira do Conselho Municipal de Turismo, Fernanda do Carmo. A nova marca traz o conceito “A força está no encontro”, traduzindo Contagem como o lugar onde a natureza acolhe, a indústria impulsiona e a cultura conecta. A identidade reflete o equilíbrio entre os contrastes que definem o município: o verde de Vargem das Flores e o concreto da indústria; o sagrado da Comunidade Tradicional Quilombola dos Arturos e o ritmo urbano; o acolhimento mineiro e o dinamismo metropolitano. Cada cor representa um aspecto dessa diversidade: Verde vargem/azul lago: fluidez, estabilidade e conexão – remetendo à serenidade do turismo consciente e ao espelho d’água de Vargem das Flores; Amarelo sol/jabuticaba: tradição, afeto e profundidade cultural, evocando as raízes mineiras e o sabor singular das experiências locais; Cinza base: neutralidade e sofisticação – expressão da vocação industrial de Contagem sob uma ótica sustentável e contemporânea.

Santuário do Caraça já recebeu uma média de 70 mil visitantes este ano

Localizado em Catas Altas, região Central do Estado, o Santuário do Caraça possui mais de 12 mil hectares e é reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), além de integrar uma área destinada às Reservas da Biosfera da Serra do Espinhaço e da Mata Atlântica, reconhecidas pela Unesco. Em 2025, o local já recebeu mais de 20 mil hóspedes e 70 mil visitantes, superando a média do ano passado. Recentemente, o Santuário lançou um novo e abrangente roteiro para que os visitantes possam ver e vivenciar o destino turístico de forma mais aprofundada. Desenvolvido a partir de uma padronização meticulosa de todo o seu acervo narrativo, este roteiro guiado transforma a visita ao complexo em uma jornada imersiva, que vai muito além das exposições tradicionais do museu, abraçando a grandiosidade da Igreja e outros marcos emblemáticos. O gerente-geral do Santuário, Pablo Azevedo, explica que o que motivou a reformulação do roteiro histórico são os vários temas com potencial e atrativo turístico para criar pequenos esquemas para entretenimento do visitante e do hóspede do Santuário do Caraça. “A gente padronizou todo o itinerário do Centro Histórico, com todas as informações, desde a idealização do irmão Lourenço, a constituição do colégio e o início da hospitalidade”. Ele complementa dizendo que a nova versão se diferencia das outras experiências na sua completude. “Que foi a nossa preocupação de padronizar e tornar esse roteiro do Centro Histórico o mais completo possível, dentro das fontes que possuímos no Santuário. Fontes fidedignas e também que trazem um pouco da fantasia, como alguns mitos que existem dentro da história do Caraça e dos seus criadores”. O Santuário é um dos principais destinos turísticos de Minas Gerais e do Brasil, afirma o gerente- -geral. “O local tem uma importância muito grande. A história do Estado se confunde com a do Caraça, ou vice-versa, pois daqui é a origem de várias questões da nossa cultura, religiosidade, educação e gastronomia. Em um lugar só, conseguimos contemplar toda essa riqueza cultural, associada à riqueza do conjunto arquitetônico. Além dessa reserva particular preservada do patrimônio natural e que tem uma beleza ímpar”. Experiência Através do novo roteiro, os organizadores prometem que os visitantes serão transportados aos primórdios, desde a chegada do enigmático Irmão Lourenço, em 1770, que escolheram a serra do Caraça para erguer o seu eremitério e a primeira ermida dedicada a Nossa Senhora Mãe dos Homens. Conhecerão a definição da palavra “Caraça”, dada pelos Bandeirantes, e seu significado em tupi-guarani, “desfiladeiro ou bocaina”, em referência ao portentoso vale entre os Picos do Sol e do Inficionado, promovendo uma experiência enriquecedora e profundamente imersiva. O legado educacional e o renascimento do Santuário são detalhados no roteiro. Para uma profunda reflexão, o projeto inclui também as catacumbas, localizadas no subsolo da igreja, que são o local de sepultamento de padres e irmãos que dedicaram suas vidas ao Santuário, guardando séculos de devoção. Também terá uma visita à Biblioteca do Caraça, com um acervo de mais de 20 mil livros. Sem falar, das diversas trilhas que podem ser realizadas com ou sem guias, levando a cachoeiras deslumbrantes como a Cascatinha e a Cascatona, e os Picos do Sol e do Inficionado, que oferecem vistas panorâmicas. Azevedo ressalta que a receptividade do público tem sido positiva. “As avaliações são as melhores possíveis, os atuais monitores/guias que fazem essa visita do roteiro histórico dominam muito bem o assunto e conseguem permear todo o roteiro com facilidade e discorrer de todos os assuntos e outras curiosidades, sendo um passeio bem completo”. O Santuário do Caraça está localizado na Estrada do Caraça, km 9, entre os municípios de Catas Altas e Santa Bárbara. A taxa de entrada é de R$ 35 em dias de semana, e R$ 45 aos finais de semana. Os moradores de Barão de Cocais, Catas Altas e Santa Bárbara possuem 50% de desconto e entrada gratuita na primeira quarta-feira de cada mês. Mais detalhes do roteiro estão no site santuariodocaraca.com.br.

Poluição do ar em BH está acima dos limites permitidos pela OMS

Uma pesquisa realizada pelo Programa de Pós-graduação em Geografia do Instituto de Geociências (IGC) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apontou que a qualidade do ar em Belo Horizonte não atende aos padrões recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No período do inverno, todas as ruas avaliadas registraram concentrações de poluentes superiores ao limite de 45 microgramas por metro cúbico (µg/m³). A rua Padre Eustáquio, localizada na região Noroeste, apresentou a maior concentração de poluentes, com média de 78 µg/m³. Outras vias da cidade também registraram níveis elevados: Avenida Amazonas (65 µg/m³), Nossa Senhora do Carmo (69 µg/m³), Silva Lobo (69 µg/m³), Barão Homem de Melo (69 µg/m³), Antônio Carlos (69 µg/m³) e o Anel Rodoviário (57 µg/m³). Para o engenheiro ambiental Marcelo Dutra, os índices elevados estão diretamente ligados à combinação de fatores urbanos e climáticos típicos do inverno. “Durante essa estação, a baixa umidade e a inversão térmica contribuem para que a poluição fique retida próxima ao solo, sem dispersão natural. Além disso, o aumento do uso de veículos e a proximidade entre os edifícios e o tráfego mais lento podem dificultar a dispersão do poluente”. Ele destaca que o crescimento da frota de veículos nos últimos anos e a expansão das regiões industriais nas periferias da capital também são fatores importantes. “Belo Horizonte avançou de forma acelerada e muitas vias principais se tornaram corredores de trânsito intenso. O tráfego constante, alinhado à emissão de poluentes de indústrias e de pequenas queimas domésticas, gera um efeito cumulativo que prejudica significativamente a qualidade do ar”. A pesquisa da UFMG também evidenciou que mesmo vias consideradas menos movimentadas apresentam níveis acima do recomendado, mostrando que a poluição do ar não está restrita a corredores de tráfego intenso, mas se espalha por diferentes regiões da cidade. A solução passa por um conjunto de medidas integradas, explica Dutra. “É preciso ampliar o transporte público de qualidade, incentivar o uso de veículos elétricos e não poluentes, aumentar áreas verdes e implementar programas de monitoramento contínuo da qualidade do ar. Políticas públicas e educação ambiental também são fundamentais para que a população compreenda o impacto das ações individuais e coletivas no ar que respiramos”. Dutra lembra ainda que a legislação ambiental brasileira estabelece padrões de emissão para indústrias e veículos, mas que a fiscalização nem sempre é suficiente para garantir o cumprimento dessas normas. “Sem monitoramento rigoroso e sanções efetivas, as leis acabam sendo pouco eficazes e a população sente os efeitos, mas nem sempre consegue exigir mudanças”. O engenheiro ambiental ressalta que a concentração populacional em regiões densamente ocupadas, a ocupação de áreas verdes e a insuficiência de planejamento urbano contribuem para que poluentes fiquem concentrados, especialmente em bairros mais centrais e próximos de vias expressas. “É possível reverter o quadro com políticas públicas bem estruturadas e a conscientização da população é de grande importância nas ações de monitoramento e de transparência nos dados. Respirar é um direito básico e garantir ar limpo não é apenas uma questão ambiental, mas uma prioridade de saúde pública e de justiça social”, conclui. Graves impactos A médica pneumologista Ana Cláudia Figueiredo alerta que a exposição contínua a partículas em suspensão acima do recomendado aumenta o risco de doenças respiratórias, cardiovasculares e até mesmo problemas neurológicos. “Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas são os mais vulneráveis. Respirar esse ar diariamente pode levar a crises de asma, bronquite, infecções respiratórias e, em casos mais graves, agravar condições cardíacas. Além disso, estudos recentes mostram que a poluição do ar pode afetar o desenvolvimento cognitivo de crianças”.

Casa Marina transforma vidas de mulheres em Ribeirão das Neves

Ribeirão das Neves acaba de ganhar um novo espaço dedicado à transformação social e ao empoderamento feminino. Inaugurada pelo Instituto Marina e Flávio Guimarães (IMFG), a Casa Marina, instalada dentro da Cidade dos Meninos São Vicente de Paulo, nasce com a missão de acolher e capacitar mulheres em situação de vulnerabilidade, oferecendo cursos profissionalizantes gratuitos e oficinas que estimulam a autonomia e o empreendedorismo. “A Casa Marina nasce como marco do legado do casal Flávio Pentagna Guimarães e de Marina, sua esposa, que construíram uma vida marcada pela solidariedade. Juntos, apoiaram hospitais, escolas, creches e famílias, sempre acreditando que a qualificação profissional é uma chave para transformar vidas. Assim, a Casa Marina é um lugar com esse potencial, com a missão de oferecer capacitação, acolhimento e ferramentas para a autonomia das mulheres”, explica Rosana Aguiar, diretora-executiva do IMFG. O espaço oferece cursos gratuitos de cabeleireiro, corte e costura, manicure e pedicure e cuidador de idosos, com duração de três meses e aulas nos turnos da manhã e da tarde. Além disso, as participantes recebem oficinas de educação financeira, empreendedorismo e inclusão digital, bem como atendimento psicossocial e rodas de conversa sobre saúde e bem-estar. De acordo com Rosana, os primeiros resultados já são visíveis. “A mulher, por natureza, é empreendedora e sabe atuar em várias frentes. A Casa Marina oferece formação em áreas com alta demanda no mercado, abrindo oportunidades tanto para o trabalho formal quanto para o empreendedorismo. As primeiras turmas se formam em dezembro, e as inscrições para as próximas já estão abertas”, afirma. A trajetória de Vanessa de Souza Santos, 42 anos, mãe de dois filhos, mostra o impacto do projeto. “A oportunidade do curso da Casa Marina é para que eu continue trabalhando em casa para cuidar dos meus filhos e, no futuro, ter meu próprio negócio. Com o curso, vou adquirir conhecimento, empoderamento, ganhar uma renda e dar um futuro melhor para as crianças”. Para a diretora-executiva do IMFG, capacitar uma mulher é transformar toda uma comunidade. “Ao fortalecer mulheres em situação de vulnerabilidade com qualificação, rede de apoio e acesso a oportunidades, elas conseguem gerar renda, conquistar autonomia e inspirar mudanças ao redor. A expectativa é ver mais mulheres empregadas ou empreendendo, famílias com maior estabilidade financeira e uma comunidade feminina mais confiante e reconhecida como protagonista do desenvolvimento local”. Essas mudanças também são fruto de parcerias. Segundo Dolores Bertilla, superintendente do Sistema Divina Providência, a união de esforços é essencial. “Quando as instituições estão unidas, ninguém segura. É um trabalho que abrange toda uma comunidade, mobiliza pessoas e causa um impacto imenso. O Instituto é um grande parceiro nosso”. Além de formar para o mercado de trabalho, Rosana afirma que o projeto investe em habilidades de vida. “A educação financeira ajuda na organização do dinheiro e na redução da dependência de outras pessoas. O empreendedorismo incentiva a iniciativa própria e aumenta a confiança em transformar ideias em oportunidades. Quando combinados, esses aprendizados fortalecem a autoestima e a capacidade de enfrentar desafios”. “O trabalho conjunto amplia o impacto do projeto porque soma recursos, conhecimentos e redes de contato. Essa cooperação torna a Casa Marina mais inclusiva e sustentável, garantindo que os benefícios cheguem a mais pessoas e gerem transformação social em maior escala”, conclui. Como se inscrever As inscrições devem ser realizadas presencialmente na Cidade dos Meninos (Rua Seicidio Jorge Ricardo, 250 – Bairro Santa Paula). Os documentos necessários são cópia do RG, CPF e comprovante de residência. O horário de matrícula é das 7h30 às 11h e 13h às 16h30. Telefone para contato: (31) 3614-9157.

BH prevê a instalação de mais de 12 mil câmeras de monitoramento

C ombater a criminalidade, ampliar a sensação de segurança e, com isso, melhorar a qualidade de vida da população, esses são os principais objetivos do programa “Muralha BH”. Um sistema integrado de monitoramento inteligente desenvolvido pela Secretaria Municipal de Segurança e Prevenção, em parceria com a Empresa de Informática e Informação do Município de Belo Horizonte (Prodabel), que foi lançado no início de outubro pela Prefeitura. A primeira fase do projeto já está em andamento, com cerca de 600 câmeras instaladas e testadas. A ideia é que até dezembro, mais mil unidades devem entrar em operação. A previsão é que todo o sistema esteja funcionando até o final de 2026. A iniciativa prevê mais de 12 mil câmeras em áreas mapeadas por toda a cidade, incluindo praças, parques, centros de saúde, escolas municipais, vias principais e acessos aos corredores urbanos. O “Muralha BH” prevê ainda o monitoramento de 100% do Novo Anel, via que desde junho está sob a responsabilidade do município, com o intuito de controlar todos os acessos a Belo Horizonte e o tráfego dos veículos pesados pelas pistas. Segundo o prefeito Álvaro Damião (União Brasil), o “Muralha BH” é um projeto que une segurança, mobilidade e inovação. “Estamos trazendo para Belo Horizonte o que há de mais moderno em tecnologia urbana, para que a cidade seja um lugar onde todos possam circular com tranquilidade. Nenhum veículo entra ou sai da capital sem que a placa seja identificada. Saberemos se foi usado em crimes ou se é produto de furto ou roubo”. Para a professora de direito criminal da UniArnaldo Centro Universitário, Renata Furbino, a instalação de câmeras tem um potencial significativo de ampliar a sensação de segurança. “A presença da vigilância eletrônica cria uma percepção real de presença do Estado, o que pode fazer com que os cidadãos se sintam mais protegidos ao transitar pela cidade”. “Entretanto, é importante distinguir essa sensação subjetiva de uma redução real e mensurável dos índices de criminalidade. Muitas vezes, grandes projetos de vigilância funcionam mais como uma ferramenta de propaganda política, do que como uma política de segurança pública com eficácia comprovada em dados. A população tende a aceitar a vigilância eletrônica por medo da violência, mas isso não garante que a diminuição do crime será entregue na mesma proporção da sensação de segurança gerada”, pontua. Renata explica que o impacto real é mais limitado e específico do que se imagina. “As pesquisas mostram que o videomonitoramento tende a ser mais eficaz na redução de crimes contra o patrimônio, como furtos e roubos em locais abertos, onde o agente faz um cálculo de risco antes de agir. Para crimes contra a vida ou lesões corporais, o efeito dissuasório é menor”. “Na prática, as câmeras funcionam muito bem como uma ferramenta de apoio à prevenção e à investigação, ajudando a esclarecer crimes que já ocorreram. Em contextos muito específicos, como no combate ao crime organizado em fronteiras, o videomonitoramento se mostrou uma ferramenta poderosa para desarticular quadrilhas de tráfico de armas e drogas, como faz a Polícia Rodoviária Federal”, destaca. Os desafios O primeiro deles é a questão do custo-benefício, afirma a docente. “Sem um planejamento adequado, o projeto pode se tornar um gasto excessivo de dinheiro público com pouco impacto real. O segundo é o deslocamento do crime, visto que a segurança melhora em um ponto específico, porém, o problema pode piorar para os bairros vizinhos que não fazem parte do sistema de videomonitoramento”. “Além da gestão de dados e privacidade, é necessário ter regras objetivas sobre quem acessa as imagens, como são armazenadas e por quanto tempo, para evitar violações da privacidade dos cidadãos, algo que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) exige. Por fim, as câmeras precisam estar integradas a uma central inteligente, com operadores com expertise e comunicação ágil com as viaturas na rua”, finaliza.

32% dos profissionais levam até 1 hora para chegar ao trabalho

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em Belo Horizonte, 32% dos profissionais levam entre 30 minutos e 1 hora para chegar ao local de trabalho. Já 17% enfrentam um tempo de deslocamento que varia de 1 a 2 horas diariamente. O levantamento também revela que uma parte significativa da população ativa tem um trajeto mais curto: cerca de 28% dos trabalhadores completam o percurso entre 15 e 30 minutos. No extremo, 1% dos trabalhadores enfrenta viagens de mais de duas a quatro horas. Para o engenheiro de transportes e especialista em mobilidade urbana, Leonardo Duarte, a realidade enfrentada por milhares de trabalhadores de BH é reflexo de anos de planejamento urbano insuficiente. “Temos uma cidade que cresceu de forma horizontalizada, com áreas residenciais se espalhando para a periferia sem que houvesse uma contrapartida proporcional na oferta de transporte público de qualidade. Resultado: a população está cada vez mais dependente do carro ou de sistemas de transporte coletivo que não dão conta da demanda”. De acordo com Duarte, Belo Horizonte possui atualmente uma frota de mais de 2 milhões de veículos circulando diariamente, número que só cresce. “O excesso de carros individuais, combinado com uma malha viária limitada e um transporte coletivo pouco eficiente, gera gargalos nos horários de pico. Isso afeta diretamente o tempo de deslocamento, além de aumentar os índices de poluição e acidentes de trânsito”. Outro ponto crítico apontado é a crise do sistema de transporte público. A cidade enfrenta há anos a insatisfação de usuários com relação à qualidade dos serviços prestados, à frequência dos ônibus e ao custo elevado das tarifas. Para a urbanista Fernanda Bastos, a falta de investimentos contínuos é uma das principais razões da estagnação do setor. “Os ônibus operam em condições precárias em muitas regiões da cidade, com itinerários longos e pouco eficientes. A ausência de corredores exclusivos em boa parte das vias atrasa os trajetos e desestimula a população a usar o transporte coletivo, além do metrô que atende pouquíssimas pessoas”. Diante da atual situação da mobilidade urbana em Belo Horizonte, é fundamental que sejam adotadas medidas estruturais e urgentes para reverter o cenário e melhorar os indicadores da cidade. “Um dos primeiros passos é investir na ampliação e modernização do transporte coletivo, dando prioridade ao transporte por ônibus e metrô. Isso inclui o aumento da frota, a renovação dos veículos em circulação e a requalificação de estações e pontos de parada, que muitas vezes não oferecem sequer o mínimo de conforto ou acessibilidade para os usuários”, destaca Fernanda. Ela ressalta que é essencial que a cidade invista na criação de mais corredores exclusivos para ônibus. “Essa medida, que já mostrou resultados positivos em outras capitais, reduz significativamente o tempo de viagem e torna o transporte público mais eficiente e atrativo para a população. A mobilidade também precisa ser pensada para além dos veículos motorizados. Ampliar a malha cicloviária com ciclovias e ciclofaixas bem sinalizadas e seguras é outro ponto-chave, principalmente se queremos incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte diário”. Para Duarte, a cidade precisa aproximar quem mora mais distante das áreas comerciais e de serviço. “Isso significa levar infraestrutura, oportunidades e transporte eficiente para essas regiões, reduzindo a necessidade de longos deslocamentos diários. Sem esse olhar mais amplo e inclusivo, continuaremos empurrando o problema com a barriga e penalizando justamente quem mais depende do transporte público para viver”.