Contagem revela primeira identidade turística e mira no desenvolvimento

Marcando o início de uma estratégia inédita de promoção cultural, histórica e ambiental, Contagem lançou a sua primeira marca turística oficial: “Visite Contagem”. A iniciativa é conduzida pela Secretaria Municipal de Cultura e integra uma política mais ampla de fortalecimento do turismo como vetor de desenvolvimento econômico e social. O lançamento aconteceu em um evento na Casa da Cultura Nair Mendes Moreira. A cerimônia também marcou a apresentação do Instagram oficial (@visite.contagem) e da campanha em vídeo “Turismo em Contagem? Cê tá doido!?”, que usa humor para quebrar a antiga percepção de que o município não tem atrativos. A proposta, segundo a gestão, é revelar uma Contagem rica em cultura, natureza, gastronomia e história, mas que precisava se apresentar de forma organizada. Cercada por outros municípios e frequentemente reduzida à imagem de “cidade-dormitório”, a cidade busca mostrar que abriga uma população criativa e acolhedora, capaz de gerar experiências únicas. O vice-prefeito Ricardo Faria enfatizou o papel econômico do turismo para Contagem. “Cada turista que assiste a um show consome uma bebida, frequenta um restaurante, pega um transporte, movimenta o comércio e o setor de serviços. Isso não é gasto, é investimento”, afirmou. Ele reforçou ainda que o setor precisa caminhar em conjunto para gerar resultados concretos. “O turismo é desenvolvimento econômico e geração de emprego e renda. É fundamental que caminhemos juntos”. Plano Municipal de Turismo Além do lançamento da marca, o evento apresentou o Plano Municipal de Turismo, que passa a orientar as ações, metas e diretrizes do setor. O subsecretário de Cultura, Gilvan Rodrigues, destacou o caráter estratégico do documento. “O plano é mais do que um documento técnico; é um instrumento de fortalecimento das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável do turismo em Contagem”. Rodrigues ressaltou que o diagnóstico feito revela um potencial significativo e diversas oportunidades de crescimento. “O plano traz um diagnóstico detalhado do nosso potencial e traça caminhos para transformar essas vocações em oportunidades reais de geração de emprego, renda e valorização cultural. Contagem simboliza, nessa nova fase, uma cidade que reconhece sua história e projeta um futuro criativo e econômico”. O secretário de Desenvolvimento Econômico, Luciano Oliveira, afirmou que o “Visite Contagem” traz unidade entre diferentes áreas. A marca é forte e potente. Ela traduz a cultura e o desenvolvimento da cidade, seja no turismo, na gastronomia ou na economia e com certeza trará muitos frutos para a cidade e o Estado”. Identidade visual “A marca representa Contagem de forma autêntica. Suas cores e símbolos remetem à Vargem das Flores, à fluidez da cidade e ao seu circuito industrial, profundamente enraizado em nossa história”, destacou a conselheira do Conselho Municipal de Turismo, Fernanda do Carmo. A nova marca traz o conceito “A força está no encontro”, traduzindo Contagem como o lugar onde a natureza acolhe, a indústria impulsiona e a cultura conecta. A identidade reflete o equilíbrio entre os contrastes que definem o município: o verde de Vargem das Flores e o concreto da indústria; o sagrado da Comunidade Tradicional Quilombola dos Arturos e o ritmo urbano; o acolhimento mineiro e o dinamismo metropolitano. Cada cor representa um aspecto dessa diversidade: Verde vargem/azul lago: fluidez, estabilidade e conexão – remetendo à serenidade do turismo consciente e ao espelho d’água de Vargem das Flores; Amarelo sol/jabuticaba: tradição, afeto e profundidade cultural, evocando as raízes mineiras e o sabor singular das experiências locais; Cinza base: neutralidade e sofisticação – expressão da vocação industrial de Contagem sob uma ótica sustentável e contemporânea.
Santuário do Caraça já recebeu uma média de 70 mil visitantes este ano

Localizado em Catas Altas, região Central do Estado, o Santuário do Caraça possui mais de 12 mil hectares e é reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), além de integrar uma área destinada às Reservas da Biosfera da Serra do Espinhaço e da Mata Atlântica, reconhecidas pela Unesco. Em 2025, o local já recebeu mais de 20 mil hóspedes e 70 mil visitantes, superando a média do ano passado. Recentemente, o Santuário lançou um novo e abrangente roteiro para que os visitantes possam ver e vivenciar o destino turístico de forma mais aprofundada. Desenvolvido a partir de uma padronização meticulosa de todo o seu acervo narrativo, este roteiro guiado transforma a visita ao complexo em uma jornada imersiva, que vai muito além das exposições tradicionais do museu, abraçando a grandiosidade da Igreja e outros marcos emblemáticos. O gerente-geral do Santuário, Pablo Azevedo, explica que o que motivou a reformulação do roteiro histórico são os vários temas com potencial e atrativo turístico para criar pequenos esquemas para entretenimento do visitante e do hóspede do Santuário do Caraça. “A gente padronizou todo o itinerário do Centro Histórico, com todas as informações, desde a idealização do irmão Lourenço, a constituição do colégio e o início da hospitalidade”. Ele complementa dizendo que a nova versão se diferencia das outras experiências na sua completude. “Que foi a nossa preocupação de padronizar e tornar esse roteiro do Centro Histórico o mais completo possível, dentro das fontes que possuímos no Santuário. Fontes fidedignas e também que trazem um pouco da fantasia, como alguns mitos que existem dentro da história do Caraça e dos seus criadores”. O Santuário é um dos principais destinos turísticos de Minas Gerais e do Brasil, afirma o gerente- -geral. “O local tem uma importância muito grande. A história do Estado se confunde com a do Caraça, ou vice-versa, pois daqui é a origem de várias questões da nossa cultura, religiosidade, educação e gastronomia. Em um lugar só, conseguimos contemplar toda essa riqueza cultural, associada à riqueza do conjunto arquitetônico. Além dessa reserva particular preservada do patrimônio natural e que tem uma beleza ímpar”. Experiência Através do novo roteiro, os organizadores prometem que os visitantes serão transportados aos primórdios, desde a chegada do enigmático Irmão Lourenço, em 1770, que escolheram a serra do Caraça para erguer o seu eremitério e a primeira ermida dedicada a Nossa Senhora Mãe dos Homens. Conhecerão a definição da palavra “Caraça”, dada pelos Bandeirantes, e seu significado em tupi-guarani, “desfiladeiro ou bocaina”, em referência ao portentoso vale entre os Picos do Sol e do Inficionado, promovendo uma experiência enriquecedora e profundamente imersiva. O legado educacional e o renascimento do Santuário são detalhados no roteiro. Para uma profunda reflexão, o projeto inclui também as catacumbas, localizadas no subsolo da igreja, que são o local de sepultamento de padres e irmãos que dedicaram suas vidas ao Santuário, guardando séculos de devoção. Também terá uma visita à Biblioteca do Caraça, com um acervo de mais de 20 mil livros. Sem falar, das diversas trilhas que podem ser realizadas com ou sem guias, levando a cachoeiras deslumbrantes como a Cascatinha e a Cascatona, e os Picos do Sol e do Inficionado, que oferecem vistas panorâmicas. Azevedo ressalta que a receptividade do público tem sido positiva. “As avaliações são as melhores possíveis, os atuais monitores/guias que fazem essa visita do roteiro histórico dominam muito bem o assunto e conseguem permear todo o roteiro com facilidade e discorrer de todos os assuntos e outras curiosidades, sendo um passeio bem completo”. O Santuário do Caraça está localizado na Estrada do Caraça, km 9, entre os municípios de Catas Altas e Santa Bárbara. A taxa de entrada é de R$ 35 em dias de semana, e R$ 45 aos finais de semana. Os moradores de Barão de Cocais, Catas Altas e Santa Bárbara possuem 50% de desconto e entrada gratuita na primeira quarta-feira de cada mês. Mais detalhes do roteiro estão no site santuariodocaraca.com.br.
Poluição do ar em BH está acima dos limites permitidos pela OMS

Uma pesquisa realizada pelo Programa de Pós-graduação em Geografia do Instituto de Geociências (IGC) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apontou que a qualidade do ar em Belo Horizonte não atende aos padrões recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No período do inverno, todas as ruas avaliadas registraram concentrações de poluentes superiores ao limite de 45 microgramas por metro cúbico (µg/m³). A rua Padre Eustáquio, localizada na região Noroeste, apresentou a maior concentração de poluentes, com média de 78 µg/m³. Outras vias da cidade também registraram níveis elevados: Avenida Amazonas (65 µg/m³), Nossa Senhora do Carmo (69 µg/m³), Silva Lobo (69 µg/m³), Barão Homem de Melo (69 µg/m³), Antônio Carlos (69 µg/m³) e o Anel Rodoviário (57 µg/m³). Para o engenheiro ambiental Marcelo Dutra, os índices elevados estão diretamente ligados à combinação de fatores urbanos e climáticos típicos do inverno. “Durante essa estação, a baixa umidade e a inversão térmica contribuem para que a poluição fique retida próxima ao solo, sem dispersão natural. Além disso, o aumento do uso de veículos e a proximidade entre os edifícios e o tráfego mais lento podem dificultar a dispersão do poluente”. Ele destaca que o crescimento da frota de veículos nos últimos anos e a expansão das regiões industriais nas periferias da capital também são fatores importantes. “Belo Horizonte avançou de forma acelerada e muitas vias principais se tornaram corredores de trânsito intenso. O tráfego constante, alinhado à emissão de poluentes de indústrias e de pequenas queimas domésticas, gera um efeito cumulativo que prejudica significativamente a qualidade do ar”. A pesquisa da UFMG também evidenciou que mesmo vias consideradas menos movimentadas apresentam níveis acima do recomendado, mostrando que a poluição do ar não está restrita a corredores de tráfego intenso, mas se espalha por diferentes regiões da cidade. A solução passa por um conjunto de medidas integradas, explica Dutra. “É preciso ampliar o transporte público de qualidade, incentivar o uso de veículos elétricos e não poluentes, aumentar áreas verdes e implementar programas de monitoramento contínuo da qualidade do ar. Políticas públicas e educação ambiental também são fundamentais para que a população compreenda o impacto das ações individuais e coletivas no ar que respiramos”. Dutra lembra ainda que a legislação ambiental brasileira estabelece padrões de emissão para indústrias e veículos, mas que a fiscalização nem sempre é suficiente para garantir o cumprimento dessas normas. “Sem monitoramento rigoroso e sanções efetivas, as leis acabam sendo pouco eficazes e a população sente os efeitos, mas nem sempre consegue exigir mudanças”. O engenheiro ambiental ressalta que a concentração populacional em regiões densamente ocupadas, a ocupação de áreas verdes e a insuficiência de planejamento urbano contribuem para que poluentes fiquem concentrados, especialmente em bairros mais centrais e próximos de vias expressas. “É possível reverter o quadro com políticas públicas bem estruturadas e a conscientização da população é de grande importância nas ações de monitoramento e de transparência nos dados. Respirar é um direito básico e garantir ar limpo não é apenas uma questão ambiental, mas uma prioridade de saúde pública e de justiça social”, conclui. Graves impactos A médica pneumologista Ana Cláudia Figueiredo alerta que a exposição contínua a partículas em suspensão acima do recomendado aumenta o risco de doenças respiratórias, cardiovasculares e até mesmo problemas neurológicos. “Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas são os mais vulneráveis. Respirar esse ar diariamente pode levar a crises de asma, bronquite, infecções respiratórias e, em casos mais graves, agravar condições cardíacas. Além disso, estudos recentes mostram que a poluição do ar pode afetar o desenvolvimento cognitivo de crianças”.
Casa Marina transforma vidas de mulheres em Ribeirão das Neves

Ribeirão das Neves acaba de ganhar um novo espaço dedicado à transformação social e ao empoderamento feminino. Inaugurada pelo Instituto Marina e Flávio Guimarães (IMFG), a Casa Marina, instalada dentro da Cidade dos Meninos São Vicente de Paulo, nasce com a missão de acolher e capacitar mulheres em situação de vulnerabilidade, oferecendo cursos profissionalizantes gratuitos e oficinas que estimulam a autonomia e o empreendedorismo. “A Casa Marina nasce como marco do legado do casal Flávio Pentagna Guimarães e de Marina, sua esposa, que construíram uma vida marcada pela solidariedade. Juntos, apoiaram hospitais, escolas, creches e famílias, sempre acreditando que a qualificação profissional é uma chave para transformar vidas. Assim, a Casa Marina é um lugar com esse potencial, com a missão de oferecer capacitação, acolhimento e ferramentas para a autonomia das mulheres”, explica Rosana Aguiar, diretora-executiva do IMFG. O espaço oferece cursos gratuitos de cabeleireiro, corte e costura, manicure e pedicure e cuidador de idosos, com duração de três meses e aulas nos turnos da manhã e da tarde. Além disso, as participantes recebem oficinas de educação financeira, empreendedorismo e inclusão digital, bem como atendimento psicossocial e rodas de conversa sobre saúde e bem-estar. De acordo com Rosana, os primeiros resultados já são visíveis. “A mulher, por natureza, é empreendedora e sabe atuar em várias frentes. A Casa Marina oferece formação em áreas com alta demanda no mercado, abrindo oportunidades tanto para o trabalho formal quanto para o empreendedorismo. As primeiras turmas se formam em dezembro, e as inscrições para as próximas já estão abertas”, afirma. A trajetória de Vanessa de Souza Santos, 42 anos, mãe de dois filhos, mostra o impacto do projeto. “A oportunidade do curso da Casa Marina é para que eu continue trabalhando em casa para cuidar dos meus filhos e, no futuro, ter meu próprio negócio. Com o curso, vou adquirir conhecimento, empoderamento, ganhar uma renda e dar um futuro melhor para as crianças”. Para a diretora-executiva do IMFG, capacitar uma mulher é transformar toda uma comunidade. “Ao fortalecer mulheres em situação de vulnerabilidade com qualificação, rede de apoio e acesso a oportunidades, elas conseguem gerar renda, conquistar autonomia e inspirar mudanças ao redor. A expectativa é ver mais mulheres empregadas ou empreendendo, famílias com maior estabilidade financeira e uma comunidade feminina mais confiante e reconhecida como protagonista do desenvolvimento local”. Essas mudanças também são fruto de parcerias. Segundo Dolores Bertilla, superintendente do Sistema Divina Providência, a união de esforços é essencial. “Quando as instituições estão unidas, ninguém segura. É um trabalho que abrange toda uma comunidade, mobiliza pessoas e causa um impacto imenso. O Instituto é um grande parceiro nosso”. Além de formar para o mercado de trabalho, Rosana afirma que o projeto investe em habilidades de vida. “A educação financeira ajuda na organização do dinheiro e na redução da dependência de outras pessoas. O empreendedorismo incentiva a iniciativa própria e aumenta a confiança em transformar ideias em oportunidades. Quando combinados, esses aprendizados fortalecem a autoestima e a capacidade de enfrentar desafios”. “O trabalho conjunto amplia o impacto do projeto porque soma recursos, conhecimentos e redes de contato. Essa cooperação torna a Casa Marina mais inclusiva e sustentável, garantindo que os benefícios cheguem a mais pessoas e gerem transformação social em maior escala”, conclui. Como se inscrever As inscrições devem ser realizadas presencialmente na Cidade dos Meninos (Rua Seicidio Jorge Ricardo, 250 – Bairro Santa Paula). Os documentos necessários são cópia do RG, CPF e comprovante de residência. O horário de matrícula é das 7h30 às 11h e 13h às 16h30. Telefone para contato: (31) 3614-9157.
BH prevê a instalação de mais de 12 mil câmeras de monitoramento

C ombater a criminalidade, ampliar a sensação de segurança e, com isso, melhorar a qualidade de vida da população, esses são os principais objetivos do programa “Muralha BH”. Um sistema integrado de monitoramento inteligente desenvolvido pela Secretaria Municipal de Segurança e Prevenção, em parceria com a Empresa de Informática e Informação do Município de Belo Horizonte (Prodabel), que foi lançado no início de outubro pela Prefeitura. A primeira fase do projeto já está em andamento, com cerca de 600 câmeras instaladas e testadas. A ideia é que até dezembro, mais mil unidades devem entrar em operação. A previsão é que todo o sistema esteja funcionando até o final de 2026. A iniciativa prevê mais de 12 mil câmeras em áreas mapeadas por toda a cidade, incluindo praças, parques, centros de saúde, escolas municipais, vias principais e acessos aos corredores urbanos. O “Muralha BH” prevê ainda o monitoramento de 100% do Novo Anel, via que desde junho está sob a responsabilidade do município, com o intuito de controlar todos os acessos a Belo Horizonte e o tráfego dos veículos pesados pelas pistas. Segundo o prefeito Álvaro Damião (União Brasil), o “Muralha BH” é um projeto que une segurança, mobilidade e inovação. “Estamos trazendo para Belo Horizonte o que há de mais moderno em tecnologia urbana, para que a cidade seja um lugar onde todos possam circular com tranquilidade. Nenhum veículo entra ou sai da capital sem que a placa seja identificada. Saberemos se foi usado em crimes ou se é produto de furto ou roubo”. Para a professora de direito criminal da UniArnaldo Centro Universitário, Renata Furbino, a instalação de câmeras tem um potencial significativo de ampliar a sensação de segurança. “A presença da vigilância eletrônica cria uma percepção real de presença do Estado, o que pode fazer com que os cidadãos se sintam mais protegidos ao transitar pela cidade”. “Entretanto, é importante distinguir essa sensação subjetiva de uma redução real e mensurável dos índices de criminalidade. Muitas vezes, grandes projetos de vigilância funcionam mais como uma ferramenta de propaganda política, do que como uma política de segurança pública com eficácia comprovada em dados. A população tende a aceitar a vigilância eletrônica por medo da violência, mas isso não garante que a diminuição do crime será entregue na mesma proporção da sensação de segurança gerada”, pontua. Renata explica que o impacto real é mais limitado e específico do que se imagina. “As pesquisas mostram que o videomonitoramento tende a ser mais eficaz na redução de crimes contra o patrimônio, como furtos e roubos em locais abertos, onde o agente faz um cálculo de risco antes de agir. Para crimes contra a vida ou lesões corporais, o efeito dissuasório é menor”. “Na prática, as câmeras funcionam muito bem como uma ferramenta de apoio à prevenção e à investigação, ajudando a esclarecer crimes que já ocorreram. Em contextos muito específicos, como no combate ao crime organizado em fronteiras, o videomonitoramento se mostrou uma ferramenta poderosa para desarticular quadrilhas de tráfico de armas e drogas, como faz a Polícia Rodoviária Federal”, destaca. Os desafios O primeiro deles é a questão do custo-benefício, afirma a docente. “Sem um planejamento adequado, o projeto pode se tornar um gasto excessivo de dinheiro público com pouco impacto real. O segundo é o deslocamento do crime, visto que a segurança melhora em um ponto específico, porém, o problema pode piorar para os bairros vizinhos que não fazem parte do sistema de videomonitoramento”. “Além da gestão de dados e privacidade, é necessário ter regras objetivas sobre quem acessa as imagens, como são armazenadas e por quanto tempo, para evitar violações da privacidade dos cidadãos, algo que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) exige. Por fim, as câmeras precisam estar integradas a uma central inteligente, com operadores com expertise e comunicação ágil com as viaturas na rua”, finaliza.
32% dos profissionais levam até 1 hora para chegar ao trabalho

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em Belo Horizonte, 32% dos profissionais levam entre 30 minutos e 1 hora para chegar ao local de trabalho. Já 17% enfrentam um tempo de deslocamento que varia de 1 a 2 horas diariamente. O levantamento também revela que uma parte significativa da população ativa tem um trajeto mais curto: cerca de 28% dos trabalhadores completam o percurso entre 15 e 30 minutos. No extremo, 1% dos trabalhadores enfrenta viagens de mais de duas a quatro horas. Para o engenheiro de transportes e especialista em mobilidade urbana, Leonardo Duarte, a realidade enfrentada por milhares de trabalhadores de BH é reflexo de anos de planejamento urbano insuficiente. “Temos uma cidade que cresceu de forma horizontalizada, com áreas residenciais se espalhando para a periferia sem que houvesse uma contrapartida proporcional na oferta de transporte público de qualidade. Resultado: a população está cada vez mais dependente do carro ou de sistemas de transporte coletivo que não dão conta da demanda”. De acordo com Duarte, Belo Horizonte possui atualmente uma frota de mais de 2 milhões de veículos circulando diariamente, número que só cresce. “O excesso de carros individuais, combinado com uma malha viária limitada e um transporte coletivo pouco eficiente, gera gargalos nos horários de pico. Isso afeta diretamente o tempo de deslocamento, além de aumentar os índices de poluição e acidentes de trânsito”. Outro ponto crítico apontado é a crise do sistema de transporte público. A cidade enfrenta há anos a insatisfação de usuários com relação à qualidade dos serviços prestados, à frequência dos ônibus e ao custo elevado das tarifas. Para a urbanista Fernanda Bastos, a falta de investimentos contínuos é uma das principais razões da estagnação do setor. “Os ônibus operam em condições precárias em muitas regiões da cidade, com itinerários longos e pouco eficientes. A ausência de corredores exclusivos em boa parte das vias atrasa os trajetos e desestimula a população a usar o transporte coletivo, além do metrô que atende pouquíssimas pessoas”. Diante da atual situação da mobilidade urbana em Belo Horizonte, é fundamental que sejam adotadas medidas estruturais e urgentes para reverter o cenário e melhorar os indicadores da cidade. “Um dos primeiros passos é investir na ampliação e modernização do transporte coletivo, dando prioridade ao transporte por ônibus e metrô. Isso inclui o aumento da frota, a renovação dos veículos em circulação e a requalificação de estações e pontos de parada, que muitas vezes não oferecem sequer o mínimo de conforto ou acessibilidade para os usuários”, destaca Fernanda. Ela ressalta que é essencial que a cidade invista na criação de mais corredores exclusivos para ônibus. “Essa medida, que já mostrou resultados positivos em outras capitais, reduz significativamente o tempo de viagem e torna o transporte público mais eficiente e atrativo para a população. A mobilidade também precisa ser pensada para além dos veículos motorizados. Ampliar a malha cicloviária com ciclovias e ciclofaixas bem sinalizadas e seguras é outro ponto-chave, principalmente se queremos incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte diário”. Para Duarte, a cidade precisa aproximar quem mora mais distante das áreas comerciais e de serviço. “Isso significa levar infraestrutura, oportunidades e transporte eficiente para essas regiões, reduzindo a necessidade de longos deslocamentos diários. Sem esse olhar mais amplo e inclusivo, continuaremos empurrando o problema com a barriga e penalizando justamente quem mais depende do transporte público para viver”.
Programa de aceleração impulsiona startups de impacto em Minas Gerais

Com o objetivo de fortalecer o ecossistema de inovação e promover soluções que gerem impacto positivo na sociedade e no meio ambiente, o Programa de Aceleração de Impacto visa apoiar o crescimento de startups de impacto social e ambiental, ampliando seu potencial de escala, competitividade e transformação. A iniciativa é do Sebrae Minas, em parceria com a Beta-i Brasil. O programa contou com a participação de 28 empresas que receberam capacitação e suporte estratégico. As empresas ainda participarão, em novembro, de ações go-to-market, que envolvem rodadas de negócios e aproximações comerciais. Uma das participantes do programa é a Reuso Recicla+, startup de Poços de Caldas (MG) que atua com gestão integrada de resíduos sólidos. A empresa oferece serviços de coleta seletiva, doação de materiais recicláveis para cooperativas e projetos de sustentabilidade corporativa. A CEO da empresa, Yula Merola, explica que o negócio nasceu em 2020, a partir de uma vivência pessoal e de uma necessidade observada no setor. “Após mais de 20 anos atuando na área ambiental e de saúde pública, percebi que a gestão de resíduos no Brasil ainda enfrenta desafios profundos, principalmente nas cidades pequenas e médias, onde faltam estrutura e soluções integradas. A semente do projeto surgiu da convivência com um ex- -catador de materiais recicláveis, alguém que conhecia profundamente as dores e o potencial transformador desse setor”, relembra. De acordo com a analista do Sebrae Minas, Manuela de Assis, o propósito da iniciativa é fomentar negócios que unam inovação e impacto positivo. “Nosso objetivo foi apoiar o desenvolvimento e a evolução de negócios inovadores que geram impacto socioambiental positivo. Reconhecemos que essa vertical é estratégica para a transformação do planeta e acredita no poder das soluções inovadoras para enfrentar os grandes desafios sociais e ambientais da atualidade”. “Esse movimento está alinhado com tendências como a COP 30, que será realizada em Belém, e reforça a urgência de ações concretas voltadas à sustentabilidade e à economia verde. Ao fomentar startups de impacto, contribuímos diretamente para a construção de um ecossistema mais consciente e preparado para os desafios do futuro”, acrescenta. De acordo com Manuela, o processo levou em conta fatores como maturidade, inovação e potencial de impacto. “Observamos também aspectos como o grau de inovação, estrutura da equipe, alinhamento com o mercado, viabilidade de escalabilidade e capacidade de gerar mudanças positivas e mensuráveis. O diferencial do programa está no foco exclusivo em negócios de impacto socioambiental. Todas as atividades, desde as mentorias até as conexões, foram pensadas para atender às especificidades e desafios desse tipo de negócio inovador”. Yula conta que o programa foi um divisor de águas. “Ele nos ajudou a enxergar nosso negócio com mais clareza estratégica, fortalecer nossa estrutura interna e preparar o terreno para escalar nossas soluções com mais segurança e consistência. Foi uma experiência de amadurecimento e fortalecimento institucional”. Durante o processo de aceleração, a empresa deu um passo importante ao iniciar o desenvolvimento da Recicla.ESG, plataforma digital que transforma resíduos em indicadores ESG (Ambiental, Social e Governança). “É uma solução digital que transforma resíduos em dados e dados em impacto positivo. Oferece rastreabilidade em tempo real, dashboards personalizados com indicadores automáticos e integração direta com cooperativas locais, fortalecendo a economia circular. Já rastreamos mais de 500 toneladas de resíduos, com impacto direto em 11 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU”, destaca a CEO. Ela revela os próximos passos da startup. “Queremos escalar a Recicla.ESG, ampliando sua implementação junto a empresas e municípios e fortalecendo a economia circular regional. Nosso objetivo é nos posicionar como referência nacional em gestão de resíduos com impacto socioambiental real”. Futuro sustentável Para a analista, a iniciativa reforça a importância de apoiar negócios que unem propósito, inovação e sustentabilidade. “Acreditamos no potencial dessas startups e na transformação que elas geram na sociedade. Por meio desse programa, impulsionamos negócios inovadores que unem propósito, impacto positivo e sustentabilidade”, conclui.
Festival Cinema dos Quilombos será realizado na Serra do Cipó

A 6ª edição do Festival Cinema dos Quilombos vai acontecer no Quilombo do Açude, em Jaboticatubas, na Serra do Cipó, nos dias 11 e 12 de outubro. Essa é a primeira vez que o evento se realiza dentro de um território quilombola. Com cinema, música, gastronomia, feira de artesanato e moda africana, além de oficinas e atividades para todas as idades, o Festival será totalmente gratuito. Trazendo à tela histórias de resistência, ancestralidade e cotidiano quilombola, serão exibidos, ao todo, nove filmes produzidos em Minas Gerais, Goiás e Espírito Santo. Entre os homenageados desta edição estão o ator e escritor Lázaro Ramos, o cineasta mineiro Gabriel Martins e o multiartista Maurício Tizumba. A programação vai além dos filmes, com feira de artesanato, moda africana, comidas típicas da culinária quilombola e shows musicais com Ifátókí convida Sérgio Pererê, Grupo Cultural Ponto BR, Adriana Araújo e Trio Gandaiera. E no domingo, o evento será dedicado às crianças, com o “Domingo Kids”, que trará brinquedos e uma seleção de longas infantis de temática quilombola. O cineasta, quilombola e coordenador do Festival, Danilo Candombe, explica que o objetivo do evento é abrir tela e coração. “Mostrar que o cinema também é quilombo: espaço de encontro, de partilha e de cuidado com nossas histórias. E chega de pessoas de fora contar nossas histórias em outra ótica, fora da realidade, e deixando os quilombolas e indígenas sempre em uma caixinha estereotipada. Fazer cinema quilombola no quilombo é afirmar nossa existência, nossa cultura e nossa resistência como parte essencial da identidade brasileira”. Ele conta que o Festival partiu de um projeto de um amigo, Cardes Amâncio. “E nasceu no Quilombo dos Marques, no Vale do Mucuri, através de uma oficina de vídeo onde participei na direção de fotografia com direção de Gabriel Martins. Veio do desejo de ver nossas narrativas ocupando a tela grande. Cansamos de só assistir, queremos também projetar o que somos”. Para Candombe, o legado do evento é simples. “Que nossos jovens se vejam e se sintam orgulhosos. Que os mais velhos saibam que suas memórias não se perdem. E a ideia é que essa chama viaje, que cada quilombo possa acender sua própria tela e mostrar sua própria luz”. Sessões de Cinema Dia 11, às 17h: “Meada Cor Kalunga” um documentário de Marta Kalunga, Alcileia Torres e Ana Luíza de Sá Reis, acompanha as comadres Marta e Dirani Kalunga no preparo das meadas e tingimento no quilombo Vão de Almas, em Goiás, revelando a força da tradição e do território. Dia 11: “Tita – 100 anos de luta e fé” é dirigido por Danilo Candombe, apresenta a trajetória de Maria Gregório Ventura, moradora do Quilombo Morro do Santo Antônio, em Itabira. Dia 11, à noite: “Nove Águas”, ficção dirigida por Gabriel Martins em parceria com o Quilombo dos Marques. O filme reconstitui a saga de descendentes de escravizados que, nos anos 1930, deixaram o Vale do Jequitinhonha rumo ao Vale do Mucuri em busca de água e terra. Dia 12, às 16h: “Disque Quilombola” é um documentário de David Reeks em que crianças do Espírito Santo falam, com leveza e espontaneidade, sobre a vida em comunidades quilombolas e em morros urbanos. Dia 12: “A mãe do meu amigo”, de Anderson Lima, ambientada no Quilombo do Manzo, em Belo Horizonte, que mostra como uma conversa entre mães pode abalar uma amizade infantil diante de preconceitos religiosos. Dia 12: “Kutala” é dirigido por Fábio Martins em parceria com o Quilombo Manzo, registra as brincadeiras de crianças de terreiro e revela a transmissão do saber ancestral às novas gerações. Dia 12: “Voa Arturos” é um curta de Othon de Saboia realizado com moradores do Quilombo dos Arturos, em Contagem, que aborda, de forma lúdica, disputas nos céus da comunidade. Dia 12: “E o seu dia-a-dia?” é um documentário feito por crianças e jovens do Quilombo do Açude que retrata a rotina da comunidade a partir de olhares internos. Dia 12, encerramento: “ADOBE: habilidades tradicionais da construção Kalunga”, de Carlos Pereira, mergulha nas técnicas construtivas vernaculares da comunidade Kalunga, em Cavalcante (GO).
MG tem recorde de presos inscritos em exame para conclusão do ensino médio

Em 2025, o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos para Pessoas Privadas de Liberdade (Encceja PPL) ou sob medida socioeducativa que inclua privação de liberdade bateu recorde histórico de inscritos das unidades prisionais e centros socioeducativos de Minas Gerais. No total, 13.201 presos e 297 adolescentes sob medida socioeducativa prestaram a avaliação, em busca dos certificados de conclusão do primeiro e segundo graus escolares. As inscrições tiveram um crescimento significativo entre 2020 e 2025, passando de 9.747 para 13.201 participantes, o que equivale a um aumento de mais de 35,44%. Esses números não só refletem o êxito das iniciativas educacionais no sistema, como também indicam novos caminhos que o Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG) oferece aos indivíduos sob regime fechado. A taxa de aprovação no Encceja PPL entre 2020 e 2024 aumentou de 16,27% para 25,74%. Esse crescimento evidencia não só uma participação mais ampla no exame, mas também um aprimoramento no nível de preparação dos candidatos. Os dados apontam para um progresso constante na qualidade dos resultados. Para 2025, espera- -se que o número de aprovações seja ainda mais significativo. Esse avanço sinaliza não apenas uma ampliação do acesso à educação para a população carcerária, mas também uma melhoria efetiva nos índices de desempenho educacional dentro das unidades prisionais. Especialistas apontam que esse movimento é resultado de um esforço conjunto entre o Estado, instituições de ensino e organizações da sociedade civil para garantir que o direito à educação seja respeitado, mesmo em contextos de privação de liberdade. Para a professora Helena Moura, o crescimento dos índices do Encceja PPL é reflexo de um trabalho silencioso, porém eficaz, realizado nos bastidores das penitenciárias brasileiras. “Estamos colhendo os frutos de ações que começaram a ser fortalecidas há cerca de uma década, com a ampliação das salas de aula dentro dos presídios, a formação de professores especializados e o incentivo à remição de pena pela via educacional. Antes, estudar na prisão era exceção, hoje, está se tornando uma possibilidade real para muitos, e isso transforma vidas”. Além disso, a pandemia da COVID-19, que impôs desafios ao ensino presencial, serviu de impulso para a adoção de novos formatos pedagógicos dentro dos presídios. A digitalização de materiais, o uso de videoaulas gravadas e o fortalecimento do ensino remoto assistido contribuíram para ampliar o alcance do conteúdo, mesmo em ambientes com limitações severas de infraestrutura. O coordenador pedagógico, Marcos Teixeira, acredita que o aumento das aprovações é um indicativo de que a educação está sendo tratada com mais seriedade dentro das unidades. “A gente percebe que o aluno em situação de cárcere tem potencial, mas muitas vezes lhe falta apoio. Quando há uma política educacional clara, com metas e estrutura, os resultados aparecem. E isso é o que os números vêm mostrando”. É fundamental que o investimento em educação prisional não se restrinja ao básico, acredita Teixeira. “Não basta apenas oferecer uma apostila. É preciso garantir formação contínua dos educadores, acesso a bibliotecas, ambiente adequado para estudo e tempo real reservado dentro da rotina carcerária para que o preso possa, de fato, se preparar para o exame”. Reinserção social Além da questão educacional, o Encceja PPL também possui implicações diretas sobre a ressocialização e a reinserção social dessas pessoas. A certificação de conclusão dos ensinos fundamental ou médio abre portas para novos caminhos no pós-cárcere, desde a continuidade dos estudos até o ingresso no mercado de trabalho formal. “Educar dentro da prisão é investir em segurança pública de longo prazo. Pessoas com acesso à educação têm menos chances de reincidência criminal”, argumenta. Contudo, o crescimento ainda esbarra em obstáculos significativos. Em muitos estados, a realidade das unidades prisionais ainda é precária: há falta de professores, escassez de materiais didáticos e ausência de espaços apropriados para o estudo. “Para que a curva de crescimento continue subindo, é necessário um compromisso orçamentário dos governos estaduais e federal, além de maior fiscalização sobre a aplicação dos recursos destinados à educação prisional”, conclui.
Cresce o número de acidentes com motos em Belo Horizonte

Nos últimos seis anos, Belo Horizonte registrou um crescimento de 56,18% nos acidentes envolvendo motociclistas, conforme informações do Painel de Acidentes de Trânsito da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Em 2018, foram contabilizadas 13.158 ocorrências, número que subiu para 20.553 em 2024, o que representa, em média, dois acidentes por hora. O único recuo no período foi observado em 2020, ano marcado pelo início da pandemia. A partir de 2021, os índices voltaram a subir significativamente, coincidindo com o início da operação de um serviço de transporte de passageiros por motocicleta via aplicativo na cidade. Em 2025, até o mês de agosto, já foram registrados 12.057 acidentes. Para o engenheiro de transportes Carlos Antunes, o aumento expressivo está diretamente ligado à intensificação do uso das motocicletas como meio de trabalho. “Com a popularização dos aplicativos de entrega e, mais recentemente, de transporte de passageiros, muitos jovens passaram a enxergar na motocicleta uma forma rápida e acessível de gerar renda. No entanto, o crescimento desse mercado não foi acompanhado por políticas públicas de capacitação, fiscalização e infraestrutura voltadas para essa categoria de condutores”. Segundo Antunes, o problema vai além do comportamento individual dos motociclistas. “Estamos falando de uma falha sistêmica. A cidade não está preparada para receber um fluxo tão intenso de motos. Falta sinalização adequada, faixas exclusivas, fiscalização de velocidade e educação no trânsito para todos os atores envolvidos, inclusive motoristas de carros e ônibus que dividem o espaço urbano com os motociclistas”. Para a ortopedista Mariana Lopes, que já atendeu vítimas de acidentes de moto, os ferimentos costumam ser graves. “Quedas em alta velocidade, colisões com carros e atropelamentos geram lesões severas, como fraturas expostas, traumatismos cranianos e amputações. Muitos desses pacientes ficam com sequelas permanentes ou, em casos mais extremos, não resistem”. Ela reforça que o uso inadequado de equipamentos de proteção ainda é um problema recorrente. “É comum vermos motociclistas com capacetes de baixa qualidade ou mal ajustados, sem luvas, jaquetas, botas ou outros itens que poderiam minimizar os impactos em caso de queda. A fiscalização precisa ser mais rigorosa, mas também é necessário investimento em campanhas educativas e em políticas que incentivem a segurança no trabalho desses profissionais”. O poder público deve buscar alternativas para conter os acidentes, destaca Antunes. “É necessário mapear os principais pontos de ocorrência de acidentes com motociclistas para implementar intervenções no trânsito, como melhorias na sinalização e na iluminação pública. Além disso, dialogar com os representantes das empresas de aplicativo para buscar soluções conjuntas, como cursos de direção defensiva e incentivos à manutenção dos veículos”. De acordo com o especialista, um dos maiores desafios é alcançar os motociclistas autônomos. “Muitos trabalham por conta própria e estão fora do radar das empresas ou dos sindicatos. Precisamos criar mecanismos que os incluam nas políticas públicas e ofereçam suporte técnico e educacional para que possam atuar com mais segurança”. Além das ações locais, Antunes defende uma política nacional voltada para os motociclistas, com regulamentação clara do transporte por aplicativo em duas rodas, linhas de financiamento para equipamentos de segurança e programas de educação no trânsito nas escolas e nos centros de formação de condutores. Essas medidas visam reduzir acidentes e valorizar a categoria. “Enquanto as soluções não chegam, o número de acidentes continua crescendo, deixando cicatrizes profundas não apenas nas vítimas e suas famílias, mas em toda a sociedade. O que antes era visto como um meio de locomoção ágil e econômico, agora se revela um dos maiores desafios para a segurança no trânsito de Belo Horizonte e de várias outras cidades brasileiras”, conclui.