Juiz de Fora é a terceira cidade com maior área urbanizada em declive

Com 65 mortes decorrentes das últimas chuvas, Juiz de Fora, localizada na Zona da Mata mineira, é a terceira cidade brasileira com maior área urbanizada em declive. Em 2024, o município tinha 1.256 hectares construídos onde a inclinação representa risco maior de deslizamento, segundo o Mapeamento Anual das Áreas Urbanizadas no Brasil. Minas Gerais é o Estado brasileiro com a maior área urbanizada em alta declividade, ou seja, construída em encostas íngremes que oferecem risco aos moradores. Há quase 14,5 mil hectares de área com pessoas vivendo em locais de risco, e as fortes chuvas de fevereiro deixaram, no total, 72 mortes. Nas últimas quatro décadas, as áreas urbanas no Brasil cresceram 2,5 vezes, passando de 1,8 milhão de hectares, em 1985, para 4,5 milhões em 2024, ou 0,5% do território nacional, um aumento de cerca de 70 mil hectares ao ano. Já as áreas urbanizadas em altas declividades avançaram mais de três vezes no período. Em 1985, eram 14 mil hectares; em 2024, 43,4 mil. Desse total, 40,5 mil hectares estão em áreas urbanas da Mata Atlântica. Em 1985, os municípios com mais áreas urbanizadas em regiões de alta declividade eram Rio de Janeiro (1,16 mil hectares), Belo Horizonte (900 hectares) e São Paulo (730 hectares). Em 2024, a liderança continuou com o Rio de Janeiro (1,7 mil), porém, São Paulo assumiu a vice-liderança (1,5 mil) e Juiz de Fora subiu para a terceira posição, à frente de Belo Horizonte (1,2 mil). “O processo de urbanização de Minas Gerais desafia permanentemente a geografia. O avanço das construções sobre relevos acentuados é um padrão muito forte na Zona da Mata, onde se localiza Juiz de Fora. Embora seja uma cidade média, hoje já é o terceiro município do país com maior ocupação urbana em áreas de encostas e risco potencial”, destaca Talita Micheleti, da equipe de mapeamento de áreas urbanizadas do MapBiomas. O professor de Engenharia Ambiental e Sanitária, e Civil do Centro Universitário das Faculdades Metropolitana Unidas (FMU), Guillermo Ruperto Martín Cortés, explica que a urbanização em encostas íngremes, se for devidamente planejada e efetuada, não deve oferecer riscos à segurança nem ao ambiente. “O grave problema se encontra na falta de controle administrativo e diretrizes sobre requisitos mínimos para ter autorização de construção”. “Em princípio, da mesma maneira que as autoridades governamentais exigem o licenciamento ambiental para a execução de qualquer projeto econômico-industrial, a administração municipal deveria supervisionar de maneira efetiva o uso dos solos, exigir laudos geotécnicos dos lotes a serem construídos e a capacitação técnica dos possíveis construtores. Do contrário, os efeitos conhecidos de todos, são desmoronamentos, quedas de barreira e fatalidades com as consequências naturais na alteração do relevo da região”, afirma o professor. Favelas O estudo calculou também a área de favelas que se encontram em terrenos com alta declividade. Eram 2.266 hectares em 1985 e passou para 5.704 em 2024, um aumento de mais de 150%. O Rio de Janeiro lidera, com 1.730 hectares, seguido por São Paulo (1.061) e Minas Gerais (1.057). Para Cortés, o maior problema das grandes urbes é poder prever e planejar o crescimento populacional com vistas a satisfazer a demanda dos serviços básicos à população. “Como energia, água, saúde, comunicação, transporte, ensino e segurança. A essas adversidades são somadas a necessidade de controlar ou regular a ocupação em áreas de risco”. Os governos devem dispor de uma secretaria especial de urbanização, ressalta o docente. “Com engenheiros civis e ambientais que supervisionam constantemente o crescimento construtivo do município e do Estado. Estes especialistas carecem elaborar periodicamente, pelo menos de maneira anual, relatórios sobre a situação construtiva em relação com os dados técnicos”. Ele salienta ainda que a elaboração de planos construtivos de novas moradias e a sua efetivação, por parte dos governos municipais e estaduais, seria uma contribuição muito forte para diminuir esses problemas e a tendência de construção irregular em áreas de alto risco.

32 novos radares de velocidade entraram em operação na capital

Com a entrada em funcionamento de 32 novos radares na semana passada, Belo Horizonte passou a contar com 146 equipamentos de monitoramento eletrônico ativos em 2026. Isso significa que, em média, a prefeitura colocou em operação cerca de 2,5 dispositivos por dia este ano. A maioria dos aparelhos instalados substitui antigos equipamentos, cujos contratos expiraram recentemente. Ainda assim, alguns locais passam a contar com fiscalização eletrônica pela primeira vez. Desde o fim de fevereiro, a Prefeitura de Belo Horizonte deixou de informar individualmente a data de início de funcionamento de cada novo radar. A administração municipal passou a reunir todos os equipamentos em uma planilha única. Antes, os dispositivos recém-instalados eram divulgados em uma página específica destinada a esse fim. Os últimos conjuntos de radares ativados neste ano haviam sido anunciados no encerramento de janeiro e também no fim de fevereiro. Já em março, a comunicação ocorreu logo no terceiro dia do mês. Embora a relação oficial aponte 146 aparelhos, esse número não corresponde, necessariamente, a 146 locais distintos de fiscalização. Isso porque há casos em que mais de um equipamento está instalado no mesmo endereço, sendo contabilizados separadamente conforme a faixa monitorada. Em alguns trechos do Anel Rodoviário, por exemplo, existem vários radares em um único ponto para acompanhar diferentes faixas ou sentidos de tráfego. Na prática, portanto, o total de dispositivos em operação pode não coincidir com a quantidade de pontos diferentes onde os condutores notarão a presença da fiscalização eletrônica. Segundo o engenheiro de trânsito, Marcos Albuquerque, os radares desempenham um papel fundamental na redução de acidentes e na conscientização dos motoristas sobre os limites de velocidade. “A instalação de radares não deve ser vista apenas como um instrumento de arrecadação de multas, mas como uma ferramenta preventiva. Quando bem posicionados, esses dispositivos ajudam a disciplinar o tráfego, evitam ultrapassagens perigosas e diminuem o número de acidentes graves em corredores críticos da cidade”. Além de contribuir para a segurança, os radares também têm potencial para melhorar a mobilidade urbana. “A fiscalização eletrônica cria um efeito de moderação de velocidade, o que ajuda a reduzir o congestionamento e permite que os veículos circulem de forma mais uniforme, diminuindo o risco de acidentes por freadas bruscas ou mudanças de faixa repentinas”. Ainda conforme Albuquerque, o planejamento da instalação dos radares deve considerar não apenas o volume de tráfego, mas também o histórico de acidentes e os pontos de maior risco, o que garante que o investimento seja direcionado de forma estratégica. Já o especialista em segurança viária, Roberto Lima, aponta que a simples presença de radares não garante uma redução significativa nos acidentes ou na velocidade média do tráfego. É necessário que haja educação para o trânsito, fiscalização complementar e planejamento urbano adequado. “Os radares funcionam como uma ferramenta de apoio, não como solução isolada. Eles são mais eficazes quando combinados com medidas como lombadas eletrônicas, campanhas de conscientização e fiscalização móvel em trechos estratégicos”. A percepção dos motoristas em relação aos radares também é um ponto importante. Muitos condutores reconhecem a importância dos equipamentos, mas ainda veem a fiscalização como punitiva. “É natural que haja resistência no início, mas com o tempo, percebe-se que os radares contribuem para um trânsito mais seguro e previsível. O desafio é equilibrar a necessidade de segurança com a sensação de que a fiscalização é justa e transparente”, explica Lima.

Santa Rita do Sapucaí sedia maior competição nacional de robótica

Entre os dias 6 e 8 de março, o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel) realiza, em Santa Rita do Sapucaí (MG), a 10ª edição da IronCup (Inatel Robotics National Cup), considerada a maior competição de robótica de Minas Gerais e a única do país com 15 categorias em disputa. O evento reúne mais de 600 competidores e cerca de 500 robôs inscritos, considerado um recorde. Os interessados podem se inscrever no endereço inatel.br/ironcup. Para o coordenador da competição, Alexandre Baratella, a dimensão alcançada ao longo da década. “Começamos em 2017 com cerca de 70 pessoas e poucas equipes de fora. Hoje são mais de 600 competidores e quase 500 robôs. Se considerar o número de categorias, é a maior competição do Brasil”. O crescimento acima de 10% em relação ao ano passado reflete a consolidação do evento no cenário nacional, pontua Baratella. “O aumento no número de robôs foi muito superior a 10%. Isso se deve à visibilidade das competições e ao interesse crescente dos estudantes por tecnologia e inovação”, pontua. Baratella explica que a IronCup também é uma das quatro competições brasileiras que classificam para o All Japan Robot Sumo Tournament, no Japão, nas categorias de Sumô Mini e 3 kg, rádio controlado e autônomo. “O campeão dessas categorias garante vaga para disputar o Mundial do Japão. Isso ajuda a elevar o nível técnico das disputas”. Além do aspecto competitivo, Baratella reforça o caráter formativo do evento. “A IronCup é um evento educativo. Mais do que colocar um robô para lutar, promovemos conexões, networking e desenvolvimento de soft skills. Os participantes aprendem a competir sob pressão, a trocar experiências e a trabalhar em equipe”. Entre os destaques técnicos está a equipe RobotBulls, atual tetracampeã na categoria Robô Trekking. A capitã da equipe, Mayara do Prado Almeida, conta que o interesse pela robótica começou ainda na infância. “Na escola, construíamos pequenos robôs movidos a pilha. Aquilo despertou minha curiosidade e no ensino médio tive certeza de que queria seguir na engenharia”. A RobotBulls competirá em todas as categorias da IronCup, incluindo Trekking, Sumô, Combate, Follow Line, VSS e Hóquei. “Os desafios técnicos são constantes. Observamos falhas nas competições e buscamos melhorias ao longo do ano. Estamos sempre evoluindo”, afirma Mayara. “A preparação inclui rigor na validação técnica. Nós utilizamos balanças, paquímetros e medidores para garantir que peso e dimensões estejam dentro das regras. Esse controle evita desclassificações”, complementa. Na avaliação de Mayara, o alto nível dos adversários é um estímulo. “O nível técnico é sempre altíssimo. Aprendemos muito com outras equipes e também compartilhamos conhecimento. A IronCup proporciona uma bagagem valiosa para a vida acadêmica e profissional”. Mesmo sendo uma competição “em casa”, a capitã da RobotBulls diz que a pressão é grande. “Existe uma responsabilidade adicional por representar o Inatel dentro da própria instituição. É uma das competições mais difíceis do nosso calendário”. Independentemente do resultado, Mayara revela que o aprendizado é garantido. “A IronCup nos ensina a tomar decisões sob pressão, resolver problemas rapidamente e lidar com frustrações e conquistas. É uma preparação intensa para a vida profissional”, conclui.

Quase 2 mil pessoas já andaram de Capivarã na Lagoa da Pampulha

O passeio de Capivarã, um catamarã turístico, na Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, deu início à retomada da navegação turística no local. A operação começou no final de dezembro do ano passado, e a experiência é ofertada de quinta a domingo, com três saídas diárias e ingressos gratuitos. Segundo a Prefeitura de BH, o intuito é estimular novas dinâmicas de visitação, valorizar o Conjunto Arquitetônico e paisagístico reconhecido como Patrimônio Cultural Mundial, na categoria de Paisagem Cultural, e oferecer mais uma opção de contemplação do complexo, agora a partir de uma perspectiva diferente, diretamente sobre as águas. Até o momento, 1.913 pessoas já participaram do passeio. Durante a experiência, um guia de turismo apresenta a história, a arquitetura, a paisagem e a importância cultural e ambiental do Conjunto Arquitetônico. O trajeto passa pelos principais monumentos da Pampulha, revelando detalhes, curiosidades e novos olhares. As entradas são disponibilizadas semanalmente, às terças-feiras, a partir das 12h, por meio da plataforma Sympla. Cada passeio oferece 24 ingressos, sendo permitido até dois por CPF. O presidente da Belotur, Eduardo Cruvinel, ressalta que a criação desse projeto representa um novo passo na ampliação das experiências turísticas da Pampulha. “Nós entendemos que o turismo contemporâneo é feito de vivências, de conexão emocional com o território. O passeio de barco amplia o repertório do visitante e fortalece toda a cadeia produtiva do turismo local”. Era uma iniciativa muito demandada pela população e também pelos turistas, salienta o presidente. “Essa retomada é simbólica, porque contribui diretamente para a revitalização da imagem da Pampulha, fortalece o posicionamento de Belo Horizonte como destino cultural e impulsiona nosso processo de internacionalização. É uma entrega concreta que dialoga com a vocação turística da cidade”. “Para colocar o projeto em prática, cumprimos etapas fundamentais para garantir segurança e excelência na navegação. Uma iniciativa dessa magnitude exige o cumprimento rigoroso de todas as normas da Marinha do Brasil. Além disso, todo o processo de contratação da empresa operadora seguiu os trâmites legais. Também houve um trabalho técnico de planejamento operacional, definição de rotas, adequação do ponto de embarque e estruturação da experiência como um produto turístico qualificado”, acrescenta. Satisfação Em pesquisa realizada pelo Observatório do Turismo de Belo Horizonte, a atividade registrou média geral de satisfação de 9,8 (a nota máxima é 10). O principal destaque da experiência é a navegação, apontada por 46% dos participantes. Em seguida, 27,4% destacaram as explicações do guia como o grande diferencial. A maior parte do público participante é composto pelo gênero feminino (55,3%), com o masculino constituindo de 39,6%. Os passeios atraíram majoritariamente moradores de Belo Horizonte (65%) e da região metropolitana (24,1%), além de turistas do interior de Minas Gerais e de outros estados, que juntos representaram 19,9% do público. A média de idade dos participantes foi de aproximadamente 37 anos. De acordo com Cruvinel, os índices confirmam que o projeto foi bem estruturado em todas as etapas. “Desde o planejamento até a entrega da experiência ao público. Mais do que números, esses indicadores mostram que estamos entregando uma experiência qualificada, segura e memorável. Não chega a ser uma surpresa, porque houve planejamento técnico envolvido, porém, é uma confirmação muito importante de que estamos no caminho certo”. Célia Rodrigues, moradora do Bairro Santa Cruz, região Nordeste de Belo Horizonte, participou do passeio e destacou a experiência. “É muito legal ver a Pampulha pela perspectiva do catamarã, navegando pelas águas da Lagoa. Eu costumo passear bastante pela região, no entanto, do chão, a gente não consegue observar tudo. Com essa nova iniciativa, consegui viver uma experiência diferente, apreciando a paisagem, a arquitetura e a história da Pampulha de um jeito especial”, comenta.

População em situação de rua cresceu 30% nos últimos cinco anos em BH

Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apontam que, nos últimos cinco anos, a população em situação de rua em Belo Horizonte cresceu 30%. O total de pessoas em situação de extrema vulnerabilidade passou de 11.858 em 2020 para 15.474 em 2025. A questão em Minas Gerais é ainda mais preocupante: nos últimos cinco anos, o número de pessoas em situação de rua passou de 23.433 para 33.139, um aumento de 41%. O Estado ocupa o terceiro lugar no país, atrás apenas de São Paulo (150.958) e Rio de Janeiro (33.656). A socióloga Andreia Lima destaca que o aumento não se deve a um único fator, mas a uma combinação de problemas econômicos, sociais e administrativos. “Minas Gerais, assim como outros estados brasileiros, não conseguiu implementar políticas de habitação de longo prazo. Existem programas temporários, abrigos emergenciais e auxílios pontuais, mas falta planejamento estratégico, investimento em moradia popular e integração entre saúde, educação e assistência social. Isso faz com que a população vulnerável permaneça sem perspectivas e aumente a cada crise econômica ou social”. Ela cita que o estudo também indica que a crise habitacional não é o único problema. A fragilidade das redes de proteção social, a violência urbana e a dificuldade de acesso a serviços básicos, como saúde e alimentação, agravam a situação dos moradores de rua. “Muitas pessoas que vivem na rua enfrentam doenças crônicas, dependência química ou problemas de saúde mental sem ter acesso a tratamento adequado. Além disso, a falta de documentação ou o histórico de violência dificultam a inclusão em programas sociais”. O assistente social Paulo Nogueira afirma que a solução para reduzir o número de pessoas em situação de rua precisa ser abordada em duas frentes: ações emergenciais de curto prazo e políticas estruturais de longo prazo. “Medidas imediatas podem incluir a ampliação de abrigos, distribuição de kits de higiene e alimentação, além de equipes móveis de atendimento social e psicológico. No curto prazo, garantir dignidade, segurança e acesso a serviços básicos. Isso não resolve o problema, mas evita uma degradação ainda maior”. No longo prazo, a solução passa pelo desenvolvimento de políticas habitacionais integradas e permanentes, com foco em moradia popular, aluguel social e incentivo à regularização fundiária. O profissional ressalta a importância da articulação entre diferentes esferas do governo. “Não adianta apenas criar programas isolados, é preciso integrar habitação, saúde, educação, assistência social e emprego. Só assim poderemos reduzir estruturalmente o número de pessoas em situação de rua, evitando que mais famílias e indivíduos caiam na vulnerabilidade extrema”. Nogueira afirma que ONGs, empresas e universidades podem contribuir com programas de capacitação profissional, formação de cooperativas e apoio psicológico e social, fortalecendo a rede de proteção e inclusão. “O Estado sozinho não consegue dar conta do problema e parcerias estratégicas podem gerar soluções efetivas, combinando recursos, conhecimento e engajamento social”. O aumento da população em situação de rua em Belo Horizonte e em Minas Gerais reflete, portanto, uma série de desafios estruturais, desde a desigualdade econômica até a insuficiência das políticas públicas de habitação e assistência social. Os especialistas alertam que, sem ação coordenada e contínua, os números tendem a crescer, trazendo consequências graves para a sociedade como um todo, incluindo aumento da violência urbana, sobrecarga dos serviços públicos e degradação social.

Tecnologia e prevenção antecipada ajudam cidades a conter a dengue

O uso de tecnologia e o planejamento antecipado têm se consolidado como estratégias centrais no combate à dengue nas cidades brasileiras. Com a chegada do período chuvoso, quando aumentam as condições favoráveis à proliferação do Aedes aegypti, municípios que investem em monitoramento contínuo, análise de dados e ações preventivas conseguem reduzir focos do mosquito, minimizar impactos sociais e aliviar a pressão sobre os serviços de saúde. Segundo o gestor do Techdengue, Cláudio Ribeiro, agir antes do pico da doença é decisivo para evitar cenários mais graves. “Quando o município age apenas após o crescimento dos casos, a resposta tende a ser mais cara e menos eficiente. A prevenção permite identificar áreas críticas antes do agravamento do cenário”. Dados operacionais do Techdengue mostram que municípios atendidos pelo programa registraram reduções superiores a 90% nos focos do mosquito em áreas tratadas, além de queda significativa nos casos da doença. A estratégia se baseia no monitoramento contínuo e no uso de ferramentas tecnológicas que permitem mapear territórios, identificar padrões de risco e direcionar equipes de campo com maior precisão. “A informação estruturada muda a lógica do combate à dengue. Em vez de agir no auge do problema, o município passa a atuar antes que o surto se estabeleça. A tecnologia tem papel central nesse processo, orientando decisões, otimizando recursos e aumentando a efetividade das ações em campo”, explica Ribeiro. Além dos benefícios diretos à saúde da população, a prevenção também gera impacto econômico positivo. Internações, afastamentos do trabalho e ações emergenciais representam custos elevados para os cofres públicos. “A dengue não é apenas um problema da saúde. Ela impacta o município como um todo, o que torna o planejamento antecipado uma necessidade”. Diagnóstico reforça vigilância Enquanto a tecnologia apoia a prevenção no território, os dados laboratoriais ajudam a monitorar a circulação do vírus. Informações da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) indicam que a taxa de positividade para dengue está em 9,4% até a segunda semana de janeiro de 2026, abaixo dos 17,7% registrados no mesmo período do ano passado. Para o líder do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed, Alex Galoro, o cenário inicial mais favorável deve ser interpretado com cautela. “A taxa de positividade permanece abaixo do que normalmente observamos em janeiro quando analisamos a média móvel. No entanto, os dados mais recentes já mostram uma retomada após queda pontual, em linha com o comportamento histórico deste início de ano”. “Um começo de ano com taxa de positividade mais baixa não afasta a possibilidade de crescimento sustentado nas semanas seguintes. Um acompanhamento contínuo é essencial”, acrescenta. Galoro destaca que fatores como ações preventivas mais intensas, maior conscientização da população e o início da vacinação em alguns municípios ajudam a explicar os números, mas o clima segue como variável determinante. “A dengue apresenta um padrão bem definido, relacionado ao regime de chuvas, à temperatura e à circulação do vetor”. A medicina diagnóstica desempenha papel estratégico na vigilância epidemiológica, salienta Galoro. “Os dados laboratoriais funcionam como um termômetro quase em tempo real da circulação do vírus. Eles permitem identificar mudanças de comportamento com antecedência, apoiar decisões em saúde pública e orientar a prática clínica”, conclui.

Casa da Cultura Nair Mendes é referência em patrimônio e memória de Minas Gerais

Considerada a casa mais antiga de Contagem, na Região Metropolitana, construído por volta de 1716, a Casa da Cultura Nair Mendes, tradicionalmente conhecida como Casa do Registro, desempenhou papel central na administração colonial portuguesa, funcionando como posto de registro durante o ciclo do ouro. Atualmente, é o Museu Histórico de Contagem e abriga o Departamento de História, Memória e Patrimônio Cultural do Município, com significativo acervo documental sobre a história da cidade. Em 1998, foi tombado como patrimônio cultural e, em 2007, reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como o primeiro museu de Contagem. O local possui o nome da educadora Nair Mendes Moreira (1914-1981), que foi moradora da cidade, realizando trabalhos nas áreas educacional, social e religiosa. A Casa da Cultura abriga exposições de diversas linguagens, atividades de educação patrimonial, com visitação guiada com estudantes da rede municipal de ensino, oficinas e eventos periódicos, como a “Noite Mineira de Museus e Bibliotecas”, que integra o município ao circuito estadual de museus e mobiliza diferentes públicos ao longo do ano. A diretora de memória e patrimônio da Secretaria de Cultura de Contagem, Gabrielle Vaz, explica que a Casa Nair Mendes é um polo cultural para a cidade. “É uma referência material da história colonial do município, e contribui para preservação dessa memória, pois dentro do espaço conta como Contagem foi construída”. A Casa Nair Mendes se torna um espaço importante para que o cidadão tenha uma referência cultural, afirma a diretora. “Um ponto dentro da cidade que é um local da memória da construção de Contagem. Essa memória não é só portuguesa, que vem do período colonial, mas também africana, através da engenharia do lugar. São várias culturas e diversidades entrelaçadas”. Gabrielle ressalta que o museu recebe cerca de quatro mil visitantes por ano. “Além de 200 alunos por mês, através do projeto ‘Além dos muros da escola’, que visa ampliar os espaços de aprendizagem dos estudantes para além dos espaços tradicionais. A Casa Cultural Nair Mendes funciona de segunda a sexta, das 8h às 17h. E também temos eventos esporádicos que, às vezes, acontecem no período noturno”. Reconhecimento Em novembro de 2025, a Casa da Cultura Nair Mendes Moreira recebeu o reconhecimento oficial do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) que certificou o equipamento como Museu Histórico de Contagem. O local já havia sido reconhecido como museu pelo Iphan, mas o registro não havia sido renovado. “Ter, novamente, o título de museu não é apenas um reconhecimento institucional, é uma conquista política para Contagem. Representa nosso compromisso com a preservação da memória e com a gestão qualificada do patrimônio cultural. A Casa da Cultura reafirma seu papel como equipamento estratégico da cidade, essencial para fortalecer identidades e garantir que nossa história siga viva e acessível para todos”, salienta o secretário municipal de Cultura, Ramon Santos. Para o diretor de Equipamentos Culturais, Thiago Maia, o reconhecimento traz responsabilidade e desafios. “Preservar a Casa da Cultura Nair Mendes vai muito além da conservação do espaço físico. É fundamental cuidar do acervo de forma técnica e administrativa: garantir a temperatura adequada, catalogar, conservar e manter cada obra, cada pintura, cada registro histórico do local”. Não se trata apenas da arquitetura, mas das histórias e dos saberes que o espaço guarda, esclarece Maia. “Alcançar o reconhecimento de um equipamento como este é um desafio, contudo, mantê-lo para as próximas gerações é ainda mais complexo. Por isso, é essencial ter um planejamento contínuo de manutenção, para que possamos preservar a história passada, compreender o presente e construir um futuro que valorize nosso patrimônio cultural”, finaliza.

BH cria política para prevenir e tratar vício em jogos e apostas

Belo Horizonte passou a contar com uma política pública destinada ao apoio de pessoas que apresentam transtornos relacionados à dependência de jogos de azar. A norma divulgada no Diário Oficial define orientações para ações de acolhimento, tratamento e reintegração social de indivíduos impactados por apostas, com atenção especial aos jogos digitais e às plataformas on-line. Aprovada pelo prefeito em exercício, Juliano Lopes (Podemos), a legislação permite que a Prefeitura de Belo Horizonte estabeleça convênios e parcerias com instituições públicas e privadas, tanto nacionais quanto internacionais, que tenham experiência no combate e tratamento da dependência de jogos de azar. O texto ainda prevê a promoção de campanhas de conscientização para informar a população sobre os impactos psicológicos, sociais e financeiros das apostas. A lei estabelece que profissionais dos setores de saúde, educação e assistência social recebam treinamento especializado para reconhecer e atuar em situações relacionadas à ludopatia. Os custos dessas iniciativas serão cobertos por recursos orçamentários destinados à finalidade. Além disso, o Executivo poderá tornar públicos indicadores de desempenho das ações, observando as normas de confidencialidade previstas na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Segundo a psicóloga Lara Fagundes, o avanço das apostas on-line e dos jogos eletrônicos com mecanismos de recompensa rápida tem ampliado os casos de dependência, especialmente entre jovens e adultos em situação de vulnerabilidade. “Essas plataformas são desenhadas para estimular o uso contínuo, com promessas de ganho fácil, rankings, bônus e recompensas imediatas. Para muitas pessoas, isso se transforma em uma fuga de problemas emocionais, financeiros ou sociais, criando um ciclo difícil de romper sem apoio”. Ela destaca que o acolhimento é um dos pilares mais importantes da política adotada por BH. “Quando o poder público reconhece o problema e oferece um espaço de escuta sem julgamento, a pessoa se sente mais segura para buscar ajuda. A dependência não é uma falha de caráter, mas uma condição que precisa de tratamento, assim como outras questões de saúde mental e a abordagem humanizada aumenta significativamente as chances de adesão ao tratamento e de recuperação”. De acordo com o assistente social Paulo Nogueira, a dimensão econômica do problema é central. “Muitos dependentes chegam aos serviços públicos com a vida financeira completamente desorganizada, enfrentando endividamento, conflitos familiares e até risco de perda de moradia. Oferecer orientação prática é fundamental para que essas pessoas consigam reconstruir sua autonomia”. Para Nogueira, a proposta de reinserção social é outro eixo central da iniciativa. As parcerias com instituições de ensino, organizações da sociedade civil e o setor privado para facilitar o retorno aos estudos, a qualificação profissional e o acesso ao mercado de trabalho são uma etapa decisiva para evitar recaídas. “Quando a pessoa volta a se sentir útil, produtiva e integrada à comunidade, encontra novos sentidos para a vida que não passam pelo jogo ou pela aposta, o que fortalece o processo de recuperação e gera benefícios duradouros”. “Problemas relacionados ao vício em apostas estão associados ao aumento da demanda por serviços de saúde, assistência social e até segurança pública. Investir em prevenção e tratamento é mais eficiente e menos oneroso do que lidar apenas com as consequências. A iniciativa demonstra uma visão estratégica de gestão pública, ao antecipar um problema que tende a crescer com a digitalização da economia”, acrescenta. Lara ressalta ainda que a política fortalece o tecido social da cidade. “Quando o município cuida das pessoas em situação de vulnerabilidade, promove inclusão e reduz desigualdades. Isso se reflete em uma cidade mais saudável, com cidadãos mais participativos e capazes de contribuir para o desenvolvimento local”.

Curso de defesa pessoal fortalece a segurança das mulheres em Contagem

A Prefeitura de Contagem reabriu as inscrições para o curso gratuito de defesa pessoal destinado exclusivamente às mulheres do município. A iniciativa integra as políticas públicas de esporte, lazer e enfrentamento à violência de gênero, com foco na promoção da autonomia, da segurança e da qualidade de vida das participantes. O curso é voltado para meninas e mulheres a partir dos 10 anos de idade e oferece aulas regulares de defesa pessoal com abordagem prática e acessível, independentemente de experiência prévia em artes marciais. As inscrições podem ser feitas presencialmente até o dia 28 de janeiro, no próprio local das aulas, a Escola Municipal Eli Horta Costa, situada na rua Professora Neuza Rocha, 406 – Centro. As atividades acontecem às segundas e quartas-feiras, das 18h10 às 20h. No momento da inscrição, é necessário apresentar um documento de identidade e a declaração de aptidão física. As participantes também deverão entregar, no prazo de até 15 dias úteis, um atestado médico que comprove condições adequadas de saúde para a prática esportiva. De acordo com a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer, o curso tem como principal objetivo fortalecer a autoconfiança das mulheres, oferecendo ferramentas que contribuam para a prevenção da violência e para uma maior sensação de segurança no cotidiano. A titular da pasta, Leidna Duarte, destaca o papel do projeto como política pública de cuidado e proteção. “As aulas de defesa pessoal são uma ferramenta de empoderamento. Elas ajudam as mulheres a se sentirem mais seguras, confiantes e preparadas para lidar com situações do cotidiano, ao mesmo tempo em que promovem saúde, convivência e qualidade de vida”. A metodologia das aulas reúne técnicas adaptadas de jiu-jitsu, muay thai, boxe e MMA, aplicadas especificamente ao contexto da defesa pessoal. O conteúdo prioriza estratégias de prevenção, percepção de risco, evasão de situações de perigo e, quando necessário, reações seguras e eficazes. Responsável pelas aulas, o lutador profissional de jiu-jitsu e professor do projeto, Leonardo Rocha, ressalta que a proposta vai além do ensino de golpes e busca preparar as participantes para situações reais. “Trabalhamos um pouco de cada modalidade, reunindo técnicas que podem fazer a diferença em situações do dia a dia. É uma proposta que vai desde aprender a identificar e evitar riscos até saber agir para se defender, seja fugindo da situação ou, quando não for possível, reagindo de forma segura”. Segundo o professor, o principal objetivo é ampliar a confiança e a sensação de segurança das participantes. “A ideia é oferecer mais tranquilidade para que elas possam caminhar pelas ruas com confiança, sabendo que têm recursos para se proteger”. O município planeja ampliar o alcance do projeto. A partir do dia 11 de fevereiro, a iniciativa entrará em fase de expansão para outras regiões da cidade, começando pela Ressaca. O formato itinerante levará aulas de defesa pessoal, orientações preventivas e ações de conscientização a diferentes bairros. As informações sobre novas turmas e inscrições serão divulgadas nos canais oficiais do município. ServiçoDias: segundas e quartas-feiras (inscrições até 28 de janeiro)Horário: 18h10 às 20hLocal: Escola Municipal Eli Horta CostaPúblico-alvo: meninas e mulheres a partir de 10 anos Documentos necessários:• Carteira de identidade• Declaração de aptidão física• Atestado médico (entrega em até 15 dias úteis)

Apicultura no Alto Jequitinhonha gera renda de R$ 400 mil por ano

Os dados mais recentes mostram que a apicultura em Minas Gerais está crescendo, 1.085 novos cadastros foram realizados no Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), 34% a mais que no último levantamento. Nas comunidades rurais do município de Couto de Magalhães de Minas e região não é diferente, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) em parceria com a Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e a Associação dos Apicultores de Couto de Magalhães de Minas (Apicouto), estão realizando o projeto “Produção de mel e própolis verde no Alto Jequitinhonha”. Atualmente, a atividade beneficia cerca de 100 apicultores. Os produtores enfrentavam falta de recursos financeiros para a aquisição de equipamentos e dificuldade para encontrar preço justo na comercialização, e com o objetivo de contornar esses problemas e gerar emprego e renda, em 2015, começaram os trabalhos de assistência. A Emater-MG trabalha na promoção da sustentabilidade, manejo orgânico, preservação da mata nativa, diversificação das floradas e assistência personalizada. Já a Apicouto é responsável pelo beneficiamento e comercialização de mel e própolis de 20 associados. O presidente da associação, André Marcos da Silva, que está na atividade há mais de 10 anos, relata que a experiência tem dado bons resultados tanto para ele quanto para a Apicouto. “Trouxe valorização para nossos produtos e ampliou mercado com as vendas para feiras do município e região. No total, são mais de 400 colmeias de abelha africanizada e a intenção é continuar melhorando cada vez mais a produção”. De acordo com o secretário Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Assis Antônio Vieira, o trabalho consolida o setor apícola, carro-chefe na geração de emprego e renda da cidade. “As parcerias estimulam os pequenos produtores e a economia local. Isso nos traz apoio e segurança para a execução de um projeto de sucesso, onde o nosso objetivo é o fortalecimento de agricultores familiares”. A produção O extensionista da Emater-MG, José Dilson Pereira Coelho, explica que a produção começou há cerca de 15 anos, como alternativa a mineração e a monocultura do eucalipto. “Além do mel, recentemente, também estamos nos especializando em própolis, em especial o verde, que é feito de alecrim e é bem abundante na região. O diferencial é que são produtos 100% naturais, pois são produzidos através da vegetação local, o Cerrado”. O programa compreende as cidades de Diamantina, Felício dos Santos, São Gonçalo do Rio Preto, Senador Modestino, Gouveia, Prados, Itamarandiba, Carbonita, além de Couto de Magalhães de Minas. Segundo Coelho, a produção de mel chega a 1.500 kg por ano e a de própolis alcança 350 kg. Já a renda é de R$ 250 mil por ano para o mel e, aproximadamente, R$ 150 mil para a própolis. A Emater-MG apoia os produtores em todos os segmentos, da captura até a comercialização, ressalta o extensionista. “Nós fazemos reuniões periodicamente para capacitação. A produção de mel se profissionalizou tem nove anos, e os produtos ficam na região, por enquanto, por causa do selo de comercialização. O conhecimento ainda é uma barreira para conseguir desbravar a burocracia”. Além do desafio do conhecimento, o período de seca, de julho até setembro, é o principal obstáculo para manter a atividade, junto às queimadas. “Nessa época, temos que alimentar as abelhas, vigiar as colmeias para protegê-las do fogo, e sempre visitar esses locais. Inclusive teve uma temporada de queimada que prejudicou bastante a atividade, alguns produtores até pensaram em desistir”. Coelho pontua ainda que para expandir para outros locais o projeto precisa se estruturar primeiro. “Precisamos fortalecer o programa, pois cada município do Jequitinhonha tem um foco. O diferencial do Alto Jequitinhonha, especificamente em Couto de Magalhães de Minas, é que temos um grupo já formado. Diferente das demais cidades, que podemos encontrar apicultores, mas que ainda não conseguem trabalhar em cadeia produtiva”.