População em situação de rua cresceu 30% nos últimos cinco anos em BH

Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apontam que, nos últimos cinco anos, a população em situação de rua em Belo Horizonte cresceu 30%. O total de pessoas em situação de extrema vulnerabilidade passou de 11.858 em 2020 para 15.474 em 2025. A questão em Minas Gerais é ainda mais preocupante: nos últimos cinco anos, o número de pessoas em situação de rua passou de 23.433 para 33.139, um aumento de 41%. O Estado ocupa o terceiro lugar no país, atrás apenas de São Paulo (150.958) e Rio de Janeiro (33.656). A socióloga Andreia Lima destaca que o aumento não se deve a um único fator, mas a uma combinação de problemas econômicos, sociais e administrativos. “Minas Gerais, assim como outros estados brasileiros, não conseguiu implementar políticas de habitação de longo prazo. Existem programas temporários, abrigos emergenciais e auxílios pontuais, mas falta planejamento estratégico, investimento em moradia popular e integração entre saúde, educação e assistência social. Isso faz com que a população vulnerável permaneça sem perspectivas e aumente a cada crise econômica ou social”. Ela cita que o estudo também indica que a crise habitacional não é o único problema. A fragilidade das redes de proteção social, a violência urbana e a dificuldade de acesso a serviços básicos, como saúde e alimentação, agravam a situação dos moradores de rua. “Muitas pessoas que vivem na rua enfrentam doenças crônicas, dependência química ou problemas de saúde mental sem ter acesso a tratamento adequado. Além disso, a falta de documentação ou o histórico de violência dificultam a inclusão em programas sociais”. O assistente social Paulo Nogueira afirma que a solução para reduzir o número de pessoas em situação de rua precisa ser abordada em duas frentes: ações emergenciais de curto prazo e políticas estruturais de longo prazo. “Medidas imediatas podem incluir a ampliação de abrigos, distribuição de kits de higiene e alimentação, além de equipes móveis de atendimento social e psicológico. No curto prazo, garantir dignidade, segurança e acesso a serviços básicos. Isso não resolve o problema, mas evita uma degradação ainda maior”. No longo prazo, a solução passa pelo desenvolvimento de políticas habitacionais integradas e permanentes, com foco em moradia popular, aluguel social e incentivo à regularização fundiária. O profissional ressalta a importância da articulação entre diferentes esferas do governo. “Não adianta apenas criar programas isolados, é preciso integrar habitação, saúde, educação, assistência social e emprego. Só assim poderemos reduzir estruturalmente o número de pessoas em situação de rua, evitando que mais famílias e indivíduos caiam na vulnerabilidade extrema”. Nogueira afirma que ONGs, empresas e universidades podem contribuir com programas de capacitação profissional, formação de cooperativas e apoio psicológico e social, fortalecendo a rede de proteção e inclusão. “O Estado sozinho não consegue dar conta do problema e parcerias estratégicas podem gerar soluções efetivas, combinando recursos, conhecimento e engajamento social”. O aumento da população em situação de rua em Belo Horizonte e em Minas Gerais reflete, portanto, uma série de desafios estruturais, desde a desigualdade econômica até a insuficiência das políticas públicas de habitação e assistência social. Os especialistas alertam que, sem ação coordenada e contínua, os números tendem a crescer, trazendo consequências graves para a sociedade como um todo, incluindo aumento da violência urbana, sobrecarga dos serviços públicos e degradação social.
Tecnologia e prevenção antecipada ajudam cidades a conter a dengue

O uso de tecnologia e o planejamento antecipado têm se consolidado como estratégias centrais no combate à dengue nas cidades brasileiras. Com a chegada do período chuvoso, quando aumentam as condições favoráveis à proliferação do Aedes aegypti, municípios que investem em monitoramento contínuo, análise de dados e ações preventivas conseguem reduzir focos do mosquito, minimizar impactos sociais e aliviar a pressão sobre os serviços de saúde. Segundo o gestor do Techdengue, Cláudio Ribeiro, agir antes do pico da doença é decisivo para evitar cenários mais graves. “Quando o município age apenas após o crescimento dos casos, a resposta tende a ser mais cara e menos eficiente. A prevenção permite identificar áreas críticas antes do agravamento do cenário”. Dados operacionais do Techdengue mostram que municípios atendidos pelo programa registraram reduções superiores a 90% nos focos do mosquito em áreas tratadas, além de queda significativa nos casos da doença. A estratégia se baseia no monitoramento contínuo e no uso de ferramentas tecnológicas que permitem mapear territórios, identificar padrões de risco e direcionar equipes de campo com maior precisão. “A informação estruturada muda a lógica do combate à dengue. Em vez de agir no auge do problema, o município passa a atuar antes que o surto se estabeleça. A tecnologia tem papel central nesse processo, orientando decisões, otimizando recursos e aumentando a efetividade das ações em campo”, explica Ribeiro. Além dos benefícios diretos à saúde da população, a prevenção também gera impacto econômico positivo. Internações, afastamentos do trabalho e ações emergenciais representam custos elevados para os cofres públicos. “A dengue não é apenas um problema da saúde. Ela impacta o município como um todo, o que torna o planejamento antecipado uma necessidade”. Diagnóstico reforça vigilância Enquanto a tecnologia apoia a prevenção no território, os dados laboratoriais ajudam a monitorar a circulação do vírus. Informações da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) indicam que a taxa de positividade para dengue está em 9,4% até a segunda semana de janeiro de 2026, abaixo dos 17,7% registrados no mesmo período do ano passado. Para o líder do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed, Alex Galoro, o cenário inicial mais favorável deve ser interpretado com cautela. “A taxa de positividade permanece abaixo do que normalmente observamos em janeiro quando analisamos a média móvel. No entanto, os dados mais recentes já mostram uma retomada após queda pontual, em linha com o comportamento histórico deste início de ano”. “Um começo de ano com taxa de positividade mais baixa não afasta a possibilidade de crescimento sustentado nas semanas seguintes. Um acompanhamento contínuo é essencial”, acrescenta. Galoro destaca que fatores como ações preventivas mais intensas, maior conscientização da população e o início da vacinação em alguns municípios ajudam a explicar os números, mas o clima segue como variável determinante. “A dengue apresenta um padrão bem definido, relacionado ao regime de chuvas, à temperatura e à circulação do vetor”. A medicina diagnóstica desempenha papel estratégico na vigilância epidemiológica, salienta Galoro. “Os dados laboratoriais funcionam como um termômetro quase em tempo real da circulação do vírus. Eles permitem identificar mudanças de comportamento com antecedência, apoiar decisões em saúde pública e orientar a prática clínica”, conclui.
Casa da Cultura Nair Mendes é referência em patrimônio e memória de Minas Gerais

Considerada a casa mais antiga de Contagem, na Região Metropolitana, construído por volta de 1716, a Casa da Cultura Nair Mendes, tradicionalmente conhecida como Casa do Registro, desempenhou papel central na administração colonial portuguesa, funcionando como posto de registro durante o ciclo do ouro. Atualmente, é o Museu Histórico de Contagem e abriga o Departamento de História, Memória e Patrimônio Cultural do Município, com significativo acervo documental sobre a história da cidade. Em 1998, foi tombado como patrimônio cultural e, em 2007, reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como o primeiro museu de Contagem. O local possui o nome da educadora Nair Mendes Moreira (1914-1981), que foi moradora da cidade, realizando trabalhos nas áreas educacional, social e religiosa. A Casa da Cultura abriga exposições de diversas linguagens, atividades de educação patrimonial, com visitação guiada com estudantes da rede municipal de ensino, oficinas e eventos periódicos, como a “Noite Mineira de Museus e Bibliotecas”, que integra o município ao circuito estadual de museus e mobiliza diferentes públicos ao longo do ano. A diretora de memória e patrimônio da Secretaria de Cultura de Contagem, Gabrielle Vaz, explica que a Casa Nair Mendes é um polo cultural para a cidade. “É uma referência material da história colonial do município, e contribui para preservação dessa memória, pois dentro do espaço conta como Contagem foi construída”. A Casa Nair Mendes se torna um espaço importante para que o cidadão tenha uma referência cultural, afirma a diretora. “Um ponto dentro da cidade que é um local da memória da construção de Contagem. Essa memória não é só portuguesa, que vem do período colonial, mas também africana, através da engenharia do lugar. São várias culturas e diversidades entrelaçadas”. Gabrielle ressalta que o museu recebe cerca de quatro mil visitantes por ano. “Além de 200 alunos por mês, através do projeto ‘Além dos muros da escola’, que visa ampliar os espaços de aprendizagem dos estudantes para além dos espaços tradicionais. A Casa Cultural Nair Mendes funciona de segunda a sexta, das 8h às 17h. E também temos eventos esporádicos que, às vezes, acontecem no período noturno”. Reconhecimento Em novembro de 2025, a Casa da Cultura Nair Mendes Moreira recebeu o reconhecimento oficial do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) que certificou o equipamento como Museu Histórico de Contagem. O local já havia sido reconhecido como museu pelo Iphan, mas o registro não havia sido renovado. “Ter, novamente, o título de museu não é apenas um reconhecimento institucional, é uma conquista política para Contagem. Representa nosso compromisso com a preservação da memória e com a gestão qualificada do patrimônio cultural. A Casa da Cultura reafirma seu papel como equipamento estratégico da cidade, essencial para fortalecer identidades e garantir que nossa história siga viva e acessível para todos”, salienta o secretário municipal de Cultura, Ramon Santos. Para o diretor de Equipamentos Culturais, Thiago Maia, o reconhecimento traz responsabilidade e desafios. “Preservar a Casa da Cultura Nair Mendes vai muito além da conservação do espaço físico. É fundamental cuidar do acervo de forma técnica e administrativa: garantir a temperatura adequada, catalogar, conservar e manter cada obra, cada pintura, cada registro histórico do local”. Não se trata apenas da arquitetura, mas das histórias e dos saberes que o espaço guarda, esclarece Maia. “Alcançar o reconhecimento de um equipamento como este é um desafio, contudo, mantê-lo para as próximas gerações é ainda mais complexo. Por isso, é essencial ter um planejamento contínuo de manutenção, para que possamos preservar a história passada, compreender o presente e construir um futuro que valorize nosso patrimônio cultural”, finaliza.
BH cria política para prevenir e tratar vício em jogos e apostas

Belo Horizonte passou a contar com uma política pública destinada ao apoio de pessoas que apresentam transtornos relacionados à dependência de jogos de azar. A norma divulgada no Diário Oficial define orientações para ações de acolhimento, tratamento e reintegração social de indivíduos impactados por apostas, com atenção especial aos jogos digitais e às plataformas on-line. Aprovada pelo prefeito em exercício, Juliano Lopes (Podemos), a legislação permite que a Prefeitura de Belo Horizonte estabeleça convênios e parcerias com instituições públicas e privadas, tanto nacionais quanto internacionais, que tenham experiência no combate e tratamento da dependência de jogos de azar. O texto ainda prevê a promoção de campanhas de conscientização para informar a população sobre os impactos psicológicos, sociais e financeiros das apostas. A lei estabelece que profissionais dos setores de saúde, educação e assistência social recebam treinamento especializado para reconhecer e atuar em situações relacionadas à ludopatia. Os custos dessas iniciativas serão cobertos por recursos orçamentários destinados à finalidade. Além disso, o Executivo poderá tornar públicos indicadores de desempenho das ações, observando as normas de confidencialidade previstas na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Segundo a psicóloga Lara Fagundes, o avanço das apostas on-line e dos jogos eletrônicos com mecanismos de recompensa rápida tem ampliado os casos de dependência, especialmente entre jovens e adultos em situação de vulnerabilidade. “Essas plataformas são desenhadas para estimular o uso contínuo, com promessas de ganho fácil, rankings, bônus e recompensas imediatas. Para muitas pessoas, isso se transforma em uma fuga de problemas emocionais, financeiros ou sociais, criando um ciclo difícil de romper sem apoio”. Ela destaca que o acolhimento é um dos pilares mais importantes da política adotada por BH. “Quando o poder público reconhece o problema e oferece um espaço de escuta sem julgamento, a pessoa se sente mais segura para buscar ajuda. A dependência não é uma falha de caráter, mas uma condição que precisa de tratamento, assim como outras questões de saúde mental e a abordagem humanizada aumenta significativamente as chances de adesão ao tratamento e de recuperação”. De acordo com o assistente social Paulo Nogueira, a dimensão econômica do problema é central. “Muitos dependentes chegam aos serviços públicos com a vida financeira completamente desorganizada, enfrentando endividamento, conflitos familiares e até risco de perda de moradia. Oferecer orientação prática é fundamental para que essas pessoas consigam reconstruir sua autonomia”. Para Nogueira, a proposta de reinserção social é outro eixo central da iniciativa. As parcerias com instituições de ensino, organizações da sociedade civil e o setor privado para facilitar o retorno aos estudos, a qualificação profissional e o acesso ao mercado de trabalho são uma etapa decisiva para evitar recaídas. “Quando a pessoa volta a se sentir útil, produtiva e integrada à comunidade, encontra novos sentidos para a vida que não passam pelo jogo ou pela aposta, o que fortalece o processo de recuperação e gera benefícios duradouros”. “Problemas relacionados ao vício em apostas estão associados ao aumento da demanda por serviços de saúde, assistência social e até segurança pública. Investir em prevenção e tratamento é mais eficiente e menos oneroso do que lidar apenas com as consequências. A iniciativa demonstra uma visão estratégica de gestão pública, ao antecipar um problema que tende a crescer com a digitalização da economia”, acrescenta. Lara ressalta ainda que a política fortalece o tecido social da cidade. “Quando o município cuida das pessoas em situação de vulnerabilidade, promove inclusão e reduz desigualdades. Isso se reflete em uma cidade mais saudável, com cidadãos mais participativos e capazes de contribuir para o desenvolvimento local”.
Curso de defesa pessoal fortalece a segurança das mulheres em Contagem

A Prefeitura de Contagem reabriu as inscrições para o curso gratuito de defesa pessoal destinado exclusivamente às mulheres do município. A iniciativa integra as políticas públicas de esporte, lazer e enfrentamento à violência de gênero, com foco na promoção da autonomia, da segurança e da qualidade de vida das participantes. O curso é voltado para meninas e mulheres a partir dos 10 anos de idade e oferece aulas regulares de defesa pessoal com abordagem prática e acessível, independentemente de experiência prévia em artes marciais. As inscrições podem ser feitas presencialmente até o dia 28 de janeiro, no próprio local das aulas, a Escola Municipal Eli Horta Costa, situada na rua Professora Neuza Rocha, 406 – Centro. As atividades acontecem às segundas e quartas-feiras, das 18h10 às 20h. No momento da inscrição, é necessário apresentar um documento de identidade e a declaração de aptidão física. As participantes também deverão entregar, no prazo de até 15 dias úteis, um atestado médico que comprove condições adequadas de saúde para a prática esportiva. De acordo com a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer, o curso tem como principal objetivo fortalecer a autoconfiança das mulheres, oferecendo ferramentas que contribuam para a prevenção da violência e para uma maior sensação de segurança no cotidiano. A titular da pasta, Leidna Duarte, destaca o papel do projeto como política pública de cuidado e proteção. “As aulas de defesa pessoal são uma ferramenta de empoderamento. Elas ajudam as mulheres a se sentirem mais seguras, confiantes e preparadas para lidar com situações do cotidiano, ao mesmo tempo em que promovem saúde, convivência e qualidade de vida”. A metodologia das aulas reúne técnicas adaptadas de jiu-jitsu, muay thai, boxe e MMA, aplicadas especificamente ao contexto da defesa pessoal. O conteúdo prioriza estratégias de prevenção, percepção de risco, evasão de situações de perigo e, quando necessário, reações seguras e eficazes. Responsável pelas aulas, o lutador profissional de jiu-jitsu e professor do projeto, Leonardo Rocha, ressalta que a proposta vai além do ensino de golpes e busca preparar as participantes para situações reais. “Trabalhamos um pouco de cada modalidade, reunindo técnicas que podem fazer a diferença em situações do dia a dia. É uma proposta que vai desde aprender a identificar e evitar riscos até saber agir para se defender, seja fugindo da situação ou, quando não for possível, reagindo de forma segura”. Segundo o professor, o principal objetivo é ampliar a confiança e a sensação de segurança das participantes. “A ideia é oferecer mais tranquilidade para que elas possam caminhar pelas ruas com confiança, sabendo que têm recursos para se proteger”. O município planeja ampliar o alcance do projeto. A partir do dia 11 de fevereiro, a iniciativa entrará em fase de expansão para outras regiões da cidade, começando pela Ressaca. O formato itinerante levará aulas de defesa pessoal, orientações preventivas e ações de conscientização a diferentes bairros. As informações sobre novas turmas e inscrições serão divulgadas nos canais oficiais do município. ServiçoDias: segundas e quartas-feiras (inscrições até 28 de janeiro)Horário: 18h10 às 20hLocal: Escola Municipal Eli Horta CostaPúblico-alvo: meninas e mulheres a partir de 10 anos Documentos necessários:• Carteira de identidade• Declaração de aptidão física• Atestado médico (entrega em até 15 dias úteis)
Apicultura no Alto Jequitinhonha gera renda de R$ 400 mil por ano

Os dados mais recentes mostram que a apicultura em Minas Gerais está crescendo, 1.085 novos cadastros foram realizados no Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), 34% a mais que no último levantamento. Nas comunidades rurais do município de Couto de Magalhães de Minas e região não é diferente, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) em parceria com a Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e a Associação dos Apicultores de Couto de Magalhães de Minas (Apicouto), estão realizando o projeto “Produção de mel e própolis verde no Alto Jequitinhonha”. Atualmente, a atividade beneficia cerca de 100 apicultores. Os produtores enfrentavam falta de recursos financeiros para a aquisição de equipamentos e dificuldade para encontrar preço justo na comercialização, e com o objetivo de contornar esses problemas e gerar emprego e renda, em 2015, começaram os trabalhos de assistência. A Emater-MG trabalha na promoção da sustentabilidade, manejo orgânico, preservação da mata nativa, diversificação das floradas e assistência personalizada. Já a Apicouto é responsável pelo beneficiamento e comercialização de mel e própolis de 20 associados. O presidente da associação, André Marcos da Silva, que está na atividade há mais de 10 anos, relata que a experiência tem dado bons resultados tanto para ele quanto para a Apicouto. “Trouxe valorização para nossos produtos e ampliou mercado com as vendas para feiras do município e região. No total, são mais de 400 colmeias de abelha africanizada e a intenção é continuar melhorando cada vez mais a produção”. De acordo com o secretário Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Assis Antônio Vieira, o trabalho consolida o setor apícola, carro-chefe na geração de emprego e renda da cidade. “As parcerias estimulam os pequenos produtores e a economia local. Isso nos traz apoio e segurança para a execução de um projeto de sucesso, onde o nosso objetivo é o fortalecimento de agricultores familiares”. A produção O extensionista da Emater-MG, José Dilson Pereira Coelho, explica que a produção começou há cerca de 15 anos, como alternativa a mineração e a monocultura do eucalipto. “Além do mel, recentemente, também estamos nos especializando em própolis, em especial o verde, que é feito de alecrim e é bem abundante na região. O diferencial é que são produtos 100% naturais, pois são produzidos através da vegetação local, o Cerrado”. O programa compreende as cidades de Diamantina, Felício dos Santos, São Gonçalo do Rio Preto, Senador Modestino, Gouveia, Prados, Itamarandiba, Carbonita, além de Couto de Magalhães de Minas. Segundo Coelho, a produção de mel chega a 1.500 kg por ano e a de própolis alcança 350 kg. Já a renda é de R$ 250 mil por ano para o mel e, aproximadamente, R$ 150 mil para a própolis. A Emater-MG apoia os produtores em todos os segmentos, da captura até a comercialização, ressalta o extensionista. “Nós fazemos reuniões periodicamente para capacitação. A produção de mel se profissionalizou tem nove anos, e os produtos ficam na região, por enquanto, por causa do selo de comercialização. O conhecimento ainda é uma barreira para conseguir desbravar a burocracia”. Além do desafio do conhecimento, o período de seca, de julho até setembro, é o principal obstáculo para manter a atividade, junto às queimadas. “Nessa época, temos que alimentar as abelhas, vigiar as colmeias para protegê-las do fogo, e sempre visitar esses locais. Inclusive teve uma temporada de queimada que prejudicou bastante a atividade, alguns produtores até pensaram em desistir”. Coelho pontua ainda que para expandir para outros locais o projeto precisa se estruturar primeiro. “Precisamos fortalecer o programa, pois cada município do Jequitinhonha tem um foco. O diferencial do Alto Jequitinhonha, especificamente em Couto de Magalhães de Minas, é que temos um grupo já formado. Diferente das demais cidades, que podemos encontrar apicultores, mas que ainda não conseguem trabalhar em cadeia produtiva”.
Estudo indica que tarifa zero em BH pode pressionar reajuste da passagem

Um levantamento realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead) indica que as despesas geradas pela oferta de transporte público gratuito aos domingos e feriados em Belo Horizonte tendem a ser consideradas no cálculo do reajuste anual da tarifa. O estudo avalia os eventuais efeitos positivos e negativos da medida de gratuidade no sistema de transporte da capital mineira, anunciada pelo prefeito Álvaro Damião (União Brasil). Segundo o instituto, “provavelmente, esse valor gratuito vai ser rateado pela população com um possível aumento de preço, nas revisões tarifárias anuais, que pode ser acima do esperado”. A tarifa do transporte coletivo passou por seu reajuste mais recente em 1º de janeiro de 2025, quando houve um acréscimo de R$ 0,50, elevando o valor base para R$ 5,75 e colocando Belo Horizonte no topo do ranking entre as capitais da região Sudeste. Apesar disso, a Superintendência de Mobilidade (Sumob) esclareceu que os custos relacionados à gratuidade serão assumidos pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio do mecanismo de remuneração complementar. Para o economista Renato Duarte, “a gratuidade representa um ganho social importante, mas seu impacto orçamentário não pode ser ignorado. Se a prefeitura não ampliar outras fontes de receita, há uma tendência real de que o valor da tarifa em dias úteis aumente, para equilibrar as contas do sistema”. Pontos positivos O estudo do Ipead destaca dois aspectos favoráveis da iniciativa. A população de menor renda passa a ter acesso ao transporte coletivo sem comprometer o orçamento doméstico. Além disso, a medida beneficia trabalhadores autônomos, que deixam de assumir os custos de locomoção aos domingos e feriados em Belo Horizonte. O levantamento ainda projeta que a iniciativa pode alcançar mais de 12,652 milhões de usuários, quantidade correspondente às pessoas que utilizaram o transporte coletivo nos dias em que houve gratuidade ao longo de um período de doze meses. O relatório levou em conta dados da Prefeitura de Belo Horizonte de novembro de 2024 a outubro deste ano. A socióloga Andreia Lima vê a gratuidade como um avanço social significativo. “Reduzir o gasto das famílias com transporte, mesmo que só aos domingos e feriados, é um grande alívio para quem vive com orçamento apertado. Significa mais acesso a atividades culturais, visitas a familiares, oportunidades de emprego informal e lazer, o que pode gerar efeitos positivos na economia local”. Financiamento Duarte acredita que existem alternativas além do reajuste direto da tarifa. “Podemos ampliar incentivos fiscais para empresas que investirem em tecnologia e eficiência do sistema de ônibus. Também é possível explorar outras fontes de financiamento, como parcerias público-privadas, receitas de publicidade em ônibus e terminais, e até fundos setoriais que não onerem diretamente o usuário”. Outra possibilidade em discussão é ampliar a remuneração complementar paga pela prefeitura, ou seja, um subsídio mais robusto ao transporte coletivo. “Essa estratégia poderia evitar que o sistema transfira integralmente os custos para os passageiros, embora isso dependa diretamente da capacidade fiscal do município e do apoio de outras esferas governamentais”, ressalta. O diálogo entre governo, setor privado e sociedade civil será fundamental, afirma Duarte. “O transporte gratuito aos domingos e feriados tem um potencial enorme de inclusão e justiça social, mas sua sustentabilidade financeira requer criatividade. Modelos de financiamento mistos, que equilibrem subsídios públicos com eficiência operacional, podem ser o caminho para que o benefício não se transforme em um peso insustentável para a população”.
11ª edição do Natal da Favelinha chega com magia, afeto e tradição

A magia do Natal ficará ainda mais colorida no Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte, no dia 20 de dezembro. Das 10h às 14h, o Centro Cultural Lá da Favelinha promove a 11ª edição do Natal da Favelinha, uma celebração que já se tornou tradição e referência comunitária. A festa contará com distribuição de brinquedos, lanche coletivo, atrações artísticas e brinquedos ao ar livre, tudo oferecido de forma gratuita. Para que a iniciativa seja possível, o projeto realiza uma campanha de arrecadação de alimentos, brinquedos e apoio voluntário. O evento nasceu como uma ação comunitária de fim de ano, mas, ao longo de onze edições, se firmou como um momento de fortalecimento coletivo, afeto e pertencimento. Para Kdu dos Anjos, idealizador do projeto, o que mais o emociona é perceber a força da favela para criar e sonhar. “O que mais me emociona é ver que, mesmo com todas as dificuldades, a favela nunca perde a capacidade de sonhar junta. Onze anos depois, ainda me toca olhar para as crianças e perceber que elas acreditam na magia porque nós a construímos coletivamente. Assim, fortalecemos o sentimento de pertencimento e mostramos que a periferia merece celebrar em grande estilo”. Para que a festa aconteça, o projeto depende diretamente de contribuições. Doações físicas de brinquedos, doces e alimentos podem ser entregues no Centro Cultural, localizado na rua Dr. Argemiro Rezende Costa, 191 – São Lucas. Também é possível contribuir via Pix pelo CNPJ da instituição (34.863.832/0001-53), além de se voluntariar no dia do evento ou oferecer atividades. Os interessados devem entrar em contato pelo Instagram @ladafavelinha. Segundo Kdu, a mobilização reflete o espírito do projeto. “Nós dependemos de doações e de gente disposta a ajudar. Quem quiser contribuir pode doar, divulgar, aparecer para somar. Cada gesto vira parte desse grande movimento que mantém o Natal vivo”. Além da distribuição de presentes, o evento contará com futebol de sabão, pula-pula e apresentações artísticas que envolvem crianças, jovens e artistas da comunidade. Para o idealizador, é essa troca que sustenta a celebração. “Quando a gente distribui brinquedo, sentamos para comer juntos e artistas da quebrada sobem ao palco, tudo isso sustenta a magia. Mas o momento mais forte é sempre ver a alegria estampada no rosto das crianças”. Ações diversificadas O Natal da Favelinha é uma das ações do Centro Cultural Lá da Favelinha, fundado em 2015 e reconhecido pelo seu trabalho com educação, cultura e desenvolvimento. O espaço oferece oficinas gratuitas, eventos, articula parcerias e mantém a marca de moda sustentável “Remexe”. Para Kdu, a festa de dezembro é reflexo direto do que o projeto constrói diariamente. “Nós acreditamos nas pessoas. Se durante o ano oferecemos arte, educação e oportunidades, no Natal celebramos esses encontros. É um jeito de reforçar que a favela cria, se organiza e transforma realidades”. Com expectativa de grande participação de famílias e crianças, ele resume que essa edição deste ano pretende oferecer não apenas diversão, mas também memória afetiva. “Quero proporcionar um dia leve, bonito e inesquecível. Que cada criança volte para casa com um brinquedo na mão e um brilho no olhar. A mensagem é simples: a periferia merece afeto, encantamento e estar no centro das celebrações”. Realização de sonhos Ao olhar para trás, Kdu celebra o que mudou dentro e fora dos becos da Serra. “O mais marcante é ver as crianças de ontem virando jovens que hoje ajudam a construir a festa. Isso mostra continuidade. Meu sonho é ampliar ainda mais, transformar o Natal da Favelinha em um grande polo de mobilização e carinho, e inspirar outras comunidades a criarem suas próprias tradições de esperança”, finaliza.
Projeto leva memórias do Clube da Esquina para dentro das escolas

O movimento musical da década de 1960, de Belo Horizonte, está inspirando novas histórias com o projeto “Escola Audaz – Memórias do Clube da Esquina nas Escolas”. A iniciativa promove oficinas de formação para professores e atividades que aproximam alunos do 4º ao 9º ano do universo poético e sonoro do lendário Clube da Esquina. Com 10 escolas públicas de diferentes regiões da capital mineira incluídas, o projeto Escola Audaz tem os professores como multiplicadores e o envolvimento direto das crianças maiores e adolescentes. As oficinas abordam metodologias ativas que integram a música do Clube da Esquina a diferentes áreas do conhecimento, propondo experiências criativas, acessíveis e aplicáveis no cotidiano escolar. Na iniciativa, os estudantes são convidados a experimentar, através do Palco Show, o contato com o fazer musical, o improviso, as rítmicas e textos das canções, trazendo protagonismo e criando memórias afetivo-musicais potentes. O projeto objetiva a ampliação do repertório estético-cultural infantojuvenil através de metodologias autorais, sensíveis e estimulantes criadas pela especialista em Educação Musical pela UFMG, Bianca Luar. Além das formações, o programa promove as Caravanas Culturais, que reúnem visitas guiadas ao Museu Clube da Esquina e experiências musicais conduzidas por Bianca Luar e o músico Thiago Nonato. Nessas atividades, os educadores são convidados a refletir sobre a relação entre arte e educação, a potência da escuta sensível e a importância da música como linguagem que estimula a expressão e o vínculo afetivo entre alunos e escola. A cantora, educadora musical e pesquisadora da cultura da infância, Bianca Luar, destaca que a receptividade dos alunos é algo que a encanta. “A cada caravana é uma surpresa diferente. Conhecer as melodias rítmicas é algo pensado e processual. Através da oficina ‘Corpo tambor’ os textos das canções, que vestem as novas melodias, os guiam de forma afetiva para um encontro com as próprias emoções”. Bianca afirma que o programa proporciona o entendimento sobre o que faz de fato um compositor, como é criar uma canção, tal qual como surge, e o que são as parcerias. “Vivenciando as práticas, a visita ao museu e conhecendo as histórias através de brincadeiras e muita escuta, eles começam a se apropriar aos pouquinhos daquele repertório. Tudo isso traz uma magia diferente, intencional e consciente”. “A musicalidade comunicativa, muito explorada nas oficinas de formação, lhes auxiliam fortemente a refletirem e a criarem novas posturas, abordagens e refinamento do olhar para promover novas interfaces com outras áreas de conhecimento como matemática, história, geografia e português”, acrescenta. Segundo estudo recente, crianças que não têm acesso à diversidade musical falam até 6 mil vocábulos a menos, ressalta a educadora. “E hoje, com a neurociência atuando de forma profunda sob o poder da música no cérebro, podemos confirmar que não há mesmo nenhuma outra atividade/ linguagem humana que acesse tantos tecidos cerebrais ao mesmo tempo como a música”. O projeto Instrumentalizar, sensibilizar e formar professores através de oficinas criativas de práticas autorais já era uma ação corriqueira da Bianca Luar. Através disso, em parceria com o Museu do Clube da Esquina, Bianca e Virgínia Câmara criaram juntas uma imersão in loco, com um tour pedagógico, uma formação dos professores e mostra cultural temática dos alunos, o que desenha as três etapas destes projetos. Logo após, entraram em leis de incentivo e já foram contempladas em editais. Realizaram a primeira edição através da primeira infância e agora, pela segunda vez, com memórias do Clube da Esquina. Esse ano, foram contempladas as escolas municipais: Modesta Cravo, Professor Hilton Rocha, Senador Levindo Coelho, Professor Lourenço de Oliveira, Rui da Costa Val, Santos Dumont, Prefeito Aminthas de Barros e Vicente Guimarães.
Turismo de negócios registra crescimento em Belo Horizonte

Os deslocamentos corporativos com destino a Belo Horizonte registraram uma expansão expressiva em 2025, segundo um levantamento da Paytrack, plataforma especializada em gestão de viagens e despesas corporativas. Em alguns trechos, o crescimento ultrapassou 285% em relação a 2024. O aumento reflete a combinação de fatores econômicos, logísticos e estratégicos que têm reposicionado BH como um eixo relevante para negócios, inovação e eventos corporativos. O maior salto partiu de Porto Alegre, que teve uma alta surpreendente de 285,23% no número de passageiros. Em seguida aparece Joinville, com crescimento de 113,21%, e Montes Claros, que também demonstrou forte expansão, registrando 109,09%. A região Norte igualmente contribuiu para a elevação da demanda: Santarém apontou aumento de 93,33%, enquanto Carajás teve expansão de 76,26% nas viagens com destino a Belo Horizonte. Entre os grandes centros urbanos, o Rio de Janeiro, a partir do aeroporto do Galeão, apresentou alta de 51,24%. Já São Paulo, via Congonhas, teve um crescimento mais moderado, mas ainda positivo, de 9,60%. “Belo Horizonte vive um momento de fortalecimento econômico, com a chegada de novas empresas, ampliação de parques tecnológicos e maior oferta de espaços para eventos, isso aumenta naturalmente a circulação de profissionais, que viajam tanto para fechar negócios quanto para participar de treinamentos, feiras e rodadas de investimento”, explica o agente de viagens Vicente Brandão. O impacto também pode ser visto na rede hoteleira de Belo Horizonte. A Savassi segue como a área mais disputada pelos viajantes a trabalho, concentrando 36% das reservas corporativas. O bairro mantém sua posição como um dos pontos mais dinâmicos da capital, graças à presença de cafés, espaços de coworking e escritórios. Logo depois aparece a Pampulha, responsável por 24% das estadias, impulsionada pela grande variedade de hotéis voltados tanto para eventos quanto para o público executivo, além da facilidade de acesso a polos empresariais e instituições de ensino. Outras regiões vêm ampliando sua participação nesse segmento. O Cidade Jardim tem atraído profissionais que preferem se hospedar na área Centro-Sul, enquanto Caiçara e São Cristóvão se fortalecem como opções estratégicas para quem precisa de deslocamentos ágeis e boa conexão com a região Norte e com o aeroporto. Para Brandão, esse movimento tem impacto direto na economia local. “O crescimento das viagens corporativas traz benefícios que vão muito além do fluxo nos aeroportos. Ele impulsiona a rede hoteleira, os restaurantes, os serviços de transporte urbano e movimenta toda a cadeia de fornecedores ligados ao turismo de negócios”. Ele destaca ainda que, diferentemente do turismo de lazer, o corporativo tende a ser mais estável ao longo do ano e, por isso, representa uma oportunidade estratégica para a capital. A especialista em planejamento urbano e desenvolvimento regional, Carla Menezes, afirma que o dado sinaliza que BH está se tornando um hub de encontros e negociações. “O fortalecimento de espaços como o Expominas, a ampliação de centros de inovação e a expansão de coworkings estimulam as empresas a escolherem a cidade como destino. Belo Horizonte oferece infraestrutura competitiva, custo operacional mais baixo do que outras capitais e uma localização estratégica que facilita deslocamentos para todo o Sudeste e Centro-Oeste”. No entanto, Carla alerta que o crescimento exigirá atenção redobrada do poder público. “Para que esse movimento continue, a prefeitura precisa investir em mobilidade urbana, modernização de corredores de ônibus, ampliação da conexão com outras cidades da Região Metropolitana e qualificação dos serviços voltados ao turismo corporativo, além da importância de melhorias no entorno dos centros de eventos e nas áreas com grande concentração de hotéis. Ambientes bem iluminados, calçadas acessíveis e transporte eficiente fazem diferença na experiência do visitante corporativo”.