Programa de aceleração impulsiona startups de impacto em Minas Gerais

Com o objetivo de fortalecer o ecossistema de inovação e promover soluções que gerem impacto positivo na sociedade e no meio ambiente, o Programa de Aceleração de Impacto visa apoiar o crescimento de startups de impacto social e ambiental, ampliando seu potencial de escala, competitividade e transformação. A iniciativa é do Sebrae Minas, em parceria com a Beta-i Brasil. O programa contou com a participação de 28 empresas que receberam capacitação e suporte estratégico. As empresas ainda participarão, em novembro, de ações go-to-market, que envolvem rodadas de negócios e aproximações comerciais. Uma das participantes do programa é a Reuso Recicla+, startup de Poços de Caldas (MG) que atua com gestão integrada de resíduos sólidos. A empresa oferece serviços de coleta seletiva, doação de materiais recicláveis para cooperativas e projetos de sustentabilidade corporativa. A CEO da empresa, Yula Merola, explica que o negócio nasceu em 2020, a partir de uma vivência pessoal e de uma necessidade observada no setor. “Após mais de 20 anos atuando na área ambiental e de saúde pública, percebi que a gestão de resíduos no Brasil ainda enfrenta desafios profundos, principalmente nas cidades pequenas e médias, onde faltam estrutura e soluções integradas. A semente do projeto surgiu da convivência com um ex- -catador de materiais recicláveis, alguém que conhecia profundamente as dores e o potencial transformador desse setor”, relembra. De acordo com a analista do Sebrae Minas, Manuela de Assis, o propósito da iniciativa é fomentar negócios que unam inovação e impacto positivo. “Nosso objetivo foi apoiar o desenvolvimento e a evolução de negócios inovadores que geram impacto socioambiental positivo. Reconhecemos que essa vertical é estratégica para a transformação do planeta e acredita no poder das soluções inovadoras para enfrentar os grandes desafios sociais e ambientais da atualidade”. “Esse movimento está alinhado com tendências como a COP 30, que será realizada em Belém, e reforça a urgência de ações concretas voltadas à sustentabilidade e à economia verde. Ao fomentar startups de impacto, contribuímos diretamente para a construção de um ecossistema mais consciente e preparado para os desafios do futuro”, acrescenta. De acordo com Manuela, o processo levou em conta fatores como maturidade, inovação e potencial de impacto. “Observamos também aspectos como o grau de inovação, estrutura da equipe, alinhamento com o mercado, viabilidade de escalabilidade e capacidade de gerar mudanças positivas e mensuráveis. O diferencial do programa está no foco exclusivo em negócios de impacto socioambiental. Todas as atividades, desde as mentorias até as conexões, foram pensadas para atender às especificidades e desafios desse tipo de negócio inovador”. Yula conta que o programa foi um divisor de águas. “Ele nos ajudou a enxergar nosso negócio com mais clareza estratégica, fortalecer nossa estrutura interna e preparar o terreno para escalar nossas soluções com mais segurança e consistência. Foi uma experiência de amadurecimento e fortalecimento institucional”. Durante o processo de aceleração, a empresa deu um passo importante ao iniciar o desenvolvimento da Recicla.ESG, plataforma digital que transforma resíduos em indicadores ESG (Ambiental, Social e Governança). “É uma solução digital que transforma resíduos em dados e dados em impacto positivo. Oferece rastreabilidade em tempo real, dashboards personalizados com indicadores automáticos e integração direta com cooperativas locais, fortalecendo a economia circular. Já rastreamos mais de 500 toneladas de resíduos, com impacto direto em 11 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU”, destaca a CEO. Ela revela os próximos passos da startup. “Queremos escalar a Recicla.ESG, ampliando sua implementação junto a empresas e municípios e fortalecendo a economia circular regional. Nosso objetivo é nos posicionar como referência nacional em gestão de resíduos com impacto socioambiental real”. Futuro sustentável Para a analista, a iniciativa reforça a importância de apoiar negócios que unem propósito, inovação e sustentabilidade. “Acreditamos no potencial dessas startups e na transformação que elas geram na sociedade. Por meio desse programa, impulsionamos negócios inovadores que unem propósito, impacto positivo e sustentabilidade”, conclui.
Festival Cinema dos Quilombos será realizado na Serra do Cipó

A 6ª edição do Festival Cinema dos Quilombos vai acontecer no Quilombo do Açude, em Jaboticatubas, na Serra do Cipó, nos dias 11 e 12 de outubro. Essa é a primeira vez que o evento se realiza dentro de um território quilombola. Com cinema, música, gastronomia, feira de artesanato e moda africana, além de oficinas e atividades para todas as idades, o Festival será totalmente gratuito. Trazendo à tela histórias de resistência, ancestralidade e cotidiano quilombola, serão exibidos, ao todo, nove filmes produzidos em Minas Gerais, Goiás e Espírito Santo. Entre os homenageados desta edição estão o ator e escritor Lázaro Ramos, o cineasta mineiro Gabriel Martins e o multiartista Maurício Tizumba. A programação vai além dos filmes, com feira de artesanato, moda africana, comidas típicas da culinária quilombola e shows musicais com Ifátókí convida Sérgio Pererê, Grupo Cultural Ponto BR, Adriana Araújo e Trio Gandaiera. E no domingo, o evento será dedicado às crianças, com o “Domingo Kids”, que trará brinquedos e uma seleção de longas infantis de temática quilombola. O cineasta, quilombola e coordenador do Festival, Danilo Candombe, explica que o objetivo do evento é abrir tela e coração. “Mostrar que o cinema também é quilombo: espaço de encontro, de partilha e de cuidado com nossas histórias. E chega de pessoas de fora contar nossas histórias em outra ótica, fora da realidade, e deixando os quilombolas e indígenas sempre em uma caixinha estereotipada. Fazer cinema quilombola no quilombo é afirmar nossa existência, nossa cultura e nossa resistência como parte essencial da identidade brasileira”. Ele conta que o Festival partiu de um projeto de um amigo, Cardes Amâncio. “E nasceu no Quilombo dos Marques, no Vale do Mucuri, através de uma oficina de vídeo onde participei na direção de fotografia com direção de Gabriel Martins. Veio do desejo de ver nossas narrativas ocupando a tela grande. Cansamos de só assistir, queremos também projetar o que somos”. Para Candombe, o legado do evento é simples. “Que nossos jovens se vejam e se sintam orgulhosos. Que os mais velhos saibam que suas memórias não se perdem. E a ideia é que essa chama viaje, que cada quilombo possa acender sua própria tela e mostrar sua própria luz”. Sessões de Cinema Dia 11, às 17h: “Meada Cor Kalunga” um documentário de Marta Kalunga, Alcileia Torres e Ana Luíza de Sá Reis, acompanha as comadres Marta e Dirani Kalunga no preparo das meadas e tingimento no quilombo Vão de Almas, em Goiás, revelando a força da tradição e do território. Dia 11: “Tita – 100 anos de luta e fé” é dirigido por Danilo Candombe, apresenta a trajetória de Maria Gregório Ventura, moradora do Quilombo Morro do Santo Antônio, em Itabira. Dia 11, à noite: “Nove Águas”, ficção dirigida por Gabriel Martins em parceria com o Quilombo dos Marques. O filme reconstitui a saga de descendentes de escravizados que, nos anos 1930, deixaram o Vale do Jequitinhonha rumo ao Vale do Mucuri em busca de água e terra. Dia 12, às 16h: “Disque Quilombola” é um documentário de David Reeks em que crianças do Espírito Santo falam, com leveza e espontaneidade, sobre a vida em comunidades quilombolas e em morros urbanos. Dia 12: “A mãe do meu amigo”, de Anderson Lima, ambientada no Quilombo do Manzo, em Belo Horizonte, que mostra como uma conversa entre mães pode abalar uma amizade infantil diante de preconceitos religiosos. Dia 12: “Kutala” é dirigido por Fábio Martins em parceria com o Quilombo Manzo, registra as brincadeiras de crianças de terreiro e revela a transmissão do saber ancestral às novas gerações. Dia 12: “Voa Arturos” é um curta de Othon de Saboia realizado com moradores do Quilombo dos Arturos, em Contagem, que aborda, de forma lúdica, disputas nos céus da comunidade. Dia 12: “E o seu dia-a-dia?” é um documentário feito por crianças e jovens do Quilombo do Açude que retrata a rotina da comunidade a partir de olhares internos. Dia 12, encerramento: “ADOBE: habilidades tradicionais da construção Kalunga”, de Carlos Pereira, mergulha nas técnicas construtivas vernaculares da comunidade Kalunga, em Cavalcante (GO).
MG tem recorde de presos inscritos em exame para conclusão do ensino médio

Em 2025, o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos para Pessoas Privadas de Liberdade (Encceja PPL) ou sob medida socioeducativa que inclua privação de liberdade bateu recorde histórico de inscritos das unidades prisionais e centros socioeducativos de Minas Gerais. No total, 13.201 presos e 297 adolescentes sob medida socioeducativa prestaram a avaliação, em busca dos certificados de conclusão do primeiro e segundo graus escolares. As inscrições tiveram um crescimento significativo entre 2020 e 2025, passando de 9.747 para 13.201 participantes, o que equivale a um aumento de mais de 35,44%. Esses números não só refletem o êxito das iniciativas educacionais no sistema, como também indicam novos caminhos que o Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG) oferece aos indivíduos sob regime fechado. A taxa de aprovação no Encceja PPL entre 2020 e 2024 aumentou de 16,27% para 25,74%. Esse crescimento evidencia não só uma participação mais ampla no exame, mas também um aprimoramento no nível de preparação dos candidatos. Os dados apontam para um progresso constante na qualidade dos resultados. Para 2025, espera- -se que o número de aprovações seja ainda mais significativo. Esse avanço sinaliza não apenas uma ampliação do acesso à educação para a população carcerária, mas também uma melhoria efetiva nos índices de desempenho educacional dentro das unidades prisionais. Especialistas apontam que esse movimento é resultado de um esforço conjunto entre o Estado, instituições de ensino e organizações da sociedade civil para garantir que o direito à educação seja respeitado, mesmo em contextos de privação de liberdade. Para a professora Helena Moura, o crescimento dos índices do Encceja PPL é reflexo de um trabalho silencioso, porém eficaz, realizado nos bastidores das penitenciárias brasileiras. “Estamos colhendo os frutos de ações que começaram a ser fortalecidas há cerca de uma década, com a ampliação das salas de aula dentro dos presídios, a formação de professores especializados e o incentivo à remição de pena pela via educacional. Antes, estudar na prisão era exceção, hoje, está se tornando uma possibilidade real para muitos, e isso transforma vidas”. Além disso, a pandemia da COVID-19, que impôs desafios ao ensino presencial, serviu de impulso para a adoção de novos formatos pedagógicos dentro dos presídios. A digitalização de materiais, o uso de videoaulas gravadas e o fortalecimento do ensino remoto assistido contribuíram para ampliar o alcance do conteúdo, mesmo em ambientes com limitações severas de infraestrutura. O coordenador pedagógico, Marcos Teixeira, acredita que o aumento das aprovações é um indicativo de que a educação está sendo tratada com mais seriedade dentro das unidades. “A gente percebe que o aluno em situação de cárcere tem potencial, mas muitas vezes lhe falta apoio. Quando há uma política educacional clara, com metas e estrutura, os resultados aparecem. E isso é o que os números vêm mostrando”. É fundamental que o investimento em educação prisional não se restrinja ao básico, acredita Teixeira. “Não basta apenas oferecer uma apostila. É preciso garantir formação contínua dos educadores, acesso a bibliotecas, ambiente adequado para estudo e tempo real reservado dentro da rotina carcerária para que o preso possa, de fato, se preparar para o exame”. Reinserção social Além da questão educacional, o Encceja PPL também possui implicações diretas sobre a ressocialização e a reinserção social dessas pessoas. A certificação de conclusão dos ensinos fundamental ou médio abre portas para novos caminhos no pós-cárcere, desde a continuidade dos estudos até o ingresso no mercado de trabalho formal. “Educar dentro da prisão é investir em segurança pública de longo prazo. Pessoas com acesso à educação têm menos chances de reincidência criminal”, argumenta. Contudo, o crescimento ainda esbarra em obstáculos significativos. Em muitos estados, a realidade das unidades prisionais ainda é precária: há falta de professores, escassez de materiais didáticos e ausência de espaços apropriados para o estudo. “Para que a curva de crescimento continue subindo, é necessário um compromisso orçamentário dos governos estaduais e federal, além de maior fiscalização sobre a aplicação dos recursos destinados à educação prisional”, conclui.
Cresce o número de acidentes com motos em Belo Horizonte

Nos últimos seis anos, Belo Horizonte registrou um crescimento de 56,18% nos acidentes envolvendo motociclistas, conforme informações do Painel de Acidentes de Trânsito da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Em 2018, foram contabilizadas 13.158 ocorrências, número que subiu para 20.553 em 2024, o que representa, em média, dois acidentes por hora. O único recuo no período foi observado em 2020, ano marcado pelo início da pandemia. A partir de 2021, os índices voltaram a subir significativamente, coincidindo com o início da operação de um serviço de transporte de passageiros por motocicleta via aplicativo na cidade. Em 2025, até o mês de agosto, já foram registrados 12.057 acidentes. Para o engenheiro de transportes Carlos Antunes, o aumento expressivo está diretamente ligado à intensificação do uso das motocicletas como meio de trabalho. “Com a popularização dos aplicativos de entrega e, mais recentemente, de transporte de passageiros, muitos jovens passaram a enxergar na motocicleta uma forma rápida e acessível de gerar renda. No entanto, o crescimento desse mercado não foi acompanhado por políticas públicas de capacitação, fiscalização e infraestrutura voltadas para essa categoria de condutores”. Segundo Antunes, o problema vai além do comportamento individual dos motociclistas. “Estamos falando de uma falha sistêmica. A cidade não está preparada para receber um fluxo tão intenso de motos. Falta sinalização adequada, faixas exclusivas, fiscalização de velocidade e educação no trânsito para todos os atores envolvidos, inclusive motoristas de carros e ônibus que dividem o espaço urbano com os motociclistas”. Para a ortopedista Mariana Lopes, que já atendeu vítimas de acidentes de moto, os ferimentos costumam ser graves. “Quedas em alta velocidade, colisões com carros e atropelamentos geram lesões severas, como fraturas expostas, traumatismos cranianos e amputações. Muitos desses pacientes ficam com sequelas permanentes ou, em casos mais extremos, não resistem”. Ela reforça que o uso inadequado de equipamentos de proteção ainda é um problema recorrente. “É comum vermos motociclistas com capacetes de baixa qualidade ou mal ajustados, sem luvas, jaquetas, botas ou outros itens que poderiam minimizar os impactos em caso de queda. A fiscalização precisa ser mais rigorosa, mas também é necessário investimento em campanhas educativas e em políticas que incentivem a segurança no trabalho desses profissionais”. O poder público deve buscar alternativas para conter os acidentes, destaca Antunes. “É necessário mapear os principais pontos de ocorrência de acidentes com motociclistas para implementar intervenções no trânsito, como melhorias na sinalização e na iluminação pública. Além disso, dialogar com os representantes das empresas de aplicativo para buscar soluções conjuntas, como cursos de direção defensiva e incentivos à manutenção dos veículos”. De acordo com o especialista, um dos maiores desafios é alcançar os motociclistas autônomos. “Muitos trabalham por conta própria e estão fora do radar das empresas ou dos sindicatos. Precisamos criar mecanismos que os incluam nas políticas públicas e ofereçam suporte técnico e educacional para que possam atuar com mais segurança”. Além das ações locais, Antunes defende uma política nacional voltada para os motociclistas, com regulamentação clara do transporte por aplicativo em duas rodas, linhas de financiamento para equipamentos de segurança e programas de educação no trânsito nas escolas e nos centros de formação de condutores. Essas medidas visam reduzir acidentes e valorizar a categoria. “Enquanto as soluções não chegam, o número de acidentes continua crescendo, deixando cicatrizes profundas não apenas nas vítimas e suas famílias, mas em toda a sociedade. O que antes era visto como um meio de locomoção ágil e econômico, agora se revela um dos maiores desafios para a segurança no trânsito de Belo Horizonte e de várias outras cidades brasileiras”, conclui.
Projeto “Vrum, Vrum” ensina regras de trânsito de uma maneira divertida

A educação para o trânsito está sendo levada de forma lúdica e divertida a milhares de crianças da rede pública em Minas Gerais. O projeto “Turma da Ação – Vrum, Vrum Trânsito Legal”, já percorreu cidades como Santos Dumont, Carandaí e Juiz de Fora. Agora, segue para outros municípios da Zona da Mata e Região Metropolitana de Belo Horizonte. A iniciativa conta com o patrocínio do governo federal, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, organização da Porto Cultural e apoio da EPR Via Mineira. Entre os dias 2 e 4 de setembro, as apresentações serão em Ewbank da Câmara. Depois serão em Ressaquinha (5, 8 e 9 de setembro), Moeda (10 a 12 de setembro), Itabirito (15 a 17 de setembro) e encerra a temporada em Nova Lima (18 a 20 de setembro). Cada cidade recebe sessões teatrais voltadas para estudantes entre 6 e 12 anos, com encenações que misturam música, humor e situações do dia a dia no trânsito. A diretora de produção artística da Turma da Ação, Luciane Ortiz, explica que a iniciativa nasceu em 2018 e já alcançou mais de 170 mil crianças em todo o Brasil. “Criamos um grupo de personagens com quem os estudantes se identificam. Através do teatro, abordamos temas como sustentabilidade, alimentação saudável, energia renovável e, agora, a educação para o trânsito”. O espetáculo “Vrum, Vrum – Trânsito Legal” mostra uma família em viagem de férias, na qual o pai comete diversas infrações ao volante, como não usar o cinto, dirigir após beber refrigerante ou desrespeitar sinais de trânsito. No enredo, as crianças aprendem o que está certo e errado de forma divertida. “A estrutura foi pensada para que os alunos vivenciem na prática conceitos como travessia correta, respeito à faixa, uso do cinto e do capacete. É uma experiência concreta e divertida, que eles levam para casa e acabam multiplicando com a família”, afirma Luciane. Além da peça, algumas cidades também receberam uma minipista de trânsito que simula uma pequena cidade, com faixa de pedestres, semáforos e placas. Nela, os alunos podem dirigir carrinhos, bicicletas e motos infantis. A diretora revela que as crianças literalmente viajam nesse universo. “Temos monitores que acompanham todo o percurso e no final ainda entregamos uma cartilha educativa. As crianças saem felizes e conscientes, e muitas querem assistir novamente”. Ela reforça que o teatro pedagógico tem papel fundamental na formação cidadã. “O espetáculo estimula a empatia, a responsabilidade e a capacidade de trabalhar em grupo. O aprendizado fica muito mais leve e marcante quando é transmitido de maneira lúdica”, conclui.
Rota Bahia-Minas gera negócios para as comunidades

Com 350 km de percurso entre as cidades de Araçuaí, Novo Cruzeiro, Ladainha, Poté, Teófilo Otoni e Carlos Chagas, na Região do Jequitinhonha/Mucuri, a Rota Bahia-Minas é uma das maiores propostas de resgate de um antigo trecho de ferrovia desativado para atividades turísticas do país. O caminho reúne edificações históricas, como vilas, capelas, igrejas, estações e fazendas, na transição do bioma da Caatinga para a Mata Atlântica. O trajeto é considerado intermodal, podendo ser feito por bike, caminhada, moto, carro ou até mesmo a cavalo, e vem sendo desenvolvido pelo Sebrae Minas desde 2018. Ao longo desses anos, foram promovidas capacitações e consultorias sobre design de experiências turísticas, implementação de receptivos, além de ações de inserção no mercado. A Rota Bahia-Minas é o caminho por onde passava a antiga ferrovia, que teve seu encerramento em 1966, e ligava o Sul da Bahia, distrito de Ponta de Areia, em Caravelas, aos vales do Jequitinhonha e Mucuri. O presidente da Associação de Empreendedores da Rota Turística Bahia-Minas, Wender Márcio, diz que quem percorre a rota vive uma experiência de resgate da simplicidade e da brasilidade que ainda resiste no interior. “Mostramos para as agências o potencial turístico dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. Quem visita nossa região encontra diversidade cultural, boas histórias, gastronomia e belezas naturais”. O analista de negócios do Sebrae Minas, Jeferson Batalha, explica que a Rota se despontou como uma grande oportunidade. “E juntos com outros parceiros, iniciamos as tratativas de desenvolvimento, mapeamento, identificação e capacitação. É um projeto de avanço econômico e está totalmente alinhada ao fortalecimento e desenvolvimento do empreendedorismo. A Bahia-Minas tem gerado empoderamento às pessoas e pertencimento, já que a maioria deles estão no leito da ferrovia, ou eles andaram no trem ou os pais andaram, tendo um vínculo afetivo muito grande”, acrescenta. Para Batalha, a Bahia-Minas tem um apelo histórico. “A Rota é um grande marco para o território, e quando se encerrou ficou uma sensação de abandono e desprezo. Quando a gente volta, anos depois, a falar desse importante projeto, com sentimento de alegria e estruturação, a população retoma o brilho nos olhos, pois muitas famílias foram criadas com base nessa ferrovia”. “Hoje, todo esse sentimento está de volta, com o enfoque de sustentabilidade e utilizar algo que estava abandonado para promover saúde e educação patrimonial. Atualmente, estamos trabalhando também nas escolas públicas e na comunidade a ideia de valorização do patrimônio público, para que eles possam contar e perpetuar essas histórias”, finaliza. Descobrindo os Vales O roteiro começa em Araçuaí, que abriga a última estação da estrada de ferro, finalizada em 1942. O turista vai encontrar o Museu de Araçuaí, que conta um pouco da história do Vale do Jequitinhonha. No acervo tem objetos e documentos que registram a religiosidade, os usos, costumes e ofícios populares. Do museu, o percurso segue para a estação de Engenheiro Schnoor, onde é possível apreciar trechos de estrada abertos entre as formações rochosas, conhecidas como cortes de pedras. O próximo destino é o distrito de Queixada, em Novo Cruzeiro, onde são oferecidas iguarias típicas da região, preparadas no fogão de lenha da pensão da Dona Luiza. Já dentro da cidade, o destaque é o tradicional pastel. Em Ladainha, as quedas d’água em meio à Mata Atlântica ajudam a relaxar e renovar as energias. A antiga estação de trem do município foi transformada em um ateliê pelo artista plástico Maelson Nunes. Já em Poté fica a comunidade de Sucanga, onde está localizada a estação inaugurada em 1927, e que ainda conserva suas características originais. De lá, os visitantes seguem rumo à estação de Valão. Em Pedro Versiani, zona rural de Teófilo Otoni, o turista encontra o Sítio Pé na Roça, sendo possível conhecer a coleção de bicicletas do empreendedor Celso Souza. No Estado, a rota é finalizada no município de Carlos Chagas, que abriga a comunidade de Francisco Sá. Os turistas são recebidos pelo Grupo Teatral Dramedia, que apresenta a peça “Trilhos de um Destino: A Força do Homem e do Vapor”. O espetáculo é embalado por canções e histórias sobre José Joaquim de Amorim, o construtor responsável pela ferrovia e a Estrada de Ferro Bahia-Minas.
841 toneladas de lixo foram retiradas da Lagoa da Pampulha até julho

Entre janeiro e julho deste ano, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) recolheu 841 toneladas de resíduos da Lagoa da Pampulha. O levantamento, feito pela Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smobi), abrange a limpeza do espelho d’água, além de serviços de roçagem, conservação do gramado na orla e manutenção das pistas destinadas a ciclistas e pedestres. Em períodos de estiagem, a quantidade de lixo flutuante na Lagoa da Pampulha costuma girar em torno de cinco toneladas diárias, podendo chegar a até dez toneladas nos meses de chuva. Somente entre janeiro e abril, cerca de 597 toneladas foram removidas do local. A quantidade de lixo recolhida é sintoma de um problema crônico que vai além da coleta de resíduos visíveis. O mau cheiro característico em determinados pontos da lagoa, especialmente durante os meses mais quentes, e o aspecto turvo da água denunciam a poluição orgânica e química acumulada ao longo das décadas, agravada por ligações clandestinas de esgoto e o escoamento de resíduos urbanos que chegam pelos afluentes da bacia da Pampulha. Para o engenheiro ambiental Marcelo Dutra, os números de resíduos retirados são alarmantes e indicam que o esforço atual é apenas paliativo. “A limpeza manual e mecânica da superfície é importante, sim, mas não resolve o cerne da questão. O que estamos vendo é um trabalho de contenção, que retira o lixo visível, mas o problema principal está no fundo da lagoa e nos córregos que a alimentam, que continuam trazendo esgoto e lixo”. A aplicação de oxigênio nas águas da Lagoa da Pampulha surge como uma possível alternativa para recuperar a qualidade ambiental. O método foi debatido recentemente na Câmara Municipal, e já foi adotado em iniciativas de despoluição do Rio Pinheiros, em São Paulo, e do Córrego Joana, no Rio de Janeiro. Moradores da região demonstram otimismo com a possibilidade de melhorias, mas especialistas alertam que, sem o fim do despejo de esgoto na lagoa, os resultados serão limitados. Dutra ressalta que a recuperação plena da Lagoa demanda ações integradas e de longo prazo. “A primeira etapa crucial seria a despoluição dos afluentes, como os córregos Ressaca e Sarandi, principais responsáveis pela carga de poluição que chega à lagoa. É preciso investir em interceptores de esgoto mais eficientes, ampliar a fiscalização das ligações irregulares e, principalmente, promover educação ambiental junto à população. A lagoa reflete o que acontece no entorno. Se o bairro joga lixo na rua, ele vai parar ali”. Além disso, a drenagem urbana inadequada e o excesso de sedimentos que chegam à Pampulha também impactam diretamente na qualidade da água. Com o passar do tempo, esses sedimentos se acumulam no fundo da lagoa, contribuindo para o assoreamento e criando condições ideais para a proliferação de algas, que, por sua vez, intensificam o mau cheiro. De acordo com a bióloga Carla Nunes, uma das estratégias mais promissoras para o médio prazo seria o uso de biorremediação, técnica que utiliza organismos vivos, como bactérias e plantas aquáticas, para degradar a matéria orgânica e reduzir os poluentes na água. “Esse tipo de intervenção pode ajudar a melhorar a qualidade da água de forma sustentável, especialmente se for combinado com dragagem dos pontos mais críticos de assoreamento”. Ela também destaca a importância de zonas de amortecimento ecológico, como faixas verdes ao redor da lagoa, que ajudam a filtrar a água das chuvas antes que ela entre diretamente na bacia. “Plantas nativas podem atuar como filtros naturais. Além disso, promovem a biodiversidade e ajudam na estética do local, tornando a lagoa mais atrativa”. É preciso um plano de recuperação ambiental sólido, com metas claras e envolvimento de toda a cidade para garantir que a lagoa não seja apenas um retrato bonito escondendo águas poluídas.
Projeto social capacita moradores de Betim e região no segmento da beleza

Com o objetivo de promover inclusão social, geração de renda e incentivo ao empreendedorismo, o Instituto Ramacrisna, sediado em Betim, abriu inscrições para novos cursos gratuitos na área da beleza. A iniciativa integra o projeto Construindo o Futuro VI, realizado em parceria com a Petrobras, por meio do programa Petrobras Socioambiental. São oferecidas capacitações nas áreas de cabeleireiro, barbeiro, trancista, designer de sobrancelhas e manicure e pedicure. Os cursos são voltados para moradores em situação de vulnerabilidade social dos bairros Imbiruçu e Petrovale, em Betim, e também das cidades de Ibirité e Sarzedo, áreas próximas à Refinaria Gabriel Passos (REGAP). A proposta é capacitar tecnicamente e oferecer condições para que os participantes ingressem rapidamente no mercado de trabalho, seja em salões, clínicas de estética ou como autônomos. Ao fim da formação, os alunos recebem um kit de produtos que permite iniciar os atendimentos. “Os cursos são pensados estrategicamente para atender áreas com alta demanda e baixo custo de entrada. Isso permite que, mesmo com poucos recursos, os alunos comecem a atuar logo após a formação. Muitos veem neles a chance de conquistar independência financeira e transformar a própria realidade. Com apoio da Petrobras, conseguimos ampliar esse impacto e promover inclusão produtiva”, explica a vice-presidente do Instituto Ramacrisna, Solange Bottaro. A formação em designer de sobrancelhas é um dos destaques. A capacitação abrange técnicas como modelagem, visagismo e coloração, e pode servir de base para outras especializações, como extensão de cílios e micropigmentação. Segundo Solange, os cursos também oferecem noções de gestão, precificação e divulgação nas redes sociais, para incentivar o empreendedorismo. “Esse apoio é ainda mais simbólico para as mulheres, que enfrentam múltiplas jornadas e barreiras sociais”. Transformando vidas A trajetória da ex-aluna Pâmela Abrantes é um reflexo desse impacto. Mãe de três filhos, ela buscava uma alternativa de renda que pudesse conciliar com a rotina em casa. Participou do curso de designer de sobrancelhas e construiu o próprio negócio com o apoio da família. Com o kit inicial, comecei a atender em domicílio e, depois, montei um cantinho só meu”, conta. O Instituto mantém contato com os alunos mesmo após a formação, monitorando como estão aplicando os conhecimentos adquiridos. Segundo a vice-presidente, muitos iniciam atendimentos em casa e com o tempo, estruturam seus próprios negócios. Como se inscrever As inscrições devem ser feitas pelo site ramacrisna.org.br/nossos-cursos. Os cursos têm início a partir de setembro, com turmas formadas conforme a área e o local da capacitação. São de 10 a 20 alunos por turma. Para garantir que as vagas sejam destinadas a quem realmente precisa, o Instituto realiza uma avaliação socioeconômica dos inscritos. “Esses cursos são voltados especialmente para bairros com maior índice de vulnerabilidade. A seleção é feita com base nesse critério”, detalha Solange. Ela aponta que a meta do projeto é beneficiar mais de 4,3 mil pessoas diretamente até 2027 e alcançar outras 17 mil indiretamente, por meio de eventos, oficinas e atividades culturais e esportivas. “O projeto possui vários cursos que serão realizados de forma contínua até o final de 2027. As metas foram traçadas no início dos trabalhos e seguimos com foco em ampliar o acesso à qualificação e à geração de renda”, finaliza.