Projeto “Vrum, Vrum” ensina regras de trânsito de uma maneira divertida

A educação para o trânsito está sendo levada de forma lúdica e divertida a milhares de crianças da rede pública em Minas Gerais. O projeto “Turma da Ação – Vrum, Vrum Trânsito Legal”, já percorreu cidades como Santos Dumont, Carandaí e Juiz de Fora. Agora, segue para outros municípios da Zona da Mata e Região Metropolitana de Belo Horizonte. A iniciativa conta com o patrocínio do governo federal, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, organização da Porto Cultural e apoio da EPR Via Mineira. Entre os dias 2 e 4 de setembro, as apresentações serão em Ewbank da Câmara. Depois serão em Ressaquinha (5, 8 e 9 de setembro), Moeda (10 a 12 de setembro), Itabirito (15 a 17 de setembro) e encerra a temporada em Nova Lima (18 a 20 de setembro). Cada cidade recebe sessões teatrais voltadas para estudantes entre 6 e 12 anos, com encenações que misturam música, humor e situações do dia a dia no trânsito. A diretora de produção artística da Turma da Ação, Luciane Ortiz, explica que a iniciativa nasceu em 2018 e já alcançou mais de 170 mil crianças em todo o Brasil. “Criamos um grupo de personagens com quem os estudantes se identificam. Através do teatro, abordamos temas como sustentabilidade, alimentação saudável, energia renovável e, agora, a educação para o trânsito”. O espetáculo “Vrum, Vrum – Trânsito Legal” mostra uma família em viagem de férias, na qual o pai comete diversas infrações ao volante, como não usar o cinto, dirigir após beber refrigerante ou desrespeitar sinais de trânsito. No enredo, as crianças aprendem o que está certo e errado de forma divertida. “A estrutura foi pensada para que os alunos vivenciem na prática conceitos como travessia correta, respeito à faixa, uso do cinto e do capacete. É uma experiência concreta e divertida, que eles levam para casa e acabam multiplicando com a família”, afirma Luciane. Além da peça, algumas cidades também receberam uma minipista de trânsito que simula uma pequena cidade, com faixa de pedestres, semáforos e placas. Nela, os alunos podem dirigir carrinhos, bicicletas e motos infantis. A diretora revela que as crianças literalmente viajam nesse universo. “Temos monitores que acompanham todo o percurso e no final ainda entregamos uma cartilha educativa. As crianças saem felizes e conscientes, e muitas querem assistir novamente”. Ela reforça que o teatro pedagógico tem papel fundamental na formação cidadã. “O espetáculo estimula a empatia, a responsabilidade e a capacidade de trabalhar em grupo. O aprendizado fica muito mais leve e marcante quando é transmitido de maneira lúdica”, conclui.

Rota Bahia-Minas gera negócios para as comunidades

Com 350 km de percurso entre as cidades de Araçuaí, Novo Cruzeiro, Ladainha, Poté, Teófilo Otoni e Carlos Chagas, na Região do Jequitinhonha/Mucuri, a Rota Bahia-Minas é uma das maiores propostas de resgate de um antigo trecho de ferrovia desativado para atividades turísticas do país. O caminho reúne edificações históricas, como vilas, capelas, igrejas, estações e fazendas, na transição do bioma da Caatinga para a Mata Atlântica. O trajeto é considerado intermodal, podendo ser feito por bike, caminhada, moto, carro ou até mesmo a cavalo, e vem sendo desenvolvido pelo Sebrae Minas desde 2018. Ao longo desses anos, foram promovidas capacitações e consultorias sobre design de experiências turísticas, implementação de receptivos, além de ações de inserção no mercado. A Rota Bahia-Minas é o caminho por onde passava a antiga ferrovia, que teve seu encerramento em 1966, e ligava o Sul da Bahia, distrito de Ponta de Areia, em Caravelas, aos vales do Jequitinhonha e Mucuri. O presidente da Associação de Empreendedores da Rota Turística Bahia-Minas, Wender Márcio, diz que quem percorre a rota vive uma experiência de resgate da simplicidade e da brasilidade que ainda resiste no interior. “Mostramos para as agências o potencial turístico dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. Quem visita nossa região encontra diversidade cultural, boas histórias, gastronomia e belezas naturais”. O analista de negócios do Sebrae Minas, Jeferson Batalha, explica que a Rota se despontou como uma grande oportunidade. “E juntos com outros parceiros, iniciamos as tratativas de desenvolvimento, mapeamento, identificação e capacitação. É um projeto de avanço econômico e está totalmente alinhada ao fortalecimento e desenvolvimento do empreendedorismo. A Bahia-Minas tem gerado empoderamento às pessoas e pertencimento, já que a maioria deles estão no leito da ferrovia, ou eles andaram no trem ou os pais andaram, tendo um vínculo afetivo muito grande”, acrescenta. Para Batalha, a Bahia-Minas tem um apelo histórico. “A Rota é um grande marco para o território, e quando se encerrou ficou uma sensação de abandono e desprezo. Quando a gente volta, anos depois, a falar desse importante projeto, com sentimento de alegria e estruturação, a população retoma o brilho nos olhos, pois muitas famílias foram criadas com base nessa ferrovia”. “Hoje, todo esse sentimento está de volta, com o enfoque de sustentabilidade e utilizar algo que estava abandonado para promover saúde e educação patrimonial. Atualmente, estamos trabalhando também nas escolas públicas e na comunidade a ideia de valorização do patrimônio público, para que eles possam contar e perpetuar essas histórias”, finaliza. Descobrindo os Vales O roteiro começa em Araçuaí, que abriga a última estação da estrada de ferro, finalizada em 1942. O turista vai encontrar o Museu de Araçuaí, que conta um pouco da história do Vale do Jequitinhonha. No acervo tem objetos e documentos que registram a religiosidade, os usos, costumes e ofícios populares. Do museu, o percurso segue para a estação de Engenheiro Schnoor, onde é possível apreciar trechos de estrada abertos entre as formações rochosas, conhecidas como cortes de pedras. O próximo destino é o distrito de Queixada, em Novo Cruzeiro, onde são oferecidas iguarias típicas da região, preparadas no fogão de lenha da pensão da Dona Luiza. Já dentro da cidade, o destaque é o tradicional pastel. Em Ladainha, as quedas d’água em meio à Mata Atlântica ajudam a relaxar e renovar as energias. A antiga estação de trem do município foi transformada em um ateliê pelo artista plástico Maelson Nunes. Já em Poté fica a comunidade de Sucanga, onde está localizada a estação inaugurada em 1927, e que ainda conserva suas características originais. De lá, os visitantes seguem rumo à estação de Valão. Em Pedro Versiani, zona rural de Teófilo Otoni, o turista encontra o Sítio Pé na Roça, sendo possível conhecer a coleção de bicicletas do empreendedor Celso Souza. No Estado, a rota é finalizada no município de Carlos Chagas, que abriga a comunidade de Francisco Sá. Os turistas são recebidos pelo Grupo Teatral Dramedia, que apresenta a peça “Trilhos de um Destino: A Força do Homem e do Vapor”. O espetáculo é embalado por canções e histórias sobre José Joaquim de Amorim, o construtor responsável pela ferrovia e a Estrada de Ferro Bahia-Minas.

841 toneladas de lixo foram retiradas da Lagoa da Pampulha até julho

Entre janeiro e julho deste ano, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) recolheu 841 toneladas de resíduos da Lagoa da Pampulha. O levantamento, feito pela Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smobi), abrange a limpeza do espelho d’água, além de serviços de roçagem, conservação do gramado na orla e manutenção das pistas destinadas a ciclistas e pedestres. Em períodos de estiagem, a quantidade de lixo flutuante na Lagoa da Pampulha costuma girar em torno de cinco toneladas diárias, podendo chegar a até dez toneladas nos meses de chuva. Somente entre janeiro e abril, cerca de 597 toneladas foram removidas do local. A quantidade de lixo recolhida é sintoma de um problema crônico que vai além da coleta de resíduos visíveis. O mau cheiro característico em determinados pontos da lagoa, especialmente durante os meses mais quentes, e o aspecto turvo da água denunciam a poluição orgânica e química acumulada ao longo das décadas, agravada por ligações clandestinas de esgoto e o escoamento de resíduos urbanos que chegam pelos afluentes da bacia da Pampulha. Para o engenheiro ambiental Marcelo Dutra, os números de resíduos retirados são alarmantes e indicam que o esforço atual é apenas paliativo. “A limpeza manual e mecânica da superfície é importante, sim, mas não resolve o cerne da questão. O que estamos vendo é um trabalho de contenção, que retira o lixo visível, mas o problema principal está no fundo da lagoa e nos córregos que a alimentam, que continuam trazendo esgoto e lixo”. A aplicação de oxigênio nas águas da Lagoa da Pampulha surge como uma possível alternativa para recuperar a qualidade ambiental. O método foi debatido recentemente na Câmara Municipal, e já foi adotado em iniciativas de despoluição do Rio Pinheiros, em São Paulo, e do Córrego Joana, no Rio de Janeiro. Moradores da região demonstram otimismo com a possibilidade de melhorias, mas especialistas alertam que, sem o fim do despejo de esgoto na lagoa, os resultados serão limitados. Dutra ressalta que a recuperação plena da Lagoa demanda ações integradas e de longo prazo. “A primeira etapa crucial seria a despoluição dos afluentes, como os córregos Ressaca e Sarandi, principais responsáveis pela carga de poluição que chega à lagoa. É preciso investir em interceptores de esgoto mais eficientes, ampliar a fiscalização das ligações irregulares e, principalmente, promover educação ambiental junto à população. A lagoa reflete o que acontece no entorno. Se o bairro joga lixo na rua, ele vai parar ali”. Além disso, a drenagem urbana inadequada e o excesso de sedimentos que chegam à Pampulha também impactam diretamente na qualidade da água. Com o passar do tempo, esses sedimentos se acumulam no fundo da lagoa, contribuindo para o assoreamento e criando condições ideais para a proliferação de algas, que, por sua vez, intensificam o mau cheiro. De acordo com a bióloga Carla Nunes, uma das estratégias mais promissoras para o médio prazo seria o uso de biorremediação, técnica que utiliza organismos vivos, como bactérias e plantas aquáticas, para degradar a matéria orgânica e reduzir os poluentes na água. “Esse tipo de intervenção pode ajudar a melhorar a qualidade da água de forma sustentável, especialmente se for combinado com dragagem dos pontos mais críticos de assoreamento”. Ela também destaca a importância de zonas de amortecimento ecológico, como faixas verdes ao redor da lagoa, que ajudam a filtrar a água das chuvas antes que ela entre diretamente na bacia. “Plantas nativas podem atuar como filtros naturais. Além disso, promovem a biodiversidade e ajudam na estética do local, tornando a lagoa mais atrativa”. É preciso um plano de recuperação ambiental sólido, com metas claras e envolvimento de toda a cidade para garantir que a lagoa não seja apenas um retrato bonito escondendo águas poluídas.

Projeto social capacita moradores de Betim e região no segmento da beleza

Com o objetivo de promover inclusão social, geração de renda e incentivo ao empreendedorismo, o Instituto Ramacrisna, sediado em Betim, abriu inscrições para novos cursos gratuitos na área da beleza. A iniciativa integra o projeto Construindo o Futuro VI, realizado em parceria com a Petrobras, por meio do programa Petrobras Socioambiental. São oferecidas capacitações nas áreas de cabeleireiro, barbeiro, trancista, designer de sobrancelhas e manicure e pedicure. Os cursos são voltados para moradores em situação de vulnerabilidade social dos bairros Imbiruçu e Petrovale, em Betim, e também das cidades de Ibirité e Sarzedo, áreas próximas à Refinaria Gabriel Passos (REGAP). A proposta é capacitar tecnicamente e oferecer condições para que os participantes ingressem rapidamente no mercado de trabalho, seja em salões, clínicas de estética ou como autônomos. Ao fim da formação, os alunos recebem um kit de produtos que permite iniciar os atendimentos. “Os cursos são pensados estrategicamente para atender áreas com alta demanda e baixo custo de entrada. Isso permite que, mesmo com poucos recursos, os alunos comecem a atuar logo após a formação. Muitos veem neles a chance de conquistar independência financeira e transformar a própria realidade. Com apoio da Petrobras, conseguimos ampliar esse impacto e promover inclusão produtiva”, explica a vice-presidente do Instituto Ramacrisna, Solange Bottaro. A formação em designer de sobrancelhas é um dos destaques. A capacitação abrange técnicas como modelagem, visagismo e coloração, e pode servir de base para outras especializações, como extensão de cílios e micropigmentação. Segundo Solange, os cursos também oferecem noções de gestão, precificação e divulgação nas redes sociais, para incentivar o empreendedorismo. “Esse apoio é ainda mais simbólico para as mulheres, que enfrentam múltiplas jornadas e barreiras sociais”. Transformando vidas A trajetória da ex-aluna Pâmela Abrantes é um reflexo desse impacto. Mãe de três filhos, ela buscava uma alternativa de renda que pudesse conciliar com a rotina em casa. Participou do curso de designer de sobrancelhas e construiu o próprio negócio com o apoio da família. Com o kit inicial, comecei a atender em domicílio e, depois, montei um cantinho só meu”, conta. O Instituto mantém contato com os alunos mesmo após a formação, monitorando como estão aplicando os conhecimentos adquiridos. Segundo a vice-presidente, muitos iniciam atendimentos em casa e com o tempo, estruturam seus próprios negócios. Como se inscrever As inscrições devem ser feitas pelo site ramacrisna.org.br/nossos-cursos. Os cursos têm início a partir de setembro, com turmas formadas conforme a área e o local da capacitação. São de 10 a 20 alunos por turma. Para garantir que as vagas sejam destinadas a quem realmente precisa, o Instituto realiza uma avaliação socioeconômica dos inscritos. “Esses cursos são voltados especialmente para bairros com maior índice de vulnerabilidade. A seleção é feita com base nesse critério”, detalha Solange. Ela aponta que a meta do projeto é beneficiar mais de 4,3 mil pessoas diretamente até 2027 e alcançar outras 17 mil indiretamente, por meio de eventos, oficinas e atividades culturais e esportivas. “O projeto possui vários cursos que serão realizados de forma contínua até o final de 2027. As metas foram traçadas no início dos trabalhos e seguimos com foco em ampliar o acesso à qualificação e à geração de renda”, finaliza.