Carnaval deve movimentar cerca de R$ 1,2 bilhão em Belo Horizonte

São aguardadas mais de 6 milhões de pessoas na capital mineira / Foto: Alexandre Guzanshe/Belotur

O Carnaval de Belo Horizonte chega a 2026 consolidado não apenas como um dos maiores do país em número de foliões, mas também como um dos principais motores da economia local. A expectativa da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) é de crescimento entre 10% e 15% na movimentação econômica durante o período, impulsionado pelo aumento do consumo, do turismo e da ocupação hoteleira.

De acordo com o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva, o Carnaval deixou de ser apenas um evento cultural para se tornar um vetor estratégico de desenvolvimento. “Ele movimenta o comércio, gera renda, cria oportunidades para pequenos empreendedores e fortalece a imagem da cidade como destino turístico”.

Para Souza e Silva, o impacto é percebido principalmente no comércio de rua, nos serviços e na cadeia do turismo. “É um período em que o dinheiro circula mais rápido e atinge diferentes camadas da economia”.

Um levantamento da CDL/BH aponta que 58,1% dos foliões pretendem aproveitar os blocos de rua e 48,8% devem participar de pré-carnavais gratuitos ou ensaios de blocos. Esse perfil favorece bares, restaurantes, ambulantes, supermercados, lojas de fantasias e serviços de transporte. “O Carnaval democrático, gratuito e de rua permite que mais pessoas participem e consumam. Isso amplia o alcance econômico da festa”, destaca.

Outro ponto ressaltado pelo presidente da CDL/BH é a profissionalização dos ambulantes ao longo dos últimos anos. “A organização e a capacitação dos vendedores ambulantes têm sido fundamentais. Eles conseguem gerar renda extra com qualidade, enquanto o folião tem acesso a produtos e serviços mais confiáveis”. Segundo a pesquisa, 67,4% dos consumidores pretendem comprar diretamente com ambulantes.

Em Minas Gerais, a secretária de Estado de Cultura e Turismo, Bárbara Botega, projeta que o Carnaval deve injetar cerca de R$ 6 bilhões, sendo R$ 1,2 bilhão apenas em BH. “A Folia movimenta a economia e diversas estruturas, tanto na esfera municipal quanto estadual. Esse trabalho em rede é o que tem consolidado Belo Horizonte como um destino estratégico do Carnaval”.

Quanto o folião deve gastar

Os gastos individuais ajudam a explicar o otimismo do setor produtivo. De acordo com a CDL/BH, os foliões devem investir entre R$ 100 e R$ 150 em fantasias e adereços, além de cerca de R$ 70 por dia com bebidas. O pagamento à vista será predominante, com destaque para Pix, cartão de débito e crédito à vista, enquanto o transporte por aplicativo aparece como o principal meio de locomoção.

Esse comportamento mostra cautela do consumidor, sem perder o desejo de aproveitar a festa, avalia Souza e Silva. “O folião quer curtir o Carnaval, mas sem comprometer o orçamento. Ele busca opções acessíveis, o que favorece os pequenos negócios”.

Nos bares e restaurantes, a expectativa também é positiva. A presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel-MG), Karla Rocha, afirma que a maioria dos empresários espera crescimento no faturamento durante a Folia. “O Carnaval já está incorporado ao calendário econômico da cidade. Os estabelecimentos estão mais preparados para atender o público e transformar esse fluxo em resultados”, destaca.

A hotelaria acompanha o mesmo ritmo. Segundo o diretor de Comunicação da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (ABIH-MG), Diego Pires Gomes, a ocupação média em Belo Horizonte deve alcançar 85%, com 60% dos hotéis já operando com 100% de ocupação, especialmente na região Centro-Sul. “O Carnaval de BH é a maior vitrine da hotelaria. Muitos turistas prolongam a estadia, o que aumenta o ticket médio e beneficia toda a cidade”, afirma.

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