
De janeiro a setembro, o café, o ouro e as ferro-ligas lideraram o crescimento das vendas externas. O café teve alta de 48% se comparado com o período anterior, com o montante de US$ 2,5 bilhões nas exportações. O ouro também apresentou progresso de US$ 991,2 milhões (81,1%), já as ferro-ligas aparecem com um incremento de US$ 211,4 milhões (13,1%), segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
No geral, o Estado alcançou US$ 33 bilhões em exportações no período, com aumento de 3,9%. Minas Gerais foi responsável por 12,8% das vendas internacionais brasileiras, sendo o terceiro principal exportador nacional. Além desse destaque, no acumulado de 2025, o saldo da balança comercial atingiu superávit de US$ 19,3 bilhões. No fluxo comercial, foi registrado US$ 46,7 bilhões. O resultado é 5,7% superior ao observado no mesmo período de 2024.
As parcerias comerciais também apresentaram crescimento. Até setembro, Minas exportou para dez países a mais que no mesmo período do ano anterior. Houve aumento no montante exportado para 100 mercados, entre os quais o Canadá liderou, com alta de US$ 515,6 milhões (67,8%). Na sequência estiveram a Argentina (US$ 457,5 milhões ou 41,9%); o Reino Unido (US$ 412,8 milhões ou 93,7%); os Estados Unidos (US$ 255,2 milhões ou 81%); e a Alemanha (US$ 224,6 milhões ou 21,2%).
A secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa, destaca que Minas Gerais acumula números cada vez maiores ao longo do ano no comércio exterior. “O crescimento das exportações demonstra que as ações do Governo de Minas vêm ampliando mais mercados e fortalecendo a presença das empresas mineiras no cenário internacional”.
O economista Gelton Pinto Coelho afirma que Minas segue uma tendência nacional. “Neste sentido, a busca por novos mercados e a ampliação das compras chinesas, substituindo parte do mercado norte-americano, ajudaram a reduzir os riscos e turbulências externas causadas pelas medidas do presidente americano, Donald Trump”.
Coelho ressalta ainda que o Estado tem consolidado, de forma expressiva, a produção de café. “Com a adoção de tarifas pelos Estados Unidos, necessariamente houve crescimento das exportações para Alemanha, Itália e Japão. É fundamental destacar que apesar do ganho imediato, a exportação ainda não agrega o valor que poderia, se adotássemos medidas de industrialização mais adequadas. Se por um lado podemos comemorar as vendas, por outro, esse produto poderia gerar mais emprego e renda. Portanto, é importante construirmos políticas públicas para não continuarmos como meros exportadores”.
Sobre a questão do ouro, o economista observa que há situações institucionais e também ganho de produtividade. “Em março de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) tomou uma decisão que colocou fim à presunção de boa-fé, ou seja, os vendedores precisam identificar a origem legal para comercializá-lo. Isso fortaleceu o controle e, portanto, pode aprimorar a transparência da exportação do ouro mineiro. Por outro lado, é perceptível em Sabará, por exemplo, a ampliação e modernização da mina Cuiabá, garantindo maior volume de ouro processado e exportado”.
Setembro
No nono mês de 2025, Minas Gerais foi o segundo principal exportador do Brasil, com US$ 3,8 bilhões somados nas exportações, o que representa crescimento de 6,5% frente ao mesmo período do ano anterior. Minas foi o Estado com o maior saldo positivo na balança comercial (US$ 2,1 bilhões). Nova Lima e Varginha foram as cidades que lideraram nas exportações no período, sendo responsáveis por 6,7% das vendas internacionais, seguidas por Araxá (6,4%); Paracatu (5,1%) e Guaxupé (4,5%).
Na avaliação do especialista, parece bem encaminhado o processo de negociações com os Estados Unidos. “Porém, ainda não foram superadas as barreiras para alguns setores importantes da economia mineira. Neste sentido, a estratégia de diversificação e ampliação de mercados é fundamental para mantermos a expansão do índice de exportação que temos alcançado. Não há motivos para comemorar exageradamente, mas não podemos ser pessimistas como estávamos a poucos meses”.



