Brasileiros vão gastar mais de R$ 100 bilhões em viagens este ano

Foto: Freepik.com

Desde o fim da pandemia de COVID-19, o turismo dentro do Brasil tem registrado crescimento significativo. Neste ano, a expectativa é que o setor movimente cerca de R$ 100,3 bilhões, o que representa um aumento de 12,1% em relação ao ano anterior, segundo dados da pesquisa IPC Maps. Os cálculos consideram diversos tipos de gastos relacionados às viagens, como alimentação, hospedagem, passagens aéreas e rodoviárias, combustível e pacotes turísticos.

São Paulo lidera a lista dos estados com maior movimentação financeira no setor, concentrando R$ 31,2 bilhões em despesas. Na sequência aparecem Minas Gerais (R$ 13,8 bilhões), Rio de Janeiro (R$ 7,8 bilhões) e Paraná (R$ 6,7 bilhões).

“O turismo nacional vive um momento de consolidação e redescoberta, além do desejo por viagens, há uma valorização maior dos destinos nacionais, impulsionada por questões econômicas, como o custo elevado das viagens internacionais, e também pela melhoria na infraestrutura de transporte em algumas regiões do país”, analisa o agente de viagens Vicente Brandão.

Esse ramo tem um papel estratégico no desenvolvimento econômico e social do Brasil, afirma Brandão. “Segundo o Ministério do Turismo, o setor responde por cerca de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, direta e indiretamente, e emprega milhões de pessoas em cadeias que vão desde o transporte até o artesanato local”.

“A beleza do turismo é justamente sua capacidade de gerar renda de forma descentralizada. Um hotel em uma cidade pequena contrata funcionários, compra alimentos de produtores locais, movimenta guias turísticos, atrai investimentos em infraestrutura. O impacto é profundo e diversificado”, destaca.

Para Brandão, o crescimento da movimentação turística é puxado especialmente pelas capitais e pelos grandes centros urbanos, mas também há avanço em destinos do interior, principalmente aqueles com atrativos naturais ou culturais. “Os números mostram que o brasileiro está mais disposto a investir em experiências, em lazer e em conhecer o próprio país. Mas para que essa curva continue ascendente, é fundamental haver políticas públicas coordenadas, incentivos à formalização e investimentos em qualificação profissional”.

Por outro lado, o ritmo de crescimento na abertura de empresas do setor tem sido mais moderado. Conforme dados do IPC Maps, desde 2024 foram criadas 3.072 novas unidades no país, o que representa uma elevação de 3,9%, somando atualmente 81.503 estabelecimentos ativos. Esse avanço é impulsionado, em grande parte, pelas Empresas de Pequeno Porte (EPP), que responderam por 1.051 novos registros no período, um aumento de 17,3% dentro do panorama empresarial nacional.

O crescimento mais moderado reflete tanto a cautela dos empresários frente à instabilidade econômica quanto os desafios estruturais enfrentados por empreendedores do setor. “O turismo é uma área altamente sensível a flutuações econômicas e a fatores externos, como câmbio, segurança pública e logística, mesmo com a demanda aquecida, muitos empreendedores ainda enfrentam dificuldade para acessar crédito, regularizar suas atividades ou obter mão de obra qualificada”, ressalta a economista Lúcia Bernardes.

Ela avalia que o papel do Estado é fundamental para estimular a expansão sustentável do setor. “Programas de microcrédito, capacitação, desburocratização e estímulo à formalização podem fazer toda a diferença, principalmente para pequenos negócios em regiões menos favorecidas. É essencial investir na promoção dos destinos nacionais”.

Lúcia explica que para que o turismo continue em expansão, é necessário investimentos em infraestrutura, com melhorias em estradas, aeroportos e conectividade, especialmente em regiões de difícil acesso. “Também é fundamental qualificar os profissionais do setor, fortalecer a promoção dos destinos nacionais, adotar práticas sustentáveis e garantir segurança e regulamentação adequada para proteger viajantes e prestadores de serviço”.

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