Brasil não é para amadores

Realmente o Brasil não é para amadores ou principiantes. Em Brasília, deixando de votar projetos de Segurança Pública e taxação de Imposto de Renda, os políticos apresentaram uma Proposta de Emenda à Constituição que ficou conhecida como PEC da Bandidagem, na tentativa de se blindarem de investigações judiciais. Imediatamente, a população respondeu com manifestações de repúdio em quase todo o país. No Rio de Janeiro, deputados estaduais conseguiram se superar. Através de votação, aprovaram uma premiação para policiais que conseguirem “matar bandidos”.

A gratificação faroeste, nome de batismo do projeto, vai premiar com até um salário e meio, cada “presunto” que o policial der baixa. Um verdadeiro incentivo à matança indiscriminada de uma das polícias mais letais do mundo. Por incrível que pareça, tem muita gente que aprova. Não se trata de nenhuma novidade. Esta gratificação, paga pela própria Secretaria de Segurança, já esteve em vigor por volta dos anos 1990, mas deixou de existir depois que a sociedade civil demonstrou que houve um aumento significativo no número de mortes de inocentes. Matavam e diziam estar em troca de tiros.

A gratificação faroeste cria um caminho sinistro para que policiais consigam resolver problemas financeiros. Se precisa trocar de carro é só fazer algumas execuções. O supermercado do mês, mais duas mortes e assim vai. O texto aprovado prevê um bônus de até 150% de seus vencimentos para os policiais e foi incluído como um “Frankenstein” no projeto de reestruturação da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Apesar das reações da sociedade, o tal projeto aguarda sanção e regulamentação do governo.

Enquanto isso, em Minas Gerais, uma recente operação da Polícia Federal balançou as estruturas da Cidade Administrativa, local onde atua um quase famoso produtor de vídeos para as redes sociais. A Polícia Federal desbaratou um bando que liberava licenças para exploração mineral, recebendo propinas milionárias. A operação atingiu em cheio o primeiro escalão responsável por cuidar do meio ambiente. Correu muito dinheiro em toda a trama, mas ainda falta chegar em quem mandava. Ou já chegaram? Nos casos citados e nas recentes demonstrações do Congresso, existe uma distância muito grande entre os anseios da população e o desejo dos políticos, que querem apenas se arrumar e cuidar da própria segurança.

A maneira de chegar ao sucesso político é sempre a mesma, enganar a população, mesmo que uma porcentagem pequena tente trabalhar com honestidade. É preciso ter mais atenção na hora de exercer o direito do voto, saber realmente em quem está votando. Dizem que a existência da direita e da esquerda faz bem para a democracia, mas ainda não encontrei nenhuma vantagem na atualidade. Antes existiam políticos direitistas que tinham interesse nas necessidades do povo. Votavam em projetos que beneficiavam a todos. Hoje, nomes conhecidos votam exclusivamente em seus interesses. A direita tem até um representante nos Estados Unidos que fica ameaçando a nossa soberania e falando besteira o tempo todo. Não conheço nenhum projeto da direita que seja direcionado para a população. Nenhum.

Pitaco 1: Acho que o saudoso jornalista Ricardo Boechat deixou muita gente de fora quando indicou remédio para o Silas Malafaia. Tem mais pessoas precisando de uma “cura”.

Pitaco 2: Ex-governadores enviaram carta ao atual ocupante da Cidade Administrativa contrários ao aluguel do Palácio da Liberdade para eventos como casamentos, recepções, farras e orgias. Zema não tá nem aí. Não sabe do valor, nem do Palácio e nem da liberdade. Quer é vender tudo.

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