Brasil bate recorde no turismo e recebe 9,3 milhões de visitantes estrangeiros

Foto: Freepik.com

Segundo dados do Banco Central, o Brasil atingiu um novo patamar histórico no gasto de visitantes internacionais. Em 2025, os turistas estrangeiros, que estiveram no país, deixaram o montante de US$ 7,865 bilhões, o equivalente a R$ 41,7 bilhões. É um aumento de 7,1% em relação a 2024.

Foram 9,3 milhões de turistas internacionais desembarcando no território brasileiro, um total de 37,1% a mais que o previsto para o ano. Entre os mercados emissores, a Argentina manteve a liderança absoluta, com 3.386.823 turistas. Na sequência, vieram os chilenos, com 801.921 visitantes, e os norte- -americanos (759.637). Já viajantes vindos de países da Europa, como França, Portugal, Alemanha, Itália, Reino Unido e Espanha, somaram juntos 1.274.567 visitantes.

O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, enfatiza que o turismo representa um pilar estratégico e crescente na economia brasileira. “É mais um resultado histórico que reafirma o poder do setor como uma matriz econômica de geração de emprego e renda para o nosso país. Esse recorde se traduz em crescimento para os pequenos negócios e reforça o papel do segmento como modelo de desenvolvimento econômico compatível com as exigências do século 21”.

O especialista em investimentos, finanças e negócios internacionais, Beny Fard, explica que esse volume relevante de gastos impacta no Produto Interno Bruto (PIB) direta e indiretamente. “Considerando que o gasto do turista estrangeiro entra como exportação de serviços na conta de transações correntes, isso ajuda a equilibrar o balanço externo e a reduzir nossa dependência de commodities”.

Na prática, a cada dólar gasto em turismo há um desdobramento em consumo interno, arrecadação tributária e geração de renda local, afirma o especialista. “Estudos do setor indicam que o efeito multiplicador do segmento pode variar entre 1,6 e 2 vezes, especialmente em economias emergentes como a brasileira, ou seja, esses US$ 7,9 bilhões não ficam restritos a hotéis e passagens, eles irrigam outros importantes ramos como comércio, transportes, alimentação, cultura e serviços, com reflexo direto no crescimento econômico”.

Fard ressalta o câmbio como um dos principais fatores que explica o aumento do número de turistas no país. “Com o real desvalorizado, o Brasil se torna um destino mais competitivo em termos de custo-benefício. Outro ponto é a retomada e fortalecimento da conectividade aérea internacional no pós-pandemia. Ainda podemos acrescentar um esforço maior de promoção internacional do país, a simplificação do processo de vistos para mercados estratégicos, bem como uma mudança de percepção do Brasil como destino de natureza, cultura e experiências únicas”.

Ele aponta que ainda há limitações em aeroportos regionais, o que dificulta a interiorização do turismo. “Também há desafios em mobilidade urbana, saneamento, sinalização turística e conectividade digital em destinos emergentes. Outro ponto sensível é a qualificação profissional, principalmente em idiomas e atendimento ao turista internacional”.

A tendência de crescimento é positiva, mas com ressalvas, avalia Fard. “O cenário global ainda é de incertezas geopolíticas e econômicas, o que pode afetar os fluxos turísticos. Ainda assim, o Brasil está bem posicionado. Se mantiver o câmbio competitivo, ampliar a conectividade aérea e garantir segurança jurídica e institucional, é possível sim avançar em número de visitantes e receita”.

Empregos

O setor de turismo fechou 2025 com cerca de 1,9 milhão de admissões com carteira assinada no país, totalizando um saldo positivo de mais de 80 mil empregos formais, conforme dados do Novo Caged analisados pelo Ministério do Turismo.

Na análise por segmentos, o setor de alimentação foi o que mais firmou contratos no ano, respondendo por 1.331.818 admissões. Em seguida, destacam-se os setores de alojamentos (268.346) e transporte terrestre (120.183).

“O turismo possui peso estratégico na criação e manutenção de empregos, porque é intensivo em mão de obra e absorve profissionais de diferentes níveis de qualificação, gerando empregos diretos, como em hotéis, bares, restaurantes e agências, e indiretos, em logística, eventos, cultura e economia criativa”, conclui Fard.

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