Temporada chegando ao fim e a nova gestão da CBF preocupada em melhorar o que não está nada bom. Começou mexendo no calendário. Espreme dali, espreme daqui, acabou conseguindo racionalizar a coisa. Mais por necessidade do que por vontade. Temos mais jogos do que datas disponíveis. Colocar tudo dentro da mesma sacola não é tarefa fácil.
Vamos lá, os estaduais foram reduzidos. Na sequência vamos ter Brasileiro, Copa do Brasil, Recopas e os eventos da Conmebol. Além das famosas Datas Fifa e a grande parada para a Copa do Mundo. Como diria o caboclo da roça: Arre égua. Muito bem, deixando o danado do calendário de lado, vamos falar sobre os sopradores de apito. Um desastre na temporada atual. Se fosse tema no Enem, todos tomariam pau.
Pois bem, minha gente, a CBF está ensaiando profissionalizar os apitadores. De início, a ideia é contratar 20 árbitros para formar o primeiro time. Os escolhidos, segundo o ranking da entidade, teriam bom salário fixo e demais vantagens trabalhistas como manda a lei. Aos poucos, o número de profissionais contratados iria aumentando. Os auxiliares também seriam profissionalizados dentro do mesmo critério.
Existe até um projeto aprovado dentro da Lei Geral do Esporte, de autoria dos senadores Romário e Vital do Rêgo, que dá cobertura jurídica para a iniciativa. A ideia com a profissionalização dos árbitros e seus auxiliares é oferecer aos mesmos tempo e condições para estudar, fazer cursos de especialização, melhorar o condicionamento físico e mental, assegurar um futuro mais tranquilo e assim reunir condições para trabalhar melhor.
Realmente, apesar do cachê ser bom, o pessoal da arbitragem trabalha como autônomo, sem nenhuma garantia. Se adoecer ou sofrer qualquer tipo de problema fica fora de escala e não ganha nada. Quase todos têm algum outro serviço para se garantir.
Outra novidade que deve vingar no ano que vem é a instituição do fair play financeiro entre os clubes. Negócio danado, difícil e complicado para implantar. Imagine. Determinar limite de gastos com atletas, controlar dívidas e equilíbrio financeiro. O projeto pretende seguir o modelo usado pela UEFA, adaptado à realidade brasileira. O futebol brasileiro precisa urgente de algo assim, mas será uma briga de foice no escuro fazer funcionar na prática. Para fechar, a grande novidade será a implantação do impedimento automático. Depois do danado do VAR, vamos ter mais tecnologia no futebol. Tá na moda. É tempo de robotização geral.
O sistema utiliza um punhado de câmeras e sensores com ampla possibilidade de detectar lance de impedimento com absoluta precisão. Acusa o momento exato do toque na bola para o passe e analisa se quem recebeu estava ou não impedido. Trem de doido. Envia a imagem em 3D para o VAR que decide com ajuda da inteligência artificial. Enquanto isso, o apitador para o jogo é cercado pelos jogadores e ficam discutindo sobre o sexo dos anjos. Os torcedores, sem saber direito o que rola, gritam, xingam e até aproveitam para arrumar uma briguinha. Segundo especialistas, tomara que seja verdade, tudo é feito em segundos. Em caso de impedimento, a imagem é exibida no telão do estádio para comprovar.
Parece coisa de outro mundo, mas é daqui mesmo. Quando surgiu o VAR falaram que tudo seria rapidinho. A tecnologia iria garantir agilidade, rapidez e transparência. Na prática, o que acompanhamos é totalmente diferente, o VAR demora uma eternidade para decidir qualquer coisa e a suposta transparência só aparece no outro dia. Um horror. Tomara que este novo sistema de impedimento automático seja como o nome informa. Pior que já tem gente falando que o treco é semiautomático. Quer dizer, tem uma inteligência artificial meio burra.
Como sou um otimista ferrenho, torço para que todos esses projetos e outros que estão em gestação se transformem em boa realidade. O futebol brasileiro está muito chato e nervoso, com qualidade muito baixa. Os times utilizam táticas sem criatividade, árbitros inseguros, erram aos montes. Torcedores brigam por qualquer coisa e vai por aí afora. É muito patati e patatá para pouco futebol. A esperança é que as boas novas anunciadas tragam mais eficiência e alegria para quem gosta do bom e velho jogo da bola.



