
Pelo terceiro ano seguido, Belo Horizonte foi reconhecida como “Cidade Árvore do Mundo” devido às diversas iniciativas ambientais implementadas recentemente. A capital permanece entre os municípios premiados pela Arbor Day Foundation e pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO/ONU), que atualmente inclui 283 cidades em 24 países.
Em 2025, Belo Horizonte realizou mais de 50 mil plantios e lançou o Plano Municipal de Arborização Urbana (PMAU), desenvolvido com a participação da sociedade civil. O programa busca expandir e preservar a cobertura arbórea de forma planejada, combinando ações imediatas e estratégias de longo prazo, com manejo adequado, monitoramento constante e priorização de áreas estratégicas. Para 2026, a meta é repetir o volume de plantios alcançado no ano anterior.
Para que uma cidade seja reconhecida, é necessário cumprir cinco critérios: possuir equipe técnica e servidores designados para gestão das árvores urbanas; manter políticas e regulamentações ambientais locais; ter mapeamento e conhecimento detalhado do patrimônio arbóreo; garantir recursos financeiros para o manejo; e promover datas ou eventos voltados à celebração das árvores.
“Ser reconhecida como ‘Cidade Árvore do Mundo’ vai além de um selo ambiental. Significa compromisso com a qualidade de vida, sustentabilidade urbana e resiliência frente às mudanças climáticas. Árvores reduzem a poluição do ar, baixam a temperatura urbana e proporcionam sombra e bem-estar à população. Não se trata apenas de plantar árvores, trata-se de integrar a vegetação ao tecido urbano de forma planejada, garantindo sombra, qualidade do ar e absorção de água da chuva”, afirma a urbanista Michele Silveira.
O impacto desse trabalho é sentido no cotidiano da população. Ela explica que árvores nas ruas e parques contribuem para a redução das temperaturas urbanas, atuando como “ares-condicionados naturais”; melhoram a qualidade do ar ao filtrar poluentes e partículas suspensas; contribuem para a gestão de águas pluviais, reduzindo alagamentos e erosão; além de proporcionar espaços de convivência mais agradáveis. “Quando caminhamos sob árvores, sentimos imediatamente um ambiente mais acolhedor e saudável. Isso influencia desde a nossa saúde física até o bem-estar psicológico”.
Apesar dos avanços, o paisagista Leonardo Magalhães aponta desafios e áreas que demandam melhorias e investimentos mais robustos. Um dos pontos críticos é a manutenção e longevidade das árvores já plantadas, especialmente em bairros periféricos onde serviços públicos de poda, irrigação e cuidado mais intensivo ainda são insuficientes. “O grande obstáculo não é só plantar, mas garantir que essas árvores cresçam e cumpram seu papel por décadas, isso exige não apenas recursos, mas também uma gestão integrada entre secretarias, sociedade civil e comunidades locais”.
Outro ponto de atenção é a desigualdade na distribuição da arborização pela cidade. Zonas centrais e bairros de maior poder aquisitivo tendem a ser mais arborizados, enquanto áreas periféricas ainda carecem de cobertura vegetal adequada, deixando seus moradores mais expostos ao calor e com menor acesso aos benefícios ambientais. Ele ressalta a importância de que a Prefeitura invista em projetos que priorizem essas regiões.
A educação ambiental também aparece como um campo a ser fortalecido. “Embora a gestão já promova projetos de conscientização, muitos cidadãos ainda desconhecem aspectos importantes sobre o ciclo de vida das árvores, espécies adequadas a cada tipo de solo e clima, ou os cuidados durante períodos de seca ou fortes ventos”, explica Magalhães.