
O crescimento acelerado do beach tennis nas praias e quadras de areia do Brasil tem transformado o esporte em um fenômeno social que vai muito além do lazer de verão. A combinação de dinamismo, ambiente descontraído e facilidade de aprendizagem explica parte desse sucesso, além dos benefícios físicos, mentais e sociais, que são determinantes para consolidar a modalidade como uma das mais procuradas.
A quadra é semelhante à do vôlei de praia, separada por uma rede alta, e os jogadores utilizam raquetes sólidas e uma bola de baixa pressão. A principal característica do jogo é que a bola não pode quicar na areia, o que torna as trocas rápidas e exige reflexos apurados, coordenação motora e trabalho em equipe, especialmente nas partidas em duplas, formato mais comum da modalidade.
Para o educador físico Ricardo Almeida, o beach tennis oferece um conjunto de estímulos físicos bastante completo. “É uma atividade aeróbica e anaeróbica ao mesmo tempo. O praticante realiza deslocamentos constantes na areia, que exigem mais do sistema cardiovascular, enquanto também executa movimentos explosivos, como saltos e cortadas, que trabalham força e potência muscular”.
A instabilidade da areia é um diferencial importante, segundo Almeida. “A areia aumenta o recrutamento muscular, principalmente de membros inferiores e da região do core, contribuindo para fortalecimento e prevenção de lesões quando há orientação adequada”. Além do condicionamento cardiorrespiratório, o esporte contribui para melhora do equilíbrio, da coordenação e da agilidade. Como as partidas costumam ser dinâmicas e com intervalos curtos entre os pontos, o gasto calórico também é significativo.
“Em uma hora de prática moderada a intensa, é possível gastar entre 400 e 600 calorias, dependendo da intensidade e do perfil do aluno. Os iniciantes devem passar por avaliação física e começar de forma progressiva, especialmente pessoas sedentárias ou com histórico de problemas articulares”, ressalta.
Se os ganhos físicos chamam atenção, os impactos mentais e sociais do beach tennis também são destaque. A psicóloga do esporte Mariana Torres observa que o ambiente descontraído é um dos fatores que mais atraem novos praticantes. “Diferentemente de outras modalidades que podem parecer mais técnicas ou competitivas, o beach tennis costuma ter um clima acolhedor. As aulas são coletivas, há muita interação e o erro faz parte do processo de aprendizagem de forma leve”.
Mariana ressalta que essa atmosfera favorece a redução do estresse e da ansiedade. “A prática regular libera endorfinas e outros neurotransmissores associados à sensação de bem-estar. Além disso, estar ao ar livre ou em contato com a areia cria uma experiência sensorial que contribui para relaxamento e melhora do humor. O esporte também fortalece vínculos sociais e muitas pessoas ampliaram seu círculo de amizades. Como as partidas geralmente são em duplas ou grupos, há constante cooperação, comunicação e troca”.
Outro ponto que impulsiona a popularidade do esporte é a acessibilidade. Não é necessário ter experiência prévia em tênis ou em outros esportes de raquete para começar. As regras básicas podem ser aprendidas em poucas aulas, e os equipamentos são relativamente simples: raquete específica, bola adequada e roupas confortáveis.
De acordo com Almeida, praticamente qualquer pessoa pode iniciar na modalidade, desde que respeite seus limites. “Crianças a partir de seis ou sete anos já conseguem aprender os fundamentos básicos de forma lúdica. Já os adultos de todas as idades também podem praticar, inclusive idosos, desde que haja adaptação da intensidade e acompanhamento”.
Ele recomenda fazer uma avaliação médica se houver alguma condição pré-existente e procurar professores qualificados para aprender a técnica correta de empunhadura, posicionamento e movimentação. “Isso reduz o risco de lesões em ombro, cotovelo e joelho, além de acelerar o progresso”.