O drama do Brasil e do mundo pós-IA
O grande problema do Brasil são as narrativas. Enquanto tivermos um governo que assuma a nossa pobreza e tente transformar pobreza em prosperidade, vivenciamos um trabalho onde temos um país com um dos maiores partidos, o dos trabalhadores, incentivando as pessoas a não trabalhar. Então, como nós vamos reverter esta realidade e uma herança histórica de um cara chamado Getúlio Vargas, que acabou com o país no século passado e deixou um herdeiro, o atual presidente. Os dois criaram uma cultura de que o Estado é o pai, é mãe, é tudo. Só que as pessoas não têm educação para entender que quem financia o Estado é quem trabalha e se você não trabalhar, quem vai pagar a máquina, uma máquina inoperante e corrupta. Se não colocarmos nas cabeças das pessoas que o Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de bens e serviços produzidos que, se não houver produção, não haverá riqueza, nós podemos fechar. O Brasil está fadado a ser um país pobre, miserável. Nós estamos empobrecendo a cada ano, exatamente pela cultura de um Estado, que é sustentado cada vez mais por uma classe trabalhadora menor. Como vamos discutir 6 por 1 em um país pobre. Se formos para um país rico, desenvolvido, aí sim. Mas aqui temos que trabalhar e muito para revertermos o quadro que estamos e chegamos a esta situação, pelos governos populistas que prevaleceram até aqui. Durante os sucessivos ciclos da revolução industrial, a promessa do avanço tecnológico sempre veio acompanhado de uma premissa: as máquinas assumiriam o peso do trabalho braçal e repetitivo, liberando a humanidade para o exercício de suas capacidades mais nobres, o pensamento, a filosofia, a arte e a inovação. O drama do mundo pós-IA não reside, porém, apenas na perda imediata de postos de trabalho, mas na impossibilidade matemática de realocação dessa mão de obra. Nas revoluções anteriores, o trabalhador que perdia o emprego no campo migrava para a fábrica e o operário substituído pelo robô encontrava abrigo no setor de serviços, que por sinal é o que mais cresce. Mas agora, a engrenagem é diferente. Pela primeira vez na história moderna, a inovação tecnológica corre o risco de destruir muito mais empregos do que é capaz de criar. Para onde migrarão os milhões de profissionais que serão substituídos pela IA se a própria demanda por trabalho está encolhendo? A dura matemática do mundo pós-IA indica que não haverá transição de carreiras simplesmente porque existirão, em termos absolutos, muito menos empregos disponíveis. O que se projeta no horizonte de curto prazo é a concretização do cenário alertado pelo historiador Yuval Harari, autor do livro “Sapiens: o surgimento de uma imensa classe inútil”, um enorme contingente de pessoas que, diferentemente do proletariado explorado do século 19, sequer será necessário para girar a roda da economia. Na definição de Harari, são pessoas que não serão apenas desempregadas, mas não serão empregáveis. Trata-se de uma massa de cidadãos que, a despeito de sua formação acadêmica ou experiências, não conseguirá se realocar no mercado tradicional. É imperativo, que os formuladores de políticas públicas, o empresariado e sociedade civil abandonem o estado de deslumbramento tecnológico e encarem a gestão dessa crise com a gravidade que ela exige. Os debates sobre taxação de algoritmos, redução drásticas de jornadas (para distribuir melhor o trabalho restante) e a implementação de uma renda básica universal precisam sair dos simpósios acadêmicos e entrar, para ontem e à sério, nas pautas legislativas. O mundo pós-IA não é uma ficção especulativa. É a realidade batendo à porta de todos. Priorizar a construção de uma rede de proteção social para os que serão inevitavelmente deixados para trás por essa revolução não é apenas uma questão de empatia ou justiça social: é o único caminho para evitar que o maior feito tecnológico da humanidade se transforme em seu maior desastre humanitário. Uma sociedade estruturada em torno de uma maioria ociosa por falta de oportunidades é o terreno fértil para a desestabilização democrática e para a ruptura institucional.
Como será o amanhã?
O presidente atual inovou e criou a sua própria teoria econômica capaz de resolver todos os problemas da economia brasileira. É uma teoria que trata da transferência de renda do pagador de impostos para determinadas camadas da sociedade, via políticas públicas, ele consegue resolver tudo. Segundo o chefe da nação, “não tem macroeconomia, não tem câmbio, se tiver dinheiro na mão do povo, todos os problemas estarão resolvidos, como o da industrialização, do consumo, da agricultura e até da inflação”. Ele ainda diz que o seu governo demonstra isso como lição ao povo brasileiro na hora que consegue fazer com que o dinheiro circule. Essa sua teoria praticamente determina a inutilidade de um Banco Central, pois acaba com a política monetária e com a teoria monetarista que se fundamenta na ideia de que a quantidade de dinheiro em circulação desempenha um papel central na determinação dos níveis de preços, ou seja, na taxa de inflação e na produção de uma economia. Por isso que ele demonstra não ter medo de gastar. Pelo contrário, é descarado em seu desprezo pela contenção de gastos, criando uma profusão de programas eleitoreiros, varrendo despesas para debaixo das metas e tornando os déficits recorrentes, quando deveriam ser exceção. A mágica para cobrir os rombos tem sido, até aqui, avançar sobre o bolso do contribuinte por meio de aumento de impostos. Como as despesas só fazem crescer, a sanha arrecadatória ultrapassou todos os limites do razoável, resultando em atritos com o Congresso e crises políticas. Pagamos impostos altíssimos em todas as compras que necessitamos e que fazem parte dos nossos compromissos diários. E ainda vem de 15% a 27,5% do seu salário a título de Imposto de Renda, mais o seu plano de saúde, o colégio dos seus filhos, IPVA, IPTU, INSS, FGTS, entre outros. Sem querer cortar seus próprios gastos e exagerados privilégios, o governo repassa o alto custo da sua incompetência e outras “cositas más” para a população pagar e ainda tem a desfaçatez de afirmar que não tem dinheiro. A mando do governo, o IBGE declara que a inflação fechou em 4,6% em 2025. Basta lembrarmos que o Brasil ocupava a trigésima posição do mundo em cobrança de impostos em 2021. Por qual motivo passamos para o número um do mundo? A esperança é que doravante não haverá mais espaço para aumento de impostos. Será? Ninguém suporta mais. Por isso o governo deveria tratar de conter a gastança enquanto é tempo. Depois de um 2025 perdido em termos de avanços estruturais e com desvios dos princípios republicanos pelos Três Poderes, os sinais para 2026 não são alvissareiros. Entre tantos problemas acontecendo, acompanhamos mais um escândalo bancário, o caso Banco Master, que como diz o ditado popular, quanto mais se mexe mais o mau cheiro aumenta. Não existe normalidade quando o caminho do dinheiro faz com que a fraude se misture ao poder. Até agora, o volume estimado do esquema, na casa de R$ 41 bilhões, agrava o quadro. O que parecia um problema bancário localizado passa a ter sinais de engrenagem estruturada: uso de fundos de investimento, elos societários e familiares, transações entre partes relacionadas, ativos sem liquidez e artificialmente precificados, além de suspeitas de laranjas e sócios ocultos. A tipificação mencionada nas apurações evidencia a gravidade: organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, indução de investidores ao erro, uso de informação privilegiada, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. A crise ganha contornos sistêmicos não necessariamente pelo tamanho do banco, mas pela interconexão e efeito dominó. Se a percepção pública for de que as regras podem ser contornadas, o resultado é previsível: investidores recuam, o custo de captação aumenta, o crédito encarece e a credibilidade do mercado sofre um dano que não se resolve com discursos, apenas com instituições funcionando dentro de suas competências. É nesse momento que o Estado democrático de direito precisa demonstrar solidez. O Banco Central tem atribuição legal e constitucional para zelar pela estabilidade do sistema financeiro e pela integridade prudencial do mercado. A Polícia Civil deve investigar crimes complexos, rastrear fluxos e identificar redes de fraude. O Ministério Público Federal é o titular da ação penal e fiscal da lei, com a independência para conduzir a acusação e requisitar diligências. O Tribunal de Contas da União (TCU) atua para proteger o patrimônio público e fiscalizar operações que possam envolver risco ao erário. E o Supremo Tribunal Federal (STF) deve garantir o devido processo, a competência adequada e o equilíbrio institucional, evitando que o Tribunal seja percebido como protagonista de uma crise que deveria arbitrar. O risco maior não é apenas a fraude, é a erosão das fronteiras. Quando surgem decisões fora de praxe, disputas sobre custódias de provas e sinais de tensão entre órgãos, o país corre o risco de substituir o devido processo por uma guerra inconstitucional. No mercado financeiro, essa percepção é particularmente tóxica, porque a estabilidade depende da crença de que as regras são previsíveis e valem para todos. Em meio ao baixo crescimento e ao mau funcionamento de alguns freios e contrapesos democráticos, o país demanda um bom debate eleitoral, focado nos problemas internos, evitando o populismo e embates ideológicos estéreis. Sem mudança no atual andar da carruagem, fica difícil ver o copo meio cheio.
Até onde vamos parar
O avanço da Operação Sem Desconto/ INSS demonstra qualquer tentativa de minimizar a maior fraude da história recente contra aposentados e pensionistas. A prisão preventiva do ex-presidente do INSS, que exerceu o cargo entre julho de 2023 e abril deste ano, expõe uma teia de corrupção entranhada na autarquia responsável por proteger os mais vulneráveis e revela que o esquema tinha comando, método e grande ambição. Politicamente, o caso tem peso explosivo. Paira a dúvida incômoda: como alguém acusado de participação tão ativa em um esquema bilionário assumiu a presidência do INSS? A oposição não deixará por menos. Usará o episódio para reavivar a mancha da corrupção. A verdade é que o Estado brasileiro se tornou vulnerável a redes criminosas que se moldam aos governos, mesmo que não pertençam a nenhum deles. A fraude nos descontos, que arrancava dinheiro diretamente dos benefícios dos idosos, viúvas e trabalhadores aposentados, é sintoma de um sistema capturado por terceiros. É por isso que este escândalo não pode virar pizza. Tem que ir até o fim, custe o que ou a quem custar. Não se pode perder na disputa da narrativa entre o governo e a oposição, nem ser reduzido a um caso de polícia. O eleitorado está atento ao eficiente trabalho da CPMI no Congresso. A democracia não aguenta mais ver a máquina pública tratada como balcão de negócios. O país exige respostas e justiça. A corrupção no INSS não é só um acidente administrativo, é modelo de negócio, explorado há anos por grupos que se aproveitam de brechas legais, fragilidade tecnológica e falta de controle interno. A captura do Estado – subterrânea, difusa, persistente – só será interrompida com reforma estrutural, transparência radical e responsabilidade real. A apuração precisa e deve alcançar todos os envolvidos independentemente de filiação partidária ou posição hierárquica. Milhões de brasileiros que contribuíram a vida inteira para ter uma renda digna no fim da vida, merecem algo mais do que indignação seletiva. O país exige que a justiça seja feita, sem atalhos e sem desculpas. E para complementar, os mais de 30 milhões de aposentados que trabalharam a vida inteira, receberam a notícia que no próximo ano terão um reajuste de 3,71% nos seus cheques. Só que não encontram justificativa para o fato de o Bolsa Família, onde ninguém trabalha, ter quase o dobro do aumento, ou seja, quem nunca trabalhou ou contribuiu terá um aumento de 6,97%. A pergunta que fica é: isso é justiça ou injustiça? Enquanto isso, o nosso maior problema recorrente continua sendo a falta de responsabilidade fiscal, o desequilíbrio das contas públicas, que estão ficando cada vez mais aparente. Dias atrás vimos a discussão sobre o assunto da compensação da redução do IOF. O problema da decisão é o modelo que este governo tem usado para tentar convencer a população de um crescimento econômico que não existe e caso existisse, não é sustentável no tempo. Mais uma vez está claro que o governo não terá como compensar estes benefícios que vem distribuindo. Estamos falando do gás do povo dando a 30 milhões de famílias três botijões por ano e, quem vai pagar o produto que custa hoje em torno de R$ 100 cada. A tarifa social de energia beneficiará 17 milhões de famílias que pagam uma conta de R$ 100 por mês. É só fazer as contas para ver o quanto custará por ano. E mais, a nova tabela do Imposto de Renda vai custar R$ 27,8 bilhões. E o Ministro da Fazenda ainda confirmou em entrevista a canais de TV que está na mesa do presidente e nas dos ministérios o estudo que terá o programa da campanha política para 2026, isenção do pagamento das tarifas de ônibus urbanos no Brasil inteiro. E quem vai pagar essa conta? Toda a sociedade, todos nós, concordam? Com esse desequilíbrio fiscal os juros não caem, as empresas pagando essas taxas de juros e tendo que pagar impostos em média de 33% sobre o que ganham, elas não têm como investir e crescer. Essa transferência de recursos do setor privado e das famílias para o governo está transformando o Brasil no país que passa a régua por baixo, que vai pela pobreza e não pela prosperidade, que está no aumento da capacidade de investir e na busca da produtividade que só é alcançada com investimento nas pessoas, em educação, saúde e segurança, com destaque para uma educação de qualidade. Estamos de forma passiva assistindo o mau uso do dinheiro do contribuinte que não é suficiente para pagar uma série de benefícios sociais que o governo vem anunciando, um atrás do outro, em ano pré-eleitoral. E o que vai acontecer é nossa dívida continuar aumentando, hoje na casa de R$ 950 bilhões, sendo este custo de toda a sociedade brasileira que vai se acostumando com a mediocridade e com esta capacidade de um Estado ineficiente, inoperante, corrupto, tirando a cada dia o lucro das empresas, a renda dos brasileiros e a nossa capacidade de poupar, transferindo tudo para despesas questionáveis sob o ponto de vista social. Não podemos nos esquecer de que, ao final do governo passado, o país apresentou um saldo positivo de mais de R$ 6 bilhões e hoje, estamos com um saldo negativo de R$ 2,5 bilhões. É só acompanhar o resultado das estatais.
Quem produz paga a conta
A proposta de reforma administrativa apresentada na Câmara deve ser tratada em uma perspectiva positiva e com ponderação, porque é um desafio a ser transposto pelo Congresso e pela sociedade. Foram permitidas várias reuniões e audiências para se chegar às propostas, reunindo representantes de diversos segmentos da sociedade, incluindo prefeitos, especialistas e governo federal, resultando em uma PEC, um projeto de lei complementar, com cerca de 70 proposições. Um dos eixos principais do projeto é a extinção dos privilégios, indo de encontro ao clamor popular. É preciso acabar com os supersalários, os penduricalhos e a formação de castas na burocracia estatal. Ao disciplinar verbas indenizatórias e revisar práticas que criem passivos bilionários, a reforma corrige distorções sem estimular conflitos entre os Poderes. O combate aos excessos no Legislativo, Judiciário e Executivo é fundamental para restaurar a substituição do serviço público perante a sociedade e a eficiência do Estado brasileiro. Uma das principais causas da crise da democracia representativa é justamente a ineficiência do Estado, aprisionada por interesses corporativos e pela captura de políticas públicas por grandes interesses privados. No mundo em grande transformação, a corrida mundial para reinventar o Estado promove campeões e deixa à margem os retardatários. A avaliação justa de desempenho, metas institucionais, coletivas e individuais, a adesão plena das mulheres e o combate às discriminações são questões que precisam ser contempladas. O desafio é equilibrar modernização, justiça e responsabilidade fiscal sem transformar os servidores em bode expiatório das mazelas do serviço público. Para isso, é preciso diálogo e pactos sustentáveis. Entre outros problemas, o crédito no Brasil virou um luxo. E para quem empreende, virou um grande peso. Em vez de alavancar negócios, sufoca. O resultado é um número cada vez maior de empresas com o nome sujo na praça. Só em julho, de acordo com o indicador de inadimplência do SPC, o número de empresas inadimplentes cresceu 10,28% em relação ao mesmo mês do ano passado. Isso significa que milhares de micro, pequenas e médias empresas, o coração de nossa economia, estão em dificuldades para manter o funcionamento básico: luz acesa, estoque abastecido, folha de pagamento em dia, entre outros. A média das dívidas passa dos R$ 6,8 mil por empresa. E cada uma deve, em média, para quase dois credores. É um círculo vicioso: sem crédito não há fôlego, cresce a inadimplência, o crédito encarece ainda mais. O país enfrenta uma armadilha silenciosa que é o alto custo do dinheiro. Os juros permanecem em patamares que não condizem com a realidade de quem produz. O capital de giro, que deveria ser uma ponte segura entre o caixa e o futuro, virou um abismo. E o sistema financeiro continua operando como se estivéssemos em plena estabilidade, como se houvesse margens para tantos empecilhos. As relações dos empresários do comércio e serviços consideram difícil ou muito difícil conseguir crédito. Estamos falando de empreendedores que geram empregos, pagamentos de impostos e mantêm suas portas abertas em um ambiente de constante instabilidade. A maioria deles depende diretamente do crédito para continuar existindo, mas também é necessário, sim, que os empresários façam sua parte, com gestão, controle e planejamento. Ilusório é pensar que a solução virá apenas da ponta do empresário. Sem uma política de crédito mais equilibrada, sem medidas que tornem o crédito minimamente acessível e previsível, vamos continuar assistindo ao encolhimento das empresas e ao crescimento da inadimplência como quem assiste à previsão do tempo, esperando uma próxima tempestade. Porque é isso que se tornou empreender no Brasil: correr de nuvem em nuvem, torcendo para que não haja mais uma enxurrada de juros altos, carga tributária e burocracia. E o país comemorando uma série de incentivos, de distribuição de benefícios, é o gás do povo, é a conta da energia, é o pé-de-meia, é a isenção do imposto de renda; no fundo, o nome disso é renúncia fiscal ou aumento de gastos. E no geral não conseguimos enxergar o que está acontecendo no país. Entramos em uma situação muito perigosa no que diz respeito ao déficit, à dívida e o seu crescimento, sendo que ao não entregar superávit fiscal com uma perspectiva de corte de gastos, o governo só vai aumentar o risco do país. E a taxa de risco pode ser vista no comportamento da taxa de juros, quanto maior é a dívida do Brasil que só faz crescer, a relação dívida/PIB, quanto maior é o nosso pagamento de juros que já está na casa dos R$ 950 bilhões por ano, maior é o nosso risco. Estamos aumentando o nosso risco de forma deliberada e comemorando, como se o governo estivesse fazendo a coisa certa. Na realidade, estão criando uma bomba que tende a explodir, o que deverá acontecer em 2027. Não será que o governo aumente ainda mais a tributação, a taxação, os impostos, em cima de quem produz, de quem trabalha. Essa narrativa de justiça tributária, de justiça social, está tendo um custo severo para toda a sociedade brasileira. A taxa de juros é consequência da falta de equilíbrio fiscal. A luz amarela atual está se transformando em vermelha, que depois das eleições não sabemos como o próximo presidente irá atualizar esta situação de caos fiscal. Você aí, que tem a sua família, quando entra no cartão de crédito, quando entra em um endividamento, a taxa de juros vai te sufocar. E é isso que está acontecendo com o Brasil. É muito fácil e bonito fazer uma campanha eleitoral de isentar 87% da população brasileira do pagamento de imposto de renda. Mas é necessário recompor os R$ 28,5 bilhões dessa renúncia fiscal. E quem vai pagar esta conta? Os juros são altos porque o governo gasta muito, gasta mal e não entrega equilíbrio fiscal. Vai aumentar a cada mês o nosso endividamento, onde todos nós pagaremos a conta, sacrificando toda a população.
Vamos em frente que atrás vem gente
Vamos tentar entender como funciona o nosso Brasil. Com aproximadamente 204 milhões de habitantes, temos 57 milhões deste total usufruindo do Bolsa Família; 39 milhões de aposentados e pensionistas; 11 milhões no funcionalismo público; 7 milhões de desempregados; 36 milhões de zero a 15 anos de idade que não trabalham; e aí temos 8 milhões que resolveram correr risco, abrir empresa, sofrer ações trabalhistas, processos judiciais e tantos outros penduricalhos, para gerar empregos para uma galera produzir R$ 5,5 trilhões para alimentar todos citados acima. Mas, para os “esclarecidos”, o grande problema do país é a turma que classificam como capitalistas. E esta parece ser a meta do atual governo, acabar com todos os empresários e passar a tomar conta de tudo, de todas as empresas. Imagine você ter uma empresa em sua cidade onde só você pudesse vender água. Todos da cidade são obrigados a comprar a sua água. Será que isso daria prejuízo? Lógico que não. Mas vamos citar outro exemplo mais real e atual, os Correios. A estatal teve um resultado positivo durante o último governo com um lucro de R$ 3,7 bilhões, o maior de sua história. Segundo os dados de setembro de 2024, voltou a dar prejuízo de R$ 2 bilhões. Imaginem se o governo tomar conta de tudo, como planejam. Basta ver por fatos e relatos que circulam nos meios de comunicação, a situação nas prateleiras de um supermercado em um país socialista, com carência total de produtos, com os consumidores tendo que se contentar com o que tem. Por outro lado, o que vemos nos países capitalistas são os espaços preenchidos com uma enorme diversidade de produtos. Então, se excluirmos o capitalismo, acabarmos com a concentração de capital, dividirmos para todos igualmente, será que daria certo? E quem advoga esta situação são os que dão o pior exemplo. Se lembram de uma atual deputada federal, de um partido socialista, eleita por São Paulo, com sobrenome bem conhecido no mundo capitalista, que em uma viagem internacional postou uma foto sua com uma bolsa de R$ 24,7 mil e com um look total passando dos R$ 200 mil. E por que isso acontece? Segundo os especialistas, o cérebro humano opera por estímulos, gatilhos mentais, mecanismos cerebrais que respondem a algum estímulo, chamado no varejo de gatilho mental ao inimigo comum. Vamos citar outro exemplo: a Samsung se uniu à Apple na corrida aos mercados emergentes, com o objetivo de ingressar em um mercado de preços mais baixos e concorrência agressiva contra os fabricantes chineses como a ZTE e a Huawei Technologies. Duas rivais, mas quando encontram um inimigo comum, as duas se unem. Cuidado com aqueles que pregam ser o capitalismo o inimigo a ser combatido. Basta ver o líder maior do governo atual. Os relógios de luxo que já exibiu e exibe são avaliados em mais de R$ 140 mil. Em um evento para discutir sobre o combate à pobreza, a primeira-dama ostentava sapato de R$ 8,5 mil, sem nenhum constrangimento. Nem vamos comentar aqui sobre a gastança nas viagens internacionais. Segundo os analistas, o governo registrará um rombo de R$ 23,3 bilhões nas contas públicas em 2026, conforme dados do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), enviado pelos ministérios do Planejamento e da Fazenda ao Congresso. Nas contas do mercado, a estabilização da dívida pública depende de superávits primários recorrentes de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos anos. No tabuleiro político, o presidente acionou a tal “Lei da Reciprocidade Econômica” contra os Estados Unidos, depois que resolveram taxar em 50% produtos brasileiros. Com isso, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) está preocupada com a aplicação desta lei. Para eles, o Brasil precisa agir com firmeza, mas com sensatez, com relação à tarifa de 50%. Segundo a Frente, a adoção imediata de contramedidas pode ser mal interpretada pelos norte-americanos e atrapalhar a estratégia de negociação do Brasil para reduzir a sobretaxa ou restringir a lista de produtos atingidos. A Frente chegou a divulgar uma nota em que alega que “a avaliação prematura de contramedidas neste momento pode enviar sinalizações equivocadas e comprometer a própria estratégia de negociação internacional do Brasil”. Vamos aguardar!
Esperemos por dias melhores
A expectativa de que o crescimento sustentável da economia, em torno de 3% ao ano, poderia ocorrer de forma indefinida, aparentemente ignorando sequelas previsíveis como a escalada da inflação ou agravamento das contas externas, é um erro. Nosso crescimento potencial é bem mais baixo do que o governo supõe, e sua política de impulsionar a demanda pelo aumento do consumo e do gasto público, apenas deixou essa vulnerabilidade mais clara. Como o cenário econômico segue marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho, este prescreve uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período prolongado, para assegurar a convergência da inflação à meta. Em outras palavras, os membros do colegiado do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deixaram patente que o ciclo de aperto monetário, além de não estar longe do fim, deverá prosseguir nos próximos meses. Realçam ainda que a política monetária já tem contribuído e seguirá contribuindo para a moderação do crescimento, além de produzir impactos no mercado de crédito, nas sondagens empresariais, no mercado de câmbio, no balanço das empresas, assim como na moderação de alguns indicadores de atividade e de mercado de trabalho. Em uma crítica indireta à condução errática da gestão econômica do governo, observam ainda o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento do crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo da desinflação em termos de atividade. Ao admitir que os efeitos da política monetária restritiva se aprofundem nos próximos trimestres, o comitê identificou o aumento do comprometimento da renda familiar com o serviço das dívidas pode antecipar menor demanda por crédito. Segundo ata divulgada, justificam a elevação da Selic em 0,5%, ao patamar atual de 14,75% ao ano, o maior em 20 anos. A parcela do orçamento das famílias brasileiras comprometida com o pagamento de dívidas voltou a aumentar e já está em nível similar ao período do lançamento do programa Desenrola, em 2023, para estimular a renegociação de débitos e reduzir o elevado endividamento dos brasileiros. Em um período de aperto monetário e endividamento em alta, os bancos tendem a restringir a oferta de empréstimos, e o que sobra para as famílias em dificuldades é recorrer a modalidades com juros mais altos, como o cheque especial, o rotativo do cartão e o crédito pessoal. Entre os principais vilões continuam a ser os alimentos e serviços em geral, que afetam os mais vulneráveis ao endividamento. Com parte do orçamento consumido por dívidas e gastos fixos, muitos responsáveis por domicílios são levados a novos empréstimos. Em contraste com o que deveria estar sendo feito há muito, estamos neste exato momento apenas testemunhando as autoridades darem voltas e mais voltas – por enquanto improdutivas – em torno do que podemos chamar do X da questão, ou seja, o estreitamento do espaço para investir em infraestrutura, considerando agora também as fraudes do tipo que tem ocorrido no INSS, onde logo se tornarão enormes pressões políticas para o governo assumir uma nova e expressiva conta e, portanto, agravar, em vez de melhorar a situação. Um primeiro passo na tentativa de frear irregularidades foi dado pelo próprio INSS, que determinou o bloqueio de todos os benefícios previdenciários para o registro do desconto de novos empréstimos. Lembrando ainda que no início de 2024, a Controladoria-Geral da União (CGU) soltou um relatório apontando irregularidades na concessão de consignado para aposentados e pensionistas. Para completar, infelizmente, não estando sozinha como estatal, a nova crise dos Correios é um paradigma no setor postal que a empresa não soube acompanhar, quando ainda não tinha concorrência no que seria sua vocação natural, após as mudanças tecnológicas que a levaram a substituir cartas e telegramas por e-mails e mensagens de WhatsApp à logística, sobretudo a entrega de encomendas e compras on-line. O modelo de negócio, o tamanho e a eficiência da estatal, principalmente com sua utilização mais política do que profissional, estão no centro da crise. O prejuízo da empresa em 2024 foi de R$ 2,6 bilhões. Os argumentos a favor da venda de ativos são verdadeiros. O país não tem como financiar investimentos na modernização de sua infraestrutura sem privatizações, entrega de serviços à exploração das empresas privadas em diversas áreas onde a presença do Estado deixou de ser necessária. Temos que pressionar para que os responsáveis entendam a necessidade e urgência de usar o Estado para lidar com as falhas do mercado, faltando-lhes a devida competência para tal.
Quem viver, verá!
Um dos principais problemas que estamos acompanhando é que o Projeto de Diretrizes Orçamentárias para 2026, do atual governo, sinaliza frouxidão com as contas públicas e alimenta análises pessimistas em relação à inflação e ao equilíbrio fiscal após as eleições. Alguns projetam um cenário de colapso para 2027, porque o governo não saber explicar como pretende obter R$ 118 bilhões em receitas extras para fechar as contas públicas no próximo ano. Dentro deste confuso cenário internacional, o Brasil ainda foi contemplado com as menores taxas do tarifaço de Trump e viu as portas da ampliação do comércio bilateral se abrirem no Japão, na União Europeia e, sobretudo, na China, entre outros países, o que não deixa de ser uma oportunidade em meio à crise mundial. Se só considerarmos a guerra mundial entre Estados Unidos e China, que não é motivo para comemoração, mas, sem dúvida, gera oportunidades para o mercado exportador brasileiro. A expectativa entre especialistas é que podemos conseguir ocupar parte do espaço deixado pelo mercado agrícola americano. Não só nas vendas para a China, mas também para outras economias que projetam uma retaliação aos Estados Unidos. Recentemente, o Brasil enviou à China uma lista de 40 frigoríficos a serem habilitados. As de frango e suínos estão aguardando habilitação, e as de carne bovina ainda vão passar por uma revisão pelas autoridades do país asiático. Nós estamos passando por uma situação socialista em plena democracia com o Estado induzindo a pobreza, um modelo econômico indutor da pobreza, onde não se dá valor à educação, ao aumento da produtividade e quando tudo acontece não se capacita às pessoas e elas não mudam de faixa de renda. O que faz com que as pessoas consigam mudar renda é o seu conhecimento. O Brasil demonstra, cada vez mais, ser um país anticonhecimento, antieducação e que temos uma legião de pessoas mal atendidas pelo Estado e o Estado fazendo questão, achando bonito e importante que entrem para os programas “Minha Casa, Minha Vida”, “Pé-de-Meia”, criados especialmente para a baixa renda. Estamos passando a régua por baixo, estamos nos socializando, trabalhando seis meses para o Estado, nos tornando funcionários públicos (com todo o respeito a esta classe), mas é o estado e os políticos que falam o que vão fazer com o nosso dinheiro, com o dinheiro das empresas, tamanha é a carga tributária e o que nós temos em troca? Não temos o fundamental que o Estado teria que nos dar, educação, saúde e segurança. Infraestrutura para que possamos melhorar e o ambiente onde se priorize o trabalho, que é o único caminho para a prosperidade e não o assistencialismo, influenciando a população para se sentir rico, mas na realidade ficamos mais pobres. Estamos achando normal, um engenheiro, um médico, um advogado, um profissional liberal ganhar R$ 5 mil, depois de 4 a 5 anos de trabalho, ou ainda, fazendo um bico no Uber. Isto não pode ser normal. Não é um país onde se incentiva a prosperidade. É um país onde se incentiva a miséria. Só lhes restando a esperança de jogar nos bets que existem. Acrescenta-se ainda o tema da segurança pública, um dos temas que mais causa preocupação à população brasileira. As últimas três pesquisas da Quaest mostram preocupação crescente com relação à violência, saindo de 17% em 2024 para 29%em março deste ano. Se faz necessário discutir qual o modelo que deve ser adotado pelo governo para enfrentar as facções criminosas. Para tanto, a Confederação das Associações Comerciais do Brasil (CACB) realizou um evento na Associação Comercial de São Paulo para discutir o assunto, demonstrando que o cidadão quer, de fato, resolver e discutir o problema e quer uma resposta: se o Estado for para cima com os instrumentos que tem, como o grau de inteligência, atacando onde estão os financiamentos ao crime, para solução do problema. Estiveram presentes representantes das federações da CACB e autoridades, trocando informações sobre questões que impactam diretamente as empresas, que sofrem com golpes cibernéticos, roubos de cargas e assaltos. Foi unânime que a segurança pública é um dos principais desafios do Brasil, ao lado da saúde e educação. O problema da segurança, infelizmente, já não nos permite sair de nossas casas para as ocupações mais comezinhas, como fazer uma compra no supermercado, em uma padaria, levar os filhos para a escola e outras. Oxalá, tenhamos respostas positivas de quem tem as decisões em mãos.