Vacinação contra o HPV evita vários tipos de câncer e salva vidas

O Brasil tem mostrado avanços significativos na aplicação da vacina contra o Papilomavírus Humano (HPV). Em 2024, a cobertura vacinal ultrapassou 82% entre meninas, índice muito acima da média global de 37%, e chegou a 67% entre os meninos. O Ministério da Saúde pretende vacinar cerca de 7 milhões de jovens, que não foram imunizados na idade recomendada, entre 9 e 14 anos. Para alcançar esse público, foi prorrogado para até dezembro deste ano, a campanha de vacinação contra o HPV para adolescentes de 15 a 19 anos. A meta é alcançar cerca de 7 milhões de jovens que não foram imunizados na idade recomendada, entre 9 e 14 anos. Esse cenário preocupa ainda mais diante das projeções do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Somente em 2025, estima-se que mais de 17 mil mulheres receberão o diagnóstico de câncer do colo do útero. A doença, altamente associada ao HPV, é responsável por milhares de mortes anuais e representa um desafio contínuo para o sistema de saúde. “Geralmente, a infecção genital por HPV é bastante frequente e, na maioria dos casos, é assintomática e autolimitada. Mas, quando ocorre a persistência do vírus nas células do colo do útero, elas podem avançar para o desenvolvimento de câncer”, explica a oncologista Marcela Bonalumi. Imunização Segundo o médico da família, Martim Elviro, alguns mitos e tabus ainda são barreiras para o aumento da cobertura vacinal no país. “Muitos pais associam a vacinação à iniciação precoce da vida sexual dos adolescentes, quando, na realidade, trata-se de uma medida preventiva para proteger contra vírus altamente perigosos”. Ele reforça que não há evidências científicas que relacionem o imunizante ao comportamento sexual dos jovens. A segurança da vacina também é comprovada. “Circulam mitos sobre efeitos colaterais graves, o que não se confirma nos estudos clínicos”, destaca Elviro. A Organização Mundial da Saúde aponta que o HPV está ligado a cerca de 620 mil casos de câncer em mulheres e 70 mil em homens a cada ano. A imunização protege não apenas contra o câncer do colo do útero, mas também contra tumores de vulva, vagina, ânus, pênis e orofaringe, além de prevenir verrugas genitais. O médico destaca que quando aplicada antes dos 20 anos, a vacina pode reduzir em até 86% o risco de câncer cervical, segundo estudos internacionais. “Estamos falando de uma vacina que salva vidas. Em países com alta cobertura, como Austrália e Reino Unido, já se observa queda expressiva nos casos de câncer de colo do útero”. Prevenção A oncologista alerta que mesmo para mulheres vacinadas, a prevenção não se encerra na imunização. Exames ginecológicos de rotina são indispensáveis. A recomendação é realizar o Papanicolau anualmente e, depois de resultados consecutivos normais, a cada três anos, dos 25 aos 64 anos. “O exame é fundamental para identificar lesões pré-cancerosas e agir rapidamente contra o câncer do colo do útero”. Ela lembra que nas fases iniciais, a doença costuma ser silenciosa. Quando surgem sintomas, podem incluir sangramento vaginal fora do período menstrual, dor durante relações sexuais, anemia e perda de peso inexplicada. Nos estágios mais avançados, há riscos de comprometimento urinário e intestinal. “Por isso, é muito importante buscar o aconselhamento de um especialista”. Se o diagnóstico é precoce, as chances de sucesso no tratamento aumentam consideravelmente. “Quando descoberta no início, pode haver uma redução de até 80% na mortalidade pelo câncer do colo do útero”, afirma Marcela. O tratamento pode envolver cirurgia, quimioterapia e radioterapia, dependendo do avanço da doença. Desinformação A preocupação não é apenas com a cobertura, mas também com a desinformação. Uma pesquisa da Fundação Nacional do Câncer revelou que mais de um terço dos adolescentes desconhece que a vacina previne o câncer do colo do útero. Além disso, 57% acreditam que o imunizante pode trazer riscos à saúde e que a vacinação os protegeria contra todas as infecções sexualmente transmissíveis, o que não é verdade. Para melhorar a adesão, especialistas defendem ações integradas entre famílias, escolas e profissionais de saúde. “Médicos, escolas e famílias precisam caminhar juntos para derrubar mitos e mostrar que a vacina não é uma escolha sobre o presente, mas um cuidado com o futuro da saúde dos nossos jovens”, finaliza Elviro.
Assembleia debate protocolo para tratamento da urticária crônica

A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) colocou em evidência um problema ainda pouco discutido, mas que atinge milhares de mineiros, a urticária crônica espontânea (UCE). Uma audiência pública debateu os impactos sociais e econômicos da doença, os desafios no diagnóstico e no tratamento e a urgência da criação de políticas públicas específicas, incluindo um Protocolo Estadual de Atenção à Urticária Crônica, cujo projeto de lei foi protocolado durante a reunião. A audiência foi requerida pela deputada Lud Falcão (Podemos), que ressaltou que o tema precisa deixar de ser invisível dentro das políticas públicas de saúde. “Essa audiência significa mais do que o tratamento dos cidadãos. Ela fala da condição de dignidade dessas pessoas, que precisam de acesso e muitas vezes não têm essa condição. Minas sempre foi motor de grandes conquistas. Tenho certeza que seremos referência para outros estados também”. Especialistas destacaram que a urticária crônica espontânea é uma doença inflamatória recorrente que afeta cerca de 1% da população mundial, com sintomas que incluem lesões na pele, prurido intenso e angioedema, frequentemente por mais de seis semanas, sem causa aparente. No Brasil, estima-se que mais de 1,4 milhão de pessoas convivam com a condição. Apesar da prevalência, o acesso a tratamento adequado ainda é desigual no Estado. Segundo o documento técnico apresentado, a doença é subdiagnosticada, tratada de forma heterogênea e muitas vezes com uso excessivo e inadequado de corticoides, que podem gerar efeitos graves como hipertensão, diabetes e glaucoma. A alergista Isabella Diniz Braga Pimentel reforçou o impacto psicossocial da condição. “As crises são imprevisíveis, acompanham angioedema, dor, coceira intensa e uma insegurança enorme. Isso leva ao isolamento social, ansiedade, depressão e grande limitação no dia a dia do paciente”. Sofrimento silencioso A paciente Ana Caroline Ferreira da Silva relatou como conviveu por anos com crises graves de urticária crônica e a dificuldade de conseguir tratamento adequado. “A medicação tem sido uma bênção na minha vida, porém, muitas pessoas não sabem como conseguir ajuda. Espero que essa audiência renda bons frutos para quem sofre como eu sofri”. A médica especialista em alergia e imunologia, Rosana de Fátima Gonçalves, foi direta quanto ao impacto da doença sobre o sexo feminino. “A urticária crônica é uma condição terrível. A mulher não pode trabalhar, não é capaz de sair de casa, não consegue sequer tirar a roupa para o marido. E isso afeta especialmente mulheres de 20 a 40 anos, no auge da produtividade”. O vice-presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, Dr. Eduardo Magalhães de Souza Lima, fez um apelo contundente aos gestores públicos. “Não falta ciência, falta decisão política. A urticária crônica espontânea não é leve, não é frescura. É profundamente incapacitante. O tratamento adequado devolve produtividade, dignidade e reduz custos para o Estado”. Ele também destacou o impacto financeiro. Enquanto um paciente não tratado custa ao sistema cerca de R$ 15,5 mil por ano, a implantação de um protocolo reduziria muito as despesas com judicialização, internações e tratamentos inadequados. Protocolo estadual Ao final da audiência, a deputada apresentou uma nota técnica conjunta, assinada por todos os especialistas presentes, e anunciou o protocolo do Projeto de Lei que cria o Programa Estadual de Diagnóstico, Tratamento e Acompanhamento da Urticária Crônica Espontânea. “Estamos transformando uma decisão administrativa em dignidade para as pessoas”, afirmou. A proposta prevê • Padronização do atendimento e fluxos de encaminhamento;• Capacitação da atenção primária;• Critérios rigorosos para uso de imunobiológicos;• Criação de um registro estadual de pacientes;• Monitoramento contínuo e avaliação de impacto orçamentário.
Contagem revela primeira identidade turística e mira no desenvolvimento

Marcando o início de uma estratégia inédita de promoção cultural, histórica e ambiental, Contagem lançou a sua primeira marca turística oficial: “Visite Contagem”. A iniciativa é conduzida pela Secretaria Municipal de Cultura e integra uma política mais ampla de fortalecimento do turismo como vetor de desenvolvimento econômico e social. O lançamento aconteceu em um evento na Casa da Cultura Nair Mendes Moreira. A cerimônia também marcou a apresentação do Instagram oficial (@visite.contagem) e da campanha em vídeo “Turismo em Contagem? Cê tá doido!?”, que usa humor para quebrar a antiga percepção de que o município não tem atrativos. A proposta, segundo a gestão, é revelar uma Contagem rica em cultura, natureza, gastronomia e história, mas que precisava se apresentar de forma organizada. Cercada por outros municípios e frequentemente reduzida à imagem de “cidade-dormitório”, a cidade busca mostrar que abriga uma população criativa e acolhedora, capaz de gerar experiências únicas. O vice-prefeito Ricardo Faria enfatizou o papel econômico do turismo para Contagem. “Cada turista que assiste a um show consome uma bebida, frequenta um restaurante, pega um transporte, movimenta o comércio e o setor de serviços. Isso não é gasto, é investimento”, afirmou. Ele reforçou ainda que o setor precisa caminhar em conjunto para gerar resultados concretos. “O turismo é desenvolvimento econômico e geração de emprego e renda. É fundamental que caminhemos juntos”. Plano Municipal de Turismo Além do lançamento da marca, o evento apresentou o Plano Municipal de Turismo, que passa a orientar as ações, metas e diretrizes do setor. O subsecretário de Cultura, Gilvan Rodrigues, destacou o caráter estratégico do documento. “O plano é mais do que um documento técnico; é um instrumento de fortalecimento das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável do turismo em Contagem”. Rodrigues ressaltou que o diagnóstico feito revela um potencial significativo e diversas oportunidades de crescimento. “O plano traz um diagnóstico detalhado do nosso potencial e traça caminhos para transformar essas vocações em oportunidades reais de geração de emprego, renda e valorização cultural. Contagem simboliza, nessa nova fase, uma cidade que reconhece sua história e projeta um futuro criativo e econômico”. O secretário de Desenvolvimento Econômico, Luciano Oliveira, afirmou que o “Visite Contagem” traz unidade entre diferentes áreas. A marca é forte e potente. Ela traduz a cultura e o desenvolvimento da cidade, seja no turismo, na gastronomia ou na economia e com certeza trará muitos frutos para a cidade e o Estado”. Identidade visual “A marca representa Contagem de forma autêntica. Suas cores e símbolos remetem à Vargem das Flores, à fluidez da cidade e ao seu circuito industrial, profundamente enraizado em nossa história”, destacou a conselheira do Conselho Municipal de Turismo, Fernanda do Carmo. A nova marca traz o conceito “A força está no encontro”, traduzindo Contagem como o lugar onde a natureza acolhe, a indústria impulsiona e a cultura conecta. A identidade reflete o equilíbrio entre os contrastes que definem o município: o verde de Vargem das Flores e o concreto da indústria; o sagrado da Comunidade Tradicional Quilombola dos Arturos e o ritmo urbano; o acolhimento mineiro e o dinamismo metropolitano. Cada cor representa um aspecto dessa diversidade: Verde vargem/azul lago: fluidez, estabilidade e conexão – remetendo à serenidade do turismo consciente e ao espelho d’água de Vargem das Flores; Amarelo sol/jabuticaba: tradição, afeto e profundidade cultural, evocando as raízes mineiras e o sabor singular das experiências locais; Cinza base: neutralidade e sofisticação – expressão da vocação industrial de Contagem sob uma ótica sustentável e contemporânea.
Setor de veículos usados deve bater recorde e ampliar avanço em 2026

O mercado automotivo brasileiro entra na reta final de 2025 impulsionado pela crescente preferência do consumidor pelos veículos seminovos e usados. O segmento deve encerrar o ano com seu maior volume de vendas já registrado, segundo a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto). A marca histórica de 15,7 milhões de unidades, alcançada em 2024, deve ser novamente superada já em novembro, consolidando o melhor desempenho da série desde o início da apuração dos resultados. A entidade projeta que cerca de 18 milhões de veículos sejam negociados até dezembro. “A procura ao longo do tempo pelo seminovo foi gradualmente se intensificando devido aos preços elevados dos modelos zero quilômetro. A distância entre o valor cobrado e o poder de compra da população aumentou, e o consumidor médio passou a recorrer muito mais ao usado para atender seus desejos, sonhos e necessidades”, afirma o presidente da Fenauto, Enilson Sales. Ele ressalta ainda que novos nichos de negócio, como a compra e desmobilização de veículos por parte das locadoras, contribuem para sustentar o desempenho do setor. “Esse é um mercado que cresceu e amadureceu. Além disso, os carros utilizados por motoristas de aplicativo, os veículos por assinatura e o avanço do delivery, que levou muitas pessoas a ingressarem em atividades de entrega usando seu carro ou sua moto particular, reforçam esse movimento”. Em outubro, foram comercializados 1.765.539 veículos, alta de 4% em relação a setembro (1.697.167). A média diária chegou a 76.763 unidades. Entre os modelos mais procurados, o Volkswagen Gol liderou com 76.597 unidades, seguido pelo Chevrolet Onix (43.288) e pelo Hyundai HB20 (41.038). No segmento de comerciais leves, Fiat Strada, VW Saveiro e Toyota Hilux seguem na preferência do público. Entre os pesados, destacam-se os caminhões Volvo FH, Ford Cargo e Ford F4000. No mercado de motocicletas, os modelos Honda CG 150, Biz e CG 125 continuam no topo das vendas. Sobre o comportamento do consumidor, o presidente da Fenauto avalia que a escolha pelo usado não é apenas uma alternativa econômica, mas uma condição estrutural. “A diferença entre o preço do zero quilômetro e o do seminovo se ampliou muito. As montadoras passaram a oferecer modelos com mais tecnologia e margens elevadas, afastando o consumidor. Com renda média estagnada e valores sempre crescentes, a preferência se volta naturalmente para o seminovo”. Inflação dos usados O IBV Auto, índice que acompanha a variação dos preços de automóveis leves usados no país, apresentou inflação de 0,35% em outubro, ante 0,30% em setembro, indicando leve aceleração no ritmo de alta. No acumulado de 12 meses, o indicador registra avanço de 5,70%. De acordo com o diretor de Negócios de Varejo do banco BV, Jamil Ganan, os preços dos usados se mantêm relativamente estáveis, embora levemente acima do IPCA. “Mas esse cenário pode mudar caso surjam novos fatores econômicos”, pondera. Para 2026, Ganan avalia um quadro ainda incerto. “Mesmo com a perspectiva de queda dos juros, o crescimento mais moderado da renda gera dúvidas. Esses dois vetores atuam em direções opostas, o que torna difícil antecipar o efeito líquido sobre o mercado ao longo do próximo ano”. Sobre as expectativas de preços, ele reforça a cautela. “Ainda não é possível determinar com precisão a variação no fechamento de 2025. Os indicadores sugerem estabilidade, mas o setor é sensível à renda, ao crédito e à oferta. Em 2026, tudo dependerá da combinação desses elementos. Se o ambiente melhorar, pode haver algum alívio. Caso contrário, a dinâmica tende a permanecer semelhante”. Perspectivas favoráveis O presidente da Fenauto também prevê um cenário favorável para o próximo ano, apesar de obstáculos como juros elevados e maior rigor no crédito. “Olhando para 2026, temos fatores que nos desafiam, como a Selic em nível alto e bancos mais criteriosos no score. Isso pode reduzir o ritmo de expansão, mas não deve interromper o crescimento”. “A expectativa é que o desempenho fique acima de 2025. Estimamos algo próximo a 5% de aumento, equilibrando fatores positivos e negativos que devem impactar o mercado”, finaliza.
PL Antifacção tem recuos e levanta dúvidas sobre eficácia

O Projeto de Lei Antifacção (PL 5.582/2025) tornou-se foco de uma das mais intensas disputas políticas sobre segurança pública no Brasil. Proposto como um “marco legal” para combater organizações criminosas, o texto prevê penas duras, novas tipificações penais e mecanismos de investigação reforçados para desarticular facções que controlam territórios e movimentam vastos recursos. O relator do projeto, deputado Guilherme Derrite (PP), havia sugerido equiparar as facções criminosas ao terrorismo e condicionar parte da atuação da Polícia Federal à autorização de governadores, mas houve o recuo e outras versões da proposta foram apresentadas para os parlamentares. Para entender alguns pontos do texto aprovado pela Câmara dos Deputados, o Edição do Brasil conversou com o advogado e conselheiro do Instituto de Ciências Penais (ICP-MG), Carlos Henrique Urquisa. O texto pode ajudar no combate às facções criminosas? O PL prevê mecanismos para o combate às facções, mas a efetividade depende da capacidade do poder público de operacionalização. Já o aumento de penas e criação de novos delitos não têm uma eficácia preventiva muito clara. Vem antes e principalmente ao encontro de pautas políticas do que promove um comprovado efeito intimidativo. Com a retirada da equiparação das facções ao terrorismo, o que efetivamente muda na tipificação penal e no peso das acusações? Existe um esforço do legislador em buscar os instrumentos da lei de terrorismo para aplicá-los aqui. O embate político sobre a equiparação e os termos da definição de facção vai decidir a forma final do texto, mas, na prática, muitos dos mecanismos de combate ao terrorismo já estão sendo “importados” pela redação atual. O recuo sobre as restrições à atuação da Polícia Federal garante estabilidade às investigações ou ainda há risco de conflito de competências com polícias estaduais? A possibilidade de conflitos de atribuições persiste, mas a lei procura trazer delimitações e prevê a possibilidade de atuação conjunta e colaborativa entre as forças públicas. Mesmo sem a referência ao terrorismo, as penas continuam altas e novos crimes foram criados. Existe risco de exagero punitivo ou de inconstitucionalidade? O risco de exagero punitivo vai ser sempre uma relação situacional entre a conduta do investigado e as expectativas do poder público na manutenção da confiança no Direito. Pelo menos no cenário atual, as altíssimas penas previstas parecem ter respaldo da população e das instituições democráticas. É uma tendência punitivista que (infelizmente) vem se apresentando nos últimos anos. Sobre eventuais incompatibilidades entre normas e inconstitucionalidades, há sempre a possibilidade de um questionamento dessa natureza. Alguns pontos desde já parecem mais suscetíveis a fragilidades do gênero, como é o caso da proposta de proibição da audiência de custódia e do auxílio-reclusão. Os mecanismos de bloqueio de bens e as ações de asfixia financeira podem violar garantias básicas, como o direito de defesa e a presunção de inocência? Esta é uma pauta que há muito tempo vem sendo questionada. É também uma tendência observável nas legislações processuais mais novas e no posicionamento dos tribunais. O texto resolve problemas estruturais de inteligência e investigação ou apenas aumenta penas sem atacar as causas do avanço das facções? Enquanto normatização de natureza processual-penal, dificilmente este PL poderia operar de forma diversa. A opção política de trazer o enfrentamento do problema através de normas de tal qualidade é imediatista, mas, uma vez tomada, não solucionará nenhum problema estrutural. É dever da população cobrar dos representantes outras legislações e políticas capazes de promover o aprimoramento necessário para a efetividade do PL. Não pode ser uma medida isolada. Existem pontos do projeto que podem gerar insegurança jurídica? Governo e oposição vão buscar o Supremo Tribunal Federal (STF) como arrimo dos projetos que esperam serem realizados pelo PL. Minhas apostas de questionamento são os termos da definição de facção, as atribuições investigativas, os poderes acautelatórios e a quebra de isonomia em relação ao processamento de outros crimes (pela eliminação da audiência de custódia, por exemplo).
Dor de treino ou lesão? Saiba identificar os sinais

Na busca por uma vida mais saudável, milhões de brasileiros incorporaram a prática de atividades físicas à rotina. Seja na academia, nas corridas de rua, nas aulas de dança, nas trilhas ou nos esportes coletivos, o exercício regular é reconhecido como um dos pilares da boa saúde física e mental. No entanto, junto com os benefícios, surge uma dúvida recorrente entre praticantes, desde iniciantes até atletas experientes: como diferenciar a dor natural do esforço da dor que indica uma lesão? O médico do esporte e especialista em lesões esportivas, Abaeté Neto, explica que compreender essa diferença é essencial para garantir longevidade na prática esportiva e evitar danos graves. “A Dor Muscular Tardia (DMT) é uma resposta fisiológica ao exercício, um processo natural de fortalecimento. Já a dor de lesão é uma manifestação inflamatória de dano tecidual. Saber reconhecer uma e outra faz toda a diferença entre evoluir com segurança ou interromper o treino por semanas”. De forma geral, a DMT aparece entre 24 e 72 horas após o esforço físico, é difusa e costuma melhorar com o movimento. Ela ocorre devido a microlesões nas fibras musculares, que é um processo esperado, que estimula a regeneração e o ganho de força. Já a dor de lesão é imediata, localizada e tende a piorar com a continuidade da atividade. Segundo Neto, um dos grandes equívocos cometidos por praticantes de exercícios é acreditar na máxima do “sem dor, sem ganho”. “Essa cultura pode ser extremamente prejudicial. A dor é um aviso. Quando há uma fisgada, pontada ou sensação de que algo ‘puxou’, especialmente se vier acompanhada de inchaço, calor ou limitação de movimento, é sinal de que o corpo ultrapassou o limite seguro”. As lesões esportivas estão frequentemente associadas a erros de treinamento. Entre os principais fatores de risco, o médico cita o aumento inadequado de carga ou volume, a falta de tempo de recuperação, o sedentarismo prévio e o desequilíbrio muscular. Além disso, aspectos como sono insuficiente, má alimentação e falta de aquecimento antes da prática também elevam o risco de lesões. “A dor é um alerta que deve ser interpretado dentro do contexto. Se o indivíduo aumenta a intensidade dos treinos sem respeitar o período de adaptação, o corpo responde com dor excessiva e inflamação. É nesse ponto que surgem distensões, tendinites e outros problemas que poderiam ser evitados com um planejamento adequado”, esclarece o especialista. “Prevenir é sempre melhor do que tratar. A dor de esforço é parte do processo de crescimento, mas a dor de lesão é um sinal de que algo deu errado. O autoconhecimento corporal é uma ferramenta poderosa, e o acompanhamento profissional é indispensável para que o exercício continue sendo um aliado da saúde e não uma fonte de problemas”, acrescenta. Ele conclui dizendo que a alta performance sustentável depende do equilíbrio entre estímulo e recuperação. “O cuidado preventivo é um componente essencial do treino, que garante não apenas a longevidade esportiva, mas também a qualidade de vida”.
“Trilhas, Noite Cheia de Lua de Sol” junta teatro, música e artes visuais

O público de Belo Horizonte vai poder mergulhar em uma experiência cênica sensorial e poética nos dias 27 e 28 de novembro, às 20h, no Teatro João Ceschiatti (Palácio das Artes), com o espetáculo “Trilhas, Noite Cheia de Lua de Sol”. A montagem, idealizada, escrita, dirigida e protagonizada por Cláudia Andrade, une teatro, videoarte, música e artes visuais em uma dramaturgia contemporânea que atravessa temas como o feminino, a maturidade, os contrastes sociais e os dilemas da existência. Segundo Cláudia, a fusão de linguagens nasce de sua formação e trajetória. “Minha linguagem é o audiovisual. Sou formada em rádio, TV e cinema na UnB e trabalhei muitos anos com cinema, publicidade e audiovisual. Quando escrevi o texto, o dramaturgo Maurício Arruda disse que minha escrita pedia o palco. E aí surgiu o desafio: como contar essa história sem ser apenas com as artes cênicas?”, explica. Essa abordagem deu origem a uma narrativa híbrida. “A videoarte complementa a história e também compõe o cenário. Ela é o que o Godard chamava de ‘roubos poéticos’. Não importa de onde você tirou a referência, mas para onde a levou. Transformei minhas influências em algo autêntico”, ressalta Cláudia. Ela cita o filme Koyaanisqatsi como inspiração estética, em uma relação direta com o próprio título do espetáculo. “Vida fora de equilíbrio, vida que pede uma outra maneira de se viver – é sobre isso que a peça fala”. “Trilhas” apresenta o encontro entre duas mulheres com mais de 50 anos, Silvia (Eloisa Cunha) e Gimena, vivida por Cláudia, que se cruzam em uma parada de ônibus e embarcam em uma jornada de reflexões, embates e reconciliações. “Foi um processo orgânico. Eu tinha 54 anos quando escrevi e quis contracenar com mulheres 50+. Essa faixa etária traz uma bagagem única, um olhar mais maduro sobre o corpo e a vida. Não abordo o etarismo diretamente, mas mostro mulheres vividas, que poderiam ter 20 ou 60 anos – o foco é o que as atravessa”, afirma a diretora. Na trama, o feminino é tratado com profundidade e leveza, segundo Cláudia Andrade. “Falar sobre mulher nessa vida maluca é inevitável. A gente tem que fazer três vezes mais para ser reconhecida, lidar com padrões de corpo e de comportamento. Mas o espetáculo vai além do feminismo, ele fala da humanidade que existe em todos nós. Independentemente da conta bancária ou do status, todos têm dores, sonhos e lutas”. Além de Cláudia e Eloisa, o elenco conta com Genice Barego, que interpreta Gaivota, figura agênera e simbólica. A diretora define que a Gaivota é uma personagem atemporal, que representa a consciência, o mistério e a liberdade. “É a mensageira entre o céu e a terra, uma espécie de presença que antecipa e conclui os acontecimentos. Alguns veem nela a morte, outros o inconsciente e está tudo certo, porque é uma dramaturgia aberta”. Acessibilidade No dia 27, haverá sessão com audiodescrição e Libras, reforçando o compromisso do projeto com a acessibilidade e a democratização da arte. A diretora também comenta o caráter inclusivo e formativo do projeto. Além das sessões acessíveis, o grupo realiza rodas de conversa e ações educativas com alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA). “Hoje virou questão de humanidade. Já trabalhei com palhaçaria e Libras, e percebi que todos devem viver a arte plenamente. É emocionante ver uma pessoa cega descrever o que sentiu na peça – é de arrepiar”. Mais do que uma montagem teatral, “Trilhas, Noite Cheia de Lua de Sol” é uma experiência sensorial sobre encontros, transformações e o reconhecimento do outro em si mesmo. “O que mais me orgulha é ouvir do público que o texto é potente e contemporâneo. Cada reação, seja de riso, choro ou silêncio, mostra que o teatro ainda é o espaço onde a gente se encontra para sentir”, conclui Cláudia. Serviço: “Trilhas, Noite Cheia de Lua de Sol” Datas: 27 e 28 de novembro, às 20hLocal: Teatro João Ceschiatti Palácio das ArtesEndereço: Avenida Afonso Pena, 1537 – Centro)Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)Vendas: eventim.com.br
Selic elevada adia o crescimento e deixa o crédito mais caro no Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano. O parecer reflete a postura do Banco Central (BC) de cautela diante de um cenário ainda marcado por inflação resistente, incertezas fiscais e volatilidade internacional. A medida, embora preserve o controle de preços, tem provocado efeitos profundos sobre o crédito, o consumo e o investimento produtivo no país. De acordo com ata do Copom, a autoridade monetária considera que “a manutenção do nível corrente da taxa de juros por um período bastante prolongado é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta”. “A extensão do nível atual de 15% por um período maior deveria produzir uma desaceleração econômica maior, uma convergência mais rápida da inflação e, possivelmente, uma valorização adicional do câmbio”, avalia o economista-chefe do Banco BMG, Flávio Serrano. “O Banco Central precisa de maior confiança no processo de arrefecimento do mercado de trabalho para começar a cortar a taxa Selic”, acrescenta. Serrano observa que o cenário fiscal é outro entrave. O aumento de gastos do governo e a dívida pública próxima de 80% do PIB reduzem o espaço para cortes de juros, pois aumentam a percepção de risco entre investidores. “A política fiscal é fundamental para garantir juros mais baixos. Uma percepção mais negativa do endividamento do país gera taxas de juros reais mais elevadas ao longo do tempo, o que limita o potencial da queda da taxa Selic”. Para o economista, o início do ciclo de alívio monetário deve ocorrer apenas no primeiro trimestre de 2026, projetando uma queda entre 12% e 12,5% ao ano. “Parece difícil o BC reduzir a taxa básica de juros ainda em 2025. Acreditamos que o Copom precisa de maior confiança no processo de desaceleração da inflação e do mercado de trabalho para começar a cortar”. Impactos ao crédito Enquanto isso, os efeitos dos juros altos continuam sendo sentidos na economia real. O CVO da Inteligência Comercial, Luciano Bravo, aponta que o crédito mais caro e restrito tem dificultado o crescimento das empresas, especialmente das médias e pequenas. “Com a Selic em 15%, praticamente todo o capital disponível migra para a renda fixa. Isso gera escassez de crédito para investimento produtivo, já que os ganhos são muito mais atrativos no Tesouro Direto e outros títulos”. Ele explica que diante dessa migração de recursos, o custo do crédito quando o empresário consegue é extremamente alto, entre 18% e 30% ao ano. “Quando a margem média de lucro líquido é de 10%, o empreendedor acaba vendo o seu lucro corroído pelos juros”. Bravo também ressalta o efeito sistêmico da atual política do BC. “A Selic alta causa escassez de investimento, desacelera o crescimento e aumenta a inadimplência e as recuperações judiciais. Há mais de 14 anos, o país perde, em média, mil fábricas por ano. O único culpado por isso é a alta taxa de juros e a escassez de crédito”. No cenário internacional, a Selic em 15% tem dupla consequência. Por um lado, atrai o capital estrangeiro, tornando o Brasil um destino para investidores que buscam retornos elevados. Por outro, essa entrada de recursos é voltada, em grande parte, à dívida pública, e não à produção. “O investimento estrangeiro vem para financiar a dívida do Brasil, não para gerar riqueza produtiva. É um dinheiro que entra, mas não fortalece nossa cadeia produtiva”, afirma Bravo. O especialista defende que, diante da dificuldade de acesso a crédito doméstico, as empresas brasileiras precisam explorar alternativas de financiamento externo. Ele cita a Lei nº 14.286, que regula o investimento direto estrangeiro e pode ser uma porta de saída para empresas que buscam crédito mais barato. “A taxa de juros alta aqui dentro deveria incentivar as empresas a captar lá fora, onde o custo gira em torno de 7% a 8% ao ano. Hoje, apenas 1% das firmas brasileiras têm acesso a crédito internacional, e esse grupo responde por 33% do PIB nacional. É preciso aumentar esse percentual e reduzir a dependência do crédito interno. Enquanto a Selic permanecer alta, o Brasil continuará perdendo indústrias e oportunidades de geração de riqueza”, finaliza.
Postagens ofensivas nas redes sociais podem gerar demissão

As redes sociais se tornaram parte central da vida cotidiana. Nos últimos anos, a Justiça do Trabalho tem analisado cada vez mais casos envolvendo postagens de empregados, além de situações em que empresas exigem participação de funcionários em vídeos e desafios digitais. A pergunta é simples, mas a resposta, não. Até onde vai a liberdade de expressão do trabalhador e onde começa a responsabilidade jurídica? O advogado trabalhista Júlio Baía explica que postagens feitas no tempo livre podem levar à justa causa, desde que haja violação concreta à imagem ou à honra do empregador. “Postagens feitas por um empregado em seu tempo livre podem justificar uma demissão por justa causa, mas apenas em situações específicas e mediante rigorosa análise do contexto e da gravidade da conduta”. Segundo Baía, a Justiça analisa se a postagem se enquadra em hipóteses do artigo 482 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que trata de mau procedimento, difamação, injúria e condutas que rompem o vínculo de confiança. “A Justiça do Trabalho só valida a dispensa quando ficar caracterizado que a postagem ultrapassou o direito constitucional à liberdade de expressão e atingiu diretamente direitos fundamentais do empregador, colegas ou terceiros”. “Podemos citar um julgamento proferido pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 15ª Região que validou a dispensa por justa causa de empregado que proferiu ofensas e ameaças contra o proprietário da empresa em que trabalhava, por meio de mensagens enviadas via rede social. O funcionário foi dispensado sob fundamento dos incisos de mau procedimento e ato lesivo da honra ou da boa fama contra o empregador do artigo 482 da CLT, após encaminhar via Facebook, mensagens com xingamentos e acusações ao sócio da empresa”, exemplifica. Outro ponto em debate são empresas que obrigam funcionários a gravar vídeos, danças ou campanhas publicitárias para redes sociais corporativas. Para o advogado, exigir exposição pública que foge da função profissional é abuso. “Obrigar funcionários a participar de atividades de entretenimento digital, como dancinhas, vídeos ou campanhas, principalmente em situações vexatórias, pode ser caracterizado como abuso do poder diretivo do empregador”. “Tal conduta pode configurar assédio moral se causar constrangimento, exposição desnecessária ou prejudicar a saúde psicológica dos empregados, sendo passível de indenização por danos morais”, complementa. Direito à imagem A proteção à imagem é prevista na Constituição. De acordo com Baía, usar a imagem do empregado sem autorização gera reparação financeira. “Para o uso da imagem do trabalhador é necessária prévia e expressa autorização. O seu uso indevido acarreta o direito ao recebimento de indenização por danos morais”. Para evitar conflitos, a recomendação do especialista é que as firmas adotem regras claras sobre o uso das redes, inclusive fora do expediente. “É fundamental a empresa ter norma interna acerca do uso de redes sociais, não apenas durante o trabalho, mas também durante os momentos de lazer”. Com a digitalização acelerada, a tendência é que o tema seja ainda mais frequente nos tribunais. Para o advogado, o caminho é a prevenção. “Não se trata de criar proibições, mas de orientar os trabalhadores sobre o bom uso da rede social, evitando risco de situações que podem acarretar a aplicação de penalidades”, finaliza.
Preconceito impede o diagnóstico antecipado do câncer de próstata

O “Novembro Azul” se tornou a principal campanha dedicada à conscientização sobre o câncer de próstata, o tumor mais frequente entre os homens brasileiros, excluindo o câncer de pele não melanoma. Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), 71.730 novos diagnósticos devem ser registrados por ano no Brasil. A cada oito minutos, um novo caso é confirmado. E a cada 40 minutos, um homem morre em decorrência da doença. Mesmo diante desses números alarmantes, parte significativa da população masculina ainda evita a prevenção. Um levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) mostra que dois terços dos homens não fazem o toque retal e metade nunca realizou o exame de PSA (antígeno prostático específico). “A ausência acontece principalmente devido ao preconceito. Esses dois testes são os que vão mostrar se é necessário fazer uma biópsia de próstata”, alerta o urologista Rodrigo Trivilato. Ele reforça que o tumor evolui de forma silenciosa e costuma não apresentar sintomas. “Quando ocorre dificuldade para urinar, diminuição do jato urinário, vontade frequente de urinar, dor óssea e presença de sangue na urina ou no sêmen, provavelmente, o tumor já está em estágio mais avançado”. A próstata é uma glândula que sofre naturalmente alterações com a idade. Trivilato orienta que homens negros ou com histórico familiar devem começar o acompanhamento aos 45 anos e para os demais, aos 50. “Essas faixas etárias precisam fazer o PSA e o toque prostático. Quanto mais cedo diagnosticado, maior a chance de cura, chegando a 90%”. Além do acompanhamento médico, é importante que os homens adotem hábitos saudáveis. “Uma alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono adequado e controle do peso, tem impacto direto na prevenção, inclusive no tratamento e na recuperação dos pacientes”, complementa. O urologista também destaca a importância de campanhas de conscientização, como o “Novembro Azul”. “O mais importante é levar informação correta para o paciente e desmistificar o preconceito ou medo em relação ao exame de toque”. Cirurgia robótica O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), Rodrigo Nascimento Pinheiro, também alerta que a grande barreira ainda é o diagnóstico tardio. “O diagnóstico precoce possibilita o tratamento curativo, muitas vezes com técnicas minimamente invasivas e melhores resultados funcionais, como a cirurgia robótica incorporada em outubro pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”. “Estamos falando de uma tecnologia que oferece resultados mais efetivos aos pacientes e que agora estará disponível a todos. Este cenário reforça a importância de políticas públicas voltadas à prevenção, diagnóstico precoce e à ampliação do acesso a tratamentos de ponta”, acrescenta Pinheiro. Tratamento Pinheiro lembra que o tratamento do câncer de próstata é definido conforme o estágio e a agressividade da doença, bem como o perfil do paciente. Nos casos iniciais, pode-se adotar a vigilância ativa, que consiste em monitorar o tumor sem intervenção imediata, sendo indicada principalmente para neoplasias de baixo risco. Nos tumores localizados, o tratamento curativo envolve cirurgia e/ou radioterapia, enquanto nos casos localmente avançados recomenda-se a combinação de cirurgia ou radioterapia com bloqueio hormonal. Já nas situações de metástase, o tratamento mais indicado é a terapia hormonal, podendo ser associada à quimioterapia ou novos agentes antiandrogênicos. “O cirurgião oncológico, junto à equipe multidisciplinar, deve individualizar o plano terapêutico, considerando as características do tumor, o estágio da doença e as condições clínicas do paciente”, conclui.