Um tiro e dois coelhos

O tiro louco do Trump em sobretaxar produtos brasileiros em 50%, a partir de 6 de agosto, pode nos trazer um benefício inesperado. É evidente que teremos graves prejuízos na economia, perda de prestígio na diplomacia, desemprego inevitável, aumento ou criação do complexo de vira-lata e nossa soberania ferida. Mas, de repente, tal medida ajudaria a queimar, expurgar de nossa vida política dois personagens nefastos da vida brasileira. Bolsonaro, e tudo que representa, estará mortalmente ferido politicamente pela ação direta no absurdo acontecimento. É ele, e seu filho, os agentes que se aproveitam de suas relações com Trump para coagir os Poderes Judiciário e Executivo brasileiro em favor de causas pessoais. O ex-presidente, com possível condenação prevista para o segundo semestre, tem processo criminal/político com fundamentos justos, porém, manchado pela forma de condução. Nosso Supremo deveria ater-se a julgamentos constitucionais, nunca entrar em debates políticos ou conduzir processos, investigar e inquirir supostos réus, em ações que deveriam ter origem na sua primeira instância, de lá subir até o máximo poder. Os holofotes e cor política partidária estão dando o tom na condução de um fato condenável, coordenado pelos detentores do poder de então, manifestações desastradas de seguidores cegos pelo ufanismo despropositado. Vigílias em frente a comandos do Exército, invasões às propriedades públicas, valem tanto quanto passeatas em favor do sexo dos anjos. Lula, o falador, será o culpado de conduzir nossa diplomacia com viés ideológico, ultrapassado, imaginando-se e querendo parecer, um grande líder mundial, capaz de resolver questões como a guerra da Rússia e Ucrânia, “assentando se à mesa com Putin e Zelensky, tomando uma cerveja”, nas suas próprias palavras. Sua opção em apoiar e defender ditadores e mandatários usurpadores de poder, e com eles manter relações estreitas, nos tem levado à condição de republiqueta inexpressiva, quebrando uma tradição de 200 anos de altivez, honra e independência diplomática. O espírito do Barão do Rio Branco deve estar se sentindo envergonhado, além dos ossos estarem se revirando no túmulo. O Lula III, como ele próprio deseja e assim assumiu, será o mandato da vingança, de aniquilar inimigos, demonstrando sua pequenez diante da grandiosidade de seu cargo. Um presidente da República não pode ter causas pessoais, vaidades menores, visão míope e ter a incapacidade de tomar decisões de grandeza, planejar um país melhor, cuidar de seu povo onde ele mais carece, sem explorar o populismo com os miseráveis. Enquanto a educação, saúde, segurança e vida urbana se transformam em um inferno inédito, suas viagens e de sua mulher são ostentações luxuosas só comparadas às da corte francesa nos tempos de Luiz XV. Não por acaso, sua predileção são as viagens a Paris, onde Janja se esbalda e nos ridiculariza. Jantares, compras de roupas de grife, desfiles da alta costura, rapapés e gastos guardados em segredo, são seus hábitos a confrontar nossos problemas. Tomara que não se repitam os fatos e consequências da revolução francesa.

A falência dos sistemas

Falência múltipla é para o corpo humano a condição em que diversos órgãos vitais do organismo perdem suas funções, simultaneamente, levando-o a sérias consequências, inclusive morte. Esta condição é causada por diversos fatores, como infecção, traumas, envenenamento e perda de suas funções por muitas outras razões ou motivos. É uma complicação que leva ao desequilíbrio do todo, causando estresse e perda de suas atividades próprias na tentativa de suprir as outras falhas. Quando um, ou mais órgãos, param de funcionar ou funcionam mal, de forma adequada à sua propriedade, o corpo entra em estado de desequilíbrio, o que inevitavelmente leva a sérias complicações. Na falta de uma, outras áreas lutam para compensar aquela perdida, o que cria o colapso dos demais órgãos, cada um deles responsáveis pelo perfeito e sadio corpo. É esta integração, e suas circunstâncias próprias, que levam resistência e defesas ao todo, protegendo e assegurando saúde. Assim é nossa vida, com seus mistérios e perfeita sintonia divina. Mas, deixemos este assunto para os profissionais da saúde, os médicos, enfermeiros, seus auxiliares que tão bem exercem seus deveres, quando deles necessitamos. Falemos de outra falência: a das instituições do Estado, de nossa Pátria Mãe, gentil e tão distraída, que com sua grave e quase mortal doença institucional nos leva a severas preocupações com suas falências e desequilíbrio. Comecemos pelo Executivo, a face mais exposta do Estado. Não precisa ser doutor para ver o quanto anda doente este organismo, inchado, excesso de peso, sem destino, perdido no tempo e no espaço, pessimamente alimentado, corroído pela corrupção, come e bebe demais, anda abusando dos prazeres, usando remédios inadequados, sobrecarrega as partes frágeis do corpo, o povo que o elegeu. Os impostos que cobra não são revertidos em favor da saúde e bem-estar do organismo que o sustenta. A gestão e cuidados com o futuro são assuntos desconhecidos e deixados a Deus dará. O Legislativo, este sim, está bem pior do que aquele de quem deveria ser independente. Fraco demais para cumprir seus deveres, sua doença se chama fisiologismo atemporal, cumprindo deveres que deveriam ser do Executivo, esquecendo os seus, utilizando emendas impróprias, esgotando a saúde financeira do Estado e nada contribuindo para o equilíbrio geral. Sua principal doença, chama-se falta de representatividade ou a qualidade dela. Perdeu-se no caminho do que deveria ser, vive o conflito do não ser. Fala demais, tem perda de sentido, nenhuma ideia equilibrada, também manchado pela corrupção e inverdades que lhes assegurem a reeleição. O Judiciário, última fronteira da democracia, o bastião da verdade, da honra e da dignidade, anda com a grave doença de Narciso, se achando, investigando, julgando e aplicando leis quando deveria ser o recurso dos injustiçados, defensor dos oprimidos, equilíbrio da sociedade. A guarda da Constituição, ultrapassada, tão remendada por bactérias oportunistas, foi deixada ao ataque de vírus perigosos. Atropela-se as diversas instâncias, seus procuradores se preocupam mais com o noticiário que com a busca de remédios e justo destino dos processos. Para não falar de outra grave doença, a insaciedade de proventos, alguma coisa tão distante de nossa realidade que só pode ser medida em anos luz.

A nova fronteira do poder

Na história da humanidade é visível o quanto fez, e faz, diferença entre os povos, do poder conquistado através do conhecimento e da informação. Desde o tempo das cavernas, passando pela idade do ferro, era medieval, renascença, tempos modernos, os detentores da tecnologia e informação superaram e venceram seus adversários. Nossas conquistas recentes, do poder, têm sido marcadas pela supremacia bélica, pelas pesquisas nucleares, inventos de armas teleguiadas, drones e um sem fim de artefatos de destruição. Assim era. Um novo cenário está para acontecer em breve, não mais que 1 a 2 anos, com a chegada da inteligência artificial, objeto da feroz disputa entre as nações que lideram o mundo das pesquisas e da busca do domínio sobre a terra. Sua aplicação se dará em todas as áreas das atividades humanas, saúde, economia, educação, sociologia, guerras, lazer, comunicação, artes, música, esportes e tudo mais que nos afeta. As novas guerras não serão de destruição, morte ou genocídios. Serão do domínio da economia, poder sobre a mente, conhecimento tecnológico, influência nas decisões da população, inclusive eleições supostamente democráticas, que comandarão os povos tidos como adversários ou inimigos. Os computadores, com poderes de análise de dados e desenvolvimento da inteligência, baseados nas reações humanas, darão aos seus detentores todas as formas, põe formas nisto, para ações de domínio sobre os “outros”. Vejamos as divisões estratégicas, atuais, postas em prática pelos países mais poderosos para vencer e conquistar esta nova fronteira. A China, o grande e revigorado dragão da economia mundial, investe fortemente na formação de técnicos e laboratórios, buscando a chamada tecnologia aberta e acessível. Sua DeepSeek é uma inteligência artificial que processa e analisa grandes volumes de dados, com capacidade de realizar tarefas complexas, mais eficiente e de custo reduzido em comparação com os modelos similares do mercado. Cria cronogramas, define metas e prioriza tarefas, é capaz de mostrar ao usuário como está pensando para elaborar respostas. É de acesso gratuito, o que a faz grande pesquisadora de informações e cadastro. Esta é sua parte visível e, naturalmente, suas outras aplicações são segredo de estado. Os Estados Unidos, através de empresas privadas como a Google, Microsoft, Anthropic, Open AI, Meta e Apple desenvolvem suas plataformas de inteligência artificial de forma independente, no entanto, proibidas de criarem patente sobre seus produtos, segundo legislação do tempo do presidente Joe Biden. Com Trump no poder, pode haver mudanças na legislação, tendo em sua posse reunido empresários do setor e anunciado o financiamento de 500 bilhões de dólares para aplicação no desenvolvimento e pesquisas da ferramenta. A Europa também adota o projeto de forma privada e independente, com a França se destacando entre os países. O Reino Unido assinou acordo com os americanos para serem parceiros nas pesquisas e desenvolvimento. O Brasil, apesar de ser um dos maiores usuários de inteligência artificial no mundo, não tem destaque como criador, pesquisador ou incentivo de estado para a construção de sua própria inteligência artificial de grande porte. Cabe aos pequenos empresários toda iniciativa de pesquisa e desenvolvimento.

Quando um Papa morre

Os Apostólicos Romanos, quase dois bilhões de humanos ao redor do mundo, perdem, com a morte do Papa, a referência de liderança e o principal Pastor de nossa fé. É uma orfandade temporária, para nos lembrar da morte e da eternidade, até a eleição de um novo pontífice, aquele que calçará as sandálias do pescador e conduzirá, até a morte, o destino e a esperança de seu povo Cristão. Será ele um guia, um condutor do barco de Pedro, neste mundo de tempestades, mares bravios e incertos, onde a insegurança e diferenças sociais se avolumam. Sua bússola dará o Norte dos Cristãos, assim como fez Francisco, com suas preocupações sociais, um pacifista e defensor da participação das mulheres na vida da Igreja, não fora ele um Mariano. A Igreja Católica, assim como o mundo que a cerca, também tem seus questionamentos e críticas de seu passado e presente. Assim não fora, estaríamos vivendo entre divindades, mas humanos que somos a perfeição anda distante, o que não quer dizer deixar de ser buscada. No Brasil, temos oito cardeais que participarão da eleição do novo Papa, um acontecimento político-religioso igual ou similar a outros neste mundo de Deus. Os valores que irão definir nosso novo guia são aqueles que buscamos com nossa fé e esperança, um defensor de um mundo mais justo, de nações pacíficas, de pessoas que olhem o próximo com caridade e que estendam as mãos para doar seus valores, principalmente amor e solidariedade. Nossa Igreja Católica tem participado de forma ativa na vida do Brasil, desde a chegada dos portugueses e celebração da primeira missa em 26 de abril de 1500, há exatos 525 anos. Sua contribuição social através de inúmeras ações a destacam na nossa vida cotidiana e assistencial. Para a educação de nosso povo é reconhecida e merece ser lembrada, com suas muitas Congregações abrindo escolas e disseminando o conhecimento. Destaco especialmente a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, uma referência de qualidade e permanente dedicação ao levar a luz do conhecimento aos nossos jovens mineiros, muitos deles carentes e necessitados de ajuda para estudar. Seu Reitor, Padre Luiz Henrique Eloy e Silva, é um daqueles raros personagens que o mundo nos presenteia para disseminar a paz, amor, conhecimento, humildade e dedicação às causas sociais. O novo Papa que virá há de nos guiar como o Espírito Santo, iluminando nossos caminhos, nos fazendo mais humildes, humanos e devotados às verdadeiras causas de Cristo. Que assim seja.

Os tombos da vida

Quem nunca caiu? É inevitável cair ao tropeçar em um obstáculo qualquer, escorregar em uma casca de banana ou chão molhado, sentir um inconveniente empurrão em meio da turba, na escada rolante ou em uma prosaica distração que nos leva, sem querer, a uma queda. Às vezes com sérias consequências, especialmente nos idosos. Fraturas são comuns e com graves consequências à vítima destas circunstâncias. Assim me aconteceu recentemente, felizmente sem tão graves decorrências. Apenas quatro dentes da frente quebrados ao cair de boca no chão. A solidariedade humana foi colocada à prova e demonstrada de imediato. Fui bem socorrido por caminhantes, que como eu, naquela manhã fazíamos nossos exercícios matinais sem contar com as armadilhas das calçadas da cidade. Normalmente, caminho na rua, no asfalto, onde tem menos buracos e o piso é uniforme, porém, ao mudar de quarteirão tive que andar, com passadas rápidas, no passeio da Rua Milton Amado, no Bairro São Bento. Milton Amado, jornalista, tradutor de Pasternak, um gênio do jornalismo mineiro, militante da esquerda, meu amigo que conheci velho, no antigo e bom “Diário de Minas”, morou alguns anos na Rússia por identidade ideológica e prazeres de intelectual. Um desnível no cimento, um degrau traiçoeiro, levou- -me a “catar cavacos” por mais de cinco metros e finalmente, inevitavelmente, cair de boca no chão com sangue a jorrar pela boca e nariz. O socorro, imediato, de desconhecidos, foram providenciais e fui levado ao hospital onde recebi os pontos necessários na boca, cirurgia plástica no lábio e agradecido por não ter tido consequências piores. A partir de então passei a olhar melhor as calçadas de nossa cidade, em um exercício de penitência e precaução ante a estes inevitáveis acidentes. Tenho ficado horrorizado com o estado de nossas calçadas, praças, passeios públicos e lugares de lazer e entretenimento dos cidadãos. Sei que o dever da boa conservação das calçadas é dos donos dos imóveis, mas o relaxamento da Prefeitura de BH na fiscalização do estado destes lugares públicos é preocupante. Não se tem notícia de sua atuação, fiscais atuantes e política pública deste cuidado fundamental com os transeuntes. Temos um novo prefeito, de quem temos as melhores expectativas e daqui coloco mais este novo velho problema para sua gestão. Sei dos outros graves como transporte coletivo, trânsito, miséria nas ruas, pichações, lixo por todo lado, saúde carente, ensino deficiente, mas, acrescento, prefeito, mande olhar nossas calçadas. Ponha os fiscais nas ruas. Os atendimentos dos prontos-socorros podem dar uma boa estatística da quantidade de vítimas que sofrem com esta lamentável realidade.