O desemprego e o Bolsa Família
Para quem acredita na propaganda oficial do governo federal, de que o atual índice de desemprego é de apenas 5,1% dos trabalhadores ativos, notícia amplamente divulgada pelos veículos de comunicação, convém prestar atenção nos critérios que o IBGE utiliza. A última pesquisa do Instituto, divulgada em janeiro de 2026, aponta que dos 103 milhões de brasileiros, total de nossa força ativa, somente 5,1% estão desempregados. Ou seja, quase 50% da população total do país tem emprego ou ocupação regular. Número que não fecha com os dados do Ministério do Trabalho, segundo o Novo Caged, desde o último trimestre de 2025 há perda de postos de trabalho formal, inclusive para novas tecnologias, como inteligência artificial. O crescimento, em 2025, de mais de um milhão de vagas é a recuperação, pós-pandemia, do mercado de empregos, especialmente no setor de serviços, com reflexo positivo na Previdência Social. Há uma clara manipulação política nos índices do IBGE. Os critérios para classificação de desocupados ou desempregados são: não ter trabalho, não estar procurando trabalho ou estar disponível para trabalhar. O fato é que os desempregados não mais procuram trabalho, nem querem trabalhar. Quanto à Previdência, é real que estamos envelhecendo e aumentando o número de aposentados, mas só diminui o número de novos contribuintes, gerando déficits anuais. Aí acontece o reflexo do Bolsa Família, exagerado, na busca do emprego, desafios e desejos de crescimento. A explicação é mais simples e o mundo real nos mostra as razões. A justificada assistência social, para os realmente necessitados, alcançou um universo paralelo imenso de aproveitadores, que não buscam trabalho, não querem trabalhar, consideram suficiente a bolsa que indevidamente recebem e lhes traz situação de conforto, extensiva aos familiares. Por que trabalhar se o Estado a tudo provê? Não pagam energia, recebem gás de graça, assistência médica, hospitalar e alimentar, segundo suas necessidades. A construção civil, o comércio, serviços, agro empreendedores e as demais indústrias estão à procura de trabalhadores, que não existem mais. Os salários disponíveis são atrativos, especialmente para os experientes e qualificados, mão de obra inexistente de Norte a Sul no país. Entramos no caminho que leva o país a lugar nenhum, muito menos ao desenvolvimento. Somente o trabalho gera crescimento, pessoal e da pátria, como sempre foi e sempre será, em qualquer lugar do mundo. Somos, hoje, uma nação de desalentados, seja para trabalhar ou empreender. Um país que cobra os mais altos impostos do mundo, juros estratosféricos, não incentiva empresários, obstrui com taxações qualquer iniciativa de modernização, demoniza o lucro ou a riqueza, propaga a perseguição aos que têm sucesso empresarial ou financeiro. E o pior, suas ultrapassadas leis trabalhistas impõem a quem gera emprego cobrança de valores iguais ao que paga ao trabalhador, em favor do Estado. Perdão, mais do que o salário do trabalhador, já que a este é imposto valor cobrado sobre o salário, como se fosse renda tributável. Qual a razão de pagar ao tesouro nacional, sistema S, sindicatos, associações, FGTS e outros similares valores pela geração de emprego? Para ter direito à CLT? À Justiça do Trabalho? Que nação é esta que quer ter paternidade sobre o trabalhador? Gerenciar seu patrimônio, como o FGTS? Este é o nosso Brasil, este é o nosso governo, que ao invés de incentivar empresas e o trabalho quer reduzir nossas jornadas, rendimentos e prosperidade. Quanto mais pobre for o seu povo, também o será o país.
Sob o domínio do medo
“Sob o Domínio do Medo”, filme norte-americano de 1971, ação/suspense/terror, dirigido por Sam Peckinpah, estrelado por Dustin Hoffman, narra o quanto o medo e a violência podem traumatizar vidas. Foi lançado na mesma época de “Laranja Mecânica”, de Stanley Kubrick e ambos muito criticados por levarem às telas a violência de forma crua, provocando debates acirrados. Para a psicologia, o medo é uma emoção básica e natural de sobrevivência, uma resposta à ameaça real ou percebida, que prepara o corpo e a mente para lutar ou fugir. Para a filosofia, o medo é uma emoção fundamental, um mecanismo de alerta e sobrevivência, mas pode ser um obstáculo paralisante ou catalisador para o autoconhecimento e a ação, dependendo da interpretação de quem o tem. Nietzsche o vê como um freio à moralidade. Independentemente de suas conotações psicológicas ou filosóficas, certo é que o medo tem aumentado em nossas vidas, presente no cotidiano, cada dia mais percebido e multiplicado pela insegurança destes novos tempos. Em Minas Gerais, apenas para exemplificar, o governador Romeu Zema ampliou de um para dois anos o período em que o ex-governador e ex-vice-governador passem a ter o direito aos serviços de segurança mantidos, através do Gabinete Militar, após o fim do mandato. Guarda pessoal, com militares à disposição e logística mantida sob gastos do Estado. A medida foi publicada em 31 de dezembro de 2025, poucos meses antes dele deixar o governo. Tem razão o governador. A insegurança é cada dia maior no Estado e em todo o Brasil. Já somos, também, um narcoestado, a exemplo da Colômbia, Bolívia e Venezuela. Melhor esclarecendo, a Polícia Federal apreendeu, em 2025, no Aeroporto de Confins, 3,5 toneladas de cocaína, um crescimento de 600% na comparação com o ano anterior. Apreendeu 22 toneladas de maconha, além de ecstasy, anfetaminas, metanfetaminas, skunk, haxixe e o prosaico lança perfume. Estamos inseridos na rota internacional do tráfico de drogas há muito tempo, com ela a violência e crimes inerentes. Bem fez o ministro da Justiça e Segurança Pública do governo federal, Ricardo Lewandowski, que pediu demissão do cargo por falta de sustentação política e orçamento. Não conseguiu fazer avançar nenhuma de suas propostas para melhorar o combate ao tráfico de drogas, quadrilhas do crime organizado, roubos institucionais e cotidianos, já incorporados ao nosso tecido social. Por onde olharmos lá está o crime a nos provocar medo e insegurança. Os virtuais acontecem sem a mínima chance de serem descobertos, pelo total despreparo e falta de instrumentos policiais em combatê-los. Aqui em Minas, o mesmo governador que assegurou sua própria proteção, abandonou e sucateou as forças de segurança, permitindo o avanço assustador do crime, sejam homicídios, roubos ou falcatruas públicas e privadas, repetindo o que se tornou praxe no país nos últimos anos. O crime passou a compensar. Basta perguntar aos policiais civis e militares sobre o tratamento que têm recebido do estado mineiro. Para não dizerem que só apresento problemas, quero deixar uma sugestão para sanar esta questão. Que tal, governador, o senhor publicar medida de segurança, similar à sua, para os professores que apanham dos alunos em sala de aula, dos médicos e profissionais da saúde que são agredidos nos atendimentos públicos, para as vítimas de feminicídio e tantas outras expostas ao permanente medo e insegurança? Quanto a aumentar salários, nem precisa ser igual ao seu, basta fazer a correção pela inflação dos anos anteriores.
Procuram-se candidatos honestos
Dos estados brasileiros, Minas Gerais foi privilegiado pela qualidade de seus governantes. Na nossa memória estão nomes como Milton Campos, Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves. Para ficarmos em apenas três políticos que marcaram época pela sua atuação e reconhecida competência política, administrativa e ousadia em favor do progresso. É um passado que honra nosso Estado, orgulha nosso povo, credencia Minas Gerais como celeiro de sabedoria, dignidade e desenvolvimento. Nomes que deram aos mineiros credenciais e projeção nacional pela capacidade pública, diálogo e entendimento para a pacificação de forças políticas antagônicas. Bons tempos quando a política era feita respeitando princípios e valores, com retidão, competência, sem interferências do marketing das aparências ou influências virtuais enganosas. Tempos em que ideologias eram menores que interesses públicos, extremismos eram tratados com diálogo, bem comum com renúncias de ideias em favor da governabilidade. Respeitava-se projetos e vencedores das eleições, com os vencidos a compreender e aceitar a voz das urnas, somando forças em favor do povo e do Estado. A oposição não era inimiga, não atuava em favor da terra arrasada, mas mantinha firme sua visão política e ideológica. Daqui a pouco estamos no novo ano e com ele novas eleições. Nosso horizonte e perspectivas não trazem alento para melhoria dos lamentáveis governos recentes, tanto a nível estadual quanto federal. Nossas Casas Legislativas se acostumaram com o declínio de sua vocação e de seus componentes ao longo de décadas. A cada legislatura cai a qualidade de nossos deputados e senadores. Onde estão os qualificados homens de ideias e projetos políticos? Com certeza não estão nas dezenas de partidos políticos transformados em cartórios e balcão de negócios pelos seus dirigentes. Não existem mais ideias, programas, conceitos ideológicos nem representatividade nestas organizações perigosas, algumas criminosas e que estão a levar municípios, estados e federação para caminhos da insegurança e quebra de suas estruturas. A democracia perde espaço para manipuladores do poder, desrespeitando a Carta Magna e muitas vezes falando em seu nome. Rui Barbosa nunca foi tão atual em sua famosa frase: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”. Estamos no limiar da crença em nossos valores, perdidos no cipoal da insegurança institucional, entregues às ameaças e invasão do poder por bandidos que se infiltraram no meio político. Aos homens honestos, de princípios, cultos e capazes ficam a desesperança e ausência nesta arena de lutas inglórias. Ser candidato a cargos públicos passou a designar indivíduos dispostos a tudo, inclusive a transgressão das leis, sem honra nem dignidade. A violência não acontece somente nas ruas, também está instalada nos órgãos do poder Executivo, Legislativo e Judiciário.
Minas dos bancos e políticos
Carlos Drummond de Andrade, nosso poeta maior, descreve a solidão, a desilusão e a busca de um novo rumo, em meio ao caos, em seu poema “E agora, José? A festa acabou. A luz apagou. O povo sumiu. E agora, você? Você que é sem nome”. Publicado em 1942, em plena segunda grande guerra, tempos da ditadura Vargas, quando a incerteza campeava pelo mundo, assim como agora assistimos nosso destino político, democracia e economia serem como um barco sem comando a vaguear em mar agitado. Em “Triste Horizonte”, ele repete suas amarguras a respeito de Belo Horizonte, em um tempo em que a cidade ainda era, para nós, puro encanto, quebrado com o passar dos tempos. Drummond, hoje, precisa ser lido como profeta, poeta é dar-lhe injusta e pouca dimensão. Minas dos homens honrados, bancos e financistas fortemente estabelecidos, de grandes e sábios políticos, não há mais. O filme “Meia-noite em Paris” (Midnight in Paris), escrito e dirigido por Woody Allen, recebeu o Oscar de melhor roteiro original, além da indicação para outras três categorias. É a história de um escritor e roteirista americano, que vai com a noiva e os pais dela a Paris, cidade que ele idolatra. Como em sonho, à meia-noite é transportado para a Paris de 1920, época do passado que ele considera a melhor de todas. Nos passeios da meia-noite, encontra os grandes intelectuais da época e com eles convive. Lá estão F. Scott Fitzgerald, Hemingway, Salvador Dali, Gertrude Stein e parte da inteligência de então. Confronta o passado com a realidade atual, assim como fazemos agora. O passado sempre nos parece melhor, em uma projeção no tempo de quando nós é que o fomos. Olhar o passado é querer construir um futuro melhor. Citar Clemente Faria, Cristiano Guimarães, Sebastião Augusto de Lima, Magalhães Pinto, Vicente Araújo, Aloísio Faria, Flávio Pentagna Guimarães e tantos outros que marcaram época e liderança econômica do país, é dar a Minas e aos seus banqueiros honra, tradição e competência. Nossos bancos eram respeitados, reconhecidos e seus donos homens que traduziam dignidade e confiança. Mas, os tempos mudam e como castigo, agora, temos a decepção de ver um banqueiro de Minas Gerais ser preso pela Polícia Federal por crime contra o sistema financeiro. Sua projeção nacional, arrastando falso conceito de grandeza e segurança, nos deixa expostos naquilo que nossa tradição mais nos orgulha, a honra e dignidade. Da mesma forma é citar políticos de Minas, terra de homens equilibrados, servidores públicos, honrados e honestos, como Milton Campos, Wenceslau Braz, Olegário Maciel, Antônio Carlos, Juscelino Kubitschek, Tancredo Neves, Renato Azeredo, Itamar Franco, Hélio Garcia, Eduardo Azeredo, Aécio Neves, Antonio Anastasia e tantos outros que brilharam no Estado ou no cenário nacional. Hoje, ao olharmos o Congresso Nacional, onde estão nossos representantes, vemos um vazio de políticos, líderes e personalidades públicas à altura do nosso aguerrido Estado de Minas Gerais. Breve teremos novas eleições, a esperança é que surjam nomes e lideranças que nos devolvam aquilo que sempre foi nosso: o orgulho de sermos de Minas.
Urnas da vingança
Nelson Rodrigues, jornalista, escritor e teatrólogo brasileiro tem uma frase lapidar a respeito da democracia: “A democracia é o único sistema político que dá voz aos idiotas. O problema é que eles vão dominar o mundo, não pela qualidade, mas pela quantidade”. Sinais de que já começaram a dominar os tempos onde a democracia se faz presente, ou falam em seu nome. Não vou citar os Estados Unidos, tidos como seu exemplo, nem Rússia, onde é citada, nem Venezuela, Argentina ou França. Vou ficar com um exemplo caseiro, conhecido, onde a manipulação do poder está em pleno vigor, atuante, a desvirtuar o desejo do povo, em nome de quem, afinal, o poder deveria ser exercido. Vejo a submissão do Legislativo de Minas Gerais ao atual governador, no caso das privatizações, como um lamentável erro de avaliação e ação política sem precedentes. Mudaram a Constituição do Estado para atender desejo pessoal do mandatário, dispensando a consulta popular, até então prevista. Ou seja, amordaçaram o povo. São os deputados estaduais os representantes do povo mineiro? São, em tese. Podem fazer leis e mudar a Constituição? Sim, desde que sejam para atender à população e não a prejudicar. Mudaram a Constituição para atender ao povo? Não, nem equivale a um “referendum” popular. Neste país, de leis elásticas, vence aqueles que as interpretam a seu favor e pelo poder a exerce. Ignoram seus compromissos e juramentos. Por que só no final de seu mandato o atual governador busca a privatização da Copasa? Da Cemig, da Gasmig, da Codemge? Se era um programa de governo, por que não teve a coragem de colocar este tema na campanha de sua eleição, transparentemente? Tem cheiro de negociata a privatização autorizada. Durante anos, fui diretor da empresa de telecomunicações do Estado, que contava com as três melhores empresas brasileiras de serviços públicos: Cemig, Copasa e Telemig, todas públicas. Vi a privatização das teles, acompanhei de perto o “limite das responsabilidades” como disse o então Ministro das Comunicações. Fui e sou a favor das privatizações, especialmente sou a favor da forma honesta de o fazer. Com documentos sob censura, usando artifícios e argumentos falsos, não é ser transparente e nem correto. Neste momento, no atual contexto político econômico do país, e do estado especialmente, qualquer privatização é suspeita. No fim de mandato, então, é para lá de ofensivo ao patrimônio do Estado e de seu povo. Curiosamente, no caso das teles, onde manobras nada republicanas aconteceram, a única empresa brasileira que arrematou uma parte do sistema, agora teve sua falência decretada, a antiga Telemar, hoje Oi. Perdemos todos, especialmente o patrimônio público, a honra e a honestidade. Se tivéssemos leis rigorosas, metade, ou mais, dos encarregados da privatização e vencedores brasileiros estariam presos, com severas penas por corrupção e peculato. Fui totalmente a favor da privatização, onde a proporção de telefones por habitante, antes da privatização era de 8 telefones por 100 habitantes. Hoje é de 120 telefones pelos mesmos 100 habitantes. Não da forma que foi feita. Ao governo federal, durante anos, não interessava investir e não permitia a expansão destes serviços. Aos que dizem ser representantes do povo é bom lembrá-los que ano que vem tem eleições. As urnas têm o cruel e costumeiro hábito da vingança.
Tá dominado
Esta expressão, ou gíria popular, significa que algo está sob controle, garantido ou conquistado. Assim, quando o bandido diz que “Tá dominado” é para referir-se a uma situação de absoluta confiança de poder e domínio sobre determinado território ou situação. Inspirado em um funk, do “Furacão 2000”, sucesso nos bailes das comunidades pobres, a expressão ganhou popularidade e é usada em nossa língua de forma corrente. Assim como outra expressão, a “Perdeu, mané”, utilizada normalmente pelos assaltantes à vítima de seu crime, para deixar claro que a situação é de controle dele, o bandido. Recentemente, o então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, teve a infelicidade de usar a “Perdeu, mané” para uma pessoa comum que o questionava de decisão discutível da Corte. Enfim, a língua é viva, o vocabulário é mutável, expressões são criadas e entram em nosso dia a dia, e conversas com seu significado alterado ou para definir melhor determinada expressão. Quanto a aceitar neologismos é natural de nossa comunicação, afinal, tudo muda, a vida, as relações sociais, a natureza, as pessoas, os amigos, os amores, as crenças e as expectativas para o futuro. Muda também a comunicação, as expressões faladas. No entanto, é preciso muito cuidado para não permitirmos a mudança dos valores, como honra, dignidade, preceitos, conceitos e as leis conquistadas ao longo de séculos. É preciso zelar pelos fundamentos da sociedade, dar e determinar limites para nossa organização social, não permitir transgressões a tão caros valores construídos ao longo de séculos. A política e seus agentes não podem, à guisa de oportunismos, destruir o que nos é caro, o que nos sustenta e determina nossos limites. Para isso temos os regulamentos sociais, Constituições do Estado de direito, leis que nos regem e punem aos que as transgredem. Toda essa introdução tem o intuito de criticar, reprovar, não aceitar a expressão usada pelo nosso presidente da República, em recente visita a Jacarta, capital da Indonésia, a dizer que o traficante é vítima dos usuários das drogas. Jamais poderia ter usado tal expressão, mesmo que em erro de “construção da frase”, como alega, afinal, uma autoridade representante de um país, que deseja ser reconhecido como desenvolvido, não pode cometer tamanho erro. Justamente na Indonésia, um país de rigorosa legislação onde o traficante é punido com a morte. Teria o presidente do Brasil a intenção de interceder por criminosos brasileiros lá sentenciados com a pena de morte? Foi realmente um erro na construção da frase? Pode ser uma coincidência infeliz, repetida, como já o fez, em Paris, em entrevista à imprensa francesa, dizer que o Brasil tem mais de 30 milhões de crianças nas ruas, passando fome. Seria despreparo ou má intenção? Este tipo de manifestação dá ao bandido, ao criminoso, força e estímulos às suas ações. O que acontece no Rio de Janeiro já não é bastante para reações firmes da polícia e força nacional? Só para finalizar, e lamentar o episódio, no passado a esquerda brasileira ficou marcada pelo apoio aos bandidos e criminosos, dando-lhes assistência nas prisões, sem nunca ter se preocupado com as vítimas. Criaram, inclusive, o benefício financeiro para o preso. Mas, e as vítimas, como ficam?
Águas da tormenta
A Lagoa da Pampulha teve sua origem em 1936, na administração do prefeito Octacílio Negrão de Lima, com a finalidade de represamento do Ribeirão Pampulha, causador de enchentes, inundações e problemas para os ribeirinhos. Juscelino Kubitscheck, seu sucessor, teve a grande ideia de transformar, aquele pequeno lago de então, em um complexo arquitetônico que marcasse a cultura, lazer e turismo para a capital. O arquiteto Oscar Niemeyer, ainda jovem, projeta todo o seu entorno, chama Joaquim Cardoso, o calculista, e dão forma ao grande empreendimento. Lá estão inúmeras atrações de cultura, arte, turismo e lazer, como Museu de Arte Moderna, a Casa do Baile, o Zoológico, o Parque Promotor Lins do Rego, o Jardim Botânico, a Universidade Federal de Minas Gerais, o Parque Guanabara, a Igreja São Francisco de Assis, o Iate Tênis Clube, o Pampulha Iate Clube, o Clube Belo Horizonte, o Clube do Banco do Brasil, o Restaurante Xapuri, o Restaurante Paladino e inúmeras outras atrações que a fazem um dos lugares ícones da cidade. Além destas inúmeras atrações, os bairros da região passaram a viver situações antagônicas. Por um lado, a valorização dos imóveis, por outro, o abandono público da região e de seu lago. As águas dos seus diversos córregos passaram a ser receptáculos do esgoto in natura, de seus moradores, de Contagem e Ribeirão das Neves. Apodreceu o lago. Anos se passaram com seu total abandono pelo poder público, com assoreamento e outras pestes a infectar o tão bonito local. De 1979 a 1996, foi realizada obra de drenagem de sedimentos e a consequente perda de parte de seu espelho d’água. Depois vieram os aguapés, que segundo a lenda urbana, foram recomendados por ecólogos para a absorção das impurezas das águas. Eles se transformaram em grave problema com sua reprodução incontrolável e nada absorveram, só multiplicaram. Milhões foram gastos para retirá-los, dando à cidade graves prejuízos, com contratos opacos a endividar o município. A história segue. Novos contratos são feitos e continuam a gastança do descontrolado dinheiro público, a enriquecer fornecedores e serem alvos de processos policiais, judiciais, CPIs, uma vergonha para os administradores da cidade, pela ineficiência e corrupção. Moradores e visitantes bem sabem o quanto fedem suas águas putrefatas, inadequadas para delas se aproximar. O lixo e dejetos nela jogados são condenação à sua beleza e vida. Mas o pior está sendo anunciado. Apesar das péssimas condições de suas águas, a atual administração municipal vem anunciar a sua navegabilidade. Projeta-se colocar barcos turísticos a singrar tão despropositado esgoto, onde até os urubus “voam de costas”, como diria o falecido jornalista Stanislau Ponte Preta, o Sérgio Porto. Fico a imaginar um desastrado e infeliz turista, por um acidente qualquer, cair nestas águas, nelas mergulhar involuntariamente, qual seria o seu estado de saúde. Imagino que a todos os turistas será fornecida uma máscara de proteção, contra o mau cheiro característico do local. Seria um mergulho, similar ao Canto XXXII, no Lago Cócito, onde Dante, na Divina Comédia, descreve no seu último inferno, só que aqui o afogamento permanente seria em ondas de fezes e urina. Quem escreve este artigo/protesto é um Pampulhano com mais de 40 anos de sofrimento e esgoto a infernizar os seus dias.
Prefeito do “sim”, cidade do “não”
Está na média de Belo Horizonte a nova campanha de comunicação da Prefeitura da cidade, a primeira do atual prefeito, onde o tema explorado é “A cidade do sim”. Nela está demonstrada a boa vontade, positivismo e otimismo do chefe do Executivo em relação às diversas atividades e serviços que deveriam ser prestados aos cidadãos. O sim é para a limpeza, sim para o transporte coletivo, sim para a construção civil, sim para a vida urbana, sim para os parques e jardins, sim para a saúde, sim para o meio ambiente e sim para a educação. O prefeito Álvaro Damião tem repetido, em todas as suas manifestações, que a Lagoa da Pampulha será navegável e apropriada para a natação, que poderão ser construídos prédios com mais de 50 andares na cidade, além de outras mensagens afirmativas de desenvolvimento e progresso. Seus desejos já são conhecidos e agora informados através dos veículos de comunicação de massa que chegou a hora da cidade melhorar. Já era tempo. Acontece que entre os bons desejos do prefeito, e a realidade, existe uma brutal distância que será grande adversária destes projetos. A cidade está suja, lixo espalhado pelas ruas, pichações em todos os lugares, nos imóveis públicos e privados, tombados ou não. Os moradores de rua e o consumo de drogas só aumenta, agora espalhados pela cidade inteira, expondo nossa chaga social e falta de políticas de proteção a eles e aos cidadãos. A segurança pública nunca esteve pior, com crimes de toda ordem, roubos de veículos e motos quebrando todos os recordes até então registrados. Assaltos aos cidadãos, invasão de domicílios, roubo de celulares, agressão às mulheres, homicídios e tantos outros crimes. O atendimento à saúde é um caos, especialmente em épocas de intenso frio ou calor excessivo. A educação, como bem exposto pelos sindicatos da categoria, não recebe investimentos dignos, seja no salário de seus profissionais ou nas instalações adequadas. Sem contar a inexistência de vagas nas creches para crianças de 2 a 6 anos. O que, na verdade, não é surpresa. Nos últimos 40 anos, Belo Horizonte não tem recebido os investimentos necessários, mínimos para mudar sua realidade e condição de grande metrópole, cidade que já foi um dia, Cidade Jardim. Nossos últimos mandatários municipais e estaduais, por falta de prestígio político ou real interesse na administração pública, deixaram a vida seguir sem intervenções mínimas necessárias às transformações urbanas de BH. O caso de nosso metrô é emblemático. Todas as capitais brasileiras o instalaram e o operam com razoável eficiência. O nosso virou uma triste lenda urbana de uma história lamentável. Outra grande obra realizada na cidade, o Túnel da Lagoinha, é dos anos 1980, terminada pelo então prefeito Hélio Garcia. Sem esquecer a transformação do corredor da Avenida Antônio Carlos pelo então prefeito Marcio Lacerda. Fora isso, nada. Nenhuma obra, nenhum projeto, nenhuma vontade de realizar, começar mudar a cidade urbanamente, socialmente e economicamente. Enquanto isso, sim, nossos problemas se multiplicaram.
A opção pela pobreza
Os governos brasileiros, ao longo dos séculos, fizeram diversas opções na condução dos destinos de nossa Pátria mãe e seu povo. Logo no seu descobrimento, os portugueses não tiveram dúvidas, a Terra de Santa Cruz, sua colônia, seria provedora de matérias-primas para a sede do Império. Levaram madeira, produtos agrícolas, minerais, especialmente o ouro e diamantes das Minas Gerais e tudo mais que puderam extrair e levar. Nada trouxeram. Enquanto os espanhóis, iguais colonizadores, instalaram em Lima, no Peru, em 1551, a primeira Faculdade das Américas, a São Marcos. Os portugueses só permitiram a instalação da primeira instituição de ensino superior no Brasil em 1825, quase três séculos depois. São as Faculdades de Direito São Francisco, primeiro em Recife, depois, São Paulo, após a Independência, em 1822. Consideravam que o ensino e conhecimento eram bens estratégicos, privilégio da sede do Império. Nossos estudantes, filhos dos ricos, se quisessem estudar tinham que ir para Coimbra, onde eram aceitos a preços exorbitantes. Segue a história de nossa Pátria subtraída. Chegada à República, proclamada pelos antigos imperialistas, a opção foi fazer do país uma nação agrícola, levando para o interior os imigrantes que chegavam e foram incentivados ao trabalho rural. Nenhum grande investimento foi feito na educação, uma lamentável decisão dos governantes que o tempo comprova. Nenhuma política pública foi adotada para o desenvolvimento das pessoas, especialmente para os negros, que perderam casa e comida com a liberdade. Eram senzalas, mas tinham teto e sobra de comida da casa grande. Ficaram livres, mas não tinham nada, exceto o preconceito continuado. A elite, os barões do café, do gado e do ouro, mantiveram seus domínios e prestígio, ocupando os governos como melhor os negociavam. Continua a história da mãe distraída. Vargas, com ajuda dos mineiros, toma o poder e cria, em nome dos pobres, leis trabalhistas que escravizam os trabalhadores. O patrão agora paga, além do salário mínimo ao empregado, impostos à nação pelo emprego criado. Coisa de gênio arrecadador, mas em nome do pobre. Uma pergunta que não cala: Qual a razão de pagar impostos ou taxas ao governo pela criação de um emprego? Muito estranho o trabalhador ter seu salário diminuído para ter direitos da CLT e, ainda, ser grato ao ditador que se dizia “pai dos pobres”. Cria-se a jabuticaba Justiça do Trabalho. Assim vai seguindo a mãe sofrida. Chega JK e uma luz se acende no fim do túnel. Ele vai a Paris, como Governador de Minas, na companhia de Francisco Campos, interessados que estavam no desenvolvimento do ensino e na renovação pedagógica. Convidam Helena Wladimirna Antipoff, russa e educadora, a vir para o Brasil e implantar escolas de formação de professores, chamado curso Normal Regional. Helena foi aluna do Instituto Jean Jaques Rousseau, em Genebra, com formação em Psicologia. Bingo. Pelas razões que a lógica não explica, ela aceita e vem para Minas Gerais, mais precisamente em Ibirité, e cria a Fazenda do Rosário. Com sua influência, o Instituto de Educação do Estado se transforma no educandário que durante décadas foi a usina geradora de jovens professoras que mudaram a face do ensino mineiro. Sem contar a implantação do Instituto Pestalozzi, especializado em crianças excepcionais. A este tempo, na minha cidade, Santo Antônio do Monte, foi criada a Escola Normal Regional Nossa Senhora de Fátima, sob a direção da genial mestra Maria Angélica de Castro, discípula de Helena Antipoff, curso que tive a honra de frequentar, base de minha formação acadêmica. A história da Pátria segue iludida. A partir deste século, a educação brasileira foi vítima de orientação ideológica, gestores comprometidos com políticas que em nada acrescentam ao nosso desenvolvimento e com orientação pedagógica controversa. Nossa Pátria mãe ainda espera governantes que se interessem pela educação como fator de crescimento. Sabemos que só ela e o conhecimento transformam vidas. Ajudas sociais é remédio passageiro e assim deveria ser tratado. Nossa vergonhosa posição no mundo desenvolvido se deve à falta de investimentos na infraestrutura e nos profissionais da educação, como bem demonstra a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A esperança não está perdida.
Um tiro e dois coelhos
O tiro louco do Trump em sobretaxar produtos brasileiros em 50%, a partir de 6 de agosto, pode nos trazer um benefício inesperado. É evidente que teremos graves prejuízos na economia, perda de prestígio na diplomacia, desemprego inevitável, aumento ou criação do complexo de vira-lata e nossa soberania ferida. Mas, de repente, tal medida ajudaria a queimar, expurgar de nossa vida política dois personagens nefastos da vida brasileira. Bolsonaro, e tudo que representa, estará mortalmente ferido politicamente pela ação direta no absurdo acontecimento. É ele, e seu filho, os agentes que se aproveitam de suas relações com Trump para coagir os Poderes Judiciário e Executivo brasileiro em favor de causas pessoais. O ex-presidente, com possível condenação prevista para o segundo semestre, tem processo criminal/político com fundamentos justos, porém, manchado pela forma de condução. Nosso Supremo deveria ater-se a julgamentos constitucionais, nunca entrar em debates políticos ou conduzir processos, investigar e inquirir supostos réus, em ações que deveriam ter origem na sua primeira instância, de lá subir até o máximo poder. Os holofotes e cor política partidária estão dando o tom na condução de um fato condenável, coordenado pelos detentores do poder de então, manifestações desastradas de seguidores cegos pelo ufanismo despropositado. Vigílias em frente a comandos do Exército, invasões às propriedades públicas, valem tanto quanto passeatas em favor do sexo dos anjos. Lula, o falador, será o culpado de conduzir nossa diplomacia com viés ideológico, ultrapassado, imaginando-se e querendo parecer, um grande líder mundial, capaz de resolver questões como a guerra da Rússia e Ucrânia, “assentando se à mesa com Putin e Zelensky, tomando uma cerveja”, nas suas próprias palavras. Sua opção em apoiar e defender ditadores e mandatários usurpadores de poder, e com eles manter relações estreitas, nos tem levado à condição de republiqueta inexpressiva, quebrando uma tradição de 200 anos de altivez, honra e independência diplomática. O espírito do Barão do Rio Branco deve estar se sentindo envergonhado, além dos ossos estarem se revirando no túmulo. O Lula III, como ele próprio deseja e assim assumiu, será o mandato da vingança, de aniquilar inimigos, demonstrando sua pequenez diante da grandiosidade de seu cargo. Um presidente da República não pode ter causas pessoais, vaidades menores, visão míope e ter a incapacidade de tomar decisões de grandeza, planejar um país melhor, cuidar de seu povo onde ele mais carece, sem explorar o populismo com os miseráveis. Enquanto a educação, saúde, segurança e vida urbana se transformam em um inferno inédito, suas viagens e de sua mulher são ostentações luxuosas só comparadas às da corte francesa nos tempos de Luiz XV. Não por acaso, sua predileção são as viagens a Paris, onde Janja se esbalda e nos ridiculariza. Jantares, compras de roupas de grife, desfiles da alta costura, rapapés e gastos guardados em segredo, são seus hábitos a confrontar nossos problemas. Tomara que não se repitam os fatos e consequências da revolução francesa.