Inteligência artificial: um caminho sem volta para o comércio e os serviços

A Inteligência Artificial (IA) passou de uma promessa para uma realidade tangível no cotidiano das empresas. Essa conclusão se tornou clara durante a NRF Retail’s Big Show 2026, o maior evento global do varejo, que ocorreu em janeiro em Nova York. A reunião evidenciou que a IA já é uma ferramenta fundamental para o setor de comércio e serviços, influenciando desde a administração interna até a experiência do cliente final. Vivemos em um mercado que se torna cada vez mais dinâmico, competitivo e baseado em dados. Nesse contexto, a implementação da inteligência artificial deixou de ser uma questão de inovação e passou a ser uma questão de sobrevivência e relevância. As empresas que empregam a tecnologia de maneira estratégica são capazes de tomar decisões mais ágeis, diminuir despesas, aumentar a eficiência operacional e proporcionar experiências mais personalizadas aos clientes – elementos fundamentais na decisão de compra do consumidor. No setor varejista, já existem muitos exemplos práticos. Sistemas de IA analisam dados de vendas passadas e padrões de comportamento do consumidor para prever a demanda com mais precisão, minimizando perdas decorrentes da falta ou do excesso de estoque. A precificação dinâmica, que se adapta de acordo com a demanda, e a análise perfil do cliente e concorrência, possibilitam uma maior competitividade e margens mais equilibradas. A experiência sofre uma mudança importante: deixa de ser reativa e passa a ser proativa, conversacional e contextual, com agentes inteligentes ocupando um papel fundamental na ligação entre marcas e clientes. Os assistentes virtuais começaram a exercer uma função significativa no atendimento, acompanhando o cliente desde o contato inicial até o pós-venda, com rapidez e precisão. A inteligência artificial, que anteriormente se restringia a responder perguntas e consultas sobre uma variedade de tópicos, agora também faz perguntas, interage, ajuda na tomada de decisões e guia o consumidor até a conclusão da compra. O setor de serviços também está seguindo essa direção. Estabelecimentos como clínicas, academias, salões de beleza, restaurantes e muitos outros já empregam a inteligência artificial para gerenciar agendas, diminuir ausências por meio de lembretes automáticos, personalizar ofertas e recomendar serviços extras com base no histórico e nas preferências de cada cliente. Até mesmo em empresas de pequeno porte, essas soluções ajudam a diminuir os custos operacionais e a melhorar a satisfação do cliente. Uma tendência que merece atenção é o chamado Agentic Commerce, um modelo que automatiza o processo de compra. O cliente pode pesquisar produtos, comparar alternativas, obter recomendações personalizadas, avaliar comentários e finalizar a compra por meio de uma única conversa com um agente digital. Essa tecnologia melhora a experiência de compra e aumenta consideravelmente a taxa de conversão ao simplificar etapas e remover obstáculos. Vale destacar que a implementação da inteligência artificial não requer, necessariamente, altos investimentos iniciais. Numerosas soluções já podem ser encontradas em plataformas acessíveis, integradas a sistemas de vendas, redes sociais e marketplaces. O mais relevante é dar o primeiro passo, testar, aprender e identificar onde a tecnologia pode gerar mais valor para o negócio. A inteligência artificial não substitui o fator humano. Pelo contrário, ela potencializa o trabalho das equipes, libera tempo para atividades estratégicas e fortalece o relacionamento com clientes, colaboradores e fornecedores. Para o comércio e os serviços, a mensagem é clara: a IA não é uma tendência passageira, mas um caminho sem volta para quem deseja crescer, inovar e permanecer competitivo.

Centro vivo, comércio forte

A região central de Belo Horizonte vive um momento decisivo. Após anos de esvaziamento imobiliário, perda de vitalidade urbana e redução do fluxo de pessoas, especialmente no período da noite, o anúncio da Operação Urbana Simplificada (OUS) Regeneração dos Bairros do Centro representa uma possibilidade de virada estratégica para o desenvolvimento dessa região da capital. Recebemos essa iniciativa com profundo entusiasmo e senso de oportunidade. O pacote apresentado pela Prefeitura de Belo Horizonte não se limita a atualizar regras urbanísticas: ele inaugura um novo projeto de cidade. A combinação de incentivos fiscais, como a isenção de IPTU e ITBI, a dispensa de taxas municipais e o robusto aumento de 70% no potencial construtivo da área central, cria as condições necessárias para que investidores, empreendedores e moradores voltem a enxergar o Centro como um território viável, dinâmico e atraente. Esse conjunto de medidas tem potencial real para destravar obras, estimular o retrofit de edificações antigas, atrair novos empreendimentos e requalificar espaços públicos hoje subutilizados. Para o comércio e os serviços, setores que dependem diretamente da circulação de pessoas, os impactos positivos serão imediatos e duradouros. Uma cidade viva é uma cidade onde o comércio prospera. Quando há moradia, trabalho, cultura e lazer convivendo no mesmo território, cria-se um movimento constante que fortalece lojas, bares, restaurantes, serviços e toda a cadeia produtiva ligada ao consumo. A reocupação do Centro amplia o fluxo de clientes ao longo do dia e da noite, impulsiona o empreendedorismo, cria novas oportunidades de negócios e devolve segurança e sentimento de pertencimento à população. O estímulo à habitação é, sem dúvida, um dos pilares mais importantes desse processo. Trazer novos moradores para o Centro significa movimentar a vida cotidiana: crianças na escola, movimento nos mercados, ocupação das praças, convivência entre vizinhos. A cidade se torna mais humana, e o comércio, mais resiliente. Isso sem falar na recuperação de imóveis tombados e na requalificação de áreas degradadas, que revalorizam o patrimônio cultural e turístico de Belo Horizonte e fortalecem a economia criativa. É fundamental reconhecer que nenhuma operação urbana se sustenta sem a colaboração entre todos os agentes envolvidos. Entendo que o sucesso desse projeto dependerá da atuação conjunta do poder público, do setor privado e da sociedade civil. Empresas, moradores, comerciantes, entidades de classe e gestores públicos precisam caminhar na mesma direção, com transparência, responsabilidade e visão de futuro. A criação do Comitê Gestor, prevista no projeto, é um passo importante para garantir governança, sustentabilidade e acompanhamento dos resultados ao longo da sua vigência de 12 anos. A OUS Regeneração dos Bairros do Centro é muito mais que um pacote de incentivos. Pode se transformar em um marco na reconstrução urbana e econômica da capital mineira. Representa um compromisso com o desenvolvimento sustentável, com a modernização do parque imobiliário e com a valorização da cultura e da história que moldam nossa identidade. Reocupar o Centro é devolver vida ao coração de Belo Horizonte. É promover inclusão, diversidade, oportunidades e desenvolvimento, além de transformar desafios em possibilidades. Acredito que, com planejamento, união e coragem para executar, estamos diante de uma das iniciativas mais promissoras para o futuro da cidade – e para todos que vivem, trabalham, empreendem e sonham com uma BH mais vibrante, humana e mais atraente.

Supertrimestre: boas oportunidades exigem cautela e estratégia no varejo

O último trimestre do ano – conhecido no comércio como “supertrimestre” – é, tradicionalmente, o período mais aguardado pelo varejo. Com datas como o Dia das Crianças, Black Friday e Natal, o setor se aquece, impulsionado também pela circulação do 13º salário e pelo aumento das contratações temporárias. Em 2025, as expectativas continuam positivas, mas o momento pede equilíbrio e prudência. Vivemos um cenário econômico que inspira tanto esperança quanto cautela. De um lado, indicadores como o leve crescimento da renda e a estabilidade no mercado de trabalho reforçam a confiança dos consumidores. De outro, a inflação persistente e a alta taxa de juros, com uma Selic elevada, seguem limitando o poder de compra das famílias e encarecendo o crédito – fatores que podem frear o ímpeto de consumo, especialmente em compras parceladas, tão tradicionais na Black Friday, devido à compra de itens de alto valor agregado. É essencial que o varejista una otimismo e planejamento. Tão importante quanto aproveitar o aumento natural da demanda, é estar preparado para as oscilações do mercado e os reflexos da política monetária sobre o comportamento do consumidor. Vender bem é importante, mas vender de forma sustentável é o que garante a saúde financeira do negócio ao longo do ano. O consumidor de hoje é mais exigente, informado e digital. A experiência de compra tornou-se um fator decisivo. Não basta ter preço competitivo – é preciso investir em conveniência, atendimento e logística eficiente. A pandemia consolidou hábitos de compra híbridos: o cliente pesquisa on-line, mas ainda valoriza a compra presencial. Portanto, integrar canais físicos e digitais é um caminho sem volta. Eventos como a Black Friday são oportunidades de ouro, desde que conduzidos com transparência, estratégia e controle de custos. Descontos sem planejamento podem comprometer margens e causar prejuízos. O desafio está em equilibrar promoções atrativas com a rentabilidade do negócio, considerando as restrições de crédito e o aumento dos custos operacionais. Mais que uma data comercial, o Natal merece destaque especial e representa um momento de forte apelo emocional, que movimenta praticamente todos os segmentos do varejo. A tradição das trocas de presentes e a busca por celebrações em família impulsionam as vendas de alimentos, vestuário, eletrônicos e decoração. Para o empresário, é o momento de investir em atendimento personalizado, vitrines atrativas e experiências que despertem o sentimento de celebração. O Natal continua sendo o grande termômetro do desempenho do comércio e uma oportunidade de fidelizar clientes para o ano seguinte. O supertrimestre é, sim, uma temporada de boas vendas, mas também de decisões estratégicas. Quem se planeja, analisa o mercado e entende o novo perfil do consumidor, sai na frente. É tempo de agir com inteligência, aproveitar o movimento e preparar o terreno para um 2026 mais estável e promissor para o varejo.

Menos burocracia, mais futuro: BH abraça a Liberdade Econômica

Belo Horizonte deu um passo histórico ao sancionar a Lei de Liberdade Econômica. A partir de agora, nossa capital se junta a outros 578 municípios mineiros que já entenderam que menos burocracia significa mais negócios, mais empregos e mais desenvolvimento. Por anos, convivemos com um paradoxo: Minas Gerais era destaque nacional na adesão à lei, mas a capital permanecia de fora. Essa ausência nos custou atratividade, competitividade e, sobretudo, oportunidades. Felizmente, esse cenário mudou. O prefeito Álvaro Damião sancionou a legislação e abriu as portas para que BH se torne, de fato, um território fértil ao empreendedorismo. Em suas palavras: “a cidade do sim”. O que está em jogo não é apenas a desburocratização. Trata-se de uma mudança de mentalidade no setor público: compreender que o excesso de regras, licenças e autorizações sufocam quem deseja empreender. Ao retirar barreiras e simplificar processos, a administração municipal reforça a confiança entre poder público e iniciativa privada. É assim que se constrói uma cidade amiga do empreendedor. Os dados falam por si. Em municípios que já adotaram a Lei de Liberdade Econômica, houve crescimento de até 65% no número de empresas ativas e aumento de 40% na empregabilidade. O exemplo de Esteio (RS), que registrou alta de 64% na abertura de empresas após a aprovação da lei, mostra o tamanho do impacto que medidas simples podem gerar. Arcos (MG) também comprovou que a legislação é capaz de criar um ciclo virtuoso de empregos, renda e desenvolvimento. Ao transformar BH em uma cidade mais competitiva, damos um passo decisivo rumo a um ambiente de negócios mais saudável e atrativo. Hoje, nossa capital ocupa a sexta posição entre as capitais mais competitivas do país. Mas é preciso almejar mais: queremos estar entre as primeiras. A implementação da lei é uma oportunidade para construirmos, em conjunto, uma regulamentação que realmente reflita os anseios da sociedade. CDL/BH, setor produtivo e Executivo municipal estarão lado a lado, sugerindo pontos de atenção, melhorias e diretrizes que assegurem a eficácia da legislação. O impacto vai muito além dos números. Com mais empresas abertas e mais pessoas empregadas, teremos menos inadimplência, maior confiança do consumidor, retomada do crédito e, principalmente, esperança renovada em uma cidade que pode – e deve – ser referência em liberdade econômica. O momento é de celebrar, mas também de trabalhar. O desafio está lançado: transformar Belo Horizonte em um dos melhores lugares do Brasil para empreender, inovar e prosperar.

Inadimplência: um problema além do bolso

Mais de 71 milhões de brasileiros estão inadimplentes. É um número que, por si só, deveria acender todos os sinais de alerta. Mas qual nossa atitude perante ele? Geralmente, olhamos para a inadimplência como um problema financeiro e econômico. Sempre falamos sobre juros, renegociações e parcelamentos. Contudo, raramente nos perguntamos: o que está acontecendo com as pessoas por trás desses números? Pesquisas da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostram que as causas vão muito além dos gastos acima do que se ganha ou de um cenário macroeconômico desafiador. O descontrole das finanças pessoais e a ausência de educação financeira são protagonistas quase imperceptíveis dessa história. Eis a questão que prejudica as contas do brasileiro: não se trata apenas de quanto dinheiro entra no bolso, mas de como ele é administrado – algo que, no Brasil, quase nunca somos ensinados. A dívida não pesa apenas no bolso. Outro estudo da CNDL, realizado com consumidores com contas em atraso há mais de 3 meses, de todas as capitais brasileiras e de todas as classes econômicas, mostra que ela rouba o sono, altera o apetite, aumenta a ansiedade e, em muitos casos, empurra as pessoas para comportamentos prejudiciais como o consumo excessivo de álcool, cigarro, comida – ou até para o gasto impulsivo como forma de alívio momentâneo. Cria-se um ciclo cruel: a dívida gera ansiedade, que leva a gastos impensados, que aumentam a dívida. Se uma epidemia silenciosa estivesse causando esse nível de impacto na saúde física e mental, já estaríamos falando em plano nacional de combate. Então, por que, quando o “vírus” é financeiro, aceitamos tratar apenas os sintomas e não a causa? A ausência de educação financeira estruturada na grade escolar é uma das raízes do problema. A Base Nacional Comum Curricular já prevê o tema, mas a aplicação é tímida, irregular e, infelizmente, sem apoio pedagógico consistente. O resultado? Chegamos à vida adulta sem saber planejar nossos gastos, calcular juros, diferenciar dívida boa, dívida ruim ou entender que o cartão de crédito não é extensão de salário. Com milhões de consumidores fora do mercado de crédito, o varejo sente o impacto, as empresas diminuem investimentos e a economia desacelera. O nome sujo de um consumidor impacta, em cascata, toda a cadeia produtiva. Entendo que se quisermos encarar a inadimplência, precisamos de uma mudança de padrão. É imprescindível tratar o tema como questão de saúde pública, com programas de apoio psicológico e prevenção ao endividamento. Em minha percepção, moldada a partir da atuação como administrador, contador e experiência no varejo e no empreendedorismo, entendo que alguns passos fundamentais para atacar este problema são: investimentos em educação financeira prática e contínua desde o ensino básico; incentivar empresas a oferecer programas de orientação financeira a clientes e colaboradores; fomentar políticas públicas que conciliam renegociação de dívidas com reeducação financeira, para evitar recaídas. Enquanto o Brasil continuar tratando a inadimplência apenas como uma estatística econômica, estaremos condenados a ver esse número crescer. Mais do que limpar o nome das pessoas, precisamos ajudá-las a recuperar a tranquilidade, o sono, a saúde e, principalmente, a autonomia sobre a própria vida financeira.

Dia Livre de Impostos: fomento à economia e dignidade de consumo para famílias brasileiras

No dia 29 de maio, mais uma edição do Dia Livre de Impostos será realizada em todo o país. Em Belo Horizonte, a ação, que já está em sua 19ª edição, irá promover atos de conscientização contra a excessiva carga tributária que limita o poder de consumo da população e freia o crescimento econômico do Brasil. Além disso, centenas de lojas vão comercializar milhares de produtos sem a incidência de impostos, um exemplo prático para as pessoas conhecerem como os tributos pesam no orçamento das famílias brasileiras. Para se ter ideia, do dia 1º de janeiro a 2 de maio, dia em que escrevo este artigo, já pagamos mais de R$ 1 trilhão de impostos. Cifras que permitiriam a aquisição de 2.189.323 apartamentos de três quartos no bairro Morumbi, na capital paulista, segundo o Impostômetro, da Associação Comercial de São Paulo. Ou, então, poderia adquirir mais de três bilhões de cestas básicas que ajudariam a reduzir a fome em milhares e milhares de lares. Esses números chamam a atenção para uma carga tributária excessiva que faz parte de um sistema confuso e burocrático, que dificulta a vida de empresários e cidadãos brasileiros. Isto impede a abertura, inovação, o crescimento e a competitividade dos negócios. O número excessivo de impostos estimula a economia informal, prejudica a arrecadação estatal e aumenta a desigualdade de mercado. Felizmente, no último ano, tivemos uma grande vitória: a reforma tributária. Esta foi, por muitos anos, a principal pauta do Dia Livre de Impostos. Após muitas batalhas, conseguimos alcançá-la, mas sabemos que é um processo moroso, difícil e que vai precisar do empenho de todos os envolvidos para que seja uma reforma que, de fato, reformule e transforme nosso sistema tributário. Como muitos sabem, o Brasil tem uma das maiores cargas tributárias do mundo, sem que isso se traduza em serviços públicos de qualidade. Entendemos que é necessário um sistema mais justo e equilibrado. Por isso, na pauta de nossas reivindicações está uma reforma administrativa ampla, que permita racionalizar gastos, eliminar desperdícios, otimizar o funcionalismo público e tornar a gestão do Estado mais eficiente e ágil. Também reivindicamos a redução da burocracia e facilidade no cumprimento das obrigações fiscais, para evitar que as empresas desperdicem tempo valioso com burocracia e possam focar no crescimento dos negócios, impulsionando inovação e geração de empregos. É essencial que os governos disponibilizem ferramentas modernas, como um software oficial de arrecadação de impostos, que automatize processos, minimize erros no preenchimento das guias e reduza o risco de multas para as empresas. Por fim, lutamos pela contenção da carga tributária, a fim de impedir novos aumentos, barrar a criação de novos tributos e promover um sistema fiscal mais justo para empresas e cidadãos. O Dia Livre de Impostos é uma manifestação de muitas páginas e causas, mas a principal delas é o fomento da economia e a promoção da dignidade de consumo entre as famílias brasileiras, especialmente as de menor poder aquisitivo, que são as principais penalizadas com o atual modelo de tributação do país.