Brasil é ouro na neve
Foi um orgulho nacional: o Brasil fez história nas Olimpíadas de Inverno, em Milão-Cortina 2026. Pela primeira vez o país apareceu no quadro de medalhas ocupando a décima nona posição, com o ouro de Lucas Pinheiro Braathen no esqui alpino. O orgulho começou no desfile de abertura, com 14 atletas brasileiros, super felizes de estar ali. Foi a maior delegação verde amarela nos jogos. Nosso medalhista de ouro, Lucas Pinheiro Braathen, filho de mãe brasileira e pai norueguês, mostrou que é bom de samba ao comemorar o feito histórico ensaiando alguns passos no pódio. Depois da conquista, sofreu preconceito e racismo nas redes por pessoas que o condenaram dizendo que o Brasil não poderia ganhar uma medalha nas Olimpíadas de Inverno. Como assim? Só porque somos um país tropical? A história dele também foi difícil quando rompeu com a Federação Norueguesa de Esqui, em 2023, por conflitos sobre direitos de imagem e liberdade comercial. O esquiador desejava buscar seus próprios patrocínios e divulgar o esporte no Brasil, mas se sentia restringido pela rígida cultura norueguesa. Depois de anunciar sua aposentadoria precoce voltou a competir, desta vez pelo Brasil. Deu certo e agora somos Ouro no slalom gigante! Dupla brasileira vence o Rio Open Ver o Brasil ser campeão de duplas no Rio Open foi mágico. O veterano Marcelo Melo, 42, e o jovem tenista, João Fonseca, 19, fizeram uma dupla perfeita e levantaram o troféu. Emocionado, Marcelo Melo dedicou o título ao pai, que morreu um dia depois da conquista do mesmo título, no ano passado, e à mãe, que estava presente no Jockey Club Brasileiro, no Rio. Melo é especialista em duplas e já foi o número 1 na lista da ATP (Associação de Tenistas Profissionais). O parceiro, João Fonseca, dedicou o título ao Egídio, seu fisioterapeuta. Após o Rio Open ele ultrapassou mais de 2,5 tenistas e apareceu como 160º colocado em lista atualizada. O diretor do torneio, Lui Carvalho, acenou com a mudança da quadra de saibro (terra batida), onde é possível ver o atleta deslizar para chegar até a bola, pela quadra dura, rápida, de concreto, onde o quique da bola é mais previsível tornando o jogo mais ágil. Galo tem novo treinador argentino Eduardo Dominguez já começou o ciclo no Atlético Mineiro. Com títulos importantes na carreira e sólida trajetória no futebol sul-americano, o novo treinador alvinegro fez renovar a esperança do torcedor após a decepção na segunda passagem do também argentino Sampaoli no clube. Em 2020, Sampaoli treinou o Galo e montou um time competitivo. Ao final da temporada, o time ficou em terceiro lugar, com 68 pontos, três a menos que o campeão. O Galo amassava os adversários, literalmente. Sampaoli mantinha as linhas altas e pressionava os adversários que não conheciam aquela forma de jogar. No meu livro, “ O Futebol Mineiro – 2019/2020 “, eu cito alguns jogos desse time eletrizante. Confira um trecho da crônica do dia 04/10/2020 com o título Acabou o sofrimento: “Ver o Atlético Mineiro jogar se tornou um prazer. A bola rola fácil e quase se tem a certeza de que o time vai vencer, não importa o adversário. Foi assim contra o Flamengo, na estreia do Brasileirão, Corinthians, São Paulo e Vasco, na partida deste domingo, no Mineirão. Não faz diferença se o Galo começa perdendo ou sai na frente. A impressão é de que, ao final, a vitória alvinegra vai prevalecer. O líder do campeonato está com cinco pontos a mais que o segundo colocado. A torcida já percebeu que o técnico argentino, um dos melhores do mundo, tem repertório variado, como não se vê nos treinadores brasileiros, e consegue motivar o elenco, fazendo com que todos os jogadores joguem muito bem.” Com o tempo, os times aprenderam aquele esquema de jogo e Sampaoli perdeu seu segredo. Ao que parece não se modernizou e caiu. Agora é ver o que Eduardo Dominguez trará para o Galo. Elenco tem. Estádio tem. Torcida tem. Centro de Treinamento tem. Só falta por o time para jogar bem! Em tempo: os dois volumes do livro “ O Futebol Mineiro “, da Editora Autografia, estão à venda nas livrarias Leitura, Da Rua, Quixote, em Belo Horizonte, e na internet. Basta digitar o título e o autor. São registros históricos do futebol mineiro nos anos de 2019 a 2023. Relembre os jogos e divirta-se com a leitura.
Pampulha navegável, um mundo de possibilidades
Atletas, federações e pessoas ligadas aos esportes náuticos começaram 2026 com um ar de esperança. O sonho de praticar esportes na Lagoa da Pampulha, patrimônio da humanidade, após 50 anos, ressurgiu depois que o lago se tornou navegável e a qualidade da água melhorou, segundo a Prefeitura de Belo Horizonte. O “Capivarã”, um barco com capacidade para 30 pessoas, navega nos fins de semana levando turistas encantados com o passeio na lagoa. Depois deste primeiro passo, a expectativa cresce, já que o prefeito Álvaro Damião declarou estar de braços abertos para receber interessados na prática de esportes náuticos. Espera-se que, após o atual período de férias, as federações e interessados se organizem para apresentar propostas de atividades esportivas na lagoa, com procedimentos, segurança, equipamentos e tudo o que for preciso para que a Pampulha se torne referência no setor. Não há tempo a perder. Corredores de todo o país já participam de dezenas de provas na orla há anos. Amantes do pedal também usam a Avenida Otacílio Negrão de Lima para seus treinos. Chegou a vez do espelho d’água da Pampulha ser usado para os esportes náuticos. Entre as ideias que surgiram, figura a criação de uma raia para a prática de remo. No passado, isso já foi feito e pode ser visto em filmes em preto e branco da época. Nos dias atuais, temos o stand up paddle (remar em pé), que seria perfeito nas águas calmas da Pampulha. Esportistas também já projetam uma prova de Ironman 70.3, uma modalidade de triathlon de meia distância que totaliza 70.3 milhas (cerca de 113 km), composta por 1.900 metros de natação, 90 km de ciclismo e 21,1 km de corrida. Depois de nadar, os atletas fariam cinco voltas de bike e uma de corrida na orla. Quer um cenário mais perfeito que esse? Provas com distâncias menores também seriam muito bem-vindas. A prática de esportes na Lagoa da Pampulha pode tornar Belo Horizonte uma capital referência em todo o país. A movimentação, atividades existentes e o público, que já são satisfatórios, podem melhorar exponencialmente, trazendo investimentos, ocupação na rede hoteleira, novos negócios, infraestrutura, desenvolvimento socioeconômico e qualidade de vida para toda a capital mineira. A largada já foi dada. Cabe à prefeitura coordenar esse trabalho junto com profissionais da área esportiva, que precisam se mobilizar. Um dos focos principais é garantir a qualidade da água na lagoa, com a continuidade da retirada de esgotos e tratamento de resíduos. O cenário é fantástico e precisa de ações e apoios para se concretizar. Vamos ficar de olho e acompanhar. Cruzeiro renovado O Cruzeiro poderia ter tido um 2025 perfeito, mas foi eliminado pelo Corinthians na semifinal da Copa do Brasil, em dezembro passado. Antes de entrar em campo, jogadores e metade da torcida já sabiam que o técnico venezuelano-português, Leonardo Jardim, estava de saída. Foi Jardim que colocou Gabriel faltando poucos minutos para cobrar o pênalti. Ele perdeu e o Cruzeiro foi eliminado. A direção do clube foi rápida e trouxe Tite para comandar a temporada. Pessoalmente, acho Tite um treinador mediano. Não espero dele nada surpreendente, fora da caixa. Espero sim, o previsível, o óbvio. Basta olhar para trás. O treinador perdeu duas Copas do Mundo com a Seleção Brasileira e foi previsível nos momentos cruciais. Aqui nas montanhas de Minas, levou o rival Atlético para a Série B. Tite disse que espera ser feliz no Cruzeiro, que tem um bom elenco e trouxe um reforço de peso: o meia Gerson, ex-Flamengo, na maior negociação do futebol brasileiro. Os cofres do clube foram abertos em um negócio de 27 milhões de euros (cerca de R$ 169 milhões). Neymar faz promessa Em um show do artista Thiaguinho, em Belo Horizonte, Neymar subiu ao palco e disse que fará “o impossível para o Brasil trazer o hexacampeonato mundial”. A fala mexeu com os torcedores, que voltaram a ter esperança de ver o jogador, considerado um dos melhores do mundo, voltar a jogar em alto nível. O tempo é curto, mas com foco e objetivo é possível. Se eu fosse o técnico e o Neymar estiver com 60% de sua capacidade física e técnica, estaria na minha lista, nem que fosse para jogar meio tempo. Vou torcer para isso.
A Copa chegou!
A Copa do Mundo bateu à porta e já entrou na sala dos torcedores em todo o planeta. A competição esportiva é a mais prestigiada e assistida no mundo. Com jogos espetaculares, jogadas incríveis, dribles que ninguém nunca viu e novidades tecnológicas, o Mundial já entrou nas rodas de conversas nos bares, nas ruas e nas redes sociais. O sorteio dos grupos colocou as melhores seleções como cabeças de chave. Em seguida, as outras equipes foram sendo incorporadas e todos já têm suas datas de estreia nos países-sede: Estados Unidos, Canadá e México. Pela primeira vez, teremos 48 seleções na disputa. Classificam os dois primeiros de cada um dos 12 grupos e os 8 melhores terceiros lugares. Até poucos anos atrás, os brasileiros não se preocupavam com os adversários da primeira fase. Não estavam nem aí. A Seleção Brasileira metia medo e avançava. Agora não. Já tem torcedor com medo de Marrocos e Escócia, nossos dois concorrentes diretos por vaga na fase seguinte. O terceiro jogo é contra o Haiti, esse sim, o mais fraco do grupo. Com tantos anos de jejum e tantas decepções, o torcedor brasileiro ainda sonha com o hexa. Para tal conquista, buscamos um dos melhores treinadores do mundo. Nosso elenco também é bom. Se Carlo Ancelotti conseguir dar liga no time, quem sabe o futebol brasileiro não volta ao topo do mundo e aí teremos um 2026 para comemorar. Pensei em mandar dúzias da goma de mascar predileta dele para a CBF. Aí todos entram no clima do técnico que dirige o time, mascando o chiclete o tempo todo. Coitado do dentista dele (risos). Cruzeiro tem ano positivo 2025 foi um ano ótimo para o Cruzeiro e sua torcida. A equipe esteve bem durante quase toda a temporada e terminou em terceiro lugar no Campeonato Brasileiro, conseguindo vaga direta na Copa Libertadores da América do ano que vem. Os atacantes Kaio Jorge e Matheus Pereira se destacaram. Se a Copa fosse hoje, deveriam ser escalados. Mas como é futebol, tudo pode mudar até o meio do ano que vem. Torcendo para que se mantenham em alto nível e sejam convocados. De olho na Libertadores, novos reforços devem vir no ano que vem. Segundo o site ge.globo.com, estão na lista Néiser Villarreal, artilheiro do Mundial Sub-20 com a Colômbia; e Matheus Cunha, goleiro em fim de vínculo com o Flamengo. De saída seriam Leonardo Jardim, o técnico tem contrato até o fim de 2026, mas não garante permanência; Gabigol não deve permanecer; Jonathan Jesus, o zagueiro recebeu proposta de R$ 50 milhões do Zenit, da Rússia; Fagner, Bolasie e Eduardo fecham a lista, que deve aumentar. O “Rei” anistiado O maior ídolo do Galo, Reinaldo, perseguido pela ditadura militar brasileira, por comemorar seus gols com o braço erguido e o punho cerrado em protesto ao regime, foi anistiado pelo Conselho da Anistia – órgão de assessoramento direto e imediato do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). A votação, de forma unânime, reconheceu que o ex-camisa 9 foi perseguido durante a ditadura militar no Brasil – entre 1964 e 1985. Reinaldo recebeu perdão e uma indenização de R$ 100 mil a ser paga em parcela única. O Rei se emocionou e chorou ao receber a anistia. Esse foi um erro do passado que tenta ser reparado 40 anos depois. E ainda tem gente que nega o golpe militar de 1964. Em que planeta vivem essas pessoas? Vexame do Galo no Paraguai O Atlético esteve em três finais nos últimos dois anos. No dia 22 de novembro, perdeu a Copa Sul-Americana para o Lanús, em Assunção, no Paraguai. O Galo até foi ligeiramente melhor nos noventa minutos, mas os argentinos cresceram na prorrogação e venceram nas penalidades. Hulk perdeu pênalti e, com todo respeito ao ídolo, pode estar precisando de novos ares. Se continuar no elenco, pode jogar por um tempo apenas para ver até onde vai. Na minha opinião, a maior culpa é do presidente da Associação do Clube Atlético Mineiro, Sérgio Coelho, que vem acumulando maus resultados e não tem a excelência que o clube exige. Desde o vexame que o Galo deu na derrota para o Flamengo, na Copa do Brasil, em 2024, quando em atitude desrespeitosa, tocou o hino do Galo por 50 minutos nos microfones da Arena MRV, durante a comemoração dos cariocas, tenho defendido a saída dele da presidência. Aquela atitude foi considerada um vexame que deixou muitos torcedores envergonhados, e revelou o nível do presidente que acumula três vices em dois anos. Até quando? #forasérgiocoelho.
A volta das torcidas e o ano de Galo e Cruzeiro
A temporada do futebol brasileiro vai se encaminhando para o fim. Restando poucas rodadas para o término da Série A do Campeonato Brasileiro, Atlético e Cruzeiro já fazem as contas e projetam o futuro para 2026. O Cruzeiro teve um ano quase espetacular. Depois de temporadas frustradas, chegou a sonhar e ficou muito perto de disputar o título. Não conseguiu, mas terá uma vaga direta na Copa Libertadores, torneio que não disputava desde 2019. Copa do Brasil; um sonho real Com a chegada do técnico, Leonardo Jardim, nascido na Venezuela e criado em Portugal (ele tem dupla cidadania), o time azul decolou e surpreendeu o país do futebol, se tornando uma das melhores equipes do campeonato. Com investimento e planejamento, a torcida comemora a boa campanha e pode sonhar com o sétimo título da Copa do Brasil. O Cruzeiro é semifinalista. Se passar pelo Corinthians, estará na final, em dezembro. Atlético cresce na reta final O Atlético teve um ano mais difícil. Patinou no Brasileirão, esteve perto do rebaixamento, mas se recuperou com a volta do técnico argentino Sampaoli. Com vitórias seguidas, a torcida está mais tranquila e aliviada. O trunfo do Galo é a Copa Sul-Americana. O alvinegro está a uma vitória de conquistar o título. No dia 22 de novembro, o Galo joga a vida contra o Lanús, da Argentina, em partida única. Será em Assunção, no Paraguai. Caravanas de torcedores mineiros vão invadir o estádio Defensores del Chaco para ver Hulk, que completou 500 gols em jogos oficiais, e seus companheiros, na disputa para trazer a taça à sede de Lourdes. A confiança é grande. O Atlético já venceu o Lanús na disputa da Copa Conmebol, precursora da atual Sul-Americana, em 1997. No primeiro jogo, na casa deles, o Galo começou perdendo, mas acabou goleando por 4 a 1. No final, os jogadores foram cercados no alambrado e houve muita pancadaria. O técnico da época, Emerson Leão, apanhou tanto que teve de fazer enxerto no rosto para reparar as lesões. O time alvinegro não se intimidou. No jogo da volta, no Mineirão, o placar foi de 1 a 1 e o Atlético levantou a taça. Agora tenta repetir a façanha. Duas torcidas? De olho no ano que vem, as diretorias dos dois clubes começam a se articular para uma questão importante: a volta das duas torcidas nos clássicos. É que termina em 2025 o acordo de torcida única nos jogos dos rivais. Uma partida de futebol com duas torcidas é um grande espetáculo. Tudo fica melhor, mais vibrante, colorido, competitivo, com emoção em alta. Enquete constata resultado preliminar Eu decidi fazer uma enquete informal, no sábado e domingo (8 e 9 de novembro), em grupos de WhatsApp. Perguntei se o participante era a favor ou contra a volta das duas torcidas no clássico. O Instituto Oráculo de Pesquisa e Consultoria reuniu os resultados. Total de 140 respostas. RESPOSTAS % Sim, apoio a volta de duas torcidas nos clássicos de MG 68,6% Não, não apoio a volta de duas torcidas nos clássicos de MG 30,7% Não sabe, não tenho opinião formada sobre o tema 0,7% O Instituto Oráculo também apresentou uma análise do resultado da enquete. Segundo Aldanny Guimarães Rezende, publicitário e CEO da Oráculo, houve uma importante aprovação na volta de duas torcidas em jogos do clássico (Atlético X Cruzeiro) em Belo Horizonte. Mais de dois terços dos entrevistados apoiam o retorno de jogos com torcida de times rivais. Menos de um terço dos entrevistados são contra a volta de torcidas conjunto nos clássicos mineiros. Falas como a atual modernização das arenas, com reconhecimento facial e banimento de torcedores, que cometam atos criminosos ou administrativos, aumentam a segurança dos estádios em dias de clássicos. Segurança e preservação dos estádios, em especial os que são de propriedades de times envolvidos, são os argumentos mais recorrentes de menos de um terço que reprova a volta das torcidas rivais em dias de jogos. Confira o resultado completo em: https://www.blogger.com/blog/post/edit/114935 2070360470357/6279765353189566526. Lá você também verá a opinião de torcedores que participaram da enquete e os motivos que eles destacaram para ser a favor ou contra o retorno das duas torcidas rivais em jogos de Atlético e Cruzeiro, um dos maiores clássicos do mundo. E você, o que acha? É a favor ou contra?
O triathlon e seus desafios
O triathlon (ou triatlo, em português) está crescendo rapidamente. Uma pesquisa recente do jornal Estado de Minas mostrou que o número de triatletas avançou 62,4% no país. As assessorias esportivas abrem novas vagas e clubes já têm lista de espera. O bom desempenho de atletas brasileiros tem contribuído para a divulgação e ampliação do esporte, que combina natação, ciclismo e corrida. E Belo Horizonte tem, sim, muitos atletas de destaque, que encaram desafios duríssimos, como as provas de Ironman, com 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e uma maratona de 42 km ao final. Dá para imaginar isso? Outra prova difícil é o 70.3, ou Meio Iron, com percursos de 1,9 km na água, 90 km de bike e 21 km de corrida. Também exige uma preparação física e mental espetacular. O Triathlon Olímpico tem distâncias mais educadas: 1,5 km de natação, 40 km na bike e 10 km de corrida. Há ainda outras provas com distâncias menores para os iniciantes se acostumarem e aguentarem o tranco. Quem entende do esporte aponta que, para encarar um desafio de triathlon, é necessária uma preparação de 30 semanas. O médico Paulo Randal e a jornalista Andréa Guimarães são da equipe de triathlon do Minas Tênis Clube. Os treinos na piscina olímpica são realizados três vezes por semana. A corrida e o pedal eles encaixam em outros horários. E tem ainda a academia, para fortalecer a musculatura. Em setembro, Paulo foi a Nice, na França, disputar o Campeonato Mundial de Ironman. “Em provas assim, você vê gente de todo o mundo, muitos profissionais e torcida. As pessoas ficam empolgadas. Eu fiquei na posição 103 entre 330 competidores, na minha faixa etária. No geral, entre 2.300 atletas, classifiquei em 687. Considero ter conseguido um resultado bem significativo”. Para chegar lá foram cinco anos desde que Randal começou a treinar para o triathlon. “Já corria e me interessei pelas três modalidades durante a pandemia. Eu pedalava em uma mountain bike. Resolvi fazer um simulado de natação, pedal e corrida. Gostei, comprei uma bike speed e fiz minha primeira prova de triathlon no ‘Capixaba de Ferro’, no Espírito Santo”. Como todo triatleta, Paulo Randal treina forte, seis ou sete dias por semana, variando pelo menos duas modalidades por dia. A parte nutricional é uma aliada. “Minha alimentação mudou demais. Eu era obeso e perdi 25 quilos com esporte e reeducação alimentar”. Perguntei o que o motiva: “O triathlon me ajudou muito na vida profissional. Em uma competição, você tem que tomar decisões rápidas e acertadas. Isso eu aplico no trabalho também”. A jornalista Andréa Guimarães é uma triatleta completa e começou cedo. “Na adolescência eu fazia natação, musculação, spinning e corria na esteira, ou seja, já era um tri, só que indoor”. Como ponto positivo da prática do triathlon, Andréa destaca: “É um esporte que, tendo sabedoria e respeito pelo corpo, não te lesiona, porque divide os treinos em vários estímulos, como natação, bicicleta e a corrida”. Andréa é uma atleta disciplinada e também segue uma rotina forte de treinos. Antes e durante as provas, reforça a alimentação e respeita seus limites. “Me alimento muito bem, sempre com orientação de um nutricionista; tento descansar e dormir bem. Evito eventos sociais e “tacinhas” de vinho. E não forço o meu ritmo. Se estiver cansada, paro, respiro, caminho. Tudo da melhor forma prazerosa e feliz que conseguir. Sem pressão, já basta a vida”. Em São Paulo, recentemente, Andréa fez o meio Ironman e completou a prova. “O resultado foi muito bom. Fiz o meu melhor tempo na natação e avancei bastante na bike, alegria total”. Para quem planeja entrar para o triathlon, os dois atletas recomendam começar aos poucos, ter disciplina, força de vontade e resiliência. Randal acrescenta: “Não dá para ficar bom em tudo de uma vez, vá com calma e conseguirá. Muitos querem saber: triathlon é um esporte caro? Se quiser gastar muito, tem opção, mas é possível investir pouco e começar de leve, como eu. Uma roupa de borracha, para águas abertas, custa na faixa de R$ 600. Touca e óculos de natação saem a R$ 300. Uma bike speed, de entrada, vale de R$ 3 a 4 mil (pode ser usada). Um tênis de corrida de R$ 400 fecha a conta”. Dito isso, agora é com você! Bora?
Brazão, Tostão e lesões
Um lance chamou a atenção no empate de 1 a 1, durante a partida entre Galo e Santos, no dia 14 de setembro. Em um lance na área, Igor Gomes deu uma joelhada na cabeça do goleiro Gabriel Brazão. Nocauteado, caiu no gramado e ficou imóvel por alguns segundos. Estendido na grama, Brazão levou preocupação a todos no estádio e aos que assistiam à partida pela TV, assim como eu. Os médicos, inclusive os do time adversário, correram para prestar os primeiros socorros ao goleiro santista. Naquele climão, a câmera mostrou um hematoma gigante na testa do atleta, que já mexia os braços e a cabeça, dando um certo alívio a todos. Pelo menos não está desacordado, pensei. O inchaço na cabeça de Brazão era tão assustador quanto a decisão de deixá-lo em campo com aquela touca de proteção. Informaram que o jogador disse que queria permanecer em campo. Como assim? Não! Absurdo! Qualquer pessoa de bom senso diria que o goleiro deveria ser retirado rapidamente de campo e levado a um hospital. E foi isso que acabou acontecendo. Poucos minutos depois, Brazão pediu substituição e saiu de campo em uma ambulância. Os médicos santistas disseram que fizeram os testes e que Brazão respondeu a todas as perguntas não havendo motivos para a saída dele naquele momento, mesmo com aquele “galo” gigante na cabeça. Me desculpem os médicos do Peixe, mas discordo totalmente da decisão deles e acho que arriscaram a saúde do jogador. Protocolos na berlinda, perguntei ao médico Márcio Flávio de Freitas a opinião dele sobre a contusão do Brazão: “Há um atenuante, pois a decisão médica tem que ser tomada em segundos, sob forte pressão do ambiente. Entretanto, não se justifica. Poderia ter havido consequências graves, embora estatisticamente lesões encefálicas graves em jogos de futebol sejam raras”. Freitas completou: “Sou cliente e amigo de um ortopedista de clube de futebol e há tempos ele me disse que existe protocolo para os casos de TCE (traumatismo cranioencefálico) e traumas cervicais. Acho que os protocolos ajudam muito, mas cada caso é único e não há como eliminar a incerteza. Nessas circunstâncias, preferiria pecar por excesso, mas o futebol é um negócio muito grande”. Tudo indica que Brazão deve ser poupado dos próximos jogos do Santos. Ficarei na torcida para que se recupere brevemente. No início dos anos 1970, outra lesão tirou um dos craques do campo. Tostão abandonou a carreira após um problema na retina causado por uma bolada. Depois de uma cirurgia realizada nos Estados Unidos, os médicos aconselharam o jogador, ídolo do Cruzeiro, a não continuar jogando profissionalmente. Assim ele fez. Em meados da mesma década, eu, novinho, lá pelos meus 15 anos, fui jogar uma partida de futebol de salão (hoje chamado de futsal) contra o juvenil do Cruzeiro. Detalhe: desde os cinco anos eu jogava futebol na rua onde morava, no Bairro São Pedro, região Centro-Sul de Belo Horizonte. Todo Natal meu pai me dava uma bola de couro, número 5. Na rua, eu era literalmente o “dono da bola”. Todos me esperavam para começar a pelada que durava a tarde toda. Convite raro no jogo contra os jovens azuis, fiz gols, dei assistência e tive uma exibição dentro da minha média. Ao final, o técnico me abordou, se apresentou, e disse: “No fim de semana, traga uma chuteira e uma camisa azul que você vai jogar no juvenil do Cruzeiro”. Falei com o meu pai sobre o convite e ele me lembrou do problema do Tostão. Eu sou míope e tinha acabado de colocar um par de lentes de contato, recém-chegada ao Brasil, que me deixou livre dos óculos “fundo de garrafa”. Pensei alguns dias e não retornei ao Barro Preto, sede do Cruzeiro Esporte Clube. Teria sido um bom jogador? Talvez sim, talvez não. Aposto que sim (risos). Joguei futsal até os 35 anos quando comecei a pisar na bola. Anos depois, com meu filho completando 13 anos, voltei aos gramados. Fiz uma boa dupla de ataque com ele, desta vez, no futebol de campo, de grama natural, e com chuteira de trava, sonho de todo jovem que começa a jogar futebol. Hoje, eu e meu filho praticamos outros esportes, mas a paixão pelo futebol permanece em alta.