Transporte coletivo X Políticos
Especialistas ouvidos por nossa reportagem avaliam como positiva a possibilidade de implementação do Marco Legal do Transporte Público Coletivo no Brasil (PL 3.278/21), projeto que deve ser votado no Congresso Nacional nas próximas semanas. O tema deve incrementar os discursos políticos, especialmente do pré-candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT). É o que consta nos bastidores em Brasília. Para além do interesse político, o advogado e conselheiro do Instituto Brasileiro de Estudos Técnicos Avançados (IBETA), Marcello Lauer, considera que o PL 3.278/21 tem em seu bojo uma espécie de oxigenação para o setor de transporte coletivo nacional, a partir da possibilidade de municípios utilizarem outras fontes de financiamento para ajudar a reduzir o custo das tarifas. Ele também avalia como positivo o debate sobre o tema, pois o Marco Legal exige critérios claros de transparência para reajustes tarifários. Concluindo o seu raciocínio, Marcello Lauer vaticina que a falta de transparência e de modelagem econômica ainda é um dos principais problemas dos sistemas de transporte no país. Sem muita convicção do que possa acontecer a partir do debate, o diretor-presidente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), Francisco Christovam, opina que a proposta surge após anos de deterioração financeira dos sistemas de transporte coletivo. A situação ficou ainda mais complicada a partir da pandemia, com forte queda na arrecadação das empresas. Por todas essas razões, Francisco Christovam entende não ser mais possível continuar alimentando o atual sistema apenas com a tarifa paga pelos passageiros. É importante haver uma discussão mais completa no projeto a ser implementado, para estimular maior planejamento dos sistemas de transporte e revisão das redes de linhas, contratos e modelos operacionais. A sociedade deve se lembrar que o transporte coletivo sempre esteve na mira da imprensa, tanto em Belo Horizonte quanto no Brasil, como um dos feudos financiadores de políticos, especialmente de vereadores quando estão em campanha política. Agora que tudo está indo por água abaixo, os empresários querem dividir as mazelas com o poder público. Fiquemos todos de olhos bem abertos para evitar as investidas de espertalhões.
Edição 2209 – 7 a 14 de março de 2026

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Distribuição de riquezas
A capacidade do Brasil em produzir riquezas e repartir os benefícios de maneira justa e razoável encontra gargalos complexos. Um deles é a sanha pela fortuna de muitos empresários que só pensam em aumentar seus patrimônios. Depois ocorre um viés político, onde o caminho visa o incremento dos ganhos pelos patrões, ao mesmo tempo que minimiza a distribuição dos resultados positivos para seus empregados. Os bons salários de empregados em empresas sólidas fazem conexão com a realidade relativamente à repartição dos ganhos, concebendo as chances de turbinar a economia do país. Alguns dirigentes do setor público dizem que a melhoria dos valores pagos a quem produz é a maneira mais democrática de distribuição das prosperidades. Por ser um país com desigualdades, o Brasil encontra dificuldade para atender às demandas aqui elencadas. A economia nacional não se desenvolve como deveria por uma série de pormenores, como explica a economista do trabalho, Helena Duarte. Em sua avaliação, a discrepância salarial reflete a lógica de oferta e demanda. Ela enumera que áreas técnicas requerem qualificação formal e as empresas pagam mais para atrair e reter talentos. Já as funções operacionais costumam exigir menor tempo de formação e pressionam os salários para baixo. O sociólogo André Nascimento observa que há barreiras estruturais importantes, como a desigualdade educacional, ingresso precoce no mercado de trabalho e baixa renda familiar. Na concepção do profissional, muitas pessoas precisam trabalhar desde cedo e não conseguem investir tempo nos estudos, o que contribui para perpetuar o ciclo. Para minimizar esse cenário, especialistas defendem ações articuladas entre governo, empresas e instituições de ensino, inclusive com a proposta de ampliação dos programas de formação técnica gratuita e incentivo à participação de escolas em sistema de educação continuada. A economia brasileira ainda é fortemente baseada na prestação de serviços. Esse patamar de destaque como empregado, certamente não depende dos interesses de quem vai ser contratado. Isso está em sintonia com a necessidade de investimento em educação, para aumentar a renda per capita dos brasileiros. No modelo de hoje, empresários e financistas concentram 80% do giro econômico. A verdade é que continuará existindo uma enorme desigualdade social. Para mudar esse perfil, somente quando acontecer a junção dessas ações.
Edição 2208 – 28 de fevereiro a 7 de março de 2026

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Vigílias – 28 de fevereiro a 7 de março de 2026
Residência do governadorUma indagação ouvida nos corredores da Assembleia Legislativa diz respeito a uma informação curiosa. “Onde Mateus Simões (PSD) vai residir, visto que irá assumir o Governo do Estado daqui a 60 dias?”. Só para rememorar, quando iniciou seu mandato, o governador Romeu Zema (Novo) fechou o Palácio das Mangabeiras. Rede Minas de ComunicaçãoDevido à transferência de ativos do Executivo mineiro para o governo federal, alguns problemas podem surgir. Um dos assuntos que tem gerado preocupação nos bastidores seria a possível desarrumação na estrutura da Empresa Mineira de Comunicação (EMC). Comunicação socialSegundo jornalistas da crônica política mineira, o secretário de Estado de Comunicação, Bernardo Santos, estaria de saída do posto. Ele deve acompanhar o governador Romeu Zema (Novo) em seu projeto nacional. Pimentel e Igor EtoJá não se propala mais nos meandros petistas de Minas sobre a possível candidatura do ex-governador Fernando Pimentel a deputado federal. Outro nome esquecido é o do diretor do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Igor Eto. Ele visitou vários prefeitos e lideranças municipais no ano passado, propalando o seu projeto para o Congresso Nacional. Candidatura sem fôlegoEnquanto abrem espaço para difundir as candidaturas de Flávio Bolsonaro (PL), Lula (PT), Eduardo Leite (PSD), entre outros nomes, jornalistas da imprensa especializada não concedem o mesmo espaço para o governador mineiro Romeu Zema (Novo), também pré-candidato à Presidência da República. Poder do deputadoConsta nos bastidores do Parlamento mineiro que coube ao líder do Governo na ALMG, João Magalhães (MDB), a finalização das articulações para viabilizar a candidatura do presidente da Casa, Tadeu Leite (MDB), como Conselheiro do Tribunal de Contas. Isso no plano interno, pois Tadeu teria contado também com a ajuda significativa do seu amigo, o Conselheiro Agostinho Patrus Filho. Nikolas e SimõesA agenda conjunta do deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e do vice-governador Mateus Simões (PSD) para contatos políticos no interior mineiro, teria produzido poucos resultados eleitorais, mas serviu muito para turbinar as redes sociais. Mercado CentralO espaço de gastronomia e lazer do Mercado Central sempre dominou o segmento em Belo Horizonte. Por conta de parcerias comerciais mal engendradas, o poderoso Mercado está tendo de dividir a preferência com o Mercado Novo, local que já está sendo bem divulgado pela imprensa de BH. Uma concorrência saudável. Banco do CentrãoEm Brasília, os jornalistas da crônica política costumam denominar o Banco Master de Banco do Centrão. Se estiverem próximos ao senador Ciro Nogueira (PP), os comunicadores não pronunciam essa frase para evitar ouvir um palavrão. PenduricalhosNa avaliação do jornalista Gerson Camarotti, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, promete ser um verdadeiro “ferrinho de dentista”, no sentido de infernizar a vida dos congressistas, até os parlamentares entrarem na briga para regularizar a situação de quem está sendo beneficiado pelos penduricalhos. Brinquedo de Trump“Tudo deveria ser diferente, mas a realidade é que o Conselho de Paz, idealizado e implementado por Donald Trump, não passa de um brinquedinho do presidente”. Opinião da jornalista Patrícia Campos Mello. Desafio para DamiãoDados técnicos apontam para a exigência de déficit habitacional da ordem de 50 mil moradias. Um grande desafio para o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil). Europa X RússiaEm debate na TV Cultura, o cientista político Sérgio Fausto categoriza: “A Europa não tem armas suficientes para bater de frente com a Rússia em sua guerra contra a Ucrânia. Os europeus ficam na base do faz de conta”. Dono do mundo“Ele quer mesmo é estabelecer o fim do processo democrático e se colocar como uma espécie de dono do mundo. É necessária uma reação mundial para barrar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump”. Comentário do empresário Emerson Kapaz.
Novo capítulo da BR-381
Chegou o ano eleitoral e continua somente na promessa a expectativa de remoção das famílias que residem às margens da BR-381, no trecho de 43 quilômetros entre Belo Horizonte e Caeté. Enquanto o assunto espera uma solução, segundo informações da Polícia Rodoviária Federal, foram registrados dezenas de acidentes na localidade, inclusive fatais, durante o período de Carnaval. Essa cena se repete há 30 anos, e cada presidente da República em campanha promete uma resolução definitiva para o certame. No atual governo, o assunto conseguiu evoluir e já se percebem melhorias na pista de Caeté até Governador Valadares, enquanto as obras de infraestrutura continuam sendo executadas. O gargalo desse imbróglio pode significar falta de tato das autoridades para resolver essa situação. Na extensão entre a capital mineira e Caeté, a demanda ficou a cargo do governo federal. Existem famílias que vivem no local há décadas e resistem em sair de lá, seja por motivos econômicos ou por não saberem para onde serão levadas. Por seu turno, o poder público alega possuir os terrenos destinados à construção das novas moradias dos inquilinos. O fato é que esse tema garantindo o início da duplicação e correção das pistas é desgastante, hibernado na burocracia estatal há anos. Toda vez que parece chegar a um acordo, entram em cena os parlamentares ligados aos movimentos sociais e o debate se estende ao Judiciário. Por conta dessa realidade, o Vale do Aço deixa de crescer pela falta de estrutura para escoamento dos produtos da região. Os atores envolvidos nesse capítulo carecem de aproveitar a boa vontade política para encontrar um caminho definitivo para essa celeuma. Se isso não for concebido nesse primeiro semestre, ficará impossível sanar a demanda no espaço da campanha eleitoral de 2026. Não falta mais nada a debater nesse assunto que vem sendo tratado pela imprensa como um conflito, onde motoristas e passageiros são as vítimas constantes, além do prejuízo para quem tem os seus veículos destroçados nas inúmeras curvas dessa fatídica Rodovia da Morte.
Mais de uma dezena de deputados buscam novos partidos

A semana promete ser intensa nos bastidores da Assembleia Legislativa, por conta dos acontecimentos internos, inclusive a definição oficial pelo nome do presidente da Casa, Tadeu Leite (MDB), para o cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas. O Edição do Brasil antecipou essa informação no início do segundo semestre do ano passado, cabendo desmentidos à época. No entanto, a notícia agora foi confirmada. Pelo roteiro, Tadeu deverá ficar no posto até o final do ano, o que é permitido pelo Estatuto Interno do Tribunal. Entre outras ações, o parlamentar vai buscar reforçar a eleição de sua esposa, a deputada Maria Clara Marra (PSDB). Mudança de partidos Pela legislação eleitoral vigente, o prazo de filiação partidária para quem almeja ser candidato circunda entre 3 de março a 2 de abril deste ano. Os interessados no assunto já estão em efervescência à procura da melhor oportunidade para se juntar a um futuro projeto político eleitoral. O imbróglio fica por conta dos atuais parlamentares. Alguns irão participar dessa corrida pela mudança, mas constata-se a resistência para aceitação da chegada de novos membros, especialmente por parte das siglas menores. No Parlamento mineiro, circula uma lista de 12 nomes rejeitados. Essa janela partidária só é válida para quem já tem mandato. No prazo de 30 dias, todos carecem de tomar as suas decisões. Possivelmente, Tadeu Leite (MDB) e João Vítor Xavier (Cidadania) não disputariam novos mandatos. Já a lista de estaduais querendo uma cadeira no Congresso são: Bella Gonçalves (PSOL), Lohanna (PV), Cássio Soares (PSD), Leonídio Bouças (PSDB) e Cristiano Caporezzo (PL). Relativamente aos desejos de migrarem para novos partidos, é uma lista bem preponderante. À espera de um novo ninho partidário estão os deputados: Grego da Fundação (Mobiliza), Bosco (Cidadania), João Magalhães (MDB), Betinho Pinto Coelho (PV), Doorgal Andrada (PRD), Dr. Paulo (PRD), Chiara Biondini (PP), Arlen Santiago (Avante), Enes Cândido (Republicanos), Maria Clara Marra (PSDB), Raul Belém (Cidadania), Roberto Andrade (PRD), Lud Falcão (PODE) e Ana Paula Siqueira (Rede).
Edição 2207 – 21 a 28 de fevereiro de 2026

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Vigílias – 21 a 28 de fevereiro de 2026
Damião no comandoNa semana passada, o presidente Lula (PT) deixou claro que caberá ao prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), o papel de intermediar as conversas nos bastidores da política mineira, visando turbinar o senador Rodrigo Pacheco (PSD) ao Governo de Minas. Uma missão complicada. Tadeu e Thiago CotaSegundo os últimos comentários, existem grandes chances dos nomes do presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite (MDB), e do deputado Thiago Cota (PDT), serem aprovados no plenário da Casa para Conselheiro do Tribunal de Contas. Em comum, ambos possuem idade em torno de 40 anos. Caso sejam escolhidos, permaneceriam no posto por mais de três décadas. Esqueceram do EnglerAté bem pouco tempo, o deputado estadual Bruno Engler (PL), sempre aparecendo ao lado de Eduardo Bolsonaro, era tido como um símbolo da direita em Minas. Agora, esse lustre bolsonarista foi simplesmente abandonado. Justiça de São PauloInformações divulgadas pela imprensa constatam que o Tribunal de Justiça de São Paulo gasta, anualmente, a bagatela de R$ 5 bilhões para pagar os denominados “penduricalhos” de seus desembargadores e servidores. Deputado irritadoDesalojado da presidência do União Brasil em Minas, o deputado federal Delegado Marcelo Freitas demonstrou irritação com alguns membros do seu antigo partido. Em Brasília, o parlamentar voltou a dizer que futuramente almeja ser candidato a prefeito de Montes Claros. As atuais lideranças locais que se cuidem. Briga em ContagemMesmo sabendo que não tem como evitar o compromisso de se candidatar ao Senado, a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), ainda luta para diminuir o distanciamento institucional com o seu vice, Ricardo Faria. Ele promete mudanças radicais quando assumir o comando do município. Política e dinheiroO deputado Aécio Neves (PSDB) continua indeciso em relação ao seu futuro político. Recentemente, o parlamentar confidenciou a amigos: “o problema é que uma campanha ao Governo de Minas tem um custo estimado em mais de R$ 100 milhões. Onde vamos levantar tanto dinheiro?”, indagou o tucano. Flávio no Café NiceQuando vier a Belo Horizonte, Flávio Bolsonaro prometeu passar no tradicional Café Nice, para experimentar o mais famoso café da capital mineira, cujo local serve de encontros políticos desde os tempos de JK. João MagalhãesEmbora muitas pessoas não acreditem, o líder do Governo na Assembleia Legislativa, deputado João Magalhães (MDB), continua nutrindo comentários de que estaria efetivamente disposto a deixar o MDB. A conferir. Eduardo Cunha e ZemaPara demonstrar que não está para brincadeira, o ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, agora candidato a deputado federal por Minas Gerais, almeja ser um dos mais votados no pleito deste ano. Ele está empenhado em uma melhor aproximação com o governador Romeu Zema (Novo). Política cariocaO escândalo do Banco Master faz a primeira vítima política neste início de ano. O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, pode estar envolvido no assunto de maneira a comprometer o seu projeto de se candidatar ao Senado. Apoio popularMesmo com a pressão do setor produtivo nacional, a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais caminha para ser implementada no Brasil. Em tramitação no Congresso, o projeto tem aprovação de 70% da população brasileira. Política internacionalO cientista político Sérgio Fausto comunga com a opinião de muitos analistas internacionais. Eles acreditam que o desgaste do presidente Donald Trump junto aos seus eleitores pode até diminuir a sua fama de homem mais poderoso do mundo. Dias ToffoliEm Brasília, pronunciar o nome do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, não é muito bem visto. Ninguém aposta em sua continuidade no posto por muito tempo. Americanos X EuropeusNo campo das especulações internacionais, há indícios sobre uma arrumação dos europeus para se prevenirem das decisões estabanadas de Donald Trump. Isso pode ser traduzido como um indesejado distanciamento entre duas grandes potências mundiais.
Defensor dos ricos
Está se aproximando o prazo estabelecido pela legislação eleitoral para o afastamento de cargos públicos das autoridades que estejam interessadas em disputar o pleito majoritário deste ano. Neste sentido, apenas quem almeja concorrer à reeleição está autorizado a continuar, sem abrir mão de sua função. Um privilégio para poucos, diga-se de passagem. No contexto dessa realidade, anuncia-se a intenção do governador Romeu Zema (Novo) abdicar de suas atribuições daqui a 60 dias, para empreender novos horizontes em seu projeto político. Segundo propalado pela imprensa, o chefe do Executivo pretende testar a sua popularidade como candidato à Presidência da República. É um desafio, visto que nenhum mineiro conseguiu ostentar a faixa presidencial nas últimas décadas. Há 12 anos, o tucano Aécio Neves disputou a peleja nacional por uma pequena margem de votos, mas terminou sendo derrotado por Dilma Rousseff (PT) à época. Está na hora de nomes de Minas Gerais serem incentivados a assumir protagonismo no cenário político brasileiro. O momento é oportuno para isso, até mesmo para evitar a volúpia de forasteiros, como deve ser o propósito do ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha. Ele deseja ser um paladino dos bons costumes e falar à nação como um autêntico mineiro. Relativamente ao pleito presidencial deste ano, jornalistas da crônica política mineira pontuam ser legítima a pretensão de Zema em conquistar o Palácio do Planalto. Segundo os comunicadores, o difícil será o empresário ter escamas suficientes para mostrar sua outra face. Ao ser eleito para comandar o Palácio Tiradentes, o governador sempre fez questão de se postar ao lado de dirigentes do segmento produtivo, passando a impressão de completa afinidade. Esse elo fez sentido nos sete anos de sua gestão, porém, o voto do pobre vale o mesmo peso do rico. Se tem a intenção de ser reconhecido pela grande massa, Zema terá de abandonar as benesses do poder para se embrenhar pelas comunidades e entender as demandas dessa gente. Com certeza, não sobrou espaço em sua agenda cotidiana. Cabe rememorar que o projeto dele está muito galgado na ideologia política de direita. Isso não possibilitou fazer o “dever de casa”, qual seja conceber espaço para diálogo com os descamisados. Zema pode ter muitas boas qualidades, mas não atende às demandas dessa ordem. Quem sabe se mudar de atitude ainda pode ser respeitado pelos eleitores de Minas e do Brasil.