Renúncias fiscais

A renúncia fiscal ocorre quando o governo abre mão de arrecadar parte dos impostos ou tributos devidos por empresas em prol de um estímulo da economia. Mas, há exceções quando se trata de conexão com firmas internacionais. O problema desse modelo é conviver com as espertezas de determinados segmentos empresariais. Quem é da geração dos anos 1960 deve se recordar da falta de seriedade de empresas que se instalavam na região Norte do Estado, especialmente em Montes Claros, e recebiam as benesses do governo, como empréstimos de juros módicos e completa isenção de impostos federais. Elas ficavam no local por dez anos, quase sempre impregnando o ambiente com as suas “carcaças”, e deixavam a lembrança de mais um golpe de esperteza. Nas últimas décadas, houve uma preponderante sofisticação desse processo. Segundo os entendidos no assunto, existe uma espécie de chantagem de determinados setores produtivos, quando do momento de expansão de suas atividades exigirem algum tipo de favorecimento oficial. Em Minas, o governo concede renúncias fiscais de valores do ICMS, cuja finalidade é incrementar o caixa do tesouro estadual para desenvolver as suas políticas públicas. Segundo denúncia dos deputados de oposição no âmbito da Assembleia Legislativa, há uma projeção de que as renúncias fiscais em Minas Gerais possam ultrapassar os R$ 26 bilhões nos próximos meses. A oposição recorreu à Justiça e conseguiu o direito de saber quais são as firmas beneficiadas pela decisão do governo. No bojo da lista, surge até mesmo uma dádiva conseguida à firma da família do ex-governador Romeu Zema (Novo). Sobre a revelação, não houve desmentido e esclarecimentos da Eletrozema. Essa atitude de abrir espaço para o crescimento das empresas em Minas Gerais é merecedora de aplausos. O problema é quando começam a surgir questionamentos quanto à lisura do certame. Outra realidade é que Minas contraiu uma dívida superior a R$ 200 bilhões com o governo federal, por isso, não deveria ter condições de abrir mão da arrecadação de impostos. Pelo contrário, carece de incrementar fontes de renda para honrar os compromissos financeiros com o Poder Central.

Vigílias – 27 de junho a 4 de julho de 2026

Adesão e interesseDe olho na liberação de emendas parlamentares, muitos deputados abandonaram a hostilidade para ficar mais próximos ao governador Mateus Simões (PSD), em suas viagens pelo interior do Estado. Ou seja, oportunismo puro desse grupo. Soares X PachecoNos bastidores da Assembleia Legislativa, uma das indagações constantes é saber quais foram os motivos para o distanciamento político entre o presidente do PSD mineiro, deputado Cassio Soares, e seu antigo padrinho, senador Rodrigo Pacheco (PSB). “Alguém ainda vai esclarecer toda essa situação um dia”, dizem. Culpa do ministro?Diante da dificuldade em montar uma base competitiva em Minas para defender o presidente Lula (PT) em seu projeto de reeleição, começam a ser apontados os possíveis culpados para esse imbróglio. Segundo analistas políticos, como secretário nacional do PSD, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, nunca deveria ter permitido a filiação do governador Mateus Simões à sigla. Partido NovoPela baixa popularidade de Romeu Zema (Novo) em sua pré-campanha rumo ao Palácio do Planalto, já tem matemático comentando sobre as possíveis dificuldades da sigla para eleger um número de deputados suficientes à Câmara Federal, para garantir a continuidade do partido no cenário nacional. Sucessão estadualAo menos por enquanto, não decolou o projeto político do presidente licenciado da Federação das Indústrias, empresário Flávio Roscoe, com objetivo de disputar a sucessão mineira. “Filiado ao Partido Liberal, sigla de forte presença em Minas, essa situação ainda pode ser revertida”, comentam os jornalistas da crônica política. Jogatina eletrônicaPesquisas apontam que uma média de 37% da população brasileira estaria fazendo apostas on-line nesse período de Copa do Mundo. Para os especialistas, isso está se transformando em uma epidemia nacional e causando o endividamento de muitas famílias. Esquerda no continenteAnalisando o crescimento do número de presidentes de países da América do Sul, eleitos com um viés ideológico de direita, o cientista político Sérgio Fausto vaticinou: “Pelo visto, apenas Brasil e Uruguai terão dirigentes mais ligados ao movimento de esquerda. Isso constata que a forte pressão de Donald Trump para conquistar aliados no continente tem dado resultados positivos”. Efeito Jaques Wagner“O senador baiano Jaques Wagner era a muralha de sustentação do PT no Senado. No entanto, devido ao seu envolvimento no Caso Master, se transformou em um pesadelo para a sigla. Uma realidade capaz de tirar o sono dos ocupantes do Palácio do Planalto”. Opinião do filósofo Mario Sergio Cortella. Polícia FederalSegundo especialistas, a Polícia Federal possui prestígio nacional e atuação independente. As ações da instituição têm contribuído para a manutenção da democracia no Brasil. Política internacionalQuando viu a Seleção do Haiti participando da Copa do Mundo, mesmo que em situação muito precária, a jornalista Patrícia Campos Mello não se conteve e rememorou a triste realidade de guerra civil que aquele país vive. “Deveria receber mais apoio da comunidade internacional”. Banco Master“Membros do Supremo Tribunal Federal e do Partido dos Trabalhadores estão envolvidos com o Banco Master. Mais nomes devem aparecer nesse lamaçal nos próximos dias”. Comentários do cientista político Ricardo Sennes. Briga de gigantesÉ motivo de piada a posição do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos). Acusado de ter recebido benefícios do banqueiro Daniel Vorcaro, Motta jogou a bola para cima de seu colega de parlamento, o poderoso senador Ciro Nogueira (PP). Uma briga de gigantes. Divisão no STFAs complicadas denúncias de envolvimento de membros do Supremo Tribunal Federal (STF) no Caso Master estão implementando uma espécie de linha divisória entres os ministros da Corte. Isso é o que comentam os jornalistas da crônica política de Brasília. Eduardo BolsonaroEnvolvido com problemas na Justiça e condenado por quatro anos, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro ainda nutre a expectativa de ser candidato ao Senado por São Paulo. Informação direto de Brasília da jornalista Ana Flor.

Religião e gastronomia

Desde 1958, o manto sagrado de Nossa Senhora da Piedade cobre o território de Minas Gerais como um todo, já que ela figura desde então como padroeira do nosso Estado, por uma decisão que emanou diretamente de Roma, à época. Para os devotos, seu santuário está localizado a 1.746 metros de altitude, um pouco antes da cidade de Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. E foi nesse cenário, em meio à religiosidade e a límpida brisa de ar puro das montanhas de Minas, que aconteceu a primeira edição da Rota do Queijo de Minas, com uma imersão intimista na tradicional queijaria mineira, mediante produção artesanal, degustação, cozinha ao vivo, com a participação de restaurantes da região, além de boa música e apresentações em formato contemplativo. Quem teve a oportunidade de prestigiar o evento, também reviveu a história da localidade rememorada com uma degustação e a maturação do Queijo de Minas. Entre as décadas de 1950 e 2000, uma caravana de padres formava um grupo com o objetivo de expor produtos de diferentes regiões do Estado, especialmente Serra do Salitre, Araxá e também da histórica Diamantina. Esse certame reforça o potencial da Serra da Piedade como destino de turismo religioso, cultural e gastronômico. O turista pode apreciar no percurso a Basílica, a vista panorâmica da montanha e a memória do Queijo Frei Rosário. Os organizadores da Rota do Queijo externam a preocupação de envolver a comunidade do município, para interagir com as centenas de turistas presentes durante o acontecimento. Um dos destaques no evento foram os bordados produzidos em Caeté, merecendo aplausos dos visitantes e compradores dos aludidos produtos. É o tipo de acontecimento com o objetivo de garantir espaço para o turismo, sem macular a imagem de uma região de forte apelo espiritual. “Por aqui, a pessoa conversa com Deus mais de perto, para estarmos no alto de montanha, e ainda por cima podemos apreciar uma gastronomia de primeira qualidade”, dizem os religiosos encarregados do feito. Para quem não é de Minas, seja bem-vindo nessa aventura gastronômica/religiosa capaz de fazer qualquer um se apaixonar.

Cine Humberto Mauro recebe mostra em homenagem ao centenário de Jerry Lewis

Jerry Lewis, um dos maiores nomes da história da comédia no cinema, será homenageado no ano em que completaria 100 anos. Entre os dias 27 de junho e 5 de julho, o Cine Humberto Mauro, em Belo Horizonte, recebe a mostra “A Invenção do Caos: Jerry Lewis”, reunindo sete filmes que evidenciam a originalidade e o legado do artista norte-americano. A entrada é gratuita e os ingressos devem ser retirados no site da Sympla ou presencialmente na bilheteria do Palácio das Artes. Promovida pela Fundação Clóvis Salgado (FCS), a mostra apresenta seis produções realizadas entre 1960 e 1965, período considerado fundamental na trajetória de Lewis, além de “O Rei da Comédia” (1982), dirigido por Martin Scorsese. Segundo Vítor Miranda, gerente de Cinema da Fundação Clóvis Salgado, a seleção destaca o momento em que o artista conquistou plena autonomia criativa dentro da indústria hollywoodiana. “Ele passa a dirigir os filmes que protagoniza e desenvolve uma assinatura muito particular, em que a comédia está ligada a uma construção de linguagem. É quando ele assume de vez o controle artístico e cria algumas das obras mais inventivas da sua filmografia. Nesse momento, também passa a ser mais reconhecido internacionalmente como autor”, explica. A programação inclui clássicos como “O Mensageiro Trapalhão” (1960), “O Terror das Mulheres” (1961), “O Professor Aloprado” (1963), “O Otário” (1964) e “Uma Família Fuleira” (1965). As obras revelam um cineasta que transformou o humor físico em uma linguagem cinematográfica. O conceito de caos é central para compreender a obra do artista, ressalta Miranda. “O caos está no centro da comédia dele. Os personagens quase sempre são figuras fora de lugar, tentando funcionar em ambientes rígidos e organizados e isso gera descontrole, acidentes e situações absurdas. Mas esse caos não é só narrativo: ele também aparece na forma como a cena é construída, no ritmo acelerado e no uso criativo do espaço”. Embora tenha alcançado enorme popularidade inicialmente ao lado de Dean Martin, Jerry Lewis consolidou uma carreira autoral após o fim da parceria. A mostra busca justamente ampliar o olhar do público sobre sua produção. De acordo com Miranda, os filmes selecionados deixam claro que existe um projeto autoral consistente ali. “Com escolhas muito específicas de enquadramento, ritmo e construção de humor. Isso ajuda a enxergar um artista que pensa o filme de forma completa, não apenas como intérprete”. Além de homenagear um dos grandes nomes do cinema do século 20, a iniciativa pretende aproximar novas gerações da obra do cineasta. De acordo com o gerente, o humor de Lewis permanece atual. “Mesmo décadas depois, o humor físico e a sensação de inadequação continuam muito reconhecíveis. Os personagens vivem situações de deslocamento, insegurança e tentativa de se encaixar, algo bastante atual. Além disso, a forma visual de construir a comédia dialoga bem com uma certa sensibilidade contemporânea, um humor rápido e visual”. Outro destaque da programação é “O Rei da Comédia”, único longa da mostra não dirigido por Lewis. No filme de Scorsese, o artista interpreta Jerry Langford, um apresentador de televisão perseguido por um fã obsessivo. “O filme funciona quase como um contraponto e, ao mesmo tempo, uma homenagem. Aparecendo em outra chave, mais contida e melancólica, o que reforça o impacto da sua imagem pública como comediante”, avalia Miranda. O legado deixado por Jerry Lewis permanece vivo não apenas na comédia, mas em diferentes linguagens cinematográficas. “Sua ideia de controle total da mise-en-scène ajuda a consolidar um modelo de diretor-autoral dentro da comédia, em que ritmo, gesto e enquadramento são tão importantes quanto o texto”, conclui. Serviço “A Invenção do Caos: Jerry Lewis” Datas: de 27 junho a 5 de julhoHorários: VariadosLocal: Cine Humberto MauroEndereço: Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1537 – Centro)Entrada gratuita

Marília Campos desacata orientação do PT mineiro na sucessão

O mês de junho chegou ao fim, sem que a bandeira relativamente à sucessão ao Palácio Tiradentes tenha sido desfraldada, como sempre ocorreu nos pleitos anteriores. Neste ano atípico, tem havido muito jogo de cena, porém, falta a definição de nomes ou alianças capazes de delinear a peleja no caminho visível de uma disputa coerente. Os mencionados na lista ao pleito têm uma característica: a baixa popularidade quando se analisa todas as pesquisas de intenção de voto já divulgadas. Por exemplo, o propalado senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) aparece com uma intenção de 27,7% no último levantamento, segundo dados do jornal O Tempo. Ao longo de um ano foram realizadas inúmeras sondagens junto aos eleitores, mas o parlamentar nunca ultrapassou a margem de 32%. Isso significa dizer que a sucessão mineira é hoje um espaço em campo aberto, sujeita a qualquer nova incursão. O ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), aparece com 18,3% no mesmo levantamento. No meio político é tido como um cidadão complicado e formatar alianças com ele significa uma imensa interrogação, pois a sua condição de falar o que pensa pode colocar tudo a perder. “Ele não pensa antes de emitir alguma opinião. Em muitas oportunidades, isso desagrada até mesmo os parceiros mais próximos”, avalia um político de proa. Marilia diz não Sem sombra de dúvida, a novidade da semana passada foi a recusa de Marília Campos (PT) em aceitar o desafio de disputar o Governo de Minas. Ela sequer almejou conversar com o presidente Lula (PT) a respeito dessa possibilidade. A ex-prefeita de Contagem está obstinada a levar adiante o seu projeto de tentar conquistar uma vaga no Senado. Ao emitir sinais de rebeldia, Marília rompeu uma tradição petista de sempre manter os seus filiados no contexto e acatar as decisões emanadas de reuniões entre os membros do partido, especialmente quando ditadas pelo diretório estadual. Sobre o tema, Marília Campos atalhou: “sou contra uma candidatura própria do PT”. Em sua avaliação, ainda há espaço para alianças com outros partidos do denominado campo progressista. “Mas esse tempo já está chegando ao fim, e ela está sendo de certa forma uma rebelde sem causa”, ironiza um parlamentar de alta plumagem, que prefere se manter no anonimato.

Vigílias – 20 a 27 de junho de 2026

Política nacionalQuando esteve em São Paulo, na semana passada, o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) ouviu de representantes do setor produtivo que na administração do ex-presidente Jair Bolsonaro, o então ministro da Economia, Paulo Guedes, foi torpedeado o tempo todo e seu trabalho ficou prejudicado. Flávio prometeu que terá um comportamento diferente caso seja eleito. A ver. Ministro e o governadorEm Brasília, se propala uma controvérsia envolvendo o nome do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Ele tem uma firme conexão com o governador Mateus Simões (PSD), um dos principais adversários do presidente Lula (PT). Isso ainda vai dar xabú. Pacheco apoia Jarbas“Em Minas Gerais, o senador Rodrigo Pacheco (PSB), que já está fora da sucessão estadual, atua para incrementar o projeto eleitoral de seu amigo, o ex-procurador Jarbas Soares (PSB), rumo ao Palácio Tiradentes”. Frase ouvida na sala anexo ao gabinete da presidência do Senado. Gabriel AzevedoNa semana passada, quando esteve em evento em Ouro Preto, o pré-candidato ao governo mineiro, Gabriel Azevedo (MDB), teria implorado para aparecer na foto ao lado do ex-ministro Walfrido dos Mares Guia. Só que ele postou a imagem dizendo que está costurando uma aliança política importante. Amigos do ex-ministro negam esse acordo eleitoral. Aécio irritadoRecentemente, algumas pesquisas voltaram a pontuar a rejeição do deputado e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves. Irritado, o político tem confessado a pessoas próximas que está cansado de disputar votos. Isso pode ser um sinal que o mineiro estaria pendurando as chuteiras. Zema sem assessoriaAo ser preterido em um encontro do Partido Novo, o ex-governador Romeu Zema teria ficado atordoado. Ao invés de assumir a sua falta de habilidade, disse: “minha assessoria falhou”. Família do DinisNos bastidores da Assembleia Legislativa, o discreto prefeito de Ibirité, Dinis Pinheiro, deixou as desavenças familiares para trás e entrou firme na campanha para conseguir votos para sua irmã, a deputada Ione Pinheiro (PL), na campanha para ser escolhida Conselheira do Tribunal de Contas. Força dos ruralistasNo Congresso Nacional, uma frase já se perpetua como meia realidade. “Os parlamentares da bancada ruralista são membros de uma organização que bem poderia representar a 6ª Força do Poder da República Federativa Brasileira”. Caso VorcaroO jornalista Fernando Abrucio já antecipava. “Daniel Vorcaro não quer e não vai delatar ninguém, pois está sendo pressionado por forças ocultas. Na semana passada, a esperada delação do ex-banqueiro parece ter subido no telhado de vez”. Redes sociais“Estão enganando as pessoas, dizendo que o controle das redes sociais no Brasil deve ser resolvido pelo STF, quando o Congresso é quem deveria tomar a dianteira deste debate. Porém, os complicados parlamentares não almejam levar o tema a sério”. Opinião da economista Fernanda Almeida, em debate na TV Cultura. Política internacionalAnalistas e comentaristas internacionais afiançam: “o presidente Donald Trump abandona cada vez mais a diplomacia tradicional, para utilizar as redes sociais como forma de resolver as rusgas com os demais países e também os seus conflitos mundo afora”. Banco Central“Claro que a independência financeira do Banco Central seria importante. Isso evitaria que a instituição ficasse subordinada por conta da falta de orçamento para cobrir os seus gastos obrigatórios”. Opinião do advogado e ex-ministro João Santana. Justiça EleitoralSegundo apuração da jornalista Ana Flor, o clima nos bastidores do Tribunal Superior Eleitoral é de preocupação em relação ao que pode acontecer no âmbito das redes sociais no período eleitoral. “O temor é a situação fugir do controle daquela Corte”. Clima descontroladoAs autoridades encarregadas de analisar o clima no Brasil preconizam que o calor acima da média pode impactar negativamente o setor produtivo, especialmente o mundo do agronegócio. Situação dos presídiosO ex-deputado e empresário paulistano Emerson Kapaz vaticina: “O poder público já não controla mais a situação dos presídios brasileiros. A interferência nefasta acontece sob orientação de 81 organizações criminosas que dão as cartas nos bastidores”.

Brasil/União Europeia

O complexo jogo da diplomacia internacional não é um ambiente para amadores. Esse teatro encenado por nações mundo afora é um movimento permanente, exigindo muita habilidade de representantes dos países interessados em manter negociações, como é o caso do Brasil, especialmente no segmento do agronegócio. No momento, o embate de interesse comercial é travado contra a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que está implementando, mais uma vez, um tarifaço listando os produtos brasileiros que chegam às gôndolas dos supermercados norte-americanos. Também entra em cena uma estapafúrdia decisão da União Europeia (UE), que informou a suspensão da compra de carnes bovinas do Brasil a partir de setembro. No ano passado, a UE importou aproximadamente 368 mil toneladas de proteína animal brasileira, com resultado financeiro de US$ 1,8 bilhão. Apenas a aquisição de carne bovina respondeu pelo valor de US$ 1,06 bilhão, significando 6% da receita obtida pelas exportações do país naquele período. Relativamente à restrição contra as nossas negociações perante a União Europeia, o diretor-presidente da Academia Latino-Americana do Agronegócio (Alagro), Manoel Mário de Souza Barros, minimiza o tema. Em entrevista ao Edição do Brasil, o dirigente pondera que a decisão não vai gerar impacto comercial imediato, mas acende um alerta bilionário para o agronegócio brasileiro. Ele categoriza que a medida foi anunciada neste mês de junho, com implementação efetiva a partir de setembro. Até lá, as transações comerciais seguem normalmente. Autoridades de Brasília comungam com pensamentos do diretor-presidente da Alagro, como aproveitar esse momento de dificuldade para abrir novos mercados, inclusive ampliando as transações com a China. Na opinião de especialistas, trata-se de um entrave burocrático, diante da exigência de uma documentação a ser providenciada pelas autoridades sanitárias brasileiras. Esse movimento internacional de agora confirma a tese dos meandros envolvidos no episódio e revela uma realidade. Isso ocorre como forma dos países protegerem os seus produtores. Vale dizer que a cena atual será repetida inúmeras vezes nas próximas décadas, cabendo as partes saberem como se desvencilhar desses empecilhos.