
A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou uma audiência pública voltada ao Setembro Amarelo, com ênfase nos efeitos psicológicos, sociais e econômicos sofridos por idosos vítimas de fraudes e desinformação. O encontro buscou também propor políticas públicas e ações educativas voltadas à prevenção de golpes e à promoção da saúde mental dessa população.
Dados apresentados na audiência reforçam a urgência do tema: a taxa de suicídio entre pessoas com mais de 60 anos é de 7,8 por 100 mil habitantes, acima da média nacional de 6. Entre os homens idosos, o índice chega a 14,8 por 100 mil, enquanto entre mulheres da mesma faixa etária é de 2,6. Especialistas apontam fatores como isolamento social, luto, perda de autonomia e, cada vez mais, os impactos emocionais de fraudes financeiras.
A presidente da Comissão de Saúde Mental da OAB-MG, Luciana Garcia, alertou que a maior parte dos crimes contra idosos não chega às autoridades. “Cerca de 60% das vítimas de tentativas de golpe em instituições financeiras são idosos, mas os casos são subnotificados, porque muitos sentem vergonha de contar até mesmo para a família”.
“A fraude não é apenas financeira. Ela atinge a autoestima, gera impotência e fragilidade. É fundamental criar canais de acolhimento e capacitar os profissionais para escuta humanizada”, acrescentou.
A delegada Danúbia Quadros, chefe do Departamento Estadual de Investigação, Orientação e Proteção à Família da Polícia Civil, ressaltou a sofisticação das quadrilhas. “Os criminosos desenvolveram uma engenharia social cada vez mais apurada. Entre os golpes mais comuns estão os de empréstimos consignados e os de falsos namorados, em que mulheres idosas são seduzidas e enganadas”.
Idealizador da audiência, o deputado Charles Santos (Republicanos) defendeu a criação de políticas públicas para proteção e apoio aos mais velhos. “Recebemos inúmeras denúncias de fraudes contra idosos. Mais do que novas leis, é preciso garantir que as já existentes sejam aplicadas. O silêncio é conivência. Precisamos denunciar e construir uma rede de cuidado que envolva família, Estado e comunidade”.
A audiência destacou ainda a necessidade de fortalecer os Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) para atendimento especializado de idosos, campanhas de alfabetização digital para prevenir golpes virtuais e a capacitação de bancários, policiais e profissionais de saúde no acolhimento de vítimas.
O encontro foi marcado pela convergência de especialistas em saúde, representantes da sociedade civil e autoridades de segurança pública. A mensagem final reforçada pelos participantes foi de que escuta, empatia e conscientização podem salvar vidas.
“Se o silêncio adoece, é no diálogo que transformamos dor em esperança”, resumiu a presidente da Comissão de Saúde Mental da OAB-MG, ao defender que a pauta seja tratada como prioridade de Estado.



