O avanço da Operação Sem Desconto/ INSS demonstra qualquer tentativa de minimizar a maior fraude da história recente contra aposentados e pensionistas. A prisão preventiva do ex-presidente do INSS, que exerceu o cargo entre julho de 2023 e abril deste ano, expõe uma teia de corrupção entranhada na autarquia responsável por proteger os mais vulneráveis e revela que o esquema tinha comando, método e grande ambição.
Politicamente, o caso tem peso explosivo. Paira a dúvida incômoda: como alguém acusado de participação tão ativa em um esquema bilionário assumiu a presidência do INSS? A oposição não deixará por menos. Usará o episódio para reavivar a mancha da corrupção.
A verdade é que o Estado brasileiro se tornou vulnerável a redes criminosas que se moldam aos governos, mesmo que não pertençam a nenhum deles. A fraude nos descontos, que arrancava dinheiro diretamente dos benefícios dos idosos, viúvas e trabalhadores aposentados, é sintoma de um sistema capturado por terceiros. É por isso que este escândalo não pode virar pizza. Tem que ir até o fim, custe o que ou a quem custar. Não se pode perder na disputa da narrativa entre o governo e a oposição, nem ser reduzido a um caso de polícia. O eleitorado está atento ao eficiente trabalho da CPMI no Congresso. A democracia não aguenta mais ver a máquina pública tratada como balcão de negócios. O país exige respostas e justiça.
A corrupção no INSS não é só um acidente administrativo, é modelo de negócio, explorado há anos por grupos que se aproveitam de brechas legais, fragilidade tecnológica e falta de controle interno. A captura do Estado – subterrânea, difusa, persistente – só será interrompida com reforma estrutural, transparência radical e responsabilidade real. A apuração precisa e deve alcançar todos os envolvidos independentemente de filiação partidária ou posição hierárquica. Milhões de brasileiros que contribuíram a vida inteira para ter uma renda digna no fim da vida, merecem algo mais do que indignação seletiva. O país exige que a justiça seja feita, sem atalhos e sem desculpas.
E para complementar, os mais de 30 milhões de aposentados que trabalharam a vida inteira, receberam a notícia que no próximo ano terão um reajuste de 3,71% nos seus cheques. Só que não encontram justificativa para o fato de o Bolsa Família, onde ninguém trabalha, ter quase o dobro do aumento, ou seja, quem nunca trabalhou ou contribuiu terá um aumento de 6,97%. A pergunta que fica é: isso é justiça ou injustiça?
Enquanto isso, o nosso maior problema recorrente continua sendo a falta de responsabilidade fiscal, o desequilíbrio das contas públicas, que estão ficando cada vez mais aparente. Dias atrás vimos a discussão sobre o assunto da compensação da redução do IOF. O problema da decisão é o modelo que este governo tem usado para tentar convencer a população de um crescimento econômico que não existe e caso existisse, não é sustentável no tempo. Mais uma vez está claro que o governo não terá como compensar estes benefícios que vem distribuindo. Estamos falando do gás do povo dando a 30 milhões de famílias três botijões por ano e, quem vai pagar o produto que custa hoje em torno de R$ 100 cada. A tarifa social de energia beneficiará 17 milhões de famílias que pagam uma conta de R$ 100 por mês. É só fazer as contas para ver o quanto custará por ano. E mais, a nova tabela do Imposto de Renda vai custar R$ 27,8 bilhões. E o Ministro da Fazenda ainda confirmou em entrevista a canais de TV que está na mesa do presidente e nas dos ministérios o estudo que terá o programa da campanha política para 2026, isenção do pagamento das tarifas de ônibus urbanos no Brasil inteiro. E quem vai pagar essa conta? Toda a sociedade, todos nós, concordam?
Com esse desequilíbrio fiscal os juros não caem, as empresas pagando essas taxas de juros e tendo que pagar impostos em média de 33% sobre o que ganham, elas não têm como investir e crescer. Essa transferência de recursos do setor privado e das famílias para o governo está transformando o Brasil no país que passa a régua por baixo, que vai pela pobreza e não pela prosperidade, que está no aumento da capacidade de investir e na busca da produtividade que só é alcançada com investimento nas pessoas, em educação, saúde e segurança, com destaque para uma educação de qualidade.
Estamos de forma passiva assistindo o mau uso do dinheiro do contribuinte que não é suficiente para pagar uma série de benefícios sociais que o governo vem anunciando, um atrás do outro, em ano pré-eleitoral. E o que vai acontecer é nossa dívida continuar aumentando, hoje na casa de R$ 950 bilhões, sendo este custo de toda a sociedade brasileira que vai se acostumando com a mediocridade e com esta capacidade de um Estado ineficiente, inoperante, corrupto, tirando a cada dia o lucro das empresas, a renda dos brasileiros e a nossa capacidade de poupar, transferindo tudo para despesas questionáveis sob o ponto de vista social.
Não podemos nos esquecer de que, ao final do governo passado, o país apresentou um saldo positivo de mais de R$ 6 bilhões e hoje, estamos com um saldo negativo de R$ 2,5 bilhões. É só acompanhar o resultado das estatais.



