
As quatro maiores redes de atacarejo em Minas Gerais alcançaram, em 2025, um faturamento conjunto de R$ 26,1 bilhões, valor 10,13% superior ao obtido no ano anterior, quando somaram R$ 23,7 bilhões. Além disso, essas empresas contabilizaram 301 unidades em operação e empregaram 41.162 trabalhadores no Estado. As informações integram o Ranking Abaas 2026, elaborado pela NielsenIQ em parceria com a Associação Brasileira dos Atacadistas de Autosserviço (Abaas).
São elas o Grupo Mart Minas (R$ 12,5 bilhões); Grupo ABC (R$ 5,5 bilhões); Grupo Bahamas (R$ 4,5 bilhões); Villefort (R$ 3,6 bilhões). De acordo com o relatório, o faturamento dessas quatro empresas com atuação em Minas Gerais representa 7,06% do total obtido pelas 24 companhias vinculadas à Abaas no país, que encerraram o último ano com receita de R$ 369,5 bilhões.
O estudo também aponta que as 301 unidades das redes mineiras correspondem a 13,75% do total nacional, que soma 2.189 lojas. Já o número de funcionários, 41.162, equivale a 9,54% do contingente registrado por todos os associados, que juntos empregam 431.536 pessoas.
Segundo o economista Eduardo Moreira, o crescimento do faturamento pode ser atribuído a diversos fatores, como a consolidação do modelo de vendas de atacarejo, que combina preços competitivos com variedade de produtos. “O consumidor está cada vez mais atento ao custo-benefício, especialmente após o período de inflação elevada nos últimos anos. O atacarejo consegue oferecer produtos em grandes quantidades a preços mais baixos, atraindo desde pequenos comerciantes até famílias que compram em volume para reduzir gastos mensais”.
O levantamento indica que a receita movimentada nacionalmente no último ano foi 11% superior ao de 2024, e equivalente a cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. No mesmo período, houve avanço no número de empregos diretos e de lojas, com altas de 12% e 11%, respectivamente.
Moreira reforça a relevância social do setor. “O atacarejo é estratégico para a economia, pois além de movimentar bilhões em faturamento, cria oportunidades de emprego em diferentes níveis, desde funções administrativas até operacionais. Em regiões com menor acesso a supermercados de grande porte, essas lojas se tornam essenciais para abastecer a população e fortalecer o comércio local”.
Ainda conforme a sondagem, o consumo das famílias brasileiras cresceu 1,3% em 2025, com projeção de alta de 1,5% para 2026. No atacarejo, o volume comercializado avançou 1,7%, enquanto o varejo independente e as mercearias registraram retração de 5,2%. Já os bares apresentaram queda de 6,8% ao longo do ano passado. Para Moreira, essa tendência indica que o consumidor está cada vez mais buscando formas de economizar sem abrir mão da quantidade e da qualidade dos produtos, o que favorece diretamente o modelo de atacarejo.
A analista econômica Laura Pires acredita que a perspectiva para 2026 é de continuidade no crescimento, especialmente se houver investimentos em infraestrutura e estratégias de marketing voltadas ao consumidor final. “Muitos estão investindo em tecnologia para melhorar a experiência de compra e em logística para ampliar a cobertura no Estado e no país. A expectativa é que o faturamento continue em alta, acompanhando a demanda por produtos mais acessíveis e em maior quantidade”.
O setor de atacarejo também desempenha papel importante no fortalecimento de cadeias produtivas. Segundo Laura, o aumento da demanda por produtos em grandes volumes também impacta fornecedores, produtores e distribuidores, gerando efeito multiplicador em toda a economia. “A competitividade do setor estimula ainda melhorias na eficiência operacional, na qualidade do atendimento e na diversificação de produtos, beneficiando o consumidor”.
Apesar dos números positivos, Laura alerta que o crescimento do setor depende de fatores estruturais, como o desenvolvimento de centros urbanos com infraestrutura, políticas públicas que incentivem a formalização de pequenos comerciantes e investimentos em capacitação da mão de obra.