
Em Sete Lagoas, na região Central de Minas Gerais, uma forma inusitada e criativa de arte vem ganhando espaço e encantando quem passa. Com talento, sensibilidade e muita criatividade, a artista plástica Lena Eva encontrou nos sacos de cimento um novo caminho para expressar sua arte, transformando um material rústico e descartável em esculturas expressivas.
O trabalho, além de revelar uma técnica artesanal única, também carrega um forte componente de sustentabilidade, ao reaproveitar um material muitas vezes esquecido. Segundo o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento, em 2024, a produção de cimento foi de 64,7 milhões de toneladas, com aproximadamente 1,29 bilhão de sacos de 50 kg produzidos.
A artista plástica Lena Eva explica que começou a fazer esculturas em jornais. “Mas não ficava muito satisfeita, porque com pouco tempo, ela começava a quebrar. Visitando um canteiro de obras, com meu marido que era construtor, percebi aquele tanto de saco de cimento jogado em um canto, e tive a ideia de experimentar. E foi perfeito para executar meu trabalho, pois a criação não quebrava mais”.
Ela começou esse trabalho em 2016. “Sempre fui envolvida com a arte, comecei com pinturas em telas, como hobby. Trabalhar com o papel foi após a minha aposentadoria, em 2009. Iniciei em feiras, com tentativas e erros, e só agora, que trabalho de forma profissional. Contudo, esse amor por esse material veio da infância”.
Foram quase mil peças criadas, afirma a artista. “As esculturas são de pessoas, animais, objetos, praticamente faço todo tipo de trabalho. O meu ofício vem sempre da inspiração, sou muito voltada para os meus ancestrais, gosto da cultura afro, e minhas obras tem essa pegada, além de retratar fatos do dia a dia”.
“Confecciono minhas peças sozinhas. Levo cerca de uma semana para produzir, por causa do tratamento do papel para aumentar a sua durabilidade e dureza. Hoje, trabalho com sacaria limpa, pois tenho uma parceria com uma fábrica de cimentos, porém, posso fazer as obras com sacos com resquícios de cimento ou podemos lavar também, antes de produzir, nenhuma das opções interfere na qualidade da criação”, complementa.
Exclusiva
De acordo com Lena, a obra que ela produz é exclusiva. “Como meu trabalho é muito intuitivo, não consigo fazer uma peça igual a outra. E mesmo assim, tendo um reconhecimento maior, ainda sofro um pouco de preconceito por causa do material não usual”.
“Existe uma importância em todo esse processo, porque não faço uma reciclagem do papel, e sim prolongo o ciclo de vida dele. E utilizo essas explicações, além de detalhes do processo de produção, para quebrar esse preconceito. Hoje, o meu trabalho já ganhou uma identidade e tem uma aceitação muito boa na comunidade local. As pessoas conseguem identificar que tal peça foi ‘a Lena Eva que fez’, no entanto, ainda estou lutando para ter mais reconhecimento”, acrescenta.
Desafio
Lena promove oficinas, faz brindes corporativos, além das esculturas. Contudo, o maior desafio dela, como artista plástica, ainda é vender suas peças. “Quero que as pessoas percebam que a nobreza não está no custo do material, mas na sensibilidade de transformar o bruto em poesia. Meu desejo é que o público questione seus próprios conceitos de valor. Se eu conseguir fazer alguém ver beleza e permanência em um saco de cimento mineralizado, terei mudado a forma como esse indivíduo enxerga o mundo ao seu redor”, finaliza.
Para adquirir uma escultura é só entrar em contato através da rede social: @lenaeva.castro ou pelo telefone: (31) 99948-7699.