“Tudo vira bosta”

Em 2003, o humorista, cantor, diretor e ator, o multiartista Moacyr Franco, estava vivendo o momento em que o país atravessava, compôs uma música e enviou, em CD, para Rita Lee gravar como um rock. Não deu outra. A cantora, uma das maiores da música brasileira, acertou detalhes com seu marido, o músico Roberto Carvalho, e gravou em seu disco que virou um dos maiores sucessos, surpreendendo até mesmo o autor.

“O ovo frito, o caviar e o cozido. A buchada e o cabrito. O cinzento e o colorido. A ditadura e o oprimido. O prometido e o não cumprido. E o programa do partido.

Tudo vira bosta”. Essa é apenas a primeira estrofe escrita em 2003, e tem tudo a ver com os dias atuais. Estamos chegando perto das eleições e neste final de semana os partidos começam a fechar suas candidaturas. Acontece que nenhum deles falam em programas de ação. Ninguém quer saber de melhorar ou sequer prometer melhorar a situação do nosso sofrido povo. Querem brigar, sem se importar com os reais interesses da comunidade. Não conseguem sequer anunciar apoios. Nem os partidos acreditam nos partidos. Tudo leva a crer que será uma eleição nós contra eles. Mas quem somos nós? E quem são eles? E na verdade, também tem os outros. E como ficam os interesses e as promessas de soluções para os problemas que são nossos, deles e dos outros?

A letra do hit de 2003 ainda faz mais relações com o tempo em que vivemos agora. “A rabada, o tutu e o frango assado. O jiló e o quiabo. Prostituta e o deputado. A virtude e o pecado. Esse governo e o passado. Vai você que eu tô cansado. Tudo vira bosta”.

Estamos tão perto das eleições e um dos candidatos ao cargo eletivo maior continua sendo investigado por suas ações e ligações misteriosas. Um cidadão que cria as suas próprias confusões e que tem como proposta de governo liberar seu parente da cadeia, é ultrajante! Triste para um país que assiste, diariamente, os protagonistas da política insistirem em fazer críticas e muitas vezes com informações infundadas, criadas por uma nova arma, a inteligência artificial.

Mas eles ainda podem nos surpreender. Temos ainda dois meses para conhecer o caráter de cada um, já que os planos de governo não aparecem. Enquanto isso, vamos levando a vida a trancos e barrancos que nos resta a seguir. A cidade suja, o transporte deficiente, a saúde em cheque e a educação cada vez menos valorizada. Um Congresso que não ajuda o país a crescer e trabalha sempre contra o desejo daqueles que os colocaram lá. A carreira política demonstra que agora é apenas um bico. São eleitos e nem todos querem trabalhar pelo povo. Alguns nem aparecem por lá. São vistos em vários lugares, menos em seus gabinetes. Liberam as tais emendas secretas para seus quintais, mas não conseguem explicar para que deram o dinheiro. País difícil. Muita gente puxando para baixo. Um deles, candidato a presidente, consegue até taxar o país lá fora. Cruzes! É muito difícil. Realmente, tudo vira bosta.

Pitaco 1: Só queria saber como alguém aposta em bet e fica devendo milhões? Se faz aposta pelo cartão de crédito e ele tem limite? Ou será que tem muita gente que tem limite alto e eu não sei. Pelo jeito, nem a Receita Federal sabe.

Pitaco 2: A diretoria do Atlético Mineiro anunciou que a Arena oferecerá coxinha e pastel. Já melhorando. Já teve mexerica.

Pitaco 3: O Esquina Santê está fazendo 3 anos e tem festa neste sábado com a banda Boca de Sino. O tempo passa rápido, mas o sucesso continua.

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